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12.2.11

Planeta humano

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(Ver em ecrã completo)
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O dia seguinte






(Fotos de Alexandra Lucas Coelho no Facebook)
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Os nossos grandes «democratas»

O cão cego


Para quem gosta de Ricardo Piglia: no Babelia de hoje, um dos trechos de Notas de um diário.

Lunes
No tiene objeto seguir, dijo mi madre. Ninguna resignación. No tiene objeto. Como si ella pudiera decidir el momento. La casa de los abuelos tenía su nombre y su nombre fue lo primero que aprendí a leer. "Ida, ¿ves?", decía ella y me señalaba las letras en el portal. Llevaba un vestido azul. Su imagen en el recuerdo es más nítida que la luz de esta lámpara. Siempre estaba alegre. Al final leves delirios, divagaba. Preguntó ¿Qué dice usted? y sonrió, antes de morir. Y yo no estaba ahí. Oh, madre...

Miércoles
Tengo que llamar a mi madre, pienso de pronto. Pensamientos sueltos, pesadillas. (Sueño que soy un perro ciego. Pequeños movimientos aterrados, el hocico en el aire).

Domingo
El Gato Barbieri tocó anoche en Blue Note. Mucha gente, todo muy íntimo. No lo escuchaba desde el 77 cuando lo vi en un concierto en San Diego en el que presentó Ruby Ruby. Quiero hacer con algunos amigos un documental sobre el jazz en Buenos Aires. El Gato en los orígenes del free jazz; a mediados de los 60 grabó Symphony for Improvisers, pura improvisación casi sin standard. Steve Lacy se quedó varado y sin plata en Buenos Aires en 1965 o 66 y tocó en Jamaica, donde también tocaban Salgán y De Lio. Me acuerdo que fuimos a escucharlo con Néstor Sánchez que en aquel tiempo quería llevar la improvisación a la prosa: Siberia Blues. Curiosamente, en literatura el jazz siempre estuvo ligado al estilo oral (Kerouac, Borís Vian, Cortázar, etcétera).

(Continuação aqui.)
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De Lisboa ao Cairo

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Com todas as grandes e indiscutíveis diferenças e distâncias, foi impossível não ver a Praça Tahrir como um enorme Largo do Carmo - pelo menos para quem lá esteve há quase 37 anos.
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11.2.11

Do Cairo a Havana


Yoani Sánchez, no Twitter, esta tarde:

@yoanisanchez: #cuba #GY Me llegan sms contando que Mubarak dimitio a la presidencia de #Egipto Es verdad eso? Por favor confirmenme al +5352708611.

@yoanisanchez: #cuba #GY Increible! llamo una seguidora de Twitter y me puso via telefonica y en vivo sonido de la tele y escuche de la salida de #Mubarak.

@yoanisanchez: #cuba #GY Un ciclo de 30 anos termina en #Egipto mientras nosotros seguimos bajo un autoritarismo de 5 decadas.

@yoanisanchez: #cuba #GY Autoritarios no tienen color politico, no importa si dicen de izquierdas o derechas, son autoritarios y ya, obsesionados con poder.

@yoanisanchez: #cuba #GY Tienen razon los censores en temerle a redes sociales, ahora mismo yo estoy aqui sin acceso a Internet y sin embargo enterandome.

@yoanisanchez: #cuba #GY Ahora mismo me siento en El Cairo, grito y festejo junto a ellos. Llamo a todos los amigos para contarles: hay un dictador menos!
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Vai uma aposta?


Assim que for possível, na primeira aberta na agenda da AR, o PS apresentará um voto de solidariedade com o povo egípcio e de regozijo pela sua vitória.

