Páginas

13.8.11

Imprimir ou fabricar?

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3D printing is a form of additive manufacturing technology where a three dimensional object is created by laying down successive layers of material. 3D printers are generally faster, more affordable and easier to use than other additive manufacturing technologies. 3D printers offer product developers the ability to print parts and assemblies made of several materials with different mechanical and physical properties in a single build process. Advanced 3D printing technologies yield models that can serve as product prototypes.
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Electricidade: o que é a tarifa social?


Ninguém ousou negar a brutalidade do impacto, para o orçamento das famílias, do aumento do IVA na electricidade. Mas o ministro das Finanças dourou a pílula, agitando o efeito benéfico da «tarifa social» que se aplica aos «clientes economicamente vulneráveis», aqui caracterizados.

Não tinha a menor noção sobre o valor da dita «tarifa social», mas fiquei esclarecida através do blogue da Paula Cabeçadas e reforço o que ela explicou.


O quadro que se segue apresenta os valores da referida tarifa, em vigor durante 2011.
(Fonte)

Ou seja, quem pagava até agora uns modestíssimos 50 euros / mês + 6% (53 euros), e passaria a pagar 50 + 23% (61,5 euros) – mais 8,5 euros – será «generosamente tratado», com a maior das justiças sociais, pela aplicação dos descontos acima exibidos.

Compreendido??? Somos parvos mas não tanto.
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Alemães? Suecos?


Latinas não são, certamente.
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Meio século


Em 13 de Agosto de 1961, teve início a construção do Muro de Berlim. Viria a estar de pé 28 anos.



Ler: Medio siglo del muro de Berlín


Mas ainda há outros muros por este mundo fora, à espera de serem derrubados.
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12.8.11

É mesmo o meio de Agosto...

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Prosas para o tempo que passa (3)


Obrigada, Nuno Crato.
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Deus morreu, Marx também e a Europa não se sente lá muito bem


A propósito de todas as crises, a revista Time lança esta capa terrível ao mundo (e não só na sua versão europeia) e escrevem-se catadupas de artigos com leituras dos recentes acontecimentos em Inglaterra – um mês de Agosto absolutamente atípico, que não promete um Outono melhor.

Em El País de hoje, algumas considerações que dão que pensar:
«Un nuevo fantasma recorre Europa. Una protesta masiva, que apenas puede tener algún parentesco distante con la legítima y pacífica indignación de los congregados en la Puerta del Sol, ha degenerado en Reino Unido en varias jornadas de vandalismo y saqueo. Y lo más curioso de este "grave desorden social" como lo ha calificado con pudor de clase la terminología oficial, ha sido como un salto atrás en el tiempo, precisamente hasta esa época del siglo XIX en la que Marx predecía la aparición del fantasma originario. Londres, como otras capitales de Europa, era entonces una aglomeración urbana sumamente peligrosa, en la que imperaba la ley del más fuerte, y tan solo en la madura fase maquinista de la revolución industrial pudieron la ciudad y el país contar con una policía capaz de pacificar las calles. (…)

Europa va a salir muy desmejorada de esta crisis, que ya puede calificarse de depresión, tanto material como moral. Los indignados son en España una justísima manifestación ciudadana, muy diferente de la premier league antidemocrática de Inglaterra. Pero que nadie dé por sentado que la enfermedad no puede declararse en ningún otro lugar.»

A ler também:
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Happy birthday


O IBM PC faz hoje 30 anos.

Homenagem lhe presto, eu, que pecadora me confesso, porque lhe resisti durante anos. Habituada aos grandes (main frames, com seu estatuto próprio) e ao sacrossanto VM/370, destas geringonças desdenhava. E mesmo quando passei a ter uma em cima da secretária, usava-a apenas como terminal (ou em emulação do mesmo, mais exactamente).




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A ouvir a Troika

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11.8.11

Dantes era assim (11)


E parece que estão a regressar.
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Podia ter sido em Portugal?


Depois de ouvir o 20º jornalista perguntar ao 50º entrevistado se é possível que fenómenos como os que presenciámos em Inglaterra venham a ter lugar em Portugal, a resposta óbvia é que SIM. Não nos mesmos moldes, não com a mesma dimensão, mas porque uma parte da realidade nua e crua que lhes está subjacente é a mesma (sem que, com esta afirmação, esteja a tomar partido a favor dos actos selváticos de Londres e outras cidades).

