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23.1.10

Carta à República



Milton Nascimento / Fernando Brant

(Via M. Manuela Cruzeiro)

Matusalém (3)




Flower Power? Ah pois com certeza...

Para grandes males, grandes decisões




Queda drástica da natalidade? É simples: apaga-se a luz do Ministério às 7:00 PM e pede-se aos funcionários que vão ordeiramente para casa fazer bebés – uma vez por mês, na terceira 4ª feira (Isto fez-me lembrar uma velha devoção católica que aconselhava, já nem sei exactamente o quê, para as primeiras 6ª feiras - mas bebés não era de certeza).

Onde? Na Coreia do Sul, um dos países do mundo com maior taxa de desenvolvimento e menor de natalidade (1,08). Cada um tem o objectivo de diminuição de défice que merece, neste caso pretende-se chegar a 1,6% daqui a dez anos.

Entretanto, em países paupérrimos e muito próximos do sudoeste asiático, as famílias vão tendo três, cinco ou mesmo sete filhos. Até quando durará este desequilíbrio? Alguém verá.

(Fonte)

Outra vez?
















Alguém devia explicar à igreja que ninguém quer que ela aceite casamento nenhum - pode ficar solteira. (*)

(*) Puro plágio: disseram-me isto no Twitter quando apareceu a notícia.

22.1.10

Matusalém (2)




Em resposta a um Comentário do Pedro Correia, disse-lhe que estou a seguir as suas «Canções do Século» e que começava aqui uma espécie de desgarrada. Chego atrasada porque ele já me roubou umas tantas - evitarei repeti-lo.

As minhas serão sobretudo algumas das que me marcaram, algures no mundo e na vida, pelos mais variados motivos - quase tão velhas como Matusalém.

Tout va très bien




A «crise» atingiu a tal ponto as francesas que estas gastaram em 2009 apenas 93 euros (18.600$00) por ano em lingerie. Nada de grave, ao que parece, apenas uma queda de 4,5% - provavelmente meio sutiã a menos. Outra novidade é que as maiores consumidoras não são as mais jovens, mas sim as que pertencem à faixa etário dos 45 aos 54 anos (et pour cause, digo eu…)

Nunca me passou pela cabeça contabilizar quanto é que gasto, ou gastei, com roupa interior, mas isto, como média nacional, parece-me «ligeiramente» exagerado, não?

O canto do cisne da bela e velhíssima Europa, em todo o seu esplendor. Com um cambojano (com sorte) a trabalhar 364 dias para ganhar o que as descendentes de Madame de Pompadour usam por baixo das saias.

Demagogia da minha parte? Esperemos pela pancada.

(Fonte)

Uma outra perspectiva




(Facebook, via Ricardo Lindim Ramos - que por acaso é meu filho...)

Da eficácia do humor


21.1.10

Procrastinação?




(Via Paz Carvalho no Facebook)

21 de Janeiro
















Há 45 anos, foram presas em Lisboa dezenas de estudantes, activistas nas Associações de várias Faculdades. Artur Pinto foi um deles e conta na primeira pessoa.

E Diana Andringa comenta assim:
«Não fui presa nesse 21 de Janeiro de 1965 – tinha chegado à Universidade poucos meses antes, não tinha actividade política – mas também não esqueço esse dia. As notícias sobre as vossas prisões a chegarem aos poucos, frases sussurradas sobre alguns que tinham logrado escapar, pessoas que, sem que ao princípio soubesse porquê, desapareceram da Faculdade e de quem só voltei a saber muito tempo depois, quando já estavam seguras no exílio, a informação segredada de que havia um dirigente escondido no próprio Hospital de Santa Maria… Foi a minha primeira actividade clandestina: ir a casa dele e, com uma qualquer desculpa, conseguir que a senhoria me deixasse entrar e retirar de lá papéis e dinheiro que deixara escondido. Seria melhor não ir sozinha, sermos duas estudantes muito jovens a ir buscar um livro que o colega mais velho generosamente nos emprestava. Se bem recordo, foi a Zé Cabeçadas quem me acompanhou, cada uma emprestando à outra um pouco do sangue-frio que não tinha, distraindo a senhoria para a outra poder pesquisar, entre os livros, qual escondia o que procurávamos. Missão cumprida, voltámos a pé para o Hospital, esperando a cada momento ouvir uma ordem de prisão. Tinha 17 anos. Acho que nesse dia a minha vida começou a mudar.»


