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14.3.09

Dos Monty Python para Isilda Pegado



Com dedicatória para Isilda Pegado que escreveu hoje no Público:

«Desde que foi liberalizado o aborto, mais de 22.875 crianças deixaram de ver a luz do sol, porque foram abortadas. É o número da nossa vergonha! Que seria deste país com mais 22.875 crianças? Quantas salas de aula, infantários e creches não teriam de abrir para estas 22.875 crianças? Quantos professores teriam emprego ao dar aulas a 22.875 crianças? Quanta alegria teríamos ao dar de comer a mais 22.875 crianças?»

Até quando????

Com conselheiros destes...













Segundo o Expresso de hoje, «o que mais convém ao Presidente é que Sócrates ganhe sem maioria absoluta”, o que lhe abriria espaço de intervenção e lhe permitiria arrancar para a recandidatura em 2011 com um novo fôlego e, decorrente de uma vitória socialista, com um PSD recomposto.»

Leio e releio. Um conselheiro de Estado, escolhido pelo presidente da República, interpreta estratégias e tácticas desse mesmo presidente como se estivesse a planear vitórias em jogos de computador. Fala do que «mais convém» a Cavaco para encarar um segundo mandato – sem pestanejar, com a maior das naturalidades, como se tudo isto fosse normal. Algo de novo? Absolutamente nada: há muitos anos que o comentador / professor nos habituou a estas diatribes e continua a ocupar as melhores frisas em todos os teatros.

Quais interesses do país, qual crise?!... Tudo continua excelente, desde que cada um consiga levar por diante a sua santa vidinha, fazendo, em cada momento, apenas aquilo que mais lhe «convém» – mesmo que tenha sido eleito presidente de todos os desgraçados lusitanos.

Um novo Museu

A RTP inaugurou ontem o seu Museu Virtual.
Visita obrigatória, sobretudo à Colecção do Museu.

13.3.09

Uma outra face do tango

Comecem bem o fim-de-semana!

video

Quando é a vida que ganha













Foi notícia há uns meses: um casal espanhol decidiu recorrer a uma técnica de reprodução assistida, que permitiu que tivessem um segundo filho com características genéticas adequadas para que fosse tentada uma transplantação de células num irmão de sete anos, que sofria de uma doença hereditária incurável.

Sabe-se agora que a operação teve aparentemente sucesso e que o bebé, nascido em Outubro de 2008, poderá ter salvo o irmão.

Claro que um bispo espanhol já tinha condenado a operação acusando-a de «fabricar vidas». Claro que o Vaticano nunca a aprovaria. Claro que Mr. Bush também não. Claro.

(Fonte)

WWW

Pois se a World Wide Web faz hoje 20 anos, quem somos nós para não o festejar.

12.3.09

Censura, tentam eles













A organização Repórteres sem fronteiras acaba de publicar um extenso relatório «Internet Enemies», onde são detalhadamente descritas as limitações ao uso da Internet em doze países: Arábia Saudita, Birmânia, China, Coreia do Norte, Cuba, Egipto, Irão, Síria, Tunísia, Turquemenistão, Uzbequistão e Vietname. Essas limitações concretizam-se, sistematicamente, em censura de conteúdos (acabando a internet por funcionar, nesses países, como uma espécie de intranet) e repressão sobre os infractores (segundo os RSF estarão presas, por esta razão, pelo menos 69 pessoas).

Mais difíceis de controlar são as redes sociais como o Facebook ou o Twitter. Aí, a pressão exerce-se por uma verdadeira batalha de comentários, por vezes pagos, para «ocupar» espaço e influenciar opiniões.

Num outro grupo de países, a Internet encontra-se «sob vigilância»: Austrália, Bielorrússia, Bahrein, Coreia do Sul, Emiratos Árabes Unidos, Eritreia, Iémen, Malásia, Sri Lanka, Tailândia e Zimbabwe.

Assim vai o mundo neste «Dia Mundial contra a Censura na Internet».

Que raio de argumento!

«Ó Torres, tens que voltar!»

