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26.3.17

Ide e lede




«The bad news is that Mr. Trump is succeeding. Fraudulent news stories, which used to be largely a right-wing phenomenon, are becoming increasingly popular among those who oppose the president. (I prefer not to add to the appeal of such stories by citing them, but an example is the string of widely shared items that purported to link every death of a more-or-less prominent Russian man to Russian interference in the election.) Each story dangles the promise of a secret that can explain the unimaginable. Each story comes with the ready justification that desperate times call for outrageous claims. But each story deals yet another blow to our fact-based reality, destroying the very fabric of politics that Mr. Trump so clearly disdains.»
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Rua com eles



«Depois da Holanda, temos eleições importantes na Bulgária, na França, na Alemanha e na República Checa, o pedido de saída do Reino Unido, efeitos simétricos dos resgates na Grécia e na Irlanda, manifestações na Roménia e inversões democráticas na Hungria e na Polónia, momentos independentistas em Espanha e incompatibilidades regionais acesas na Bélgica, perceções graves de insegurança no Báltico, instabilidade crónica em Itália, lados sombrios na Dinamarca e na Suécia, interesses pouco mediáticos em Malta, no Luxemburgo ou na Eslováquia, a Croácia e a Eslovénia a fugirem da tremedeira balcânica e o Chipre dividido enquanto vê a Turquia afastar-se fatalmente de Bruxelas. Mas não terá sido sempre em volta de constantes dúvidas existenciais que os europeus se foram integrando, numa cadência natural de ritmos nacionais e de alinhamentos forçados também pelo exterior? O nosso pior defeito tem sido o umbiguismo inebriante, perigoso etnocentrismo militante que nos tira perspectiva, relevância e influência. (…) É por isto que a história dos últimos 60 anos não pode ser reduzida a uns lirismos romantizados sobre o "projeto europeu", o "sonho dos pais fundadores" ou "solidariedade europeia". Foi muito mais cru, sujo e político do que isso. (…)

Feita de altos e baixos, avanços e recuos, a integração europeia não pode ser vendida como uma ilha de fantasia, um oásis funcionalista, um projeto identitário reservado, uma "potência normativa" exemplar. Ou mesmo uma criação "pós-moderna", a qual tem invariavelmente esbarrado na inadaptação a um mundo que permanece moderno, perigoso e agressivamente concorrencial. O umbiguismo e a soberba europeias têm cegado os decisores, esvaziado a natureza política e até tática da integração e respondido mal às angústias de quem cá está ou de quem quer para cá vir. Porque as crises internas e os eventos exteriores são o sangue que corre nas veias da Europa, o que precisamos é de políticos corajosos com senso e perspetiva histórica, não de proclamadores asséticos com horário de trabalho. Por isso, rua com eles e viva a Europa.»  

25.3.17

Um país, uma imagem (10)



Chile, 2010. Atacama, Lagoas Altiplânicas (a mais de 4.000 metros de altitude), Reserva Nacional de Flamingos.
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Dica (513)



Fighting for Life at 60. (Philippe Legrain) 

«The first step is to recognize how grave the populist threat really is. Liberal internationalists cannot afford to be complacent. Most thought it inconceivable that the British would vote to leave the EU, and yet they did. Donald Trump’s presidential candidacy in the United States was largely dismissed, until he won.» 
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As tripas da Europa



Pedro Santos Guerreiro no Expresso de 25.03.2017:



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Em Roma já não sobra nada


«Será então que o ministro holandês se limitou a exagerar os seus preconceitos, em contraste com a frieza equilibrante dos burocratas europeus, nada dados a exageros? A experiência diz que não. Afinal, tivemos a Grécia (vendam as ilhas, dizia um ministro alemão). Afinal, temos Guenther Oettinger, o comissário europeu promovido para dirigir o Orçamento e que exigia que os países endividados ficassem com a bandeira a meia haste (além de outras aleivosias racistas). Afinal, temos Juncker, que afirma que a França deve ser isenta das obrigações dos Tratados por ser a França. Se portanto nos perguntamos se Dijsselbloem é simplesmente uma anedota que se pode descartar com o abanar da mão, a prudência pede que se olhe para a floresta e não só para a árvore: o homem foi simplesmente a voz do governo europeu. (…)

Mais, acrescentava o ex-Presidente, isto não vai ser corrigido: “o pior é que, de facto, ninguém parece acreditar que Bruxelas (ou Berlim) tenha qualquer iniciativa nos próximos meses para responder à crise da eurozona, para alterar a ortodoxia financeira dos credores ou para criar as condições institucionais e orçamentais que tornem possíveis programas de reforma nas economias mais frágeis”. O teste está a ser feito na Cimeira que decorre este fim de semana em Roma: haverá palavras de circunstância sobre o atentado de Londres e sobre os 60 anos da fundação, enquanto os cinco cenários de Juncker serão misericordiosamente enterrados e não haverá nada sobre como deve a União superar a desunião e o desprezo pela vida dos desempregados, ou dos trabalhadores, ou dos jovens. Afinal, o dijsselbloismo tem triunfado sem oposição nas cimeiras europeias».

