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11.9.10

Eu sei

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Distinguir para não baralhar


«O reverendo já não vai queimar o Alcorão. Ainda bem, porque os livros não são para queimar. No entanto, quero dizer: o tal Terry Jones tinha, e tem, o direito de queimar o Alcorão, logo que o livro lhe pertença. Ou a Bíblia, ou a bandeira americana ou, se eu lho tivesse dado, o meu livro de cromos do Benfica Campeão Europeu. É cretino, já o disse, queimar o Alcorão como manifestação de desagrado ao livro. Mas a liberdade de expressão é também para os cretinos, e era isso que era - e só isso, liberdade de expressão - o acto que Jones ameaçou praticar. Todo o cretino deve poder dizer a cretinice de que o Alcorão é para queimar. Felizmente para os Estados Unidos, a Primeira Emenda da sua Constituição defende a liberdade de expressão, que é, aliás, uma das razões de eles serem um grande país. Foi também usando essa liberdade de expressão que Obama se opôs. À liberdade de expressão do cretino ele opôs a sua liberdade de expressão de homem que, apesar de muito forte, só usou a sua liberdade de expressão para combater o outro. Ainda bem. E se tudo corresse mal, e Jones tivesse queimado o Alcorão e por causa disso alguém fosse morto, não se devia confundir: Terry Jones continuaria a ser só um cretino e o assassino passaria a ser um assassino. Um para ser combatido com a palavra e o outro com a força.»

Ferreira Fernandes, no DN.
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3ª feira, 11092001 com olhos de 3ª feira, 11091973

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No 1º aniversário da queda da Torres Gémeas, foram convidados onze realizadores para fazerem filmes dedicados ao acontecimento. Ken Loach estabeleceu um paralelo com um outro 11 de Setembro, o de 1973 no Chile.

30.000 chilenos foram assassinados durante o regime de Pinochet.
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10.9.10

Fidel, nova versão da frase - qualquer semelhança é pura coincidência


Afinal, Fidel Castro vem explicar que:

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Comentários, para quê?...
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Ironicamente, no centro da União


Já ninguém deu muita importância ao facto de Elio Di Rupo ter desistido de formar um novo governo belga e, para se sair do impasse, há neste momento lintermináveis discussões institucionais entre mediadores nomeados pelo rei e sete partidos políticos – nada de muito novo, portanto…

Mais interessante é saber-se agora que, no passado mês de Julho, se realizou uma reunião quase secreta de personalidades profundamente conhecedoras da realidade política belga, com o objectivo de analisar todos os cenários existentes que vão do desejo de manutenção de uma confederação entre as duas partes do país até à crescente convicção, na Valónia, de que não há outra solução no horizonte que não seja a de uma integração política na República Francesa.

O que parecia um obstáculo intransponível em caso de cisão entre os 6 milhões de flamengos e os 4,5 milhões de francófonos – o destino de Bruxelas – estará a desvanecer-se, convencidos que estão os primeiros de que nunca conseguiriam «flamenguisar» a actual capital e que, assim sendo, mais vale lutar pela independência sem ela.

Quanto à Valónia e a Bruxelas, virão elas a formar «une petite Belgique» ou a completarem a união cultural e económica franco-belga com a vertente política? Cedo para o saber mas, quando se abre uma discussão deste tipo, a História tem tendência a acelerar-se, por vezes mais do que se imagina à partida.

A balcanização da Europa pula e avança, em várias frentes? Muito provavelmente.

(Fonte)
(Via Jorge Nascimento Rodrigues no Facebook)
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Carta de Edite Estrela aos militantes do PS sobre candidatura de Manuel Alegre


Car@ Camararda,
Car@ Amig@,

No início do próximo ano, vamos ser chamados a escolher o novo Presidente da República. Trata-se de uma eleição muito importante para o nosso futuro colectivo.

A acção política do Presidente da República é determinante para a estabilidade política do país. Sem estabilidade política, as medidas de recuperação da economia e de coesão social do governo não alcançarão os resultados que o País reclama e o governo pretende.