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VITÓRIA! النصر

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A praça está tão cheia que não se consegue andar lá dentro, e a toda a volta há marchas e massas, indo e vindo do edifício da televisão, completamente cercado por tanques, onde também muita gente passou a noite


«Foi assim que ontem me achei a discutir o dilema do exército egípcio com André, um brasileiro do sul. Estávamos nas imediações da praça Tahrir, num daqueles cafés cheios de homens e de fumo, entre edifícios “art-déco” enegrecidos por meio século de desmazelo. Mas como estamos em plena revolução, vários dos homens tinham fitas tricolores à volta da cabeça, e uma das raras mulheres presentes, velada até à frincha dos olhos, teclava num computador portátil.

André tem cara de norueguês, vive entre Nairóbi e Itália, venceu ataques de malária nos mais vagabundos hotéis do Corno de África e agora está a dormir num hotel menos vagabundo nestas imediações. Paga 60 libras egípcias por noite, o preço de um copo de vinho no Intercontinental, o hotel de cinco estrelas do outro lado da praça Tahrir. É um “freelancer”. Veio para o Cairo com uma encomenda de uma grande agência de fotografia. A encomenda acabou mas o trabalho não, entende André.

— “Putz”.... — diz ele, puxando mais uma fumaça de narguilé. Os paulistas é que dizem muito “putz”, uma daquelas bengalas que não querem dizer nada, género “pô” ou “puxa”, ou “caraca”. André não é paulista, mas São Paulo é a cidade brasileira de que ele mais gosta.


Discutimos o impossível: em que é que o exército egípcio está a pensar. Todos os dias cruzamos as barricadas de tanques, mostrando os nossos cartões de identidade aos oficiais. Os oficiais estão quietos. Quietos perante a revolução mas também quietos perante a polícia que na província reprime a revolução, e ainda ontem matou gente.

André diz que são os militares que estão a puxar os cordéis da revolução e que o poder será sempre deles. Eu digo que o Brasil teve 20 anos de ditadura militar e hoje, quando os jovens revolucionários na praça querem citar exemplos inspiradores além do que seria previsível (a Turquia), citam o Brasil por ter levantado a cabeça.

A revolução da praça Tahrir é esse momento: levantar a cabeça.

Eu, que vim de férias, parto em breve. Mas algures num hotel vagabundo nas imediações da praça Tahrir, um brasileiro do sul continuará a trabalhar. O trabalho dele é apanhar o momento em que a cabeça vira numa determinada direcção.»

(Título, fotos e texto de Alexandra Lucas Coelho)
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2007


É um ritual: 11 de Fevereiro é dia a ser assinalado, por mais anos que passem. E já lá vão quatro desde a festa que assinalou a vitória no referendo, que dez luz verde à IVG.

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Praça Tahrir – As fotos de Alexandra Lucas Coelho



Choque e espanto a ouvir Mubarak.




E agora, na praça, sempre que alguém baixava a cabeça aparecia alguém para tentar levantá-la.


A jornalista Alexandra Lucas Coelho esteve esta noite numa varanda da Praça Tahrir e foi pondo fotografias no Facebook, para partilha. As legendas são dela.
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10.2.11

Paris 1900 (12)


Place du Châtelet
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Egito: sem Mubarak?


Quando se espera que a partida de Mubarak seja anunciada ainda hoje, vale a pena ler, na íntegra, um texto publicado no último número de Le Monde Diplomatique (edição portuguesa) - No Egipto, nada está decidido.

«O canal de televisão por satélite Al-Arabiyya, concorrente da Al-Jazira e próxima da Arábia Saudita, publica uma notícia surpreendente: Habib Al-Adly, o antigo ministro do Interior, o homem há muitos anos responsável pela repressão, pelas detenções e pela tortura no Egipto, é suspeito de estar por detrás do atentado contra a igreja de Alexandria a 31 de Dezembro de 2010. (…)

O regime policial foi abalado, mas no essencial continua de pé. O desaparecimento das forças policiais não deve permitir que se alimentem ilusões. (…)

A seguir, o exército. O seu alto comando está profundamente ligado a Mubarak, ele próprio um militar (desde 1952 que o poder é controlado pelo exército). (…)