Na comodidade dos nossos sofás, tal como os londrinos em Knightsbridge onde os factos só existiram nos ecrãs de televisão, continuamos a ignorar o quotidiano na periferia das nossas grandes cidades.

Republico um post que tem cerca de um ano. Não porque considere que aquilo que aconteceu em Inglaterra tenha sido consequência de discriminação racista (não foi), nem por pensar que todos os nossos polícias são facínoras (mas é bom no entanto não esquecer que foi com uma morte provocada por um tiro policial que tudo começou em Inglaterra).

Republico porque é no grande «caldo» das condições das vidas periféricas que nascem estes fenómenos e porque conheço pessoalmente os protagonistas da história e quem a relata - ela «existe» para mim. E pensei nisto dezenas de vezes nos últimos dias.

Hezbollah e LBC agredidos pela PSP

Às 4:55 horas da madrugada de domingo 14 de Junho, no Parque Central da Amadora, um grupo de jovens, entre os quais Jakilson Pereira, 26 anos, licenciado em Educação Social, desempregado e candidato a bolsa de investigação, dirigiam-se para a Mina, Amadora.

Jakilson, que também é rapper e é mais conhecido como Hezbollah, agachou-se para apertar os atacadores dos ténis. De repente sentiu um automóvel aproximar-se dele. Levantou a cabeça e viu um homem com uma arma apontada na sua direcção que gritou “Caralho!” Assustado, Hezbollah correu na direcção do seu amigo Flávio Almada, 27 anos, estudante finalista do curso de Tradução da Universidade Lusófona, também rapper e mais conhecido como LBC, mediador sociocultural na Escola Intercultural das Profissões e do Desporto da Reboleira e formador musical de jovens inseridos no Projecto Escolhas do Moinho da Juventude e da Comissão de Moradores da Cova da Moura. LBC disse ao agressor: “Ele está desarmado!”, referindo-se ao seu amigo Hezbollah. Nesse momento, o homem disparou um tiro na direcção de Hezbollah. O homem estava fardado, era da PSP e tinha sido transportado para o local por um automóvel da PSP.

Hezbollah continuou a fugir e foi esconder-se por trás de um automóvel junto à Estação dos Correios, observando a progressão do agente da PSP que o procura de arma na mão. O agente detecta-o e corre na sua direcção. Sai outro agente do automóvel e ambos cercam Hezbollah. Agarrando-o sob ameaça da arma, começaram a pontapeá-lo. Chega um automóvel Volkswagen Golf preto, com dois polícias à paisana. Enquanto um dos agentes fardados algema Hezbollah, obrigando-o a deitar-se de barriga no chão, o outro polícia fardado volta a dar-lhe pontapés. Um dos agentes à paisana exclama: “Deixa o rapaz!”

Entretanto LBC tinha-se aproximado para tentar socorrer o amigo. Os polícias fardados agarram-no, deitam-no ao chão e algemam-no, pontapeiam-no e depois metem-lhe um pé sobre a cabeça e tiram-lhe a carteira e o telemóvel.

Levam-nos – cada um dos detidos no seu automóvel – para a Esquadra da Mina, na Avenida Movimento das Forças Armadas 14. Aí aparece o agente Monteiro e pergunta a Hezbollah, agarrado pelos braços por dois outros agentes para o manterem sentado numa cadeira: “Estás preparado?” e começa a dar-lhe socos e joelhadas na barriga. Hezbollah vomitou em consequência dos dois primeiros socos. LBC também é sovado. Um dos agentes comenta a certa altura: “Aqui estão os dois gajos. Qual de vocês é que tem um caso com a polícia?” Hezzbollah foi absolvido há cerca de um mês da acusação de ter partido dois dedos a um polícia, quando na realidade o que aconteceu foi que, ao voltar para casa à noite, foi cercado por vários polícias, que o deixaram inanimado, sem sapatos e sem casaco, num terreno vago, depois de barbaramente espancado, a ponto de lhe partirem a cana do nariz.