P.S. – Houve alguém que escreveu no dia seguinte um texto que ficou célebre e que nunca consegui ler: «Dia da Universidade Cativa». Se ainda o tiver…

O que eu não daria














… para estar na Duna 45 do deserto da Namíbia, sem ouvir José Rodrigues dos Santos a dizer, pela milésima quinta vez, Port-au-PRANCE ou um outro senhor da SIC, que não sei como se chama, a optar por PÔR-au-Prince!

20.1.10

Matusalém (1)


Magister dixit














O inefável doutor que durante umas semanas entrou pelas nossas casas dentro, e que deve andar pela Europa a fazer coisas importantíssimas de que ninguém fala, que se enterneceu com uma árvore de Natal em Nova Iorque mas que sonha ainda com o centralismo democrático, diz agora ao partido, de que é apenas simpatizante, como deve controlar um candidato presidencial de que obviamente não gosta:

«O PS só pode "engolir o sapo" em contrapartida de um compromisso de Alegre no sentido de moderar o seu óbvio "gaullismo" presidencial (que leva consigo o risco de uma inaceitável deriva presidencialista, que o PS sempre combateu), a moderar a sua hostilidade contra os rumos da integração europeia (que as suas críticas ao Tratado de Lisboa e ao mercado interno revelam) e a atenuar a sua oposição à modernização social-democrata da teoria e da prática política do PS (que o levou a uma afinidade electiva com o Bloco de Esquerda).»

Premonições?















Já quase tudo foi dito sobre o colar que Santana Lopes trouxe ontem de Belém pelos «destacados serviços prestados ao País» e a todos nós. Shame on us, certamente.

Muitos sublinharam a falta de inocência na escolha da data, por Cavaco o trazer à ribalta dos premiados num momento especialmente conturbado do partido de ambos. Mas não vi ninguém prestar a devida atenção à última afirmação do curto e seco discurso do presidente: Santana já não é dirigente partidário. Não será que quis dizer, ou pelo menos pensou, «e ainda que volte a sê-lo»?

Com o PSD nunca se sabe. Num saco de gatos, os que têm mais do que sete foles levam vantagem à partida.

19.1.10

Em preto e branco






Elis Regina, Retrato em preto e branco

Num outro blogue
















Neste caso no do Centro Nacional de Cultura, onde passarei a colaborar esporadicamente.


«Lusitania Quo Vadis?»

Aceitei o convite para participar neste blogue, sem qualquer compromisso de regularidade mas com grande prazer, já que nunca esquecerei as minhas velhas ligações ao CNC - por isso as trago para este primeiro post.
Este texto é uma adaptação de excertos de um capítulo do livro que publiquei em 2007, Entre as brumas da memória – Os católicos portugueses e a ditadura (Âmbar).

«Lusitania, Quo Vadis?» foi o título de um ciclo de conferências organizado pelo Centro Nacional de Cultura em Março de 1969. Nenhuma pergunta poderia exprimir tão bem o que nos perguntávamos a nós próprios neste final dos anos 60.

O Centro Nacional de Cultura era um das peças de um complicado puzzle que constituía então a oposição à ditadura e, em 1968-1969, foi dirigido por um grupo de pessoas a que pertenci. Mais concretamente, em 27 de Novembro de 1968, realizaram-se eleições para os corpos gerentes e, para além de José Manuel Galvão Teles (presidente) e de mim própria (vice-presidente), passaram a fazer parte da Direcção: Teresa Amado, Manuel Moita, Sebastião José de Carvalho, António Reis e Nuno Portas. Éramos todos muito jovens, católicos ou já ex-católicos. À Mesa da Assembleia Geral presidiu Henrique Martins de Carvalho, tendo com vogais Gonçalo Ribeiro Teles e Augusto Ferreira do Amaral e o Conselho Fiscal ficou constituído por José Ribeiro dos Santos, Francisco de Sousa Tavares e Francisco Lino Neto. A Direcção reflectia uma renovação total, a continuidade era assegurada nos outros corpos gerentes.

A nova Direcção começou imediatamente a organizar debates e reuniões na sede do Centro e procurou angariar fundos e novos sócios.

Entretanto, a oposição pensava já nas eleições legislativas do ano seguinte. Em 20 de Janeiro de 1969, foi criada a Comissão Promotora de Voto, por carta enviada ao Presidente do Conselho e, entre os quarenta e três subscritores, seis eram membros dos corpos gerentes do Centro Nacional de Cultura.

Era importante tirar partido de todas as ocasiões de debate, tão alargado quanto os condicionalismos o fossem permitindo. O Centro planeou então uma iniciativa de grande vulto, consubstanciada em três sessões a serem realizadas em Março de 1969, sob o tal nome genérico de «Lusitania, Quo Vadis?». Política Económica, Acção Cultural e Perspectivas Políticas foram os grandes temas escolhidos, a sede da Sociedade Nacional de Belas Artes o local conseguido para a realização.

