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29.10.11

Tarrafal – 29 de Outubro de 1936


Há 75 anos, chegaram os primeiros 153 deportados à Colónia Penal do Tarrafal, o «Campo da Morte Lenta».

Edmundo Pedro, então com 17 anos foi um deles. É um dos dois últimos sobreviventes portugueses e recorda agora a sua experiência.



Mais informação aqui.
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Do desnorte, quando os banqueiros já falam de Lenine


«Lenine deve estar a divertir-se no seu túmulo.» - Fernando Ulrich, em discordância com as decisões de Bruxelas para o sistema financeiro.

«Apesar de estarmos em Portugal a ser governados por um Governo de centro-direita, com um Presidente da mesma área, mais parece que seguimos um caminho próximo das orientações comunistas», situação que «se estende à União Europeia que, com raras excepções, também tem à frente governos de direita».

Público de hoje, sem link.
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Para quem quiser ouvir-nos


(Via Mário Marzagão no Facebook)
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Hoje, esta capa assustadora


Os mais pessimistas previam que a Espanha pudesse vir a atingir 5 milhões de desempregados mas só em 2012, nunca já. Mais exactamente, os registos agora revelados incluem o máximo histórico em termos de número de pessoas (4.978.300 pessoas) e a maior taxa desde o início da crise: 21,5%.

Há 1,43 milhões de lares com todos os membros desempregados e, no universo dos jovens com menos de 25 anos, a percentagem dos que não têm trabalho sobe para 45,8%.

Pura e simplesmente assustador.

(Fonte)

P.S. – Esperemos (com maior ou menor convicção…) não estar a caminho de um cenário semelhante.
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28.10.11

E tudo o vento levou...

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Citações do dia (10)




«O acordo alcançado esta madrugada pelos líderes da zona euro vai de encontro às piores expectativas. (…)
Naquilo que é estrutural nesta crise, ou seja, os desequilíbrios externos dentro da zona euro e a necessidade de uma estratégia de crescimento económico articulada, nada é dito ou feito. Esta não é uma crise da dívida pública. Esta é uma crise do euro.»
Nuno Teles, Péssimo acordo

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«Os títulos da dívida grega valiam virtualmente zero. O que a UE ontem fez foi assegurar aos seus detentores metade do seu valor nominal. Alguma coisa é melhor que nada. Mais uma vez, o socorro aos credores foi disfarçado de auxílio aos devedores.»
João Pinto e Castro, Uma história mal contada

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«A sentença lavrada esta semana na cimeira de Bruxelas - que os bancos estão obrigados a uma rápida recapitalização que os ponha a salvo de impactos sísmicos à escala de todo o sistema - é um capítulo novo nesta novela em que o vilão exige que o tratem como herói. (…)
Só um tão geral esquecimento de como foi que chegámos aqui permite que o primeiro-ministro diga ao País, sem que isso cause escândalo social, que "só vamos sair da crise empobrecendo". Passos Coelho afecta milhares de milhões de euros dos nossos impostos, dos nossos salários, dos cortes nos nossos serviços de educação ou da saúde, ao buraco sem fundo do BPN e é a nós que diz que temos de empobrecer se queremos sair da crise.»
José Manuel Pureza, A revisão da história

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«Cortes de despesa, perdão da dívida à Grécia, aumento das reservas de capital dos bancos e um maior FEEF são intervenções que se supõe instilar confiança na capacidade de crédito da Europa. Se isso vai resultar, é duvidoso. É provável que cada uma dessas medidas aumente ainda a desconfiança.
Porque, com o corte da dívida, os políticos evidenciam estar a rever a sua posição anterior de que os programas radicais de austeridade estariam mesmo a funcionar. A recapitalização dos bancos contradiz a garantia anterior de que o sistema bancário tinha robustez suficiente. Ao autorizar o FEEF a apoiar os bancos, estão a abandonar a afirmação de que a tal recapitalização seria suficiente para os proteger contra a crise.»
Stephan Kaufmann, O falso resgate do euro
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Turista 2.0


Quem comigo viaja diz que o 4º Mandamento foi escrito a pensar a mim. E eu confirmo…