Metem-nos de novo no automóvel e levam-nos para a Esquadra do Casal da Boba, na Amadora. Depois de os encostarem a uma parede, o agente Nunes dessa esquadra dá um forte pontapé no estômago de Hezbollah, enquanto outros agentes o seguram e batem para o impedir de se encolher a proteger-se da agressão. Um dos polícias comenta: “Qualquer dia vão encontrar o teu corpo morto na mata de Monsanto”. Tiram fotografias aos dois detidos. LBC é colocado ao lado de Hezbollah e um dos polícias acusa LBC de ter em seu poder um telemóvel roubado. Ele nega e é-lhe devolvido o telemóvel, que lhe tinha sido confiscado e levado para outra sala, depois de verem as mensagens e chamadas.

Foram levados de novo para a Esquadra da Mina. Lá chegados, os detidos repararam na presença do rapaz e da rapariga com quem Hezbollah e LBC tinham trocado palavras que provocaram uma cena de socos entre Hezbollah e o rapaz, na Estação da Amadora.

Repete-se a cena de Hezbollah, ainda algemado, ser agarrado pelos ombros e braços e agredidos a soco no estômago pelo agente Monteiro. LBC interpela-os dizendo “Porque é que estão a fazer isso?” e foi imediatamente agredido a pontapé pelos dois agentes que o enquadravam.

O agente diz-lhe que vai ter de limpar o vomitado com a boca. Hezbollah recusa-se e o agente Monteiro e o agente Ferreira – que tinha tirado o crachá – Insistem: “Vais limpar, vais limpar” e, segurando-o, lançaram-no por cima do vómito e arrastaram-no para trás e para a frente, como se fosse uma esfregona, até o vómito ensopar por completo as calças, o casaco. Num canto ainda ficou um resto de vómito. O agente Monteiro pega no boné de Hezbollah e lança-o sobre esse canto e, colocando-lhe o pé em cima, esfrega-o sobre o vomitado. O agente Monteiro deixou de lhe dar socos mas passou a dar-lhe pontapés, chamando-lhe “porco”.

Os detidos ficaram ali até às onze horas e tal da manhã, altura em que lhes passaram um papel para comparecerem no Tribunal de Alfragide às 10h do dia 14 de Junho e os deixaram sair da esquadra, depois de, pela primeira vez, os desalgemarem. O documento refere-os como arguidos e acusa-os de “agressão à integridade física”, sem referir a quem.

LBC e Hezbollah passaram todo o dia de domingo nas suas respectivas casas (Reboleira e Amadora respectivamente).

Na 2ª feira apresentaram-se ao tribunal, onde encontraram os agentes Monteiro e o outro torturador, o agente Ferreira, ambos à civil. Também estavam presentes o rapaz e a rapariga com quem Hezbollah tinha trocado palavras e socos na Estação da Amadora. Os polícias deram-lhes dois chocolates Twitters. Perante isto, LBC e Hezbollah disseram no seu depoimento que um amigo deles que estava presente naquele episódio e tentara acalmar os ânimos devia ser chamado para o seu testemunho ser confrontado com o deles. A funcionária do tribunal perguntou a Hezbollah se queria um advogado oficioso e ele recusou. A funcionária tomou nota de toda a ocorrência, e deu a ler o depoimento aos detidos, que assinaram.

O caso vai ser investigado. A funcionária recomendou a Hezbollah que não lavasse as roupas sujas com vómito.

Neste momento Hezbollah e LBC não têm advogado que os defenda e sabem que, se nada for feito para dar publicidade a esta situação, continuarão a ser alvo da brutalidade policial. Foi o que aconteceu com Tony da Bela Vista, Teti, torturado até morrer de hemorragia interna, Angoi, morto com dois tiros nas costas, PTB abatido dentro do carro, Snake, assassinado com um tiro nas costas quando conduzia o seu automóvel, Corvo, abatido com um tiro na cabeça, Kuku, morto aos 14 anos com um tiro a 12 cm da cabeça, Célé, morto com 62 balas, etc.

Ana Barradas
19/06/2010

(Mais tarde, foi posto um processo contra a PSP, mas não sei neste momento se teve algum desfecho. Vou tentar informar-me.)
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«Indignados» - também em Israel

Londres , para além dos bons ou dos maus


O que mais me impressiona negativamente, em quase tudo o que tenho ouvido e lido por aí sobre os últimos dias em Inglaterra, é a preocupação em «tomar partido», com frontalidade ou tibieza, a prática judaico-crsitã e maniqueísta de julgar para ter a cabeça arrumada e a alma sem escrúpulos e em sossego.