Francisco Louçã
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Trump não é um epifenómeno



José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«Trump não é um epifenómeno. Tudo é interessante no “momento” Trump. Quase tudo é perigoso em Trump. Nada vai ficar igual com ele e nada vai ficar igual depois dele. Quase tudo muda com ele. Trump é o mais moderno político hoje em funções numa democracia, mas a modernidade que ele ajuda a revelar é assustadora. É a cor do futuro no presente e, para quem preza a democracia, é a mais suja das cores. Mas está lá, mas está cá. (…)

A questão da verdade, cuja “morte” uma capa da Time anunciava interrogativamente, é também relevante. Alguns media americanos têm falado da “mentira patológica” de Trump, mas a classificação parece-me errada, ao atribuir a uma disfunção aquilo que nele é uma função. (…)

À sua volta, baseado no princípio de que os semelhantes se atraem uns aos outros, está uma falange de “novos ignorantes”, mas não só. O “mas não só” são aqueles que percebem muito bem a enorme oportunidade que podem ter com este homem e com a sua gente, como é o caso de Steve Bannon. Estes são os mais perigosos, têm um plano e têm sabido cumpri-lo. Aquilo que nós consideramos falhas e incompetências são o elemento gerador do caos de que eles necessitam. São os verdadeiros revolucionários que pretendem subverter o sistema democrático, instituir uma série de “novas ordens” no plano cultural, rácico, social e político. Vieram da obscuridade e das margens para o centro do mundo, onde nunca pensaram estar, precisam do conflito como pão para a boca e são homens de guerra. Não são fascistas, como às vezes levianamente são intitulados, mas apresentam um impulso de subversão, uma determinação, uma resiliência sem falhas, que é comum a muitos revolucionários modernos, como os fascistas. (…)

Trump não é um democrata, mas um autocrata numa democracia. Como Erdogan e Putin, com quem tem semelhanças na mecânica do uso do poder. Ia a escrever que era um autocrata “numa (ainda) democracia”, mas essa classificação seria injusta para a efectiva resistência quer institucional, quer opinativa, quer social, quer política que tem encontrado e que começa a travá-lo com eficácia. Não vai ser fácil travá-lo de todo nos seus excessos autocráticos, até porque homens como Trump geram uma enorme polarização, um clima de guerra civil e garantem mobilizações de apoiantes muito duras e intransigentes, que até agora têm aceite tudo o que ele faz sem pestanejar. (…)

No entanto, todas estas atitudes e revelações contribuíram para o outro lado da polarização e ajudaram a criar uma linha de intransigência contra Trump, que tem impedido o partido e os políticos democratas de terem qualquer complacência com Trump. (…) Esta resistência total tem riscos, um dos quais é o cansaço que leva a desistir, mas tem ajudado a travar Trump. (…)

O estilo de Trump ajuda a recrutar e ascender gente que faz do bullying um modo de exercer o poder, e, como estão muitas vezes bastante isolados, usam e abusam do poder formal que lhes é dado. Em áreas como a polícia, as autoridades de emigração e outras, este processo é bastante perigoso.» 
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24.3.17

Um país, uma imagem (9)



Tailândia, 2012. Ayutthaya. 
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Trabalhar para além da idade da reforma?


«Vieira da Silva explicou que “se a pessoa quiser continuar a trabalhar depois de atingir a sua idade da reforma terá uma pensão bonificada. A sua pensão vai crescer acima do valor estatutário”.»


Isto é inadmissível, salvo melhor opinião, a não ser para quem teria pensões de miséria se não trabalhasse para além da idade da reforma.

Mas não é, de todo, sempre o caso: conheço muitas pessoas que, longe de serem «pobrezinhas», julgam não haver mais vida para além do trabalho que sempre fizeram, que encaram o último dia em que se levantam quase de madrugada como um drama e que não sabem, nem querem, começar uma nova fase da vida. Essas deviam ser «castigadas», e não recompensadas, por ocuparem postos de trabalho num país com a taxa de desemprego que ainda temos.
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Há 55 anos, o Dia do Estudante



Há cinco anos, comemorámos o 50º aniversário do Dia do Estudante, hoje seremos muitos a voltarmos à cantina velha para festejarmos o 55º. Recordo um texto importante, aprovado por mais de 400 pessoas, em 24.03.2012.

O holandês errante



«Finalmente, Dijsselbloem é oficialmente considerado uma besta. Demorou, mas lá chegámos. (…)

Como todos já devem ter conhecimento, excepto os que felizmente estavam bêbedos, Dijsselbloem disse que os países do Sul gastam tudo em álcool e mulheres. O mais incrível é dizer isto como se fosse mau. Quem me dera ter gasto tanto dinheiro em boémia como gastei em bancos. A verdade é que enquanto a nossa taxa de alcoolemia subia, o partido de Jeroen Dijsselbloem caía dos 25% para os 6%.