Los Diez Mandamientos del turista moderno (llamado turista 2.0)

Un grupo de arqueólogos andorranos acaba de encontrar en unas excavaciones en el Mar Muerto la tableta Ipad de un tal Moisés. El disco duro estaba muy dañado pero han logrado descifrar este archivo .docx que está revolucionando lo que hasta ahora sabíamos de la industria turística:

Asunto: los Diez Mandamientos del turista 2.0
De: Dios
Para: moises@gmail.com Cc: curro@halconviajes.net

1. No adorarás a las guías de papel ni a ídolos extraños; te bajarás todo lo que necesitas gratis a tu Iphone.
2. Santificarás los comentarios de otros viajeros en Facebook.
3. Encenderás tu móvil tan pronto una rueda del avión toque tierra (el mundo no puede aguantar más sin tener noticias tuyas).
4. Al llegar a un hotel, antes que el precio o la disponibilidad de minibar, preguntarás con ansiedad, ¿hay wi-fi?
5. No maldecirás la letra pequeña de las web de Ryanair o de Easyjet (al fin y al cabo, viajas gracias a ellas).
6. Tuitearás al menos una foto cada dos horas.
7. Olvidarás la cartera o el pasaporte, pero nunca cometerás la imprudencia de dejarte el cargador del móvil.
8. Evitarás los pensamientos impuros y los lugares sin cobertura.
9. No escribirás falsos testimonios ni mentiras en los comentarios de Tripadvisor, Booking, etc.
10. No hurtarás el tiempo a las redes sociales con banalidades como disfrutar de un atardecer en silencio o hablar con la gente local.

Todos estos mandamientos se resumen en uno solo: durante el viaje amarás a tus cuentas de Twitter y de Facebook por encima de todas las cosas y a Mark Zuckerberg como a ti mismo.

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Subsídios de Natal e de férias: quando o «ele há países» se sobrepõe à lei


O texto completo do Decreto-Lei nº 496/80 está aqui, mas é este o Artigo que interessa.

Corria o ano da graça de 1980, Ramalho Eanes era presidente da República, Sá Carneiro primeiro-ministro e Cavaco Silva ministro das Finanças. Não consta que este DL tenha sido revogado (*). Who cares!


(*) O DL foi entretanto «rectificado» por outros mas, tanto quanto julgo saber, não neste Artigo específico.
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Ide e lede

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Violências por Zé Neves

«A questão essencial não é saber quem é a favor ou contra a violência política, mas de que tipo, de que formas, de que modos de violência estamos a falar. (…)
Se há semanas atrás um jornalista se condoía com o sofrimento e a dor dos vidros partidos de uma montra de Londres, ontem um seu colega comprazia-se excitado com o assassinato bárbaro de um homem odioso como Kadhafi. Falemos então de violências e não de violência.»
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27.10.11

Cataratas

b.
video

Das grandes que vi: Niagara? Vitória? Iguaçu é que é!
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Um pacto suicida


Quem o diz é um prémio Nobel da Economia, Joseph Stiglitz: «A austeridade implantada na Europa e nos Estados Unidos é um pacto de suicídio para as nossas economias.»

«“La única manera por la que podemos restablecer el crecimiento económico es mediante la estimulación de la economia”(…)

Stiglitz se mostró molesto ante el pensamiento general de que la recuperación económica será un proceso lento y doloroso. "No tenemos que pasar por ese proceso lento, y eso es lo que me molesta". (…)

"Grecia no dispone de poder pero Estados Unidos y Alemania, y otra serie de países tienen un margen considerable para estimular su economía y es absolutamente imprescindible que lo hagan", reiteró.
Posteriormente (…) Stiglitz reconoció que ha habido una fijación en la crisis de deuda griega no porque la economía helena sea de vital importancia para la UE, sino porque sus problemas han puesto de manifiesto "defectos básicos" en el diseño de la zona euro , que carece de un mecanismo para implantar grandes ajustes económicos.»
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O «Comércio Justo»


Contributo de Jorge Pires da Conceição.

O Comércio justo (Fair Trade em inglês) é um dos pilares da sustentabilidade económica e ecológica (ou econológica, como vem sendo chamada no Brasil).