Percebe-se porque os factos são graves, passam-se aqui à esquina e, sobretudo, teme-se que atravessem a Mancha. Já não entendo que comece a respirar-se de alívio porque a calma parece regressar. É quando os conflitos são esquecidos que se tornam mais perigosos.

Este texto aponta na direcção que me interessa.

«El despliegue policial calmó Londres, una ciudad fantasmal en numerosos barrios: tiendas de ropa, cafés y pubs cerrados. Cuando los pubs cierran en Inglaterra algo muy grave está sucediendo. Una noche de calma en la capital, con disturbios esporádicos en Manchester, West Brominch y Birmingham, no es una victoria; puede que sea solo un alto el fuego, una espera de nuevas oportunidades o que los vándalos han acumulado los bienes que necesitaban. (…)
Cuando los conflictos se sosiegan, cuando desaparecen de la vista de todos y de los titulares, son más peligrosos. Lo son porque se olvidan. Existen causas soterradas, subyacentes, que explican en parte los cuatro días de locura y saqueo que han vivido algunos barrios empobrecidos de Londres.»
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10.8.11

Entretanto em Moçambique


Azagaia, pseudónimo de Edson da Luz, é um dos mais brilhantes músicos hip hop moçambicanos, muito crítico em relação à política do seu governo.

No dia 30 de Julho, foi preso pela posse de alguns gramas de « suruma » (cannabis), quando se preparava para o concerto (anunciado no cartaz), no qual lançaria o seu novo vídeo «A Minha Geração».



Notícia aqui.

Cartaz tirado daqui.
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Agora Santana Lopes? No (more) boys for the jobs?

Direitos da humanidade

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Para quem não viu na RTP2.
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O que é previsível é bom


Por razões que não vêm agora ao caso, tenho passado os últimos dias preocupada – e ocupada – com qualidades e defeitos dos portugueses, suas venturas e desventuras. Sem o saber, Manuel António Pina vem hoje em meu auxílio e recorda-me que têm uma característica evidente: o horror ao imprevisível, o desamor pela surpresa. Ou não teriam eleito Passos Coelho:

«Começam a perceber-se as misteriosas razões que terão levado 2 159 742 portugueses a votar em Passos Coelho.
O eleitorado português tem sido repetidamente elogiado pela prudência e sensatez. Tirando a parte, humana, demasiado humana, da lisonja, resta o que é talvez fundamental, que os portugueses não gostam de surpresas e votam no que conhecem. (…)
Estou em crer que o eleitor português típico, se tal coisa existe, nunca votaria num político imprevisível.»

Quem diz Passos Coelho, diz certamente Cavaco! Alguém com maior horror à surpresa do que ao vazio?
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O que um PIIG não aguenta...

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9.8.11

Sobre os incidentes de Londres


… para já, apenas três sugestões de leitura:
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Nagasaki também rima com Butterfly


A acção da célebre ópera de Puccini, Madame Butterfly, passa-se em Nagasaki e relata uma relação trágica entre um oficial da marinha americano e Cio-Cio-San (butterlfy ou borboleta), uma gueixa de 15 anos.

Entre 1915 e 1920, o papel de Cio-Cio San foi interpretado por uma célebre cantora japonesa, Tamaki Miura, e há uma estátua sua, e outra de Puccini, no magnífico Jardim Glover que se situa numa colina sobre Nagasaki e ao qual se acede pelo maior e mais íngreme complexo de escadas rolantes, que alguma vez me foi dado ver e utilizar.


(Maria Callas, of course…)

Aí se visita também a residência de Thomas Blake Glover, um empresário escocês que muito contribuiu para a modernização industrial do Japão - uma lindíssima casa de estilo ocidental, a mais antiga que resta naquele país.
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Da evidência


«Não sei q.b. de economia e afins para poder avaliar em toda a sua extensão a situação económico-financeira do país e, muito menos, para antecipar soluções (e, pelo que vou vendo, tenho a inquietante impressão de que os "especialistas" que peroram todos os dias em TVs e jornais não sabem mais que eu). (…)

Perguntem a um desempregado que vive do RSI e faz uns biscates lá em casa se ele e os 4 filhos estão preocupados com os sistemas bancários da Alemanha e da França. Não estão. Nem eu.»

