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19.4.08

Muros de Abril (6)


Hoje não sai mural, mas sim cartaz.

Quando as organizações saíram da clandestinidade para a luz do dia, quando nasceram muitas outras, quando nem sempre era fácil perceber quem era o quê. Quando havia poucos muros para uma infinidade de cartazes.

Hoje, deixo aqui um - com dedicatória, desta vez escondida, para várias pessoas.


E, porque não, com resistências de um outro tempo e de outras paragens.


A frase da noite

«Pacheco Pereira tinha chances de ganhar a junta da Marmeleira»
(L. F. Menezes na SIC N, entrevistado por M. Crespo)

Imagino a possível gargalhada de Pacheco Pereira – provavelmente na Marmeleira. Só não consigo perceber como continua a ocupar-se e a preocupar-se com este bando que, ele sim, é mesmo de loucos.


P.S. - Pode ver a entrevista, na íntegra, aqui. Para rir, para chorar ou para encolher os ombros - como preferir.

18.4.08

Cartazes de Maio 68 – Exposição

Na Fundação Mário Soares

Inauguração:
22 de Abril, às 18:30





























(Para ler, clique na imagem)

Muros de Abril (5)


Quando os muros eram de todos, embora mais de uns do que de outros.

Quando o PPD até dizia que ia construir o socialismo, sem que se soubesse exactamente qual.


Mas longe, ainda muito longe, dos desvarios actuais, das incubadoras e das facadas nas costas.

Hoje, mais a propósito do que nunca.


17.4.08

Os ricos e os céus


Li algures que o Papa fez ontem 81 anos e que 13 500 (???) convidados de Bush cantaram os parabéns. O mesmo Bush que terá dito, há alguns dias, que quando olha para o papa vê nele Deus. Patacoadas entre senhores que passeiam de palácio em palácio, que calçam Prada ou outra coisa parecida e que distribuem entre si domínios – dos povos e das almas. Que estão entre os mais poderosos do mundo, sem qualquer espécie de dúvida, e que nem tentam disfarçar. Que transpiram altivez e sobranceria.

É nestes momentos que vêm ao de cima algumas coisas do meu passado. Continuo a acreditar que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. Quaisquer que sejam esses céus.

Muros de Abril (4)


Hoje fica este belo mural do Laranjeiro (Almada), cheio de cor e de ideais.

Mandado para ali, com um «Camarada» um pouco mais estimulante do que o José Cid...

Itália ou a democracia ridicularizada

















Em muitos blogues, diria que, sobretudo, nas Caixas de Comentários, foi acesa a discussão sobre legitimidade, causas e lições a tirar da vitória de Berlusconi em Ítália.

No JN de hoje, Paquete de Oliveira exprime bem alguns aspectos importantes:

«A terceira vitória (...) de Sílvio Berlusconi nas eleições italianas, nos resultados concretos do sistema democrático, não sofre contestação. Mas ridiculariza a democracia. (...) O sistema democrático está a ser gozado. Pode mesmo estar a manifestar sintomas de estertores de morte. (...)

Mas, se o povo italiano o elege, com larga maioria e de preferência a todos os outros candidatos ou partidos, isso significa (...) um veredicto condenatório sobre os outros que governaram o país nos intervalos que Sílvio Berlusconi lhes concedeu desde 1994.»

16.4.08

Muros de Abril (3)


António Barreto está na ordem do dia desde a sua última crónica, no Público de Domingo passado, intitulada «Angola é nossa». Choveram as críticas como, por exemplo, aqui e aqui e a polémica vai ser longa.

O suficiente para trazer à memória a Reforma Agrária e outros tempos bem mais tumultuosos para o mesmo Barreto, pintados então em murais de Abril.

Com música alentejana – inevitavelmente.


P.S. – Contraponto ao post da Shyz, hoje em versão Mª João.

Deixem passar















@Nathan Sawaya

A imagem que retive ontem da visita do presidente da Republica à Madeira foi a de Cavaco e a sua esposa (deve ser assim que se diz lá por casa) a trautearem, timidamente,
«Deixem passar esta linda brincadeira».

Afinal foi só isso: um simples bailinho entre o Sr. Jardim e o Sr. Silva. Nós a ouvirmos barbaridades e eles a brincarem, num «dia perfeito».

É tudo mais ou menos a fingir: Jardim com Cavaco, Ratzinger com Bush, Berlusconi com os italianos.

E nós, feitos parvos, ainda nos indignamos.

15.4.08

Muros de Abril (2)

ADENDA (*)

Este foi o «meu» muro de todos os dias, por mais surrealista que hoje pareça: a porta de entrada da IBM.

Fotografia tirada no dia das eleições para a Assembleia Constituinte (25 de Abril de 1975).

A síntese nem sempre era fácil.

(*) Os quatro primeiros comentários a este post funcionam como uma espécie de adenda.

Estado-Igreja – «momentos críticos»


«La utopía impuesta»

Do blogue Generación Y, da cubana Yoani Sánchez:

«Habito una utopía que no es mía. Ante ella, mis abuelos se persignaron y mis padres entregaron sus mejores años. Yo, la llevo sobre los hombros sin poder sacudírmela.

Algunos que no la viven intentan convencerme – a distancia – que debo conservarla. Sin embargo, resulta enajenante vivir una ilusión ajena, cargar con el peso de lo que otros soñaron.

A los que me impusieron – sin consultarme – este espejismo, quiero advertirles, desde ahora, que no pienso heredárselo a mis hijos.»


Quando o li, este post tinha já 3.111 comentários.

YS vive em Havana e nasceu em 1975.

14.4.08

Pobre Itália


«O Bloco e o poder»

Artigo de Pedro Magalhães no Público de hoje, 14/4/2008.








«Sabe-se já alguma coisa sobre o que sucede a este tipo de partidos quando se aproximam da esfera da governação. Uma das hipóteses era a de que essa aproximação seria fatal, inevitavelmente frustrando as expectativas dos seus eleitores e apoiantes. Mas a hipótese não se parece verificar. É certo que essa aproximação os obriga a resolver uma série de dilemas. Como conciliar o radicalismo do seu discurso com o pragmatismo necessário para participar de alguma forma na governação? Como conciliar uma matriz organizacional flexível com a necessidade de conceder autonomia estratégica a líderes que possam negociar credivelmente acordos com outros partidos? Como conciliar as denúncias da falta de transparência e corrupção da vida política com a aproximação ao poder? (...)

A ironia é que, se o perfil anterior
[do Bloco de Esquerda] até o tornava "comestível" para um governo PS com este primeiro-ministro, o novo perfil torna-o cada vez mais intragável. Em 2009, a busca de uma solução de governação estável pode vir a ser mais necessária do que nunca, mas também mais difícil do que alguma vez foi.»


A questão está nas agendas da comunicação social e da blogosfera. Aconselho a leitura. Como não há link disponível para o jornal, pus o texto integral aqui.