Trata-se de um movimento social e uma modalidade de comércio internacional (sobretudo nas relações Norte-Sul, mas também em apoio dos produtores marginalizados nos países do Norte) que busca o estabelecimento de preços justos, bem como padrões sociais e ambientais equilibrados, nas produtivas.

Ou, como é definido pela News! (a rede europeia de lojas de comércio justo) "é uma parceria entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros, para aumentar seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentável. O comércio justo procura criar os meios e oportunidades para melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos produtores desfavorecidos. Sua missão é promover a equidade social, a protecção do ambiente e a segurança económica através do comércio e da promoção de campanhas de consciencialização".

Informação mais ampla e detalhada pode ser lida aqui e no sítio do CIDAC (Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral), nos textos das páginas "Comércio e Desenvolvimento" e "Comércio e Desenvolvimento/Comércio Justo".

O CIDAC, pioneiro da introdução em Portugal do conceito de comércio justo (em 1998) e actividades decorrentes, irá criar em Lisboa a título experimental a sua primeira loja antes do final do corrente ano de 2011. Localizar-se-á perto do Fórum Picoas e prevê-se que esteja aberta ao público de 2ª feira a Sábado, previsivelmente em período vespertino. Serão necessários voluntários que possam preencher pelo menos um turno de funcionamento de três horas, que se identifiquem com o conceito de "comércio justo" e que estejam sensibilizados a referências como desenvolvimento, sustentabilidade, ecologia, agricultura biológica, ambiente, etc. Era importante ter-se uma lista de pessoas interessadas em participar voluntariamente neste projecto, até ao final do corrente mês de Outubro. Podem ser enviados os contactos dos interessados para o endereço de email deste blogue ou directamente para o CIDAC.

O Comércio Justo (CJ) rege-se por um conjunto de princípios, reconhecidos de forma geral por todas as entidades envolvidas no movimento mas com algumas diferenças na sua formulação. Estes princípios, que se podem dividir em 12 pontos, são:

Copy / Paste sem tirar nem pôr

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Daqui.

Inevitável

O Chanceler alemão Otto von Bismarck dizia que a política é a arte do possível (Politik ist die Kunst des Möglichen). Os nossos governantes resolveram, porém, adoptar uma nova versão: a de que a política é a arte do inevitável. Efectivamente, a única coisa que o Primeiro-Ministro diz é que as medidas são inevitáveis e que não se pode tomar outras. Isto independentemente da injustiça brutal que as caracteriza e que toda a gente reconhece e até mesmo da sua total inconstitucionalidade. Por outro lado os outros órgãos de soberania aceitam a inevitabilidade e deixam o Governo prosseguir alegremente neste caminho, parecendo às vezes que vive noutro mundo, como sucedeu quando Vítor Gaspar afirmou que os sacrifícios do orçamento vão atingir toda a sociedade portuguesa por forma igual. O triste espectáculo que tem sido dado pelos nossos políticos aos cidadãos atingiu o absurdo na reunião do Conselho de Estado, que conseguiu estar reunido seis horas para emitir um comunicado que não diz absolutamente nada.

Portugal vai continuar assim tristemente por este caminho, que o Primeiro-Ministro já assumiu que visava o empobrecimento colectivo, e que o mesmo era necessário. Enquanto Deng Xiao-Ping sustentava que enriquecer é glorioso, Passos Coelho entende que a verdadeira glória está no empobrecimento. Assim sendo, já vejo que o resultado inevitável destas medidas não é que Portugal se transforme na Grécia. É que se transforme na Coreia do Norte.
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26.10.11

Esta grande senhora faria hoje 100 anos


Mahalia Jackson nasceu em 26 de Outubro de 1911, gravou o primeiro disco com 26 anos, acumulou sucessos no mundo inteiro ao longo de décadas.

Cantou quando John Kennedy foi eleito presidente em 1961 e na inesquecível «Marcha sobre Washington», em 1963, depois do célebre discurso de Martin Luther King I have a dream!. Mais tarde, em 1968, cantou também no seu enterro.






