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1.3.08

A caridade cristã do cardeal Policarpo

ADENDA (*)

O Sol publica hoje uma longa entrevista com o cardeal de Lisboa, com várias passagens chocantes. Detenho-me apenas numa (pelo menos por agora), onde é abordada a questão da natalidade na Europa.

Será longa a citação e o realce é meu.

«As pessoas começam por esbarrar com as dificuldades e habituam-se à ideia de um só filho. Desde que se quebre o coeficiente de equilíbrio a sociedade fica aberta a ser ocupada por gente vinda do terror e vinda do Ocidente e do Oriente como diz o Evangelho. O que faz com que seja previsível que dentro de alguns anos as sociedades europeias percam a sua fisionomia do ponto de vista religioso, do ponto de vista comportamental, cultural. Como se sabe, já há sociedades europeias a braços com a multiculturalidade e com a dificuldade de harmonia entre as diversas procedências da população, de que por um lado precisamos.»

Evidentemente que o mais chocante, na forma, é a expressão «gente vinda do terror». Vai para além do admissível, entra no domínio do mau gosto e é cruel. E tem pouco a ver com um qualquer conceito de caridade cristã...

Não sei o que é nem onde é, para o cardeal, o terror – para mim, está em todo este texto.

Porque o que se diz, muito claramente, é que os europeus deviam ter muitos filhos para não PRECISAREM dos outros, para se DEFENDEREM de más influências, para que não seja ESTRAGADA uma (suposta) harmonia, cultural e religiosa, europeia.

Os mesmos que, a partir da Europa, invadiram o mundo para o «evangelizar», que impuseram as suas verdades pelos cinco continentes, que colonizaram e ajudaram a colonizar, que foram agentes ou cúmplices de tantas prepotências, sentem-se agora acossados e gostariam de poder construir uma espécie de muralha que os protegesse de invasões de novos bárbaros – os tais vindos do terror.

Mas não podem. Não estamos no século XV mas no XXI. O mundo é aberto, multiculural, será cada vez mais mestiço – e isso é um bem e não um mal. Queiram ou não todos os dons Josés Policarpos desta terra.


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(*) Eu e a Shys trocámos mails e textos sobre este assunto ao longo do dia, mas acabei por escrever primeiro. Mas ela acrescenta aqui algo de fundamental que eu não disse: trata-se de «xenofobia pura e dura».

Lugares de culto (5)



Patan (Nepal)

29.2.08

Quando os exemplos vêm (muito) de cima













«Geração em saldo», uma longa reportagem e tema de capa da Visão de ontem, fez-me pensar numa conversa muito recente com um grupo de amigos do meu filho, exemplos mais ou menos típicos da dita geração.

Precariedade? É já lei tão geral que nem a põem em causa, mesmo quando ganham relativamente bem. A «sorte» é ter um contrato, «não estar a recibos verdes». Retive um caso.

O Museu da Presidência da República foi inaugurado, com toda a pompa e dignidade, em 5 de Outubro de 2004 e precisou, naturalmente, de admitir empregados.

A jovem concreta, de carne e osso, que conheço bem e a quem telefonei hoje para confirmar os factos, foi um deles. Esteve dois anos com contrato a prazo e passou depois a... recibos verdes. Ela e outros, numa função que é tudo menos provisória (a não ser que alguém pense vir a fechar as portas do Museu) e no trabalho mais dependente que se possa imaginar.

Continuam à espera, nem sabem exactamente de quê. No Palácio de Belém, muito perto de Cavaco Silva, protegidos pela bandeira verde que assinala a presença do presidente no seu local de trabalho – que é também o deles, de 2ª a 6ª feira, a tempo inteiro, há mais de três anos.

Insignificâncias

Isto de cadeias na blogosfera está a ficar cada vez mais rebuscado e a CS meteu-me em mais uma.

Pede-me ela que indique «seis insignificâncias» - para mim entenda-se.

Estados de alma, objectos, pessoas...? Baralhei tudo, pensei pouco e saiu isto:


• Moda
• Paciência
• Second Life
• Ioga
• Novas Oportunidades
• Ribau Esteves



E fazem o favor de continuar, se assim o entenderem, criando um post com seis insignificâncias e «passando a bola» a outros : a MC, o JP,o rebel e o Filipe.

28.2.08

Cinco minutos de sado-masoquismo

À 5ª feira, quando dou uma vista de olhos pelo «Avante» on line.

Para ler coisas como esta:

«Reagindo à eleição de Raúl Castro para a presidência de Cuba, o secretário-geral do PCP enviou uma saudação na qual expressa ao novo chefe de Estado “a confiança dos comunistas portugueses no prosseguimento dessa fascinante obra de construção colectiva do povo cubano – a sua revolução socialista – que continua a inspirar e a servir de exemplo a todos aqueles que no Mundo prosseguem a luta pela paz, o progresso, a democracia e o socialismo"».

Absolutamente expectável, certamente. Mas o autismo e a desonestidade têm limites.

Eu nem escrevi nada sobre a substituição de Fidel porque ainda me dói que Cuba tenha falhado tão redondamente a sua aventura. Porque sofri das duas vezes em que lá fui.

