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13.10.07

Salvador Dali

Para ajudar a esquecer o PSD, Fátima e o Orçamento...

Bom fim de semana!


12.10.07

Lançamento de livro sobre a PIDE


Dia 30 de Outubro, às 18.30
Torre do Tombo, em Lisboa
Apresentação por José Medeiros Ferreira


P.S. - Irene Pimentel é doutorada pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde, em Janeiro de 2007, apresentou uma tese intitulada PIDE/DGS. História da Polícia Política do Estado Novo. 1945-1974.


«Venha a nós o vosso linque»


Ainda o inefável Reitor do Santuário de Fátima, a propósito da falta de milagres por parte dos pastorinhos, citado pelo DN:
«A canonização virá quando Deus achar que é oportuno.»

Lido ontem em O Regabofe:
«Blogue do Senhor (...), mostrai-nos que existis verdadeiramente, aparecei em nosso technorati, fazei milagre, venha a nós o vosso linque.»

Ficamos à espera.

11.10.07

O Reitor de Fátima

Circulam na blogosfera vários excertos de uma entrevista que Monsenhor Luciano Guerra, reitor do Santuário de Fátima, deu ao suplemento Notícias de Sábado do DN de 6 de Outubro.

Mas ainda não tinha lido esta parte (*):

«A sociedade entendeu que a melhor forma de preservar a paz, no fundo o progresso, foi tirar as mulheres de frente dos homens. O perigoso não são as mulheres, o perigo está nos homens.(...)

Eu tenho para mim que a falta de aproveitamento dos nossos jovens está na sexualidade, que lhes absorve a atenção, mesmo sem estímulos externos, o principal dos quais é a mulher. Você sabe como é a imaginação de um jovem. Ponha agora uma rapariga ao lado e vai ver que ele se distrai mais rapidamente do que com um homem.»


(*) Texto recebido por mail.

Zita Seabra, líder parlamentar do PSD?

Segundo o Correio da Manhã de hoje:

«Zita Seabra é cada vez mais apontada como a possível sucessora de Marques Guedes na liderança do grupo parlamentar do PSD.»

Se isto acontecer, vou jogar no Euromilhões. Há muitos dias, sem que ninguém ainda falasse desta hipótese, ela impôs-se-me como uma evidência (e tenho testemunhas!). Só não a pus aqui no blogue por... vergonha.

Faz todo o sentido, tem todos os ingredientes para «dar certo» – tem traquejo (e quanto!), é versátil (esquerda, centro ou direita, para ela não têm segredos), é corajosa (já Cunhal o dizia), defende (e inventa, se necessário) o que for preciso, é mulher (excelente para as quotas) e, ainda por cima, católica!

9.10.07

Lido e sublinhado (9/10)

Martim Silva em Mau Tempo no Canil, a propósito de José Rodrigues dos Santos:

«Em resposta, vai levar com um processo disciplinar, que pode levar ao seu despedimento. O que me preocupa é que o homem pode vir a ficar ainda com mais tempo livre para escrever aquelas xaropadas inenarráveis que vendem que nem pãezinhos quentes.»

Mas que Tratado!


Comecei hoje a (tentar) ler o PROJECTO DE TRATADO QUE ALTERA O TRATADO DA UNIÃO EUROPEIA E O TRATADO QUE INSTITUI A COMUNIDADE EUROPEIA. É assim que se chama.

Primeira reacção: é longo (152 p. na versão PDF disponível em português), muito longo e bastante intragável.

Segunda: independentemente da questão da existência ou não de referendo, parece indispensável que o dito Tratado seja conhecido, certo? Para tal, alguém, algures, tem de o explicar. Não sei se numa versão digest, se nos jornais, se em debates televisivos, se na blogosfera. Não basta dizer que está disponível na internet.

O silêncio em torno deste assunto começa a parecer-me ensurdecedor.

8.10.07

Comandante Che Gevara (2)

Depois das considerações sobre a capa da Atlântico, um brevíssimo comentário ao artigo de Rui Ramos (RR) «O desprezo de Che Guevara» e algumas considerações de ordem pessoal.

Globalmente, acho absolutamente inadmissível que sejam postos no mesmo plano as acções e os efeitos das mesmas, nos casos de Hitler e de Che Guevara (CG). Adiante: já muitos disseram porquê.

Mais concretamente e para focar apenas um aspecto. Diz RR a páginas tantas:
«Convém recordar a época. Depois de 1956, do XX Congresso do PCUS e da invasão da Hungria, ninguém que quisesse ser levado a sério entre os intelectuais ocidentais podia entusiasmar-se com a URSS, como acontecera no tempo de Estaline. A revolução cubana mudou tudo isto.»
De acordo: nada voltou a ser como antes. Mas é precisamente esta realidade e a sua contextualização que RR perde de vista no artigo. Viveu-se uma verdadeira «revolução cultural» (não a de Mao, mas uma outra, bem ocidental, predominantemente latina) que veio para ficar, apesar de todos os erros e de todos os fracassos. Não vale a pena tentar riscá-la da História.

Não me alongo na análise do artigo. Ele está cheio de sound bytes, mais ou menos bombásticos, que combinam bem com a capa. Por exemplo: RR defende que Cuba não era e se tornou um país pobre porque «o papel de Guevara, no seu novo país, foi o de Mugabe no Zimbabué».


