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28.6.08

ALLentejo

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27.6.08

Músicas

Fiquei preocupada, Rui!

boomp3.com

Ana de... o que ela quiser

ADENDA (*)

Ana de Amsterdam, ilustre e idolatrada blogger que destila fel e umbiguismo por todos os poros, tira-me do sério. Definitivamente desde que li, às tantas da noite, este texto – escrito, segundo a própria, «por causa do congresso feminista que hoje começa em Lisboa».

«Este homem [Theo van Gogh] e esta mulher fizeram mais pelos direitos das mulheres do que as habituais activistas de esquerda que, invocando tais direitos, se preocupam apenas, de uma maneira quase histérica, consigo próprias, com as suas barrigas, com a questão do aborto. Triste liberdade, a das mulheres que abortam. Estas activistas de esquerda, feministas ululantes, detentoras de dois ou três neurónios, estão-se literalmente nas tintas para os direitos das mulheres islâmicas.»

Prefiro ter só «dois ou três neurónios» do que mais alguns, não me estou de todo «nas tintas para os direitos das mulheres islâmicas», mas este texto recordou-me, com raiva, todos os dislates que tivemos de ouvir e rebater, em 2007, durante a campanha sobre a IGV.

Até quando teremos de ler coisas destas, Ana, Maria João e tantos outros bloggers que fizemos campanha pelo Sim?

P. S. – Para que conste: andam bastantes neurónios pelas salas da Gulbenkian, onde decorre o Congresso Feminista.

(*) Pois, com certeza.

26.6.08

Medalha de Ouro


















Maria da Purificação Araújo recebeu hoje, na Câmara Municipal de Lisboa, a Medalha de Mérito Municipal, Grau Ouro «em reconhecimento do seu trabalho no desenvolvimento dos serviços de Planeamento Familiar e na promoção da Saúde Sexual e Reprodutiva em Portugal».

Ginecologista e obstetra, impecável nos seus 80 anos, com uma simplicidade desarmante, sempre presente: em 2007, durante a campanha pelo SIM no referendo sobre a IVG , como antes do 25 de Abril quando era conhecida como «a médica dos clandestinos».

Muitas pessoas na homenagem desta tarde – mais mulheres do que homens, obviamente. Alguém podia aliás ter parafraseado o que disse uma das conferencistas do Congresso Feminista, quando hoje abriu a sua apresentação:

«Bom dia a todas e a alguns!»

25.6.08

R.I.P., Vaticano II












Para quem acompanhou minimamente a história do Concílio Vaticano II e as vicissitudes que se seguiram, o nome de Marcel Lefebvre, arcebispo católico francês, representou sempre tudo quanto houve de mais conservador e reaccionário.

Lefebvre recusou-se pura e simplesmente a acatar as directivas do Concílio, muito especialmente a substituição do latim pelas outras línguas nos actos litúrgicos, a abertura ao ecumenismo e determinados princípios de liberdade religiosa.

Em 1970, criou um movimento integrista denominado «Fraternidade sacerdotal S. Pio X», em 1976 ordenou padres e em 1988 bispos, contra todas as directivas de Roma. Perante este último acto, João XXII «expulsou-o»» da igreja («excomungou-o» é o termo técnico adequado), provocando com esta decisão um verdadeiro cisma.

É sabido que Bento XVI iniciou contactos com os responsáveis do referido movimento (sucessores de Lefebvre, já que este morreu em 1991) pouco depois de ter sido eleito papa e, também, que algumas das revindicações mais conservadoras foram sendo satisfeitas, como, por exemplo, a utilização embora mitigada do latim.

Aparentemente, as negociações para o regresso destas ovelhas ao redil (e que ovelhas e que triste redil...) avançaram agora com muitas mais concessões. Pede-se-lhes apenas, para que voltem, que reconheçam a autoridade do papa (pois com certeza...) e que nada digam contra a igreja (obviamente). Mas terá sido retirada qualquer exigência quanto ao reconhecimento dos ensinamentos do Vaticano II.

É assim virada, definitivamente, o que foi uma página de esperança para os católicos dos anos 60. A tentativa de aggiornamento por parte de Roma - primeiro entusiástica, depois hesitante e guardada na gaveta - foi agora oficialmente rasgada e enterrada.

Fonte entre outras.

Congresso Feminista 2008
















«Porquê um Congresso Feminista em 2008? Porque um alargado número de mulheres e alguns homens, de diversas ideologias e histórias de vida, sabem que o/s feminismos fazem muito sentido num mundo onde persiste a violência contra as mulheres, de todas as idades, sob as mais diversas formas; onde o poder político, religioso, empresarial, económico, científico, continua a ser dominado e nomeado pelo masculino; onde a dificuldade da conciliação entre a vida privada e a vida profissional prejudica gravemente as famílias no seu todo.»

De um artigo de Ana Vicente, que pode ser lido na íntegra em Caminhos da Memória.

24.6.08

Conversa a três (2)








aqui referi um texto baseado na primeira parte de uma entrevista que fiz a Edmundo Pedro e a Nuno Teotónio Pereira. Remeti então para Caminhos da Memória, onde foi publicado.

Ontem, veio à luz do dia a a continuação, mas, desta vez, transcrevo-a na íntegra: quero que fique registado também aqui, para memória futura e embora muito resumidamente, como é que estes dois homens absolutamente excepcionais viveram e reagiram a acontecimentos tão importantes como a campanha de Humberto Delgado em 1958, a invasão da Hungria em 1956 ou o fim da Primavera de Praga em 1968.

