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22.12.07

Ceia de Natal?

Estou absolutamente boquiaberta.

Alguém é capaz de me explicar qual a razão de ser de um longuíssimo programa de culinária, expressamente promovido por um hipermercado, em horário nobre da RTP1?

Doze personalidades (Mário Soares, António Barreto e outros, incluindo alguns que não sei quem são) serviram de cenário, foram comendo e bebendo e, nos intervalos, vieram falar dos avós, da generosidade, de crianças e dos pobrezinhos – enfim de inevitáveis banalidades. No fim, receberam presentes – cestas com produtos portugueses «da mais alta qualidade», como o representante do Continente teve o cuidado de sublinhar.

Ou me escapou alguma coisa, ou estiveram a preparar um Tesourinho Deprimente para uns quaisquer Gatos Fedorentos.

Os nossos dois provincianos

ACTUALIZADO (*)

Ana Sá Lopes, hoje, no DN:

«O "é verdade, sou um provinciano" (...) marca um novo impulso na identificação entre primeiro-ministro e Presidente da República. (...)

Há em Sócrates – como, de resto, em Cavaco – qualquer coisa parecida com uma comovente ingenuidade. Eles pesam o que dizem, não dão ponto sem nó, treinam o discurso e mantêm-se sempre na permanente tensão dos genuínos provincianos no Palácio. De Poço de Boliqueime para Lisboa, de Vilar de Maçada para o mundo, há um percurso socrático-cavaquista comum. (...)

Vá lá, provincianos somos todos. O canto não é propriamente cosmopolita e não existe sequer uma cidade a sério. Lisboa é uma avenida e três teatros, onde vão três escritores que têm quadros de três pintores.»

Ler o artigo na íntegra aqui.


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(*) Ler comentário a este post em A Barbearia do Senhor Luís.

20.12.07

Escritores da Liberdade

Ao Raimundo Narciso, do PUXAPALAVRA, os meus agradecimentos pela nomeação, especialmente significativa porque vem de alguém que, muito mais do que «Escritor da Liberdade», lutou e sofreu por ela como poucos. Os seus dez anos na clandestinidade falam por si.

«Passo a bola» aos cinco que se seguem.

Em primeiro lugar, escolho um blogue colectivo, o Não Apaguem a Memória!, na pessoa da Paula Cabeçadas, porque é quem mais o tem «alimentado» nos últimos tempos. Que isto sirva para chamar a atenção de alguns para o Movimento com o mesmo nome.

Rui Bebiano, de A Terceira Noite, foi uma das pessoas que gostei muito de conhecer em 2007. Excelente escritor é certamente, livre sem qualquer espécie de dúvida. E tem o espaço de que mais gosto na blogosfera.

O Fernando Redondo, do Dotecome, é um velho amigo e companheiro, de várias décadas e de muitas andanças, antes e depois de termos chegado juntos à liberdade.

Nelson de Matos, que tantos escritores ajudou, meu editor (e também do Raimundo Narciso), tem um blogue mais ou menos escondido, o Textos de Contracapa,2. Bem ganhávamos se se juntasse mais a estas lides.

Na pessoa do Samuel, de “O Cantigueiro”, leitor assíduo do «Brumas», honro os que usaram a cantiga como uma arma quando era ainda muito difícil fazê-lo.

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P:S. – Não arrolei alguns, porque vi que já tinham sido nomeados por outros. Dois exemplos apenas: o João Tunes e o Eduardo Graça.

19.12.07

A suspensão do PASSADO / PRESENTE

Uma notícia triste, porque se tratava de um excelente blogue, único no seu género.

Habituara-me a esperar que por lá aparecesse a crítica ao livro X ou a notícia sobre a efeméride Y.

Mas percebo que é difícil manter vivo o passado, quando o presente invade todos os espaços e ocupa todos os tempos.

Para o Rui Bebiano e para o Miguel Cardina, um obrigada e até breve – tentem voltar.

Carla e Nicolau


Em Womenagetrois:

«...A França poderá ser o primeiro país do mundo a ter uma primeira-dama que o mundo já viu nua. (..,)

Está mais que provado que, em política como no amor, os fins justificam os seios.»

18.12.07

No reino da Belgoslávia

Ensino a peso


Não foi preciso Bruxelas decretar porque nós somos bons alunos e já aprendemos a filosofia.

«Todos os manuais do 1.º Ciclo que ultrapassem os 550 gramas ficam automaticamente excluídos da lista de manuais que as escolas podem adoptar. Para os 2.º e 3.º Ciclos o peso aumenta um pouco, estando o limite máximo situado nos 750 gramas.»

Esquecem-se de que os portugueses são hábeis: um livro dará lugar a dois, tiram-se «bonecos», diminui-se o tipo de letra. Melhor ainda, imprime-se em papel Bíblia – ou de mortalha que os jovens conhecem bem.

17.12.07

Amar a pátria até ao sacrifício


Volto ao livro sobre a Mocidade Portuguesa Feminina.

Andam por aí muitas tentativas de branqueamento do passado e frequentes declarações de inocência de pessoas e de instituições. É por isso bom trazer à luz do dia textos que falam por si.

A MPF, definia-se como apolítica e é evidente que nunca o foi. Basta ler os seus Objectivos da Formação Nacionalista, definidos em 1942 (*):

Dar a conhecer o passado de Portugal e a riqueza do “património lusitano, latino e cristão”;

• Preparar as gerações futuras para amarem a pátria “até ao sacrifício”;

• Transmitir os “princípios morais e patrióticos” que enformavam o “equilibrado nacionalismo do Estado Novo”;

• Apontar Salazar como o “realizador da Restauração económica e política do país, mas também, e sobretudo, da Reforma Moral tão necessária na nossa Pátria e que é base de toda a reconstrução nacional”;

• E dar como exemplo os “valores femininos da nossa História”, para formar raparigas “conscientes dos seus deveres de Cristãs e Portuguesas e convictas da necessidade de cooperarem, pelas suas virtudes, pelo seu aperfeiçoamento moral, na conquista dum Portugal Maior”.

Foram várias as gerações onde tudo isto ficou gravado, mesmo que mais ou menos inconscientemente. Os comportamentos foram condicionados, o medo assimilado, um orgulho nacional bacoco (que talvez ainda hoje condicone muitas coisas) imprimiu carácter.

Reavivar a memória afasta fantasmas. Liberta para o futuro - pelo menos assim o espero.

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(*) Fonte: Irene Pimentel, Mocidade Portuguesa Feminina, A Esfera dos Livros, Lisboa, 2007, 240 p.
Foto: p.15. Texto: pp.88-89.

16.12.07

China condena Alemanha por contrafacção

A China evangeliza o mundo


Mao Tsé-Tung deverá ter dado algumas voltas no seu mausoléu da Praça Tienamen, quando saíram da tipografia do Exército de Libertação (onde era impresso o seu Livro Vermelho) as primeiras bíblias fabricadas na China. Estava-se então no início da década de 80.

Mas o negócio só explodiu nos últimos vinte anos, já com sede própria em Nanjing, depois da criação de uma joint-venture entre uma empresa chinesa, a Amity Printing, e outra inglesa. Cinquenta milhões é o número de exemplares já impressos - em noventa línguas e exportados para mais de sessenta países. Estima-se que, em 2009, um quarto da «produção mundial de bíblias» (!...) seja chinesa.

Aliás, a religião está na moda na China. O próprio presidente Hu Jintao terá reconhecido a importância do seu papel para conseguir a harmonia da sociedade.
Ele lá sabe.

Fonte