Embora se previsse uma grande afluência de participantes – o que de facto aconteceu –, foi decidido evitar o modelo clássico, e já explorado até à exaustão, de «conferência, seguida de debate» e adoptar um formato relativamente informal: para cada uma das sessões, foi previsto um painel com duas pessoas encarregadas de formular perguntas e três que tinham a missão de lhes responder. Foi elaborado e divulgado o seguinte programa, recheado de nomes sonantes.

(Ler o resto aqui.)

Um candidato anti-capitalista?
















Anda pela net «uma petição do povo de esquerda» onde as direcções do Bloco e do PCP são interpeladas para encontrarem um candidato comum, «anti-capitalista», para as próximas eleições presidenciais.

Durante uma grande parte do dia de ontem teve apenas dois subscritores (tem 16 no momento em que escrevo) e confesso que comecei por pensar que era pura brincadeira, parecida com muitas Causas humorísticas que nascem todos os dias no Facebook. Mas não é e até já identifico alguns nomes.

Não consigo deixar de imaginar o hipotético(a) candidato(a), uma mescla de Ana Drago e Bernardino Soares, com óculos para se aproximar de Louçã e Jerónimo.

Mais a sério: estas pessoas crêem num possível e rápido entendimento milagroso entre os dois partidos? Mesmo que não e que se trate apenas de uma legítima tomada de posição pública: querem mostrar que são contra Sócrates e que preferem Cavaco a uma eventual vitória de Alegre? Ou acreditam mesmo que o capitalismo poderia ser derrubado pela eleição de um PR?

Enfim, talvez seja que eu que esteja a ver mal a questão e que o poder seja em breve entregue aos sovietes, num palácio de inverno bem perto de si.

18.1.10

For Haiti, the people, their families and their friends – Stay strong












We can only imagine your pain but we feel it and are helping in every way we can.



«Black bodies: written 4 Haiti» by Diana King

(Via Action for Haiti Crisis Concert no Facebook)

Boas e más notícias















«Foi inaugurado no Chile o Museu da Memória, onde são lembrados os crimes cometidos durante a ditadura de Augusto Pinochet, entre 1973 e 1990, em que morreram ou desapareceram 3200 pessoas e mais de 28 mil foram torturadas.»

Entretanto: o Chile tem desde ontem um presidente de direita, o primeiro a chegar ao poder por via eleitoral nos últimos 52 anos.
«A ampla coligação progressista que governou o Chile nos últimos vinte anos, e que resultou de um grande acordo democrático contra a ditadura de Pinochet, perdeu ontem pela primeira vez umas eleições.»

As organizações das vítimas da ditadura temem que o triunfo de Piñera provoque um retrocesso nas vitórias já conseguidas e uma maior pressão dos militares para que sejam arquivados os processos por violação dos direitos humanos.
(Fonte)



Violeta Parra, «La Carta»

Ainda sobre Santo António, a CML e a ICAR


Leia-se E noivos de fato-macaco?, de Ferreira Fernandes.

17.1.10

Descubra as diferenças




Expresso, 16/1, «Taco a Taco» entre Alegre e Cavaco - Cadastro

Alegre:
Preso pela PIDE durante seis meses, quando cumpria serviço militar em Luanda, em 1963. Depois é colocado com residência fixa em Coimbra. Passa à clandestinidade e ao exílio em Argel em 1964.

Cavaco:
Uma tarde na esquadra, quando era estudante universitário (partiu o globo de iluminação de um candeeiro na via pública, depois de se ter pendurado no estribo de um eléctrico). Ainda pagou 200 escudos.

Parker & Barrow




















Vai ser em breve publicado em Espanha um livro com cartas de amor entre Bonnie Parker e Clyde Barrow que morreram cravados de balas (cerca de cinquenta para cada um, segundo consta) em 1934, quando tinham ambos 25 anos.

Conhece-se agora melhor os detalhes desta epopeia desde que, em 2009 e por ocasião do 75º aniversário da sua morte, o FBI desclassificou perto de mil páginas sobre a perseguição e captura destes personagens míticos que alimentaram o imaginário de rebeldia de tantos de nós.

(Fonte)


2010




Ainda bem que o ano é de chuva porque eles precisam de água, sobretudo agora que ainda estão na fase de girinos.

Dizem-me que há quase 5.000 espécies diferentes. Pois que venham todas porque serão bem necessárias lá mais para o fim do ano, sobretudo ali para as bandas do Rato - mas não só.