No quadro desta situação que permanece em aberto, e quando a vitória das forças democráticas não é garantida, longe disso, muitos intelectuais franceses e estrangeiros preocupam-se com as ameaças que pesariam sobre o futuro do Egipto e não sobre a manutenção da ditadura. (…)

Esta maneira de decidir pelos outros povos é característica de uma perspectiva colonial, de uma perspectiva de grande potência. Ninguém se espanta quando o presidente Obama afirma que é preciso que Mubarak parta, que parta agora («now!»). Ninguém se espanta que, depois de terem apoiado durante décadas o ditador, os países ocidentais venham explicar que é tempo de mudar. É, aliás, paradoxal que Mubarak utilize estas ingerências para apresentar a oposição como pró-americana, ou mesmo pró-israelita.

Tentemos fazer uma comparação ousada. Imaginemos que nas eleições presidenciais americanas de 2000, cujo desfecho era incerto e na qual a ratificação da vitória de George W. Bush foi problemática, se tinha deslocado aos Estados Unidos um dirigente chinês, russo ou egípcio para explicar ao Senado o que tinha de ser feito…»
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Mediterrâneo (2)

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Más notícias


Afinal foram esperanças vãs porque ninguém vai poder confessar-se e ser absolvido por um iPhone… Pelo menos até ver, o Wi-Fi não chega ao céu e Deus não pode ouvir directamente pecados e comunicar perdão através da gerigonça da Apple: continua a precisar de um intermediário humano e presente em carne e osso.

Até era barato (1,59 euros) e dava jeito em tempos de crise de dinheiro e de padres. Resta outra alternativa, menos fashion, é certo, mas que pode manter-se a nível local numa semi-clandestinidade.


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9.2.11

Em busca do presente perdido


São cerca de 1.200 os espanhóis que chegam por mês à Argentina para fugir ao desemprego, mais de 110.000 desde o início da fatídica crise. Na senda dos antepassados (quase dois milhões que nas últimas décadas do século XIX, e uma parte do século XX, saíram à procura de uma vida nova na América Latina), vão hoje mais preparados, são sobretudo jovens de menos de 35 anos, com diplomas de engenharia, arquitectura ou informática dentro da mala que já não é de cartão.

E os argentinos, que vieram ter com os antigos colonos quando tudo lhes fugiu debaixo dos pés nos primeiros anos da década que há pouco terminou, estão de volta ao país natal.

Agora, uns e outros desembarcam no Aeroporto de Ezeiza e percorrem a 9 de Julho ou as docas de Puerto Madero, em Buenos Aires. Procuram ou reencontram as oportunidades que a Espanha lhes nega, nesta ponta de uma Europa que não consegue vir à tona de água. E é natural que tenham sucesso porque uma simples estadia de turista chega para se perceber que o futuro próximo passa agora por ali, muito mais do que pelas largas avenidas madrilenas ou catalãs.

Um enorme vaivém que é provavelmente inevitável, mas que carrega consigo pesadas frustrações e inesperados desequilíbrios, porque não é necessariamente voluntário mas sim imposto por circunstâncias adversas.

Onde está espanhóis, leia-se portugueses, coloque-se a palavra Brasil (ou Angola…) em vez de Argentina, e estaremos a ver-nos ao espelho. Mas nós nem estranhamos tanto assim porque sempre saímos daqui, primeiro em naus ou caravelas e mais tarde em grandes paquetes ou no velhinho Sud-Express. Todos tivemos um tio-bisavô brasileiro ou uns pais velhos colonos – eu que o diga.

(A partir daqui)


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Ele não tem dúvidas


… e tem boa memória, não brinca em serviço e está longe de ter chegado ao fim do guião do discurso de «vitória», que fez no Centro Cultural de Belém há pouco mais de duas semanas. Ainda nem tomou posse deste segundo mandato e já mostra claramente ao que vem.

É bom não esquecer que a vingança é a arma dos fracos mas que se serve quente, fria, ou mesmo morna. E o Eng. Sócrates que se cuide porque o chá de 5ª feira pode vir a ser feito com seiva de Urushi.