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Retomo o relato de uma conversa que tive, no passado dia 27 de Maio, com Edmundo Pedro (EP) e com Nuno Teotónio Pereira (NTP) e que já foi objecto de um primeiro texto publicado neste blogue (*).

Falaram então sobretudo do início da guerra Civil de Espanha, em Julho de 1936.

No dia 18 de Outubro desse mesmo ano, EP partiu para o Tarrafal, onde ficou até Agosto de 1945. Foi de lá que acompanhou a Segunda Guerra Mundial.

Em Lisboa, NTP começou uma longa evolução pessoal: ao lado do pai, profundamente anglófilo, tomou sempre partido pelos Aliados. «Quando a guerra acabou, era já um democrata», comenta. Para tal mudança terá contribuído, também, a influência da doutrina social da Igreja. Mas quer deixar bem claro que repudiava todas as formas de totalitarismo, «tudo o que fosse fascismo ou que "cheirasse" a comunismo» - em nome das suas convicções religiosas e, também, porque lia os relatos dos crimes do estalinismo. «Em que nós não acreditávamos», comenta EP que era então militante do PCP.

Fala-se depois da campanha de Humberto Delgado, em 1958.

Esse ano foi decisivo para uma viragem definitiva na vida e nas convicções de NTP. Por causa da campanha presidencial, certamente, mas muito mais pela influência directa de Francisco Lino Neto. Um documento que este escreveu, em Junho de 1958, foi importantíssimo para NTP e foi um marco incontornável na história da oposição dos católicos (1). Recorde-se que a célebre carta do bispo do Porto a Salazar, datada de 13 de Julho de 1958, é erradamente considerada como o primeiro passo da referida oposição, quando, de facto, foi já uma consequência da iniciativa de Lino Neto. A um outro nível, a vida de NTP foi também fortemente influenciada por Natália, sua mulher: com formação e antecedentes políticos radicalmente diferentes, a presença de Natália - que nem sequer era católica - viria a ser decisiva (2).

Entretanto, EP, juntamente com Piteira Santos, Varela Gomes e outros, tentou preparar uma insurreição armada que tirasse partido das condições excepcionais criadas pela campanha de Delgado. Mas falharam todas as hipóteses para conjugar esforços e reunir um mínimo de condições indispensáveis.

Volta-se um pouco atrás, a 1956 e à importância da invasão da Hungria pelas tropas soviéticas, especialmente traumatizante para EP:

«Foi o ano das minhas primeiras dúvidas. Um choque brutal, demolidor. Mas a crença no projecto soviético era tão firme que não abanava à primeira. Comecei no entanto a reflectir, sobretudo pelo facto de os operários das fábricas dos arredores de Budapeste resistirem contra o que era suposto ser o seu próprio governo!»


Dá-se depois um salto: doze anos mais tarde, 1968 e a invasão da Checoslováquia. Aqui, vou deixá-los falar, transcrevendo quase ipsis verbis o que disseram.

NTP - «Então e em relação à Primavera de Praga?»
EP - «Isso aí foi quando percebi tudo, claramente. E rompi completamente [com o PCP].»
NTP - «O que se passou com a Primavera de Praga foi terrível. Se tivesse conseguido vencer, tinha provocado grandes transformações no mundo. Tinha-se propagado a outros países e tinha inaugurado uma época fantástica. Assim, o capitalismo fortaleceu-se e o socialismo afundou-se.»
EP - «Tenho muitas dúvidas, porque a União Soviética estava no auge da sua força, tão grande que era capaz de abalar tudo. E aquela intervenção era indispensável para a consolidação do império soviético.»


E, em jeito de conclusão:

«Acompanhei aquilo tudo com uma paixão enorme, com uma grande ilusão. Uma revolução democrática com rosto humano, como a que, uns anos antes, tinha sido anunciada por Fidel de Castro em Cuba.»


De Cuba, da década de 60 em geral e de tudo o que se seguiu, falarei - falarão eles - dentro de alguns dias. Porque a conversa foi longa e ainda faltam umas tantas histórias.


(1) «Considerações dum católico sobre o período eleitoral», Junho de 1958. Documento publicado em José da Felicidade Alves (edição e coordenação), Católicos e Política. De Humberto Delgado a Marcelo Caetano, (s.d.), 288 p., pp. 17-30.

(2) Nota biográfica de
Maria Natália Teotónio Pereira.

(*) Biografia de
Nuno Teotónio Pereira

23.6.08

Santos antigos

Cartaz Turístico
1949


Cartazes de Propaganda Política do Estado Novo (1933-1949), Edição da Biblioteca Nacional, 1988

Avós
















Sim, eu também fui ao Porto quando os meus netos por lá nasceram e iria à Cochinchina se fosse caso disso.

Mas teria ficado em Lisboa se fosse candidata à presidência da Junta de Freguesia de S. Domingos de Benfica e a Estrada da Luz tivesse uns buracos sobre os quais era importante que eu dissesse qualquer coisa.

Vem isto também a propósito de um texto de Vasco Barreto. Leitura absolutamente obrigatória.

22.6.08

«Está bem, mas vou de bicicleta»

... é um velho private joke que sempre ouvi cá por casa.

Um membro da família, especialmente casmurro, recusou-se um dia a ir às aulas. Levado pelo pai quase pelos cabelos, foi dando pelo caminho todo o tipo de argumentos, do alto dos seus seis ou sete anos, até que chegaram ao portão da escola. Não dando nunca, mas nunca, o braço a torcer, lá disse a tal frase.

Que não me sai da cabeça a propósito da Europa e do Tratado de Lisboa.