O actual Presidente nunca perdeu uma oportunidade de se demarcar do governo, de dificultar, aberta ou dissimuladamente, a sua acção, e até de obstruir deliberadamente muitas medidas constantes do programa eleitoral sufragado pelo povo português. Durante o seu mandato, foram frequentes as quezílias, intrigas e até campanhas, dirigidas por assessores da sua confiança, destinadas a atingir a idoneidade do governo e do primeiro-ministro.

Os socialistas têm de estar conscientes de que, nas próximas eleições presidenciais, se vai definir o rumo político do País para os próximos anos. A reeleição de Cavaco Silva abrirá as portas a um governo do PSD e a políticas conservadoras e neo-liberais: o serviço nacional de saúde, a igualdade de acesso à educação, as políticas de coesão social, os direitos laborais, tudo será revisto e alterado.

As candidaturas às eleições presidenciais não emergem dos partidos. São candidaturas independentes apoiadas ou não por partidos políticos. Oportunamente, o PS deu o seu apoio inequívoco ao camarada Manuel Alegre, um histórico do PS e uma referência do Portugal democrático.

A eleição de Manuel Alegre dá garantias a todos os portugueses de que o Estado Social, que tem sido a imagem de marca dos governos socialistas, é para ser preservado e defendido.

A eleição de Manuel Alegre dá condições de estabilidade à acção governativa, indispensável à credibilização externa do País, ao desenvolvimento económico e à criação de emprego.

A eleição de Manuel Alegre será a vitória de uma visão social aberta e universalista sobre uma visão social restrita e preconceituosa; a vitória dos valores do humanismo sobre o materialismo; a vitória de uma sociedade plural e paritária sobre uma sociedade que não respeita a diferença nem promove a igualdade; a vitória da Cultura sobre a tecnocracia.

A candidatura de Manuel Alegre é um espaço de cidadania aberto à participação cívica de todos os Cidadãos Eleitores e na qual os militantes socialistas se devem empenhar activamente, dando o seu inestimável contributo para a desejada vitória. A recolha de assinaturas é uma forma activa de participação cívica em que devemos participar.

A Constituição da República Portuguesa e a lei eleitoral determinam que sejam entregues, no Tribunal Constitucional, entre 7500 e 15000 Declarações de Proponentes onde cada cidadão eleitor, devidamente identificado, subscreve uma Declaração de Propositura individual e certifica, através da Junta de Freguesia, a sua inscrição no recenseamento eleitoral.

Saudações Socialistas,

Edite Estrela
Secretária Nacional do PS
Presidente da Delegação Socialista Portuguesa no Parlamento Europe
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Regressemos então ao ábaco


Há mais de quarenta anos que oiço dizer que a culpa de muitos desleixos e de flagrantes incompetências é sempre dos computadores, mas a realidade ultrapassa agora a ficção quando se sabe que ainda não será hoje entregue o acórdão da casa Pia.

O mesmo departamento do Ministério da Justiça (rebaptizado, é certo) que, no início da década de 70, informatizou do Bilhete de Identidade e foi com isso pioneiríssimo a nível internacional, único responsável, durante anos, pelo processamento da informação de todos os actos eleitorais em democracia (até com projecções dos resultados, quando ninguém sonhava o que isso pudesse ser…) não é capaz de ajudar a reformatar um texto para que seja impresso correctamente?

Acredite quem quiser. Ou, em alternativa, convençamo-nos que, nem sequer em miniatura, temos actualmente capacidade para sermos um verdadeiro país.



(Banda Sonora: sugestão de Daniel Oliveira no Facebook)
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9.9.10

Setembro

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China, a grande esperança para o capitalismo? (2)


Há menos de um mês, quando foi notícia o facto de o PIB da China ter ultrapassado o do Japão, escrevi neste blogue:
«Curiosamente, parece esperar-se que a China seja uma das bóias de salvação para a actual crise mundial do capitalismo – se não a única, pelo menos a principal -, na exacta medida em que se transforme numa grande potência consumidora, não só do que produz mas também do que vier a importar. (…)

Não vale a pena a dizer que o erro está em tentarmos interpretar uma realidade diferente com os nossos olhos ocidentais, porque tudo hoje se tornou muito mais próximo, e consequentemente parecido. O capitalismo «budista» chinês tem certamente muito mais afinidades com Wall Street do que com o «Gross National Happiness» do vizinho Butão.