(A propósito disto)
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Mediterrâneo (1)

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(Via Vera Tormenta Santana no Facebook)
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Maus agoiros


Já cá faltava Vasco Graça Moura, com o seu proverbial «optimismo» e com uma escondida certeza, se não esperança, de o futuro lhe vir a dar razão.

«Em vez de acompanhar o que se tem vindo a passar na Tunísia e no Egipto com litanias, ditirambos e lágrimas ao canto do olho sobre a queda das ditaduras, a implantação dos direitos humanos e a construção de democracias naquelas paragens, o mundo ocidental deveria olhar com grande apreensão as perturbações consecutivas que ali estão a acontecer e ameaçam alastrar rapidamente aos restantes países islâmicos do Médio Oriente e do Norte de África.

A questão que levanto não pretende configurar-se como uma defesa cínica da manutenção do statu quo, nem reconduzir-se artificialmente a um pretexto para a não aplicação dos direitos humanos, ou para a desistência da prestação de apoio à construção de democracias de modelo europeu ocidental naqueles espaços políticos. Essas são ideias importantes relativamente a valores igualmente importantes. Mas o que me parece é que tanto a Europa como os Estados Unidos (e talvez fossem ainda de considerar a Rússia, a Índia e a China) deveriam analisar cuidadosamente as condições internas e externas de que dispõem para sua protecção e defesa, se por acaso as coisas correrem mal. E está na cara que podem correr mal, mesmo muito mal. (…)

Não é preciso ser politólogo nem especialista para se perceber que isto tem uma grande probabilidade de acontecer. E, se assim for, para o Ocidente será tarde demais. O Ocidente fala muito de cooperação, mas não tem condições satisfatórias para prestar ajuda que se veja a muitos milhões de seres humanos, de modo a neutralizar a insatisfação e as tensões acumuladas de populações paupérrimas; fala muito em democracia e combate ao terrorismo, mas não está já em condições de se defender, por falta de valores éticos e cívicos que foi dissipando em nome de uma permissividade politicamente correcta e desastrosa e, também, por falta, tanto de autoridade geopolítica, como de capacidades policiais e militares idóneas. Sem contar que a Europa, com todos os seus complexos pós-coloniais, está aberta ao alastramento e funcionamento de redes radicais dentro do seu próprio espaço, e não terá então grandes possibilidades de prevenir ou reprimir o alastramento do fenómeno.»
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Paris 1900 (11)


Boulevard de la Madeleine
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8.2.11

Mais dois parvos


Não era minha intenção voltar ao caso «Deolinda», a tal ponto ando irritada com muito do que tenho lido de quem é incapaz de não pôr luvas, ajustar os óculos escuros ou endireitar os brincos antes de escrever que talvez mas que nem por isso, que assim também não, que é necessário separar, distinguir e não sei que mais.

E só volto agora para dar voz a dois «parvos» – ou «rascas», se preferirem: Raquel Freire, na sua crónica desta manhã, na Antena 1 e José Soeiro na AR, há já há alguns dias.



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Os Irmãos Muçulmanos


Um artigo em Le Monde de hoje, que ajuda e perceber algumas realidades:

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Esta Europa que não se enxerga


Uma manta descosida de retalhos que não se ajustam, nem para enfrentarem o que aí está e, ainda menos, o que ainda há-de vir, e onde se tenta defender o indefensável: que cada um fique no seu canto e não vá trabalhar no quintal do vizinho mais próximo.

Já foi tempo do canalizador polaco, parece ter chegado agora a vez dos monitores de ski franceses que temem a criação de uma carta profissional europeia, que facilitará a vida aos «inimigos».

O nível baixará, dizem eles, enquanto tentam impedir que, por exemplo os ingleses (que chegam a representar 70% dos clientes de algumas estâncias) oiçam explicações … na sua própria língua - já que é sabido que os herdeiros de Carlos Magno ainda não perceberam que o francês não é uma espécie de esperanto ou de latim de outras eras… Que aprendam rapidamente mandarim ou bem podem arrumar as botas, no sentido literal da palavra.