Os «heróis barbudos» tiveram muita importância para a minha geração (e para algumas outras), alimentaram, durante largos anos, o nosso imaginário, pertenciam, de certo modo, à nossa família – muito mais do que os gélidos soviéticos pelos quais, pessoalmente, nunca senti qualquer espécie de empatia nem, mais tarde, de complacência. Algures nos anos 60, só não fui para uma apanha de cana do açúcar em Cuba, com um grupo de estudantes belgas, porque não tinha dinheiro para o bilhete de avião.

Depois, durante muito tempo, Fidel e Che Guevara passaram a ser uma espécie de tios que se portaram mal e dos quais se evita falar entre parentes.

Mas estamos em 2008. É inadmissível que alguém continue a escrever barbaridades como as acima transcritas. É um ataque à inteligência e, sobretudo, à ética.

Este país vai mal e não é só por causa de Sócrates e da direita. É também por «esta coisa» que ainda é incluída na esquerda.

27.2.08

Amanhãs que cantam

... é o título da crónica de Paulo Varela Gomes, no Público (P2), de 27/2:

«A Europa é o sítio mais civil do mundo, mas já saiu fora do tempo e está completamente virada para o seu património histórico e o seu azedume quotidiano. Na Europa não acontece nada de verdadeiramente significativo para o futuro da humanidade. Na Ásia, pelo contrário, numa atmosfera agitada e sangrenta, sente-se em quase tudo o prenúncio daquilo que pode vir a acontecer. Na Ásia, quase não se ouvem as lamentações sobre o mal-estar presente. São abafadas pelo ensurdecedor barulho dos amanhãs que cantam, choram e gemem.»

E na América do Sul também. E até em África.

Basta pôr um pé fora da Europa para que isto se torne uma evidência - que primeiro se estranha, mas rapidamente se entranha.

Passo a vida a escrevê-lo e a dizê-lo, mas esbarro quase sempre com profissões de fé e de esperança europeístas. Como queiram - será sempre o que deus quiser...

«Requiem pour un con»

Música de Serge Gainsbourg



Referido em toda a imprensa francesa, como resposta a isto.

26.2.08

Isto pode acabar mal
















João Tunes «puxou» um texto que Rui Bebiano escreveu na Caixa de Comentários de «A Terceira Noite», a propósito de um post sobre a última reunião das Novas Fronteiras:

«A desvitalização política e o descrédito provocado pelo distanciamento entre as mensagens do poder e o quotidiano das pessoas são meio caminho andado para uma qualquer berlusconização à moda de cá. E assim fechará o ciclo que Abril abriu. Isto sem ser alarmista.»

Não pairam no horizonte quaisquer riscos de fascismos à antiga ou de ditadores tipo Mugabe ou Chávez. Porque estamos na Europa (ainda) requintada, ciosa dos seus punhos de renda e – com toda a justiça – consciente e orgulhosa dos seus séculos de história democrática. Instável, no entanto, por muitas razões, com os dislates de Sarkozy, a ameaça de Tony Blair como presidente, a acção de um papa perigosíssimo, Espanha e Itália à beira de eleições complicadas, etc., etc.

No meio de tudo isto, Portugal não está a aguentar o balanço entre os últimos lugares do pelotão e as passadeiras vermelhas de Bruxelas. E isto pode acabar mal.

Vemos um primeiro-ministro crispado, a transpirar sede de poder por todos os poros e um governo com pés de barro que de socialista só guarda o código de barras.

Cantam-se vitórias que não convencem, não se sente carisma, verdadeira liderança, empatia, generosidade – coisas de que os portugueses precisam como de pão para a boca.

E, exactamente por isso, isto pode acabar mal. Porque está a ficar escancarada a porta para que um qualquer populista seja bem-vindo, no sempre desejado papel de D. Sebastião.

Oxalá esteja enganada – oxalá.

25.2.08

Adeus PT, forever















Já me sentia idiota por pagar assinatura, um fio comprido, o aluguer de um telefone que não funciona há anos, etc., etc., mas a preguiça mandava mais e ia ficando.

Até que começou a campanha do MEO (que raio de nome...), um pacote da PT que inclui televisão, internet e telefone fixo. Várias tentativas dispersas no tempo, até que fui contactada TRÊS VEZES em menos de vinte e quatro horas. Pedi ao terceiro desgraçado da geração quinhentos euros que estava do outro lado da linha que me tirasse da base de dados. Impossível porque a PT a distribui, para o mesmo efeito, a vários Call Centres.

Se eles não podem, posso eu. Acho que devemos ter paciência para castigar este marketing agressivo que nos entra pela casa dentro sem pedir licença. Desta vez tive e já está - mudei para outro fornecedor .

Self Hunger - Um «gif» do PSD?

Indispensável clicar na foto.


















Recebido por mail.

Sarkozy: gente fina é outra coisa

Nicolas Sarkozy visitou ontem, apressadamente, um Salão de Agricultura.

Foi distribuindo cumprimentos até que um dos presentes recusou apertar-lhe a mão. Eis o diálogo:

Visitante - "Ah non, touche-moi pas".
Sarkozy - "Casse-toi, alors" .
Visitante - "Tu me salis" .
Sarkozy - "Casse-toi alors, pauvre con".

O Jornal Le Parisien estava lá e filmou:



Notícia mais detalhada e vídeo também aqui.