Manuel António Pina, hoje, no JN.
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Três dias depois de Hiroshima, foi Nagasaki


Há 66 anos, os EUA lançaram, em Nagasaki, uma bomba que matou 80.000 pessoas. Seis dias mais tarde, em 15 de Agosto de 1945, o Japão rendeu-se – no chamado Dia V-J que esteve na origem ao fim da Segunda Guerra Mundial.




Memory of the Victims of the atomic bomb in Hiroshima and Nagasaki 1945


Hoje:


Mais fotos:

8.8.11

Se os deuses ajudarem...

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... e se vulcões, incêndios ou controladores aéreos não estiverem contra mim, de hoje a um mês estarei de novo on the road - desta vez, no sentido estrito da expressão.
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Bento 16: podia vir a Espanha como turista


Eu sei que o seu reino não é deste mundo, mas não deixa de impressionar que nada altere estes programas de périplos megalómanos de Bento 16, um pouco por toda a parte e, para a semana, aqui mesmo ao lado, em Espanha: mais de um milhão de pessoas, 50 milhões de euros, sete toneladas de terços, até papel higiénico à maneira, etc., etc., etc.

As reacções começaram desde há muito, mas intensificaram-se, naturalmente, nos últimos dias.

Os «indignados» do Movimento 15M calendarizam uma série de acções de protesto e preparam-se para participar numa manifestação convocada por diversos grupos de cristãos e de ateus.

Mas não são os únicos. Vale a pena seguir reacções mais institucionais, como as da Izquierda Unida - terceira força em número de votos, a nível do país, nas eleições legislativas de 2008, e que, cordatamente, define para si própria «o objectivo de transformar gradualmente o sistema capitalista num sistema socialista democrático» (nada de muito «revolucionário», portanto). Tem negado, veementemente, que não venham a estar envolvidos dinheiros públicos e denuncia as isenções fiscais concedidas pelo Governo às empresas participantes. Contesta as alterações à programação da RTVE durante três dias e os respectivos custos, em carta dirigida ao seu presidente: «Le parece adecuada a la dirección de RTVE una alteración tan importante de su programación por la visita de ámbito privado, y no en calidad de jefe de Estado, de Don Joseph Aloisius Ratzinger dado que nuestra Constitución establece la existencia de un Estado aconfesional?» E faz propaganda da sua campanha com o cartaz que ilustra este post.

Num outro registo, Antonio Aramayona publica no site da Attac Espanha, uma «Carta al señor Ratzinger» absolutamente deliciosa. A não perder. Não resisto e transcrevo o primeiro parágrafo:

«Tengo entendido que usted tiene intención de volver a España el 18 de agosto. En nuestro país recibimos unos 53 millones de turistas al año, que contribuyen a nuestra economía con lo que van dejando en hoteles y chiringuitos. Esos turistas pagan de su bolsillo sus vacaciones y viajes de negocios, por lo que no entiendo que su viaje cueste más de 50 millones de euros y usted no pague un solo céntimo, pues 25 millones lo pagamos todos los españoles a través del dinero público del Estado y el resto es aportado por empresas privadas, con las consiguientes desgravaciones. En otras palabras, señor Ratzinger, usted tiene el mismo derecho que cualquier otro turista a visitar España, pero debería pagarlo de su bolsillo o abstenerse de viajar de gorra.»

Ler o resto aqui.
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Empatia?

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Mais um vídeo RSA, que merece ser visto, apesar de algum esquematismo duvidoso.

A ler: Jeremy Rifkin : « Partageons l'énergie comme l'information».

(Via Natércia Coimbra no Facebook)
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Pinto da Costa tomará posse no dia 3 de Setembro e ficará no cargo durante cinco anos, à frente de um dos países mais pobres do mundo


(Ainda?), não, (ainda?) não!… Mas seria mesmo extraordinário se viesse a acontecer? No país dos Special One? Impossível porque se identifica com um único clube? E Cavaco???