Entre todas as canções por que passou, a mais «batida» de todas, mas com selo de garantia para sempre:



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Comentários para quê

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A reacção de Hilary Clinton à notícia sobre a  morte de Kadafi...


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Num banco perto de si


Banco Invest, Rua Barata Salgueiro, Lisboa

(Via Daniel Oliveira no Facebook)

Citações do dia (9)




«Na verdade, tudo era mais fácil ali [no Egipto] do que numa democracia. Ali queriam conquistá-la. Aqui, temos de cuidar dela. Ali só havia esperança. Aqui há desencanto. Ali o inimigo tinha um nome. Aqui nem se sabe bem quem ele é. Mas num e noutro caso, nenhum poder corrupto sobrevive sem a demissão do seu povo. Acham que a nossa democracia foi capturada? Libertem-na! Não é preciso ficar à espera que apareça um salvador. Ele não existe.»
Daniel Oliveira, A revolta contra as "mordomias dos políticos"

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«A la tierra le duele el capitalismo. Al menos su versión actual, en la que ha decidido que todo es susceptible de ser empaquetado como activo y enviado a los mercados financieros. Nada es ajeno a la fiebre de las plusvalías. Incluso las tierras de labor, vitales para la condición humana, están sufriendo enorme presión. En los últimos tres años, entre 60 y 80 millones de hectáreas (una superficie similar a la mitad de Francia) han cambiado de manos. Incluso hay quienes, como la firma independiente Global Land Project, sitúan esta cifra solo para África en 63 millones. Por si no bastara, el Banco Mundial revela que, en 2010, los inversores extranjeros “han expresado su interés” en 56 millones de hectáreas de tierra de cultivo en todo el mundo. E Intermón Oxfam habla de 67 millones confirmadas. Pues uno de los problemas es “la falta de transparencia. Ya que se ocultan datos e informes”, avisa Lourdes Benavides, responsable de Justicia Económica de esta ONG.
Es imposible que este acoso no tenga consecuencias. La primera es una deslocalización agraria, como antes hubo una industrial y otra del sector servicios. Medio mundo se ha lanzado a comprar tierras fuera de su país de origen.»
Miguel Ángel García Vega, Pelea por nuevas tierras

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«Na discussão que eclodiu aquando do início da intervenção na Líbia já se percebera que o mundo é mesmo um sítio complicado, sem habitat para certezas de mármore. Agora, milhares de cadáveres depois, só não mudou a incapacidade de muitos de compreender isso.»

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«La Grèce est malade. Le nombre de dépressions augmente, comme celui des suicides, alors que le pays a longtemps été fier d'être la lanterne rouge européenne en ce domaine. Une sorte de déprime collective, née dans ce tunnel de la récession qui n'en finit pas.
Les manifestants réguliers ou occasionnels, les candidats au départ vers l'Australie ou d'autres horizons moins lointains, témoignent tous de ce malaise : "Il n'y a pas d'avenir en Grèce ."»
Grèce: "Nous devenons une colonie" de Bruxelles
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25.10.11

Ontem, no Parlamento Europeu

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Como se fôssemos as tais crianças de 4 anos

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A Líbia, ainda


Regresso ao tema que, sem surpresa, está a siar da boca de cena, enterrado que está um cadáver algures nas areias de um deserto. E regresso porque Manuel António Pina vem hoje reforçar as reacções que tive desde as primeiras horas.

«E que dizer da "satisfação" pela horrorosa morte infligida ao ditador manifestada por governos que ainda há pouco o sabujavam e lhe iam comer à mão (como agora farão com os novos senhores de Trípoli) na mira de uns dólares ou um contrato petrolífero? Quantos desses governos não foram eleitoralmente financiados com o dinheiro sujo de Khadafi ou - como o britânico, que não hesitou em libertar o autor do atentado de Lockerbie, que vitimou centenas de inocentes, em nome dos negócios da BP - teriam motivos para temer o que o ditador pudesse revelar se viesse a ser sujeito a julgamento?»