(Fonte)
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7.2.11

O regresso do Mediterrâneo


Sem muitos pré-avisos, este grande mar voltou a ocupar um lugar histórico mais do que privilegiado, onde se joga neste momento muito do futuro próximo de uma parte da humanidade. Assistiu a tantos nascimentos e ocasos de civilizações que se torna difícil enumerá-los e está agora de novo numa complexa encruzilhada. Do desfecho do que está em causa muito depende a Europa, como se salienta num texto publicado hoje em El País:

«El futuro de Europa está en juego esta semana en la plaza Tahrir de El Cairo, igual que lo estaba en la plaza de San Wenceslao de Praga en 1989. En esta ocasión, por motivos de geografía y demografía. El arco en el que está produciéndose la crisis árabe, desde Marruecos hasta Jordania, es el vecino de al lado de Europa. Y decenios de migraciones hacen que los jóvenes árabes que gritan airados en las calles de El Cairo, Túnez y Amán tengan primos en Madrid, París y Londres. (…)

Si las revueltas triunfan, y el resultado no es otra dictadura islamista, estos hombres y mujeres jóvenes, frustrados y con frecuencia desempleados tendrán oportunidades en sus propios países. La diferencia entre la vida en Casablanca y Madrid, Túnez y París, disminuirá gradualmente, y con ella la disonancia cognitiva cultural que, llevada al extremo, desemboca en el terrorista suicida marroquí que sube a un tren de cercanías en Madrid. Con la modernización de sus países, los jóvenes árabes - y casi un tercio de la población del litoral norteafricano tiene entre 15 y 30 años - circularán entre un lado y otro del Mediterráneo y contribuirán a las economías europeas y a pagar las pensiones de las sociedades europeas envejecidas. Además, los ejemplos de modernización y reforma tendrán eco en todo el mundo islámico. Si las revueltas fracasan, y el mundo árabe vuelve a sumirse en un abismo de autocracia, decenas de millones de esos jóvenes, tanto hombres como mujeres, trasladarán al otro lado del mar sus patologías de la frustración, que sacudirán los cimientos de Europa. Si, por último, las revueltas consiguen derrocar a esta generación de tiranos, pero las fuerzas islamistas violentas y antidemocráticas se hacen con el poder en varios países y nos encontramos con un montón de nuevos iranes, que Dios nos ayude. Todo eso es lo que está en juego. No se me ocurre ninguna otra situación en la que Europa tenga un interés más vital. (…)

Nadie tiene tanta experiencia como los europeos en difíciles transiciones de la dictadura a la democracia. Ninguna región posee tantos instrumentos para influir en los acontecimientos del Oriente Próximo árabe. Estados Unidos tiene unas relaciones especiales con el Ejército egipcio y las familias árabes gobernantes, pero Europa tiene más relaciones comerciales, da mucha ayuda y dispone de una densa red de vínculos culturales y personales entre un lado y otro de lo que los romanos llamaban mare Nostrum, nuestro mar. Cuenta con 27+1 canales de relaciones diplomáticas. Es el lugar al que la mayoría de los jóvenes árabes desea viajar de visita, para estudiar, para trabajar. Sus primos ya están aquí. Y ese nexo es, al mismo tiempo, un problema y una ventaja.»
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Ana Benavente - É só para dizer…


… que a entrevista que deu à Revista Lusófona de Educação sobre «A Educação na luta contra a exclusão e pela democracia» ocupa 18 páginas (online) e tem cerca de 60.000 caracteres.

Pode ser lida aqui e, concorde-se ou não, é muito mais do que o título sensacionalista «puxado» pelo Público, ou mesmo do que as transcrições das críticas dirigidas ao PS, que são feitas no texto.