Será este o Portugal profundo, o país real? Não sei mas, na dúvida, vale a pena ouvir o hino da candidatura de Avelino Ferreira Torres à Câmara de Marco de Canavezes.









(Descoberto através daqui.)

11.3.09

Quando se castiga a vida













Os factos são conhecidos. Um brasileiro engravidou a enteada de nove anos. A menina esperava gémeos, as autoridades eclesiásticas brasileiras tentaram, em vão, impedir o aborto e ameaçaram com excomunhões, Lula da Silva protestou, o aborto foi realizado, as pessoas que nele colaboraram foram excomungadas – o padrasto não o foi, evidentemente.

O Vaticano, na pessoa de um cardeal presidente não sei de quê apoiou o arcebispo de Recife (lembrar-me eu que este cargo já foi exercido por D. Hélder da Câmara!!!...) e veio dizer que os gémeos, «pessoas inocentes», tinham direito a viver.

Nada de novo, nada de inesperado, porque se há algo a que estes senhores que (também) são Igreja nos habituaram foi ao facto de serem sempre absolutamente expectáveis. Não defendem a vida, mas uma ideia de vida, imaginária, «romana», uma espécie de fantasma ameaçador e por vezes medonho, como neste caso concreto. Preferem dar prioridade à vida ainda ausente, problemática, neste caso de dois gémeos hipoteticamente muito pouco viáveis, em detrimento de uma criança de nove anos – real e que viria certamente a ser vítima da sua própria gravidez.

Tudo isto por obediência cega a uma lógica implacável, que não cede um milímetro para não correr o risco de ver implodir todo um sistema. Por uma sabedoria milenar inabalável que resiste até aos limites do absurdo. E que, entre a morte e a vida, escolhe a morte – porque é disso que verdadeiramente se trata.

(Leitura)

Página 161, frase 5











Longe vão os tempos da corrente de S. Judas Tadeu, que funcionava pelo correio e garantia desgraças terríveis a quem ousasse quebrá-la. Ficou-me o jeito, e talvez o medo, que isto de modernices não afasta necessariamente fantasmas.

Agradeço por isso ao Tomás Vasques a passagem de testemunho e aqui fica a 5ª fase completa da pág. 161 de um dos muitos livros que estão à mão de recolher - George Steiner, Os livros que não escrevi, Gradiva, 2008: «Em termos fulgurantes, Amós advoga a marcha dos habitantes do deserto, ascéticos e sem dinheiro, sobre as cidades corruptas e afogadas em riqueza. (Teria Mao lido estas páginas?)»

E aqui vai ela, a dita corrente, para outros cinco:
Ana Cláudia Vicente, Filipa Martins, Lauro António, M. João Pires e Osvaldo Silvestre.

10.3.09

Boris Vian















Soube aqui perto que Boris Vian nasceu a 10 de Março – faria hoje 89 anos.

Li e reli tudo o que havia para ler. Mas, para sempre, ficou gravada a recordação do casamento de um amigo, exilado português algures em Bruxelas, quando Le Déserteur cumpriu a função da mais improvável das marchas nupciais – no final dos tais anos 60, como não podia deixar de ser.





Que bom seria se Angola ainda fosse nossa?













José Eduardo dos Santos está em Portugal, na primeira visita de Estado desde que subiu ao poder há cerca de trinta anos. Viagem com fins eminentemente económicos: em tempo de fundilhos em mau estado e com um novo banco na manga, há que evitar conversas incómodas – real politik ou business as usual, como preferirem.

E, no entanto, todos conhecemos mil histórias de negócios duvidosos e faustas vidas dos governantes desse país riquíssimo, onde a esmagadora maioria do povo é miserável. Onde se mata para roubar um telemóvel. Onde se é preso por escrever ou por falar, como no Portugal colonizador.

A secção portuguesa da Amnistia Internacional dirigiu uma longa carta a Luís Amado, onde declara que «continua preocupada com as violações dos direitos humanos cometidas com aparente imunidade por agentes da polícia em Angola nos últimos meses», ao mesmo tempo que denuncia situações concretas e chama de novo a atenção para o caso de José Fernando Lelo, antigo correspondente da «Voz da América», condenado a doze anos de prisão «apenas por expressar as suas opiniões e as suas críticas ao governo».