Tenho a teoria que esta generalização é conversa de quem passou muito tempo com o Durão Barroso. Por outro lado, desconfio que isso, vinho e mulheres, foi o que andou a fazer a troika quando cá esteve por isso não deu por nada no nosso sistema financeiro. (…)

Eu sou dos que gastam dinheiro em álcool, mas confesso que a minha dúvida, quando vou para borga, é sempre a mesma: "bebo mais um Famous Grouse ou poupo para pagar uma tese de mestrado a um indivíduo que perceba disso e aldrabo o meu currículo?" Já em termos de gastos com o sexo feminino, tenho de reconhecer que, por acaso, a única vez que gastei dinheiro numa mulher foi em Amesterdão. Teve de ser. Era o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa.

Resumindo, percebo que um indivíduo com o ar do Dijsselbloem ache que para ter mulheres é preciso pagar. Felizmente, não tenho esse problema. O meu problema tem sido o dinheiro que tenho gasto com homens, dado que não há banqueiros do sexo feminino. Em Portugal, temos um vício terrível em gastar dinheiro com malta do sexo masculino, basta dizer que o Mexia ganhou 5,5 mil euros por dia na EDP em 2016. Ou seja, acabo a gastar uma fortuna com um homem e depois não posso desfrutar do sexo feminino, na sua plenitude, porque tenho de apagar a luz porque está caríssima.

No fundo, isto não passa de inveja. Temos boas praias, mulheres bonitas, bom vinho, boa comida e eles têm tulipas. E só não temos mais para gastar nos nossos belos vícios porque muitas das nossas empresas fogem para os "paraísos fiscais" na Holanda. Dá vontade de beber para esquecer.»

23.3.17

Um país, uma imagem (8)



China, 2004. Xian, Exército de terracota.
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Dica (512)



The Geopolitics Of Chaos. (Javier López) 

«The new world disorder is under way while speculation about what President Trump would do has given way to a spate of executive orders. The cocktail of reactionary withdrawal from previous commitments (Trump + Brexit) is imposing a change of guard on international relationships, leaving the northern hemisphere turned upside down.» 
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Então mas o que é isto?



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:




Na íntegra AQUI.
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O botas é que sabia!


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Dijsselbloem, o anjo inútil



«Na história da política há muitos idiotas úteis. Na política europeia há um anjo inútil: Jeroen Dijsselbloem. A sua única utilidade, até hoje, foi ser uma versão sofrível de bobo da corte de Wolfgang Schäuble.

A sua relevância no purgatório europeu deriva de fazer parte da família socialista e de ser um afinador de pianos da ideologia da austeridade. Seria impossível uma síntese destas se não existisse Dijsselbloem. Há quem acredite que ele nasceu na mesma fábrica onde foi construído Frankenstein, mas claramente houve um defeito de fabrico. Frankenstein é superior a todos os níveis. Mas é com personagens como Dijsselbloem que se regou o nacionalismo extremista e o populismo que floresce na Europa. O seu discurso, às vezes, parece o de alguém saído de "Voando sobre um Ninho de Cucos". Mas não é verdade: o seu discurso sempre foi minuciosamente estudado. O ainda ministro holandês continua a achar que é a voz dos crentes contra os pecadores. E estes, claro, dissipam tudo em "copos e mulheres". Ou em carros e tremoços. Dijsselbloem, claro, não dissipa: só bebe descafeinados e só olha para bonecas insufláveis.

Custa ter de se dar atenção a esta personagem saído de um filme de série Z. Dijsselbloem, como não singrou na carreira de comediante, foi acolhido como político. Chegou a ministro. E, pior, é chefe do Eurogrupo. O que revela bem o que é esta União Europeia a que os países do Sul têm de prestar contas sucessivas por causa da sua "dissipação moral". Quando Dijsselbloem é a voz da UE o que é que se pode esperar dela? Nada de relevante: ele é o símbolo perfeito do mundo dos vícios privados e das públicas virtudes a que os países do Norte devotaram a sua existência. Dijsselbloem é um Pierrot perigoso: diz, como político pretensamente do "establishment", aquilo que os populistas proclamam nas ruas. O que o torna um inimigo público da Europa como espaço solidário e uno. É como um falso Rei Mago: o seu aroma não é de incenso nem mirra. Cheira a ácido sulfúrico. Deveria ser colocado numa ETAR.»

Fernando Sobral

22.3.17

Um país, uma imagem (7)



Uzbequistão, 2011. Samarcanda.
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Dica (511)



A Tax on Robots? (Yanis Varoufakis)
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Valha-nos o sentido de humor!


(foto@Bruno Gonçalves)

«Se vão substituir o Dijsselbloem, por favor respeitem os povos do Sul. O nome do próximo presidente do euro-grupo deverá ser um nome paritário, ou seja, deve respeitar saudável o equilíbrio entre consoantes e vogais. Voltar a ter um nome com 67% de consoantes deverá estar fora de questão.» (Luís Aguiar-Conraria no Facebook) 
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Dijsselbloem no bordel



Pedro Santos Guerreiro no Expresso diário de 21.03.2017:

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