Vem num jornal de referência, mas é apenas uma brincadeira do Rui Almeida no Facebook.
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Rapture

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With photographs
And magnetic tape
We capture
Pretty animals in cages
Pretty flowers in vases
Enraptured

And doesn’t the tree
Write great poetry?
Doing itself so well

Do you blame monet?
His gardens in giverny
He captured
And lovely basho
His plunking ponds and toads
Enraptured

The fate of kurt cobain
Junk coursing through his veins
And young virginia woolf
Death came and hung her coat

Love of color, sound and words
Is it a blessing or a curse?
Enraptured

(Via Luís Januário no Facebook)
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7.8.11

No comments

(Da Gui.)


E a capa da Time, com data de 15 de Agosto:
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Prosas para o tempo que passa (2)

Artes de um carpinteiro

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As três derrotas de Obama


A edição portuguesa de Le Monde Diplomatique tem agora, na sua página online, uma secção intitulada «Mala diplomática: a actualidade pela redacção», onde oferece um olhar sobre a actualidade, entre as edições mensais. Foi lá que se encontrei este texto.

O mandato de Barack Obama, iniciado sob auspícios encorajadores, está a parecer-se cada vez mais com uma sucessão de provas. Em particular para os partidários do presidente dos Estados Unidos. O acordo que este último acaba de patrocinar com a maioria republicana da Câmara dos Representantes (apesar da derrota eleitoral de Novembro de 2010, os democratas conservam o controlo do Senado) é mau por, pelo menos, três razões.

1) Constitui uma capitulação da Casa Branca num ponto sensível, o de um eventual aumento de impostos. Com efeito, Obama aceitou que toda a redução prevista do défice orçamental americano ocorra sob a forma de cortes no crédito público, civil e militar. Há apenas três meses, nem sequer os republicanos mais optimistas teriam previsto este resultado. No entanto, a carga fiscal nos Estados Unidos está quase no nível histórico mais baixo (em particular a que incide sobre as grandes fortunas), ao mesmo tempo que, num contexto económico difícil e com um desemprego muito significativo (9,2%), as despesas sociais representam uma rede de segurança que é mais necessária do que nunca (sobretudo para as famílias mais pobres e para as classes médias). Uma vez mais, os sacrifícios vão poupar os privilegiados. Mas também é verdade que são eles que financiam as campanhas eleitorais [1].…

2) O acordo ratificado pelas duas câmaras do Congresso americano testemunha, além disso, a perda de autoridade e estatura do presidente dos Estados Unidos, numa altura em que se preparam as eleições presidenciais de Novembro de 2012. Depois de ter negociado arduamente com os adversários políticos, Obama cedeu no essencial. Uma vez mais, as suas acções não estão à altura das suas palavras. E isso desvaloriza a sua presidência. A mania «centrista» do compromisso que caracteriza Obama vai conduzir a uma perda de entusiasmo dos seus partidários, já desanimados, e vai penalizar a sua candidatura a um segundo mandato. De facto, mesmo os parlamentares que supostamente apoiam o presidente americano mostraram má cara perante as concessões extravagantes da Casa Branca: na Câmara dos Representantes, metade dos eleitos democratas votaram contra o acordo orçamental (95 a favor, 95 contra), enquanto três quartos dos parlamentares republicanos votaram a seu favor (174 contra 66).

3) As medidas de austeridade que este plano aprova chegam no pior momento, quando parece que os Estados Unidos vão entrar em recessão (ou entrar novamente). De certo modo, a recessão tinha sido amortecida por um plano de relançamento e agora, quando o consumo das famílias está a diminuir e a produção industrial a derrapar, é que surge esta injecção de uma dose de austeridade na economia.

É claro que o tecto da dívida pública foi elevado, mas esta operação teria sido muito banal, quase automática (já ocorreu setenta e oito vezes desde 1960), se os republicamos não tivessem chantageado — e quebrado — o presidente dos Estados Unidos em troca de um novo aumento. Do seu ponto de vista, a operação de extorsão foi muito bem sucedida e ninguém duvida que em breve será repetida.

Um plano draconiano de inspiração republicana, uma presidência diminuída, uma recessão ameaçadora: estão reunidas todas as condições para uma campanha presidencial que os democratas têm tudo para temer.

(Ver também, na edição de Agosto, Serge Halimi, «Chantagem em Washington»)

quarta-feira 3 de Agosto de 2011

Notas
[1] Ler, no numéro de Agosto do Le Monde diplomatique — edição portuguesa, o artigo de Robert W. McChesney e John Nichols, «Estados Unidos : media, poder e dinheiro completam fusão»
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