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23.5.09

E viva la España?













«Quem ouvisse hoje Sócrates a dirigir-se aos militantes do PSOE em Valencia ainda era capaz de pensar que estava perante o próximo Primeiro Ministro Español.»
Hidden Persuader

Será por isso que puxou pelo portunhol?

P.S. (24/5) - É impressão minha ou a imprensa espanhola não deu qualquer relevo à presença de Sócrates em Valencia?

Foram cardos...

Redes sociais em manhã de Sábado















De link em link, constato que Bento 16 já está no Facebook.
«Hi, Joana Lopes!» e uma série de informações: posso enviar bilhetes-postais com fotografias do papa aos meus amigos (mas não mandei) e não sei bem se preciso de ser «fan» para receber uns e-mails (mas evitei fazê-o).

Não encontrei Marinho Pinto, mas existe uma Manuela Moura Guedes que, curiosamente, só tem um amigo.

Entretanto, pelo Twitter, sei que Vital Moreira deve estar a tomar café com os amigos no Trianon, em Coimbra.

Tudo na maior das normalidades, portanto.

22.5.09

Uma família portuguesa, com certeza









Vi ontem à noite este cartaz do PSD e tentei em vão perceber o que se pretendia. Só fiquei esclarecida algum tempo depois, em sonho bastante agitado: tratava-se afinal de um cartaz do PS, dedicado à família, bem portuguesa, de Durão Barroso. Vital Moreira saía a correr da fotografia pelo canto inferior direito, para dar lugar a Sócrates em fato de jogging.

Europeias – Um vídeo do Partido Socialista

Do PSOE, mais exactamente.



(Descoberto partindo daqui.)

P.S. (22/5, 15:55) - A propósito de europeias: a última sondagem revela uma espécie de empate técnico entre PS e PSD. O Pedro Magalhães publicou há pouco um quadro com os resultados de todas as sondagens.

21.5.09

Para além do cinema

Algumas horas depois de ter chegado a notícia da morte de João Bénard da Costa, vejo que quase todas as referências à mesma se limitam à acção na área do cinema. Foi provavelmente a sua maior paixão, entre as muitas que sempre cultivou, obstinada e exaustivamente.
Para mim é, sobretudo, menos um que resta dos que começaram a opor-se à ditadura porque eram católicos e por isso mesmo deixaram de o ser. Mais um que parte de uma família - a dele - absolutamente extraordinária, a quem devo «acolhimento» e caminho em comum numa das fases mais importantes da minha vida, mesmo se esta se encarregou depois de naturais afastamentos. Ficará para sempre ligado a intermináveis reuniões de «O Tempo e o Modo» e a discussões sobre problemas teológicos, que hoje parecem inverosímeis, em torno da revista «Concilium». Mas também a inesquecíveis férias na Arrábida dos anos 60 e, bem mais tarde, às páginas cúmplices de «Nós, os vencidos do catolicismo».
Vencidos nos sentiremos nós todos, certamente, quando nos reencontrarmos daqui a umas horas.

P.S. - Começa a aparecer uma ou outra voz de quem o conheceu - para além do cinema.

João Bénard

Alportuche, Arrábida - forever

A pouco mais de duas semanas


É impressão minha ou a pré-campanha não está a contribuir para melhorar as perspectivas quanto a abstenção?

20.5.09

Mudam-se os ventos












Manuel António Pina, no JN:
«O Código Penal pune com prisão até 1 ano "quem, sem consentimento, gravar palavras proferidas por outra pessoa e não destinadas ao público, mesmo que lhe sejam dirigidas", punição agravada de um terço "quando o facto for praticado para causar prejuízo a outra pessoa". Educadas desde jovens para a bufaria e a delinquência e sabendo que o crime compensa, que género de cidadãos vão ser aquelas miúdas?»

Ferreira Fernandes, no DN:
«Vão dizer-me que a gravação da professora de Espinho vai permitir que ela deixe de dar aulas e que isso é bom. Tudo bem. Mas eu digo-vos que é melhor ainda que, aos 12 anos, eu não tenha tido quem me fizesse espião a soldo.»

E eu com eles.

19.5.09

Twitter versão Vital Moreira















Ei-lo numa rede social. Chegou, aparentemente às 6.29 AM, e foi escrevendo ao longo do dia:

- olá Boa Tarde
- Este será um novo espaço que estará disponível para poderem acompanhar as actividades que a campanha "Nós, Europeus" vai desenvolvendo
- Amanhã entre as 17h30 e as 21h00 vou estar no concelho de Oliveira do Hospital
- A todos bom dia. Obrigado por terem aderido a este novo canal de informação.
- Acabei de dar uma pequena entrevista ao Rádio Clube sobre a minha entrada no Twitter
- não é sem emoção que se dá a última aula de um ano lectivo, de onde acabo de sair, na fduc
- Estou neste momento a caminho de Oliveira do Hospital

Não sei se o primeiro «twitt» lhe causou tanta emoção como dar a última aula do ano lectivo (!...), mas não havia necessidade nem urgência: mais valia ter procurado perceber primeiro como é que aquilo funciona e para que serve.
Para já, fala sozinho, não «segue» ninguém (para quê?!!!) e não respondeu a nenhuma pergunta das muitas que certamente já recebeu. Era bom que alguém lhe explicasse que, ali, é feio que um menino brinque sozinho com os seus carrinhos...

