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22.8.09

Arquivo Mário Pinto de Andrade














Agora disponível no site da Fundação Mário Soares.

O acervo histórico de M.P.A. foi entregue em Luanda, na passada 6ªf, por ocasião seu 80º aniversário.

A polémica sobre o último Avante! - talvez ainda vá no adro




















O artigo do Avante! desta semana, a que já me referi anteriormente, é notícia de primeira página do «Expresso» de hoje e passa assim para um novo patamar, não só em termos de notoriedade mas também na medida em que o jornal identifica expressamente a posição do PCP com a do seu chefe de redacção.

Como diz Paulo Pedroso no seu blogue, e eu assino por baixo, «…o PCP pode, querendo, esclarecer se a baixeza do seu funcionário corresponde à posição do partido ou não».

Aguardemos.

(A ler, na íntegra, o post de Paulo Pedroso.)

21.8.09

Trapos?










Meninas bonitas como mandatárias para a juventude, ou mesmo nas listas ou nas intrigas em torno das mesmas, talvez por aquilo a que Vasco Barreto chama «a sublimação republicana da libido» (também podiam ser meninos que, para o caso, iria dar ao mesmo). Palcos, luzes, discursos que exaltam o beautiful people naquilo a que dantes se chamava «a força da vida», entre os 40 e os 50 e muito poucos anos – a geração que, naturalmente e com toda a legitimidade, está no poder, domina jornais, televisões, blogues e redes sociais. Que, segura da sua experiência acumulada, olha um pouco de esguelha e já com uma certa insegurança para quem tem menos dez ou quinze anos, mas sente ainda longe o risco de engrossar o número de sexagenários atropelados na Avenida da Liberdade (é sabido que isso nunca acontece a quinquagenários…)

É certo que as campanhas eleitorais nos bombardearão de novo com as imagens do dr. Paulo Portas em visitas a asilos e com as dos velhos que jogam às cartas na Parada de Campo de Ourique a quem será prometido mais uns tantos euros nas reformas. Até já saiu um jornal de campanha que, paternalistamente, se diz «para o avô e a criança». Além de que será impossível evitar a imagem de uma candidata de peso, que é velha e que é feia. Mas as atenções estarão viradas para as Jotas e para as Patrocínios que trarão votos juntamente com as cerejas.

Será no entanto um erro não se prestar um pouco mais de atenção aos milhares e milhares de velhos que ainda não têm Alzheimer nem precisam de mais 100 euros na reforma. Porque eles irão votar (ou não) silenciosamente, talvez muito mais «contra» uma infinidade de coisas do que a favor da gritaria que lhes entra pela casa dentro.

With a little help from my friends



Última pergunta de Judite de Sousa a Manuela Ferreira Leite, ontem na Grande Entrevista da RTP:
«Já lhe sugeriram mudanças de imagem?»

Segue-se uma longa resposta. Genérico em rodapé e Judite de Sousa comenta, convencida de que está em off:
«Foi gira esta última pergunta, não foi?»

20.8.09

Bem me parecia


Libertária-Cosmopolita
Partido mais próximo – BE
Partido mais afastado – PNR

Bússola Eleitoral. Muito oportuna nos tempos que vão correndo - veja também onde se situa…

Nojo, náusea, indignação, vergonha - o que quiserem

















...perante os termos com que o Avante! de hoje se refere a Paulo Pedroso, em artigo assinado por Leandro Martins:

«Já nem falamos do antigo arguido no processo da Casa Pia, Paulo Pedroso que, recebido na Assembleia com palmas dos seus correligionários, após ter ganho a sorte grande no segundo recurso para a Relação, vem agora, qual galinho da Índia, dar conselhos ao seu partido.»

Mesmo quando se julga que todos os limites foram já ultrapassados, ei-los que chegam, os golpes baixos da baixíssina política, em todo o seu esplendor!

P.S. - Um comentário deixado por um Anónimo sugere-me a seguinte precisão: Leandro Martins é chefe de redacção do Avante!