Passo agora para um plano pessoal.
Quando Fidel tomou o poder, em Janeiro de 1959, eu estava a estudar na Bélgica. Num país sem censura, segui os acontecimentos mais pormenorizadamente do que poderia tê-lo feito em Portugal. Lovaina estava longe de ter um ambiente esquerdizante, mas o que é certo que os acontecimentos na América Latina foram seguidos com grande interesse e entusiasmo, numa população estudantil especialmente cosmopolita. Faziam parte do grupo dos meus amigos mais próximos alguns dos muitos húngaros que tinham fugido do seu país e pedido asilo político depois dos acontecimentos de 1956 e que alimentaram, entusiasticamente, a esperança de que, em Cuba, iria nascer um «mundo novo», diferente daquele de que tinham sido vítimas.
Estavam também iminentes a independência do Congo Belga e do Ruanda (que vieram a acontecer em 1960), muitos dos futuros ministros estudavam então em Lovaina e conheci-os pessoalmente, com todas as suas expectativas e limitações.
Em Roma, João XXIII, recentemente eleito, convocou o Concílio Vaticano II em 25 de Janeiro de 1959.

América Latina, África e a Igreja Católica pareciam então encaminhar-nos para amanhãs em que seria possível cantar. Infelizmente, o canto foi muitas vezes de cisnes.

Em Portugal, vivia-se no triste rescaldo das eleições em que Humberto Delgado concorreu à Presidência da República, com todas as desilusões para quem tinha acreditado no fim da ditadura.

Os anos foram passando, regressei a Lisboa e quando Che Guevara morreu, em 1967, ele e outros (Camilo Torres, por exemplo) povoavam o imaginário de muita gente. Juntavam-se a muitos outros factores, como as (últimas) esperanças quanto aos efeitos do Concílio, as mensagens dos movimentos hippies, a música (nomeadamente dos Beatles) e viriam a desaguar no nosso entusiasmo com o Maio de 68 em França. Não haveria ainda T-shirts, mas andavam por aí alguns toscos posters.
Influenciaram, sem qualquer espécie de dúvida, muitas das acções de resistência ao fascismo – por exemplo, nas hostes dos chamados «católicos progressistas», nas quais então me movia.

Os ecos perduraram até hoje, no consumismo que entretanto invadiu tudo, com Che perpetuado em ícone, como tem sido exaustivamente descrito. Che e tudo o resto – «Jesus Cristo, superstar»

Mas não são só ecos. Em viagem recente à Namíbia, tive como guia do grupo em que ia integrada um angolano que, tendo ficado órfão em criança durante a guerra civil, foi levado para Havana por soldados cubanos. Por lá estudou até ao fim do secundário, regressou a África há alguns anos e foi parar à Namíbia. Ainda enverga quase todos os dias T-shirts cubanas, algumas com o Che. Interpelado por nós quanto à situação política e à falta de liberdade em Cuba, sorria, encolhia os ombros e dizia: «Foram eles que me salvaram».

Avaliza isto, de algum modo, o regime de Fidel de Castro, o que se passou e passa, as prisões, a corrupção e a prostituição para que são empurradas as populações e tudo o resto? De todo.

Mas não houve só branco ou preto – houve também muitos tons de cinzento, de verde esperança e um pouco de todas as outras cores.

7.10.07

Comandante Che Guevara (1)

Andam por aí indignações várias porque a Atlântico escolheu para capa do seu último número esta fotografia de Che Guevara com bigode à Hitler.



Declaração de interesses:
Sou leitora (quase) habitual da revista desde o primeiro número. Lamento que «as esquerdas» desdenhem e a ignorem mas não consigam ter nada de equivalente.


Voltando à fotografia. Independentemente do conteúdo do artigo de Rui Ramos (lá chegarei, provavelmente, num segundo post), a capa é um bom furo (quem não faz marketing, até na blogosfera, que atire a primeira pedra), é muito forte e, sobretudo, é um exercício de liberdade de expressão e como tal deve normalmente encarada. Concorde-se ou não – e eu discordo frontalmente – com a mensagem que veicula.

Está ao mesmo nível das caricaturas de Maomé, do preservativo no nariz do papa ou da falta de respeito para com a família real espanhola. Quem não quiser que não olhe. Ou há saudades da censura?


A propósito do 40º aniversário da morte de Che Guevara, os próximos dias vão ser pródigos em posicionamentos politicamente correctíssimos de ex-idólatras arrependidos. Não será o meu caso. Nunca andei com T-shirts guevarianas, mas continuo a valorizar – e muito – o papel que este e outros «heróis» da América Latina tiveram na minha geração e em várias outras, especialmente significativo no Portugal de Salazar.

Como diz Rui Bebiano em A Terceira Noite, num texto de leitura absolutamente obrigatória, «No seu tempo, [CG] foi sim um agente transformador, integrado no fluxo mundial de expectativa de mudança vivido no decurso dos “longos anos 60”, e, ao mesmo tempo, integrador de solidariedades e de projectos de emancipação que cumpriram o seu papel histórico.»

E, em jeito de provocação, tão legítima como a que concedo a quem odeia Che Guevara, hoje ou desde sempre, este blogue tem pela primeira vez música de fundo (que pode ser desligada...).