Desde esta manhã que comentadores, bloggers e outros que tais espingardeiam contra ou a favor (sem terem lido, aposto…), como se o futuro do país dependesse da discussão sobre um campeonato de autoritarismo entre Sócrates e Lenine – questão que não tira nem um minuto de sono a quem nunca foi socrática ou leninista, by the way
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Ainda o Caso Battisti


João Bernardo recordará o caso de Cesare Battisti, António Alves lembrará o caso de Mumia Abu Jamal e António Pedro Dores falará sobre a situação nas prisões portuguesas e apresentará o Grupo de Intervenção nas Prisões (GIP). Seguir-se-á um debate.

Depois haverá um concerto com José Mário Branco e alguns outros músicos que participaram na gravação da canção de apoio «Hoje Battisti, amanhã tu!».

(Daqui)
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Sexismo versão eurolândia


Sempre ouvi citar Nicolas Boileau que, no século XVII, terá escrito: «ce qui se conçoit bien s'énonce clairement, et les mots pour le dire arrivent aisément».

Com a maldade que lhes é característica quando de flamengos se trata, os belgas de expressão francesa usam desde há muito uma versão caseira: «Ce qui se conçoit bien mal s'énonce clairement lourdement, et les mots pour le dire arrivent aisément en flamand».

E eu, hoje, corto «flamand» e ponho «allemand» (com pedidos de desculpa à minha avozinha que deus tem e que não é para aqui chamada).

Tudo isto porque um senhor, que dá pelo nome de Josef Ackermann e que manda no Deutsche Bank (ou seja, também um pouco em todos nós), afirmou que será bom ter mais mulheres na direcção do dito banco para que esta fique «mais colorida e mais bonita». Para defender o chefe da polémica gerada, o chefe do departamento de comunicações veio já explicar que a frase foi tirada do contexto e que Mr. Ackermann é um gentlemen da «velha escola».

Mais velha do que ele sou eu e coro de vergonha por estarmos entregues a gente deste calibre.

(Fonte)
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Paris 1900 (10)


Place de la Bastille
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6.2.11

O olho


«Hubo un tiempo en que los hombres y mujeres estaban convencidos de que todos y cada uno de sus actos tenían al menos un espectador divino, quien sabía todo acerca de sus acciones (y pensamientos), que podía entenderlos y, de ser necesario, castigarlos. Uno podía ser un proscrito, un bueno para nada, un don nadie ignorado por sus prójimos, una persona que sería olvidada en el momento en que muriera, pero estaba convencido de que, al menos, alguien le prestaba atención. (…)

Hoy en día, si este testigo que todo lo ve ha desaparecido, ¿qué es lo queda? El ojo de la sociedad, de nuestros pares, aquellos ante quienes debemos mostrarnos para evitar descender al negro hoyo del anonimato, al remolino del olvido - incluso si significa hacer el papel de idiota del pueblo, de quedarse en paños menores y bailar sobre una mesa en la taberna local. Aparecer en la pantalla se ha convertido en el sucedáneo para la trascendencia y, tomando todo en cuenta, resulta un hecho gratificante. Nos vemos a nosotros mismos - y somos vistos por outro - en este más allá televisado, donde podemos disfrutar simultáneamente de todas las ventajas de la inmortalidad (aunque de tipo rápido y pasajero) y tenemos la oportunidad de ser celebrados en la Tierra por nuestro acceso al Empíreo.

El problema es que, en estos casos, la gente confunde el significado doble de la palabra reconocimiento. Todos nosotros aspiramos a ser reconocidos por nuestros méritos, nuestros sacrificios o cualquiera otra cualidad que podamos tener. Pero, después de haber aparecido en la pantalla, cuando alguien nos ve en la taberna y dice "Te vi en la televisión anoche", sólo te reconoce en el sentido de que reconoce tu cara - que es algo muy diferente.»

Umberto Eco
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Com Nuno Teotónio Pereira – ontem em Lisboa


Sobre o conteúdo da sessão de homenagem a Nuno Teotónio Pereira, leia-se o texto que José Pedro Castanheira acaba de publicar no Expresso online.

Mas acrescento algumas linhas.