(Desenho de Pedro Vieira)

Checoslováquia, 20/21 de Agosto de 1968



A ver, também, este vídeo de Josef Koudelka, o autor das fotografias do extraordinário livro «Invasion Prague 68», publicado por ocasião do 40º aniversário da invasão.

19.8.09

Prémio Comprometidos y Más 2009

Aí estão de novo as cadeias blogosféricas… Esta vem da América Latina e visa, aparentemente, premiar blogues «comprometidos com a democracia e defensores da sustentabilidade ecológica». (A ecologia faz-me corar um pouco, mas adiante…)

Que eu tenha dado por isso, foi-me atribuído pelo Activismo do Sofá e por O Valor das Ideias. A ambos, muitíssimo obrigada.

Já passei cadeias a tantos blogues (e hoje ainda tenho outra em fila de espera…) que vou ser muito poupada - esta segue apenas para A Poeira dos Dias (há mais vida para além do Facebook!).

O país tem opiniões diferentes – e mais do que uma ou duas













Insista-se mil vezes se necessário for – hoje com Rui Tavares (no Público, sem link), a propósito da hipótese, quase certa, de um governo minoritário:

«O novo presidencialismo seria, no fundo, apenas uma forma de conservadorismo larvar da nossa política. Já repararam como as maiorias absolutas são sempre essenciais, ano após ano, para “fazer as reformas” e “salvar o país da ingovernabilidade”? Pois o novo presidencialismo, dir-nos-ão, será essencial pelas mesmas razões, que não desaparecerão nas eleições seguintes – nem nunca.

A outra hipótese é a de um novo parlamentarismo. E esta, mais do que uma simples previsão, é algo por que valeria a pena lutar – não só à esquerda, mas também ao centro ou à direita, onde se achar que uma democracia deve assentar no parlamento. Um novo parlamentarismo permitiria encarar de uma vez por todas que o país não é ingovernável: o país tem, simplesmente, opiniões diferentes – e mais do que uma ou duas. Não podendo valer todas o mesmo, terão de encontrar maiorias e equilíbrios entre si.

Dir-me-ão que é difícil? Eu direi que é a vida.»

Há quem acredite que vamos ver duas luas no dia 27 de Agosto. Mas julgo que nem Nostradamus previu o que quer que seja para 27 de Setembro – o mundo continuará a rodar, com toda a naturalidade.

Nem o Google Maps me deixa lá entrar…













Chego de Paris e dou com um Watergatezinho, bem à nossa maneira. Tudo muito nervoso, gente que precisava de umas boas férias e já não as terá. Uns falam em vão, outros continuam calados quando deveriam talvez já ter dito «qualquer coisinha»? Ou nem por isso e tudo isto é pouco mais do que mau jornalismo de Verão?

Ferreira Fernandes vai brincando:
«Estará o Palácio de Belém vigiado? Espero que melhor que a varanda do Palácio do Município. Estará Cavaco Silva a ser escutado? Se sim, lá ficam sem argumentos os que defendem o aumento dos poderes presidenciais porque ninguém ouve o Presidente.»

Ficará tudo por aqui ou ainda há espaço no adro para a cauda da procissão?

(Entretanto, o grande divertimento do serão de ontem foi localizar tudo e mais alguma coisa na recente versão do Google Maps – uma parte do pais em 3D, ao nível da rua, com todos os pormenores. Mas, por muito que tenha tentado, nenhuma máquina fotográfica me permitiu que entrasse no Palácio de Belém. Aselhice minha ou Belém defende-se bem das «vistas», mesmo que talvez mal das «escutas»?)

Esqueçam os assessores de Cavaco



Pepa Nzac Gnon Ma (in Hughes de Courson, «Lambarena – Bach to Africa»)

Dança Fang, do Gabão. Canto das mulheres que regressam à família para amamentar os filhos.