Estou enganada ou há aqui muita matéria para reflexão?»

E a dita reflexão aí está, num texto do João Bernardo, com muita informação detalhadamente referida e analisada. Leitura recomendadíssima! Dois curtos excertos:
«Mesmo para quem só leia apressadamente as notícias, a China aparece como o derradeiro recurso do capitalismo mundial, o país mais importante entre os BRICs, um colosso sem o qual nada se faz na economia. (…)

Em suma, observo na China condições favoráveis ao pleno desenvolvimento do capitalismo. A elevada taxa de crescimento económico permite aumentar os salários e o consumo privado, mas permite que aumentem mais ainda os lucros das empresas e os investimentos. E este dinamismo tem capacidade para resistir às vicissitudes exteriores, porque se deve à situação interna do país e não depende fundamentalmente do mercado constituído pelos Estados Unidos e pela União Europeia, afectados pela recessão ou pela estagnação. O aumento da produtividade é o mecanismo que dá azo à ampliação dos lucros ampliando simultaneamente os salários, num círculo desenvolvido em espiral.»

Sem tentar assimilar esta realidade, não vale a pena olhar para o umbigo europeu.
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A frase inimaginável?


«O modelo cubano já não funciona nem sequer para nós.»
Fidel Castro, em entrevista a Jeffrey Goldberg, publicada ontem.

«O modelo português, com que sonhámos, não teria funcionado nem sequer para nós.»
Poderia Cunhal ter dito esta frase antes de morrer? É pelo menos possível. Mas uma coisa parece certa: o camarada Jerónimo nunca a dirá, por mais anos que viva.
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Se só conhecem o admirável mundo novo das nossas escolas


… apregoado, neste últimos dias, até à exaustão, leiam este post da Helena, vindo direitinho da Alemanha:

«O Matthias, que tem 13 anos e está no 9º ano de escolaridade, tem de fazer durante este ano lectivo um estágio de duas semanas numa empresa. É ele que tem de decidir que tipo de trabalho lhe interessa mais, contactar a empresa, preparar uma carta de apresentação e um currículo. (…)
Hoje o Matthias visitou a IFA (Feira Internacional de Electrónica de Consumo) e falou com uma senhora, no stand da Telekom, sobre a possibilidade de um estágio nessa empresa. Já tem um nome e um número de telefone para entrar em contacto.»

P.S. - Como complemento, ler o Comentário deixado pela Helena.
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8.9.10

«Les nostres víctimes»


Soube-se ontem que o juiz Baltasar Garzón perdeu os recursos que tinha entreposto e que vai mesmo ser julgado «por alegado abuso de competências nos inquéritos que tutelou sobre desaparecimentos ocorridos durante o franquismo».

Mas, mais de 70 anos depois do fim da Guerra Civil e apesar de todos os obstáculos, a actividade das famílias das vítimas não pára e, na internet, multiplicam-se os sítios ligados à preservação da Memória Histórica, que relatam um sem número de iniciativas. Por exemplo este, com muita informação, e onde é anunciada uma Nova Página e um vídeo, lançados ontem, pela «Mesa de Catalunya d'Entitats Memorialistes reivindicando justicia para las víctimas por Pena de Muerte y la anulación de los procesos judiciales del fascismo español».

(Mas há mais, muito mais.)