Foram horas a olhar para uma imensa plateia de mais de trezentas pessoas, não só de católicos e ex-católicos activistas desde os anos 60, mas também de muitos outros compagnons de route que, ao longo de mais de cinco décadas, se habituaram a ver na pessoa do Nuno o grande impulsionador de um sem número de actividades, políticas e cívicas, e que aderiram a uma iniciativa anunciada através da internet, sem envolvimento de organizações (juntaram-se depois e estiveram ontem presentes) e organizada por um pequeníssimo grupo de amigos. Muitos cabelos brancos e rugas vincadas, mas também jovens, filhos e até netos que cresceram habituados a ver o Nuno sempre por perto. Um grande conjunto de pessoas que raramente se encontram porque a vida as foi dispersando, mas que retomam imediatamente a cumplicidade passada, porque, ao contrário de outras arenas, por aqui não passaram cisões geradoras de ódios que tornariam inviável este tipo de convivências. Pensei nisso várias vezes ontem, talvez por conhecer a maioria esmagadora de quem estava à minha frente.

Ao lançarmos a sessão, utilizámos a palavra «homenagem» na convocatória e o Nuno não gostou: telefonou-me três dias antes, desagradado por só então se ter apercebido de que seria o centro das atenções. Disse-lhe então o que ontem repeti: que estávamos ali para nos «homenagearmos» também, num reencontro para celebrarmos um passado de que nos orgulhamos e que, de uma maneira ou de outra, ele nos ajudou a construir. E que a nossa presença naquela sala era a prova daquilo que, certamente, ele mais gostaria de ouvir: que ainda não baixámos os braços.

O Nuno encerrou a sessão, com a limpidez e a frontalidade habituais, quase lendárias:

«Estou velho, estou a chegar aos 90 anos. Há órgãos que me estão a falhar. Um deles é a memória, que se está a desfazer como pó, o que me causa um certo sofrimento. Além da perda da visão. Mas estou muito contente, porque esta sessão, tendo sido anunciada como de homenagem à minha pessoa, e não deixando de o ser, fez também justiça a todos aqueles que conhecemos e lutaram naqueles anos difíceis.»

Mais palavras para quê.
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Egipto

Tunes e Cairo: distinguir para compreender


«Por supuesto, la Revolución de los Jazmines tunecina y la revuelta que se está desarrollando en Egipto tienen algunos puntos en común:
-El despotismo de Mubarak, al menos tan abyecto como el de Ben Alí.
-El muro de miedo que ahora se derrumba. (…)

Para empezar, Mubarak no es exactamente Ben Alí y, déspota por déspota, este ofrecerá mayor resistencia que aquel, como demuestra la diabólica habilidad con la que, desde las primeras horas del movimiento, retiró a la policía de la calle, abrió las puertas de las prisiones y dejó que los maleantes invadieran la capital y aterrorizasen a las clases medias.
Además, el de Ben Alí era un régimen policial, mientras que el de Mubarak es una dictadura militar. (…)

Pero sería absurdo negar que, por el momento, la madurez del pueblo tunecino, su cultura política y su nivel de alfabetización no están presentes en las zonas rurales del Alto Egipcio ni en El Cairo (…).

Sobre todo porque no hay que olvidar que Egipto carga con un lastre que en Túnez podía considerarse insignificante, y es el islamismo radical.(…)

Con todo esto quiero decir que lo que está ocurriendo ante nuestros ojos no es un solo acontecimiento, sino dos: una revolución exitosa en Túnez y otra, la de El Cairo, que aún está intentando definir su identidad.

Con todo esto quiero subrayar que, para reflexionar sobre tales sucesos, para comprenderlos en toda su singularidad y contribuir a que terminen dando lo mejor de sí mismos, hay que deshacerse de las ideas preconcebidas, empezando por la de una única « revolución árabe » que emite en una misma longitud de onda y a la que habría que saludar en idénticos términos desde Túnez a Saná, pasando por Alejandría.»

Bernard-Henri Levy, em El País de hoje.
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