18.8.09

Cogitações (6)

«Talvez certas contradições entre a democracia e a existência na vida do espírito sejam de ordem intrínseca. A democracia, que se compromete com uma exigência maioritária, aclama o homem comum. Cujo Deus é, em boa parte do planeta, o futebol. O credo das Luzes, o «melhorismo» do século XIX, que via no ensino de massa a via segura do progresso cultural, revelaram-se em boa parte ilusórios. A promoção da justiça social recuou. (...) Hoje, nas democracias de consumo e de comunicação de massa do Ocidente e do mundo em vias de desenvolvimento, deixou de ser possível separar o liberalismo político e o governo representativo do capitalismo. Houve esforços ardentes na busca de uma «terceira via». Um capitalismo humanizado e socializado obteve triunfos esporádicos em certas regiões bucólicas como a Escandinávia e a Suíça. Mas nas democracias pluralistas maduras é o dinheiro que impera. No sentido neutro e próprio do termo, as relações de poder são as de uma plutocracia mais ou menos dissimulada. O dinheiro exulta na sua omnipotência grosseira. Introduz-se em todas as frestas da existência pública e privada.»

George Steiner, Os livros que não escrevi, pp.282-283.

Se a drª Manuela já não está com gripe…









… bem podia ir até Porto Santo dar umas aulas na universidade do Verão do seu amigo Alberto João.

Aí, mostraria, in loco e perante o país, que pactua, de facto, com esta realidade: «O ditador tem direito a retrato na parede e a grandes ovações de braço estendido quando alguém resolve perguntar: "Quem manda, quem manda?" Resposta colectiva, incluindo de Jardim: "Salazar, Salazar, Salazar."»

Também abraçaria a bandeira do Che e entoaria «Comandante» - seria o belo espectáculo que ainda falta a este so silly mês de Agosto.

(Fonte)

Imagem de marca













Haverá alguém que resista a levar de Gilbert Jeune uns tantos cadernos «réglure seyès»?

Já quase não se escreve à mão, muito menos em cadernos. Mas estes são insubstituíveis, lindíssimos e aquela espécie de quadriculado passou (aparentemente, continua a passar) pela mão de gerações e gerações de franceses. Muitas das grandes obras da literatura e da filosofia desta terra começaram em «seyès» - por mais incrível que já possa parecer a muitos, não nasceram directamente em Word.

E o cheiro dos cadernos – tal como o dos livros – não se parece absolutamente com nada.

17.8.09

Cada um terá a gripe que merece











Os telejornais franceses não contabilizam os doentes nem explicam como se deve lavar as mãos, mas revelam algumas realidades mais importantes. A poucas semanas da reabertura das aulas, mostram o estado avançado da preparação do ensino a distância, dado praticamente como inevitável, já que está decidido que uma escola será encerrada se registar, numa classe, três casos de gripe em menos de uma semana.

Através da internet e de duas cadeias de televisão, serão dadas aulas e, neste momento, estão já estabelecidos horários de transmissão por faixa etária, decididos os conteúdos e as actividades culturais complementares.

E em Portugal?...

Esperar não é saber
















E porque ainda falta muito tempo para 26 de Setembro, vai já daqui, em francês (porque não?)

Janelas

São bem amplas estas Janelas do JPB, que abriram há menos de um mês. Trata-se de um novo blogue, evidentemente, que entra directamente para a coluna dos meus «Inevitáveis».

16.8.09

Talvez o impossível
















Que um Domingo de Agosto, certamente muito quente, não deixe na sombra o texto que Rui Bebiano publicou hoje em A Terceira Noite. De rebeldia se fala - em tempos de apelos sistemáticos a «realismo» e tácticas de efeito imediato, de cenários de terror perante catástrofes iminentes se a sensatez não imperar, de ataques caricaturais, mais ou menos mesquinhos, a tudo e todos que não afinem pelo mesmo diapasão.

Quando parece mais do que certo que nem o mundo nem Portugal vão acabar nos próximos dois meses, talvez valha a pena tentar entender os que têm essa evidência sempre presente na linha do horizonte.

«Ou se gere o mundo apenas à vista, mergulhado na banalidade e, mais cedo ou mais tarde, no desespero, ou se projecta o salto em frente, superando, por vezes na dimensão de um pathos incidental, a enganadora sombra. (…)
Sempre a recusa de uma gestão do presente “tal qual ele é” e a defesa da possibilidade do impossível.»

Paris, 16/8