Paralelamente, o Bloco de Esquerda anunciou que não estará presente no encontro que José Eduardo dos Santos terá, na Assembleia da República, com Jaime Game e representantes dos grupos parlamentares, tendo declarado que «o Estado Português deve ter relações com Angola, mas não pode desconhecer o que se passa neste país, nem muito menos aproveitar-se dele, assumindo uma visão exclusivamente pragmática com ausência de valores».

Iniciativas «piedosas», ineficazes, puramente simbólicas? Provavelmente. Mas de símbolos também é feita a vida e convém não o esquecer quando são bem mais fáceis solidariedades com causas longínquas e líderes coloridos e carismáticos, do que com estes parentes próximos que, para o bem mas nem sempre, estão aqui mesmo ao virar de uma esquina da nossa história.

Mas quem é o Miguel Veloso?

Entro no carro e não oiço falar de outra coisa. No Twitter, disputou o palco com Medina Carreira. Cheira-me a futebol... Mas quem é que quer perseguir, e porquê, este desgraçado português? Ou será brasileiro?

9.3.09

Beethoven tão global como a crise

Uma maravilha - a 5ª Sinfonia com sushi! As gargalhadas que eu já dei.

1 de Abril ainda vem longe















... ou eu pensaria que tinha acabado de ler a mentira do ano no DN de hoje.

Muitos já brincaram, mas esta toca-me fundo por razões profissionais passadas.

Aparentemente, quando é emitido o novíssimo Cartão do Cidadão, é consultada uma base de dados do Registo Civil onde os nomes estão escritos com a grafia vigente na data de nascimento de cada indígena. Assim, Manuel pode aparecer agora como Manoel, Lurdes como Lourdes, etc., etc. De passagem, diz-se que esta «base de dados» só existia em papel até 2006.

Acontece que a emissão do Bilhete de Identidade pelo Ministério da Justiça, com os nomes correctíssimos, data do início da década de 70 e era então motivo de orgulho mais do que justificado. Desfilavam delegações «lá de fora», que vinham tentar perceber - e, se possível, importar - a pioneiríssima aplicação.

Ainda na década de 70, estava projectada a informatização do Registo Civil e, obviamente, a sua integração com a aplicação de emissão de B.I. Diz-se hoje, na notícia em questão, que «não há cruzamento de dados entre os dois registos». Ora eu (moi, je...) participei na elaboração de uma proposta que incluía esta e várias outras aplicações... em 1976!!! Depois disso, «vivi» mais de três anos no excelente centro de informática do Ministério da Justiça, onde muitas coisas importantes aconteceram, por exemplo o processamento dos primeiros resultados eleitorais, quando ainda ninguém sonhava fazer apuramentos paralelos.

Mais de trinta anos depois, lê-se uma notícia destas? Com crises, sem crises, nem sei quantos governos depois? Sinto que estou a ter alucinações – não há outra hipótese.

100%












Eleições para a Assembleia Popular, ontem na Coreia do Norte. O «bem-amado» Kim Jong-il, que já era chefe de tudo e de todos, foi agora eleito também deputado. Com 100% de participação, ninguém faltou à chamada – nem um erro nos cadernos eleitorais, nem um coreano em coma, nem uma perna partida a caminho das mesas de voto!

Nesta dinastia «comunista», já se prepara, aparentemente, a subida ao trono do próximo herdeiro. Nós brincamos, mas isto passa-se num país real, onde uns milhões de pessoas continuam a ser manipuladas como simples marionetas. E o mundo assiste impotente.

(Fonte)

Pub Cultural

(Clicar para ler)

8.3.09

Procissão

É todo um país que desfila – basta ouvir e dar asas à imaginação.











Não, não vem no Magalhães

Hoje

Alguns dados históricos sobre o Dia Internacional da Mulher e um artigo bem oportuno:

«La segregación ocupacional, la temporalidad, el tiempo parcial y la discriminación salarial convierte a las mujeres en las personas más vulnerables ante la situación de crisis económica y de destrucción de empleo.»