Les nostres víctimes
Totes les víctimes del feixisme, tots els lluitadors antifeixistes represaliats pel franquisme, són les nostres víctimes. Nosaltres mateixos som víctimes de la dictadura per què el dolor i la necessitat de justícia ha passat de generació a generació superant el silenci i la por. La Transició, per la que encara transitem, va oblidar els nostres familiars i amics, i a molts de nosaltres que vam lluitar contra la dictadura. Va oblidar la legalitat democràtica republicana i van adoptar com seva aquesta monarquia constitucional hereva del règim. Es van oblidar dels drets humans i sota una fictícia reconciliació, on els vençuts tornaven a perdre i els colpistes no havien de passar comptes pels seus crims, tot caminava cap l’oblit d’una gent lluitadora, que va patir totes les formes d’injustícia i terror imaginables. El genocidi no reconegut dels nostres antifeixistes ens porta a lluitar amb tota la nostra empenta pels seus drets.
Cada mes estem a la plaça de Sant Jaume demanant: Veritat, Justícia i Reparació. I també l’anul•lació dels judicis del franquisme. Judicis il•legals, de tribunals il•legals, d’un estat il•legal, que va gosar representar farses de judicis fent seure a la banqueta dels acusats els innocents, defensors de la legalitat democràtica, opositors legitimats a la dictadura.
Totes les víctimes són nostres, però al nostre cor portem unes molt especials, es tracta dels nostres familiars, dels nostres companys i companyes. Aquestes víctimes són les protagonistes d'aquest bloc que és una part de la nostra història personal. Dels fets, que podem llegir en aquest petit homenatge, han passat, en alguns casos, 7 dècades i encara hem de continuar exigint justícia pels vius i pels morts.
Nosaltres, les víctimes, ens preguntem fins a quan continuarà la impunitat del franquisme. Fins a quan?
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Proibido proibir?


Formam o «Club Fumadores por la Tolerancia», têm um sítio e um blogue, vão entregar hoje mais de 500.000 assinaturas contra a proibição total de fumar em espaços públicos, que a reforma da lei anti-tabaco espanhola propõe, e pedem que sejam respeitados os direitos de todos, fumadores e não fumadores.

As assinaturas foram recolhidas presencialmente, tanto quanto percebi e a fotografia ilustra, o que é uma tarefa absolutamente ciclópica!!!

Actuam numa plataforma a que chamaram «É proibido proibir» e não se limitam a esta reminiscência soixante-huitarde: farão hoje «uma encenação da metáfora liberdade e tolerância, evocando os anos 60, mais concretamente o Maio de 68» - sempre ele, quarenta e dois anos depois?!…Talvez por não apreciar encenações, como adivinho que esta possa vir a ser, e embora se trate de uma «boa causa», cheira-me um pouco a invocação do santo nome de deus em vão...

(Fonte)
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Ontem não foi um dia fácil para Monsieur Barrôsô

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Nasci portuguesa de segunda, não me sinto lá muito segura…


Rol dos da raça de segunda
O cardeal Mazarin nasceu Giulio Mazarino, em Nápoles, e foi primeiro--ministro francês, de Luís XIV. Marie Skolodowska nasceu em Varsóvia, foi Nobel da Física duas vezes mas entretanto já era Madame Curie e francesa. Três tipos juntaram-se e fizeram três grandes filmes: Z, A Confissão e Estado de Sítio. O que escreveu as histórias nasceu em Madrid, Jorge Semprún, o que realizou nasceu em Atenas, Costa-Gravas, e o que deu cara nasceu numa aldeia italiana, Yves Montand. Três filmes franceses, três tipos franceses. Também Serge Reggiani, nascido italiano, Dalida, nascida no Cairo, e Moustaki, nascido em Alexandria, se tornaram cantores franceses. Johnny Halliday não conta, o pai é que era belga, Johnny nasceu em Paris, não entra neste rol de naturalizados (já a primeira mulher, Sylvie Vartan, nasceu búlgara). Belga de nascimento era Marguerite Yourcenar, a primeira mulher eleita para a Academia Francesa. Por escrever bem em francês, como Milan Kundera, que nasceu em Brno, na Moldávia. Todos franceses. Mas, atenção, de segunda. Esta semana, Sarkozy decidiu que há essa raça à parte: franceses a quem se pode tirar a nacionalidade porque não nasceram franceses. Como é que ele explica isso lá em casa à mulher, que nasceu italiana, e ao pai, que nasceu húngaro? Diga-se, entretanto, que Napoleão escapa: nasceu em Ajácio, três meses depois de a Córsega se tornar francesa. Uff...
Ferreira Fernandes, no DN.
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Muito em breve

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7.9.10

Frase do dia


… para mais tarde conferir.