Entretanto, para o que aí vem, um conselho de leitura: La Libye, un pays «fondamentalement conservateur et tribal»

P.S. - Fica o texto de MAP na íntegra já que, por motivos incompreensíveis e que julguei entretanto ultrapassados mas que não o estão, o link de hoje para ao JN deixará de funcionar amanhã…

Citações do dia (8)




«A situação económica na Grécia é tão incerta que o país deverá necessitar de 252 mil milhões de euros até ao final da década, um valor que mais do que duplica os 109 mil milhões originalmente acordados com a troika. Na pior das hipóteses, poderá mesmo ser necessário emprestar 440 mil milhões à Grécia, mais do que o actualmente disponível no Fundo Europeu de Estabilidade Financeira.
Estes valores constam da última avalização financeira realizada pela Comissão Europeia e FMI, um documento “confidencial” entretanto divulgado pelo Financial Times, e onde se pode ler que “a situação na Grécia deu uma guinada para pior” e que os “desenvolvimentos recentes exigem uma reavaliação”.»

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«Se o CNT quisesse fazer a diferença, Kadhafi teria sido poupado, para responder em Haia. Mas aqueles que deixaram o povo líbio lançar-se num processo de somalização, queriam tudo menos que o monstro de Tripoli ficasse vivo para contar as suas hediondas histórias.»
Viriato Soromenho-Marques, Richelieu no deserto

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«Charia». Le mot a été prononcé par le président du Conseil national de transition Moustapha Abdeljalil, ce week-end. Selon lui, le gouvernement transitoire qui va être mis en place agira selon les règles de la loi islamique. (…)
Selon le président du CNT, qui a cité plusieurs exemples, la loi qui, actuellement, interdit la polygamie et autorise le divorce, ne sera ainsi plus en vigueur. Des banques islamiques, un modèle de gestion qui interdit notamment l'usure, vont également être ouvertes. (…)
Evidemment, les déclarations sur le divorce et la polygamie ont suscité l'inquiétude. La France et l'Union européenne ont appelé ce lundi au respect des droits de l'Homme. (…) La présidente de la Fédération internationale des droits de l'homme, Souhayr Belhassen, interrogée par l'AFP, estimme elle «qu'incontestablement» cela lui «inspire une inquiétude à l'égard de ce qu'il faut appeler clairement des menaces de régression. Les Libyens et les Libyennes doivent faire preuve de vigilance. Il n'y a pas eu des milliers de morts pour qu'aujourd'hui il y ait un retour en arrière à l'iranienne».
Charia, le mot fait peur. Dans l'imaginaire occidentale, il renvoie aux Talibans, à l'Afghanistan, l'Arabie Saoudite et Ben Laden, donc à l'obscurantisme, à l'opposé des lumières démocratiques.
Quenton Girard, La Libye, un pays «fondamentalement conservateur et tribal»
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24.10.11

Se ninguém se lembra…


… é bom recordar que foi num 24 de Outubro que aconteceu a conquista de Lisboa aos mouros, no ano da graça de 1147.

Isso pensamos nós: lá para cima, não sei exactamente a partir de onde (será do Mondego?), ainda se diz que não, que são eles / nós, os mouros, que por aqui continuamos a vegetar. Nos tempos que vão correndo, é melhor não desmentir porque ainda pode vir a dar muito jeito…
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Agora os ursos?


O quarto da pequena Giulia deve estar cheia deles. E eu que julgava que já nem se ofereciam peluches a bebés por serem eventuais portadores de múltiplas razões para terríveis alergias, mas adiante.

Em França, uma associação protectora do urso nos Pirinéus ofereceu um simpático exemplar à filha de Sarkozy, para lembrar ao pai a promessa de largar mais um bicho na belíssima região de Béarn. Desejou tudo o que há de melhor para a criança, esperando que possa ter um dia «a felicidade de observar ursos livres nas montanhas de França».

Mais enigmática é a decisão de Angela Merkel comprar um Teddy Bear para Giulia. Onde é que a senhora quererá ver ursos?! Ainda se tivesse oferecido este porquinho de porcelana…
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Nós e a Líbia


Daniel Oliveira publicou hoje, no Expresso, o que considero um texto «definitivo» sobre as relações entre o chamado Ocidente civilizado e um desgraçado país em espectáculo (é a palavra exacta…) a que todos assistimos nos últimos tempos: «Kadhafi, um ditador amigo».