E não será o fim do mundo

Publicidade, com muito gosto


O Fernando Penim Redondo é um excelente fotógrafo e inaugura, no próximo dia 21, uma exposição que ele próprio apresenta assim:

O fio condutor da exposição é a descoberta da diversidade cultural e étnica, mesmo onde e quando a modernidade vai fazendo os seus “estragos”. Adicionalmente permite comparar o olhar de um mesmo fotógrafo em situações geográficas muito diferentes e em fases da vida muito distanciadas.
As fotografias, divididas em dois grupos, foram produzidas com um interregno de cerca de 40 anos.
Grupo 1968/9 – fotografias a preto e braco, feitas na Guiné Bissau Durante dois anos percorri a Guiné, em serviço, e fui aproveitando essa oportunidade para contactar e registar o dia-a-dia do seu povo.Enquanto o fazia tinha a sensação de suspender a guerra. O conjunto de imagens apresentado documenta pessoas a trabalhar ou a divertir-se nos seus ambientes próprios, tal como as via um jovem tenente da Armada de 22 anos.
Grupo 2006/8 – fotografias a cores feitas na China, Índia e Nepal Um conjunto de viagens ao Oriente permitiu-me comparar a actualidade dos três países que tanta curiosidade despertam hoje. Na China são os traços do desenvolvimento acelerado que mais marcam. Na Índia e no Nepal somos mais tocados pela serenidade da beleza ancestral. O Nepal funciona, de certa forma, como recipiente misturador das influências dos outros dois gigantes. O conjunto de fotografias expostas mostra rostos e atitudes quotidianas fotografados nestes três países asiáticos que constituem uma continuidade geográfica.

Fotografar pessoas é, em vários sentidos, um desafio. Elas são um detalhe na paisagem mas um detalhe que encerra um mundo.Quando fotografamos as pessoas elas deixam de ser uma abstracção, um número no meio de milhões, e a sua individualidade impõe-se de forma comovente.
Penso que esta exposição mostra como, em 40 anos, nunca deixei de ser atraído pela magia desse processo.


Inauguração dia 21 de Maio pelas 21 horas
Centro de Exposições de Odivelas
Rua Fernão Lopes - Tel. 219 320 800
Terça a Domingo das 10h00 às 23h00

18.5.09

Traição, diz ele
















Ainda mal se acalmaram as missas e os abraços crístico-pétreos do fim-de-semana e chega já a fatídica crónica de César das Neves no DN – «traição», a propósito de tudo, de mais alguma coisa e também de crenças.

«O limite encontra-se na religião, onde já nem se consegue entender como possa existir traição. Cada um é soberano nas suas relações com Deus e pode quebrá-las quando lhe apetecer. Os termos são definidos a partir das opções e condições humanas de cada um, não a partir da transcendência. É Deus e a Igreja quem se devem dar por muito satisfeitos com a nossa homenagem eventual. É comum ouvir frases como "sou católico, mas..."; raramente "sou católico, por isso...".»

A ver se entendo. Como é que um simples mortal se pode posicionar perante a transcendência a não ser com base na sua condição humana? O que significa pedir-lhe que se defina a partir do ponto de vista do transcendente? Pergunto mas sei que estou a desconversar porque, uma vez mais e como sempre, César das Neves identifica e confunde, rápida e propositadamente, Deus e Igreja para excluir os «mas» e guardar só os «por isso». Se alguém é crente, «por isso» não pode quebrar um casamento, nem aceitar um aborto, nem pôr a hipótese de defender a eutanásia, nem..., nem..., nem...
É um proselitismo sempre pela negativa, de gente certamente infeliz e triste, com um pessimismo e uma escuridão absolutamente assustadores – de acordo, João Tunes.

Aquele abraço




















Pus-me a caminho da margem Sul ontem de manhã, preparada para filas de carros e algumas horas de espera. Mas aparentemente consegui fintar os horários das estátuas, almocei calmamente na praia e regressei na «derradeira hora antes da consagração», segundo me dizia então uma locutora da RR (ou talvez teóloga, nunca percebi muito bem).
Li mais tarde que o cardeal Policarpo afirmara que «só não sente o amor de Cristo quem não quer» e que «Cristo abre os braços sobre todos os habitantes da cidade».
Cereja em cima do bolo, o nosso PR (que deve portanto sentir a fé porque quer) lembrou aos jornalistas que «nos tempos de crise, é normal que os crentes procurem um abraço de Cristo-Rei, como consolo e como protecção».
Abraços de pedra, um pouco gélidos certamente, mas com os quais os incréus não querem contar para se protegerem dos malefícios do subprime.

Tirem-me deste filme!

(A foto é do site da Presidência da República.)

17.5.09

Mudam-se os tempos?


















Em reunião do Conselho de Ministros de 13 e 14 de Janeiro de 1959, foi aprovada a construção da ponte sobre o Tejo – Salazar em tempo de baptismo, 25 de Abril por ocasião do crisma.
Decisão pacífica? Nem por isso: a maioria votou a favor, mas dois ministros e o próprio Salazar votaram contra. Passo a citar Franco Nogueira (Salazar, vol V, p.45):

«Salazar votou contra baseado na sua ortodoxia financeira: o financiamento da ponte poderia e em rigor deveria ser usado em projectos que, se executados, teriam uma rentabilidade mais imediata e contribuiriam para um mais rápido aumento do produto nacional. (...) Salazar, no fundo, também desejava a ponte; mas não queria que historicamente ficasse comprometida a integridade da sua ortodoxia financeira, nem que se pudesse dizer que transigira para conquistar popularidade.»

Anda alguém a inspirar-se nisto?