«Chegou para a Europa a hora da verdade, ou sobrevivemos juntos ou afundamo-nos um a um.»
Durão Barroso, hoje, no discurso sobre o Estado da União, no Parlamento Europeu.
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Melhor que os egrégios avós


«Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante.»

A ler.

P.S. – Reproduzo parte de um mail de João Bernardo, entretanto recebido:
Publicámos isso hoje no Passa Palavra porque aqui é o feriado da Independência, sete de Setembro, precisamente o dia do tal Grito do Ipiranga. Existe uma versão com o poema, para assim lhe chamar, bem em evidência:



E, já agora, em matéria de hinos, há uma filha de um poeta português que fez carreira por estas bandas e deu ocasião a este portento:



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No adiar é que está o ganho


Só quem viveu uma greve geral em Paris pode imaginar o pandemónio que reinará hoje por lá e um pouco por todo o país, embora os números da adesão sejam, à hora a que escrevo, confusos e, como sempre, divergentes.

Os sindicatos esperam parar milhões de franceses como forma de protesto contra o adiamento da passagem à reforma. Em resumo e concretamente, a partir de Julho de 2011, atrasa-se quatro meses por ano a idade mínima, que atingirá 62 anos em 2018, e só se beneficiará de reforma por inteiro aos 67 - e não aos 65 como actualmente (tudo explicado, detalhadamente, aqui). Claro que o PS, porque está na oposição, já veio dizer que reporá os valores anteriores se e quando for governo…

Nós e a maior parte dos europeus olhamos para estes números com uma (legítima) inveja e, certamente, com um elevado grau de descrença quanto à vitória da luta que está em causa, pelo menos a médio e longo prazo. Se é certo que seria mais do que justo e desejável que cada um pudesse tirar partido do aumento da esperança de vida, dispondo dela a seu belo prazer e dando lugar aos mais jovens, não é nesse sentido que sopram os ventos da (nova) história desta envelhecidíssima Europa.

E Sarkozy não está a fazer muito mais do que os seus congéneres ao manter os velhos a trabalhar e ao tentar libertar-se de imigrantes, ciganos e naturalizados indesejados. É mais espectacular e radical, sim, e decidiu colocar-se na crista da onda. Infelizmente.
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Mas onde é que eu já ouvi isto?



Mas:
«…esta mania das pessoas não pensarem todas da mesma maneira é uma chatice.»
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6.9.10

O que nem o maior monstro merece


Chegar a casa depois de uma semana «lá fora», ligar a televisão e ouvir anunciar o regresso de Fátima Campos Ferreira.
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5.9.10

Impróprio para claustrofóbicos


Andei hoje pela Gruta de Postojna, no Sudoeste da Eslovénia – vinte quilómetros já desbravados, dos quais se percorre um pouco mais de cinco, quatro num pequeno comboio e um a pé.

Dizem os utensílios de pedra encontrados que por lá andaram humanos há pelo menos 50.000 anos e revelam as inscrições nas paredes que se realizaram visitas «turísticas» desde o século XIII. Mas tudo isto (e também ossadas de espécies animais entretanto extintas) só foi descoberto na segunda década do século XIX, por um habitante da região.

Corredores complicados, cavernas e pequenas montanhas de estalactites, estalagmites e colunas, das mais variadas formas, desde as totalmente comuns a outras bem curiosas – verdadeiros canudos os conjuntos semelhantes a esparguete, por exemplo.

A não perder por quem gosta de grutas – e eu gosto – e não tenha tendências claustrofóbicas, nem entre facilmente em pânico: faltou a luz durante uns segundos que, para uns tantos, pareceram bem longos minutos…

Na primeira parte da gruta, a pedra está especialmente escurecida. Durante a II Guerra Mundial, os alemães e os italianos guardaram lá uma grande quantidade de combustível, mas ignoravam que há acessos secundários para além da entrada principal. Eles permitiram que os resistentes locais entrassem na Gruta e fizessem explodir todo o combustível. Uma pequena história da História, tão rica por estas paragens.


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