Parece-me que há muitos que param na alegria de ver um ditador justa ou justificadamente assassinado. Não é o meu caso. Mesmo que quisesse – e não quero – não seria capaz.

«A revolta líbia, por ter apanhado desprevenidos muitos líderes ocidentais, é um dos melhores retratos da hipocrisia ocidental. Em poucas semanas foram tantos a dar cambalhotas que até se sentiu o enjoo aqui em baixo.

Kadhafi foi, ao longo do seu regime de terror, apadrinhado por demasiada gente para haver estadistas que se possam dar ao luxo de falar do que agora se passou sem sentir vergonha. Pelo menos desta vez tiveram mesmo de se retrair na propaganda que mascara a ganância com a luta pela liberdade e pela democracia. Corajosos? Só mesmo os líbios. Aqueles de que tão pouca gente se lembrou nos últimos quarenta anos.
Nenhum governo ficou indignado com a forma como o seu ex-amigo foi assassinado? 

Claro que não. Querem é que todos se esqueçam dele o mais depressa possível. Porque se nos esquecermos dele também nos esquecemos de quem o ajudou. Por cá, ficou uma prova da nossa cumplicidade: mais de mil milhões roubados aos líbios numa conta do nosso banco público.»

Na íntegra AQUI.
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Algures em Ponta Delgada


(Via Pedro Górgia no facebook)
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23.10.11

Brigadas Internacionais – 75 anos


A Espanha celebrou ontem o 75º aniversário da criação das Brigadas Internacionais. Durante a Guerra Civil, estas integraram 35.000 voluntários estrangeiros (os números nem sempre coincidem, há quem refira mais de 40.000), de 53 países, dos quais 9.000 foram mortos os presos. Hoje, são apenas vinte os sobreviventes.

«"Aún hoy sigue vivo el ¡No pasarán!”. La exclamación se oyó vigorosa de la boca de David Lomon, aun con sus casi 93 años. El público prorrumpió en un aplauso interminable. Los puños subieron a lo alto. El bramido del “¡No pasarán!” se repitió, se hizo cada vez más fuerte hasta anegar la explanada.»





(Fonte)
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Interprete as diferenças

Oct. 24, 2011
Oct. 31, 2011

É muito frequente a revista TIME ter capas diferentes na edição para os Estados Unidos (aqui à esquerda) e nas três outras: Europa, Ásia e Pacífico Sul (à direita). Por vezes interessante…
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Citações do dia (7)


«Os defensores oficiosos do primeiro-ministro apenas referem como atenuante a "coragem" das medidas, atributo comum a todos os governos nas suas primícias orçamentais. Porque a principal característica deste orçamento é o facto de ele ser o primeiro deste governo que assim já prepara o último. Desde tempos imemoriais que as legislaturas se iniciam pelo exercício da ferocidade do primeiro-ministro para terminarem pelo descontrolo das contas públicas. Não é só fatalismo, também é táctica política, e da pior. (…)
O ministro da Economia, um mal-amado do sistema, acrescentou à meia hora diária no mundo fabril a caça laboriosa aos feriados, concordatários ou civis, tanto faz. Num país de turismo interno em época baixa, ele quer encostar às boxes quer o Carnaval quer a Sexta-feira Santa. Alguns membros da Igreja Católica, desde que não paguem mais impostos, estão disponíveis para dar um jeitinho no dia da Imaculada Conceição. Para a troca lá se vai o primeiro de Dezembro ou o 5 de Outubro, se não for o 25 de Abril ou o primeiro de Maio. Tudo muito rudimentar. (…)
Um orçamento com pés maioritários para andar mas sem cabeça.»
José Medeiros Ferreira, Principiantes

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«Por que é que o Governo não lança o debate sobre os benefícios para o sistema económico e financeiro do regresso de formas de trabalho escravo? Com o ritmo despudorado com que o poder político está a queimar etapas na persecução do objectivo de baixar o nível das populações europeias, por que não avançar mais rápido ainda e discutir a possibilidade do uso de formas de trabalho não remunerado? Se estão convencidos de que têm força suficiente para fazer regredir a história e o objectivo é retirar os direitos