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7.3.09

Que venham mais Nunos















A propósito da canonização de Nuno Álvares Pereira, mais uma nota da conferência episcopal, agora para destacar o «homem de Estado, que soube colocar os superiores interesses da Nação acima das suas conveniências, pretensões ou carreira», para sublinhar que «são pessoas como estas que despertam a confiança e o dinamismo da sociedade, que fazem superar e vencer as crises».

Entretanto, anuncia-se que «sendo representante e descendente de D. Nuno, e tendo sido um dos maiores defensores da sua canonização, D. Duarte foi convidado pelo Governo e pelo Vaticano e terá um lugar de destaque na cerimónia».

Pelo caminho, a Assembleia da República aprovou, por maioria, um voto onde é referido que esta promoção a santo «justifica a congratulação não só da Igreja e dos católicos mas de todos os portugueses».

Que venham portanto mais santos, de preferência que tenham matado muitos espanhóis. Darão novos alentos a Duarte Pio, ajudarão certamente a superar futuras crises tóxicas e permitirão que os deputados se congratulem em nosso nome.

Assim, vamos longe. Continuemos, pois – louvando e rindo.

Quando faltar ao trabalho é grave

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6.3.09

Magalhães, o «serial killer»














Para que alguém ou alguma coisa seja assassinado tem de estar vivo, certo? Ora ou me engano muito ou o gosto pela leitura nas escolas já está bem enterrado há umas belas décadas. Quem tem hoje trinta e poucos anos, nunca tocou num computador em salas de aula (cá, no Portugal dos Allgarves, porque «lá fora» já não era bem assim) e, no entanto, é bem possível que seja uma das gerações mais afastadas de livrarias e de bibliotecas.

Vem tudo isto a propósito da entrevista que António Barreto deu à revista LER que traz na capa uma frase que muito gente começou a gabar esta manhã, mesmo antes de ter tido tempo para ir ao quiosque comprar a revista: «O Magalhães é o maior assassino da leitura em Portugal.» Claro que o «sound byte» foi puxado para a capa porque o marketing é quem mais ordena, mas, mesmo devolvido ao contexto, revela que António Barreto tem uma mentalidade anti-tecnológica incorrecta e ineficaz. Ele concede que «todas as pessoas devem aprender a usar essas coisas», mas no fundo, no fundo, sente-se que continua a sonhar com os serões de Vila Real, onde lia ao borralho Steinbeck, Vercors e Júlio Diniz.

Mas esse mundo acabou, com Magalhães ou sem ele. E a criação de hábitos de leitura põe-se num outro plano ou, se se preferir, em paralelo – nunca em concorrência ou estará inevitavelmente votada ao fracasso.

Os senhores da Europa











Os jornais noticiaram ontem que os deputados portugueses ao Parlamento Europeu vão ver os seus salários brutos duplicados, a partir das próximas eleições de Junho (passando de 3.815 para 7.665 euros mensais).

O assunto está longe de ser uma novidade, há anos que se fala desta «harmonização» para que os representantes de todos os países ganhem o mesmo. O princípio parece-me discutível porque os portugueses gastam uma parte significativa do que ganham em Portugal, onde os preços são certamente mais baixos do que na Suécia. É possível pagar os salários do país de origem e introduzir factores de correcção. Falo por experiência própria porque foi o tratamento que tive quando trabalhei três anos em Bruxelas, «destacada» por uma multinacional, e garanto que o saldo da minha conta bancária foi sempre muuuuito confortável.

Mas o que considero absolutamente chocante é que, no mínimo, não se suspenda a entrada em vigor da decisão em causa. Em plena crise – sem fim nem fundo à vista – a Europa, sobranceiramente, soma e segue e obriga-nos (sim porque somos nós, contribuintes portugueses que vamos desembolsar o dinheiro) a duplicar salários de alguns de nós. O acréscimo poderá nem ter um grande impacto em termos quantitativos porque o número de deputados não é elevado. Mas tem importância, simbólica e eticamente, porque é também com alguns gestos e uns tantos princípios que poderemos começar a ver luz ao fundo de um longo túnel - a escuridão nunca foi boa conselheira.

5.3.09

É só para fazer inveja
















De hoje a um mês, estarei a caminho...

Será por causa do clima?















À procura de um canal que não encontrei, fui ter à TV5 e ao concurso Questions pour un Champion, que existe há vinte anos e que eu via por vezes quando morei uns anos na Bélgica.

O nível de conhecimentos que os concorrentes revelam, comparado com o que se passa em concursos mais ou menos semelhantes aqui pela vizinhança, põe de rastos o mais optimista dos portugueses. Não sei que crivo de selecção de candidatos é praticado, mas o vencedor de hoje era técnico de comunicações, o de ontem carteiro – nenhum professor doutor no que quer que seja!

Posso estar enganada mas, se as perguntas que ouvi tivessem sido feitas num qualquer Jogo Duplo perto de nós, talvez alguém soubesse responder a uma das primeiras: «Como se chama a mulher de Popeye?» Talvez...

O Twitter na corte de sua majestade











Na próxima 2ª feira, numa cerimónia que marca o 60º aniversário da commonwealth moderna, será a vez de Isabel II se mostrar, publicamente, «twittando» – na Abadia de Westminster.

Não resta mesmo pedra sobre pedra...

(Fonte)

4.3.09

Veja lá se começa a ir para a cama mais cedo

Dom Pio












Alguém que seja íntimo do candidato a sua alteza real poderá fazer o obséquio de lhe perguntar por que razão se deu ao trabalho (ele ou alguém por ele) de enviar a TODOS os bloggers (e, certamente, a mais cinco milhões de portugueses), o texto integral das Perguntas à Democracia que dirigiu ao I Congresso Marquês Sá da Bandeira?


Já agora, fica aqui uma das ditas perguntas e a minha humilde resposta:
«Temos de perguntar até onde as polémicas fracturantes que só interessam a uma ínfima minoria política, não ofendem a imensa maioria das famílias, preocupadas com a estabilidade pessoal e económica.»

Não, não ofendem, muito pelo contrário.
(E fica mal a um putativo rei, um tanto modernaço, não se preocupar com todos os seus súbditos!)

Este vai inteirinho, com copy/paste

3.3.09

Cambiará algo?
















Oficialmente, a razão de ser da vasta remodelação ocorrida em Havana foi agilizar o governo, tornando-o «mais compacto e funcional», mas Raúl Castro terá aproveitado a ocasião par afastar alguns elementos especialmente próximos de Fidel, entre os quais o Ministro dos Negócios Estrangeiros (Felipe Pérez Roque) e o Chefe de Gabinete (Carlos Lage).

Os problemas estão todos lá, tudo isto poderá ser pouco mais do que simbólico. E, no entanto, eu sei que é irracional mas, quando se trata de Cuba, acabo sempre por ter alguma esperança.

(Fonte)
P.S. - Afinal, segundo outros jornais (ver comentário a este post), tudo teria sido combinado com Fidel, mesmo o afastamento dos dois nomes referidos.

Grandes democratas

Milhões de adolescentes, no mundo inteiro, têm um iPod? Certo, mas não se forem filhos de Bill Gates, porque lá em casa não entram produtos da concorrência. (E tão virtuosos que são os paizinhos!)

(Fonte)

Assim, isto vai

(Clicar para ler)






















Ó senhor juiz, eu sei que há muita gente que vai para Direito por não gostar de Matemática, mas: 1/5 é < ou > do que 1/6? Vá lá, um esforçozinho...

2.3.09

Delícias da História





















Quando as vacas ainda nem magras eram e muitos anúncios se faziam assim.

Revista O Tempo e o Modo, nº 56, Janeiro de 1968, p.28.

E ainda há quem goste mais de gatos

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Que esperar não é saber











Com pouco mais de um dia de intervalo, foram publicados na blogosfera dois testemunhos de vida extraordinários: o de Daniel Oliveira, 10 anos depois, na primeira pessoa e o de João Tunes, Política e pertença. De gerações diferentes, com percursos que se cruzaram mas com presentes bem distintos, abrem-nos a vida com calma, frontalmente e com uma grande honestidade. Mas param aqui as semelhanças. Daniel Oliveira descreve um passado que desemboca – e bem – na sua actual militância no Bloco. João Tunes descreve a tragédia de quem «corta» sem arranjar substitutos.

«Mas romper significa perder amigos, perder olhares cúmplices, perder as bússolas que nos orientam as leituras, os olhares e as opiniões, é passar a viver com a sensação de inutilidade dos melhores anos da nossa vida, habitar uma terrível sensação de termos sido demasiado estúpidos durante demasiado tempo. É experimentar a perplexidade do absurdo. É sentir que somos uma árvore com as raízes de fora da terra. E conseguir viver com isso. E ser capaz de fazer o luto. Porque é um drama incontornável. E cada um, humanamente, procura fugir das dores dos dramas. E das trevas. E da solidão. Continuar um jogo em que nunca aprendemos a jogar sozinhos. E que não se pode jogar sozinho.»

Só quem não passou por situações semelhantes, quem não deixou para trás um mundo inteiro sem arrastar amarras à espera nem sei de quê, quem não optou por viver os lutos por mais insuportáveis que parecessem, é que não se reverá, com algum emoção, neste belíssimo texto. Com uma pequena precisão quanto ao excerto acima transcrito: é que, ao contrário do que possa parecer, acaba-se mesmo por aprender a jogar sozinho – e com uma felicidade redescoberta, sem paralelo com qualquer outra.

1.3.09

Colheita em Coimbra









Será impressão minha ou a escolha deste «Professor Doutor de Coimbra, meu deus!» vai dar uma ajuda involuntária à eleição da investigadora do Centro de Estudos Sociais também de Coimbra?

E não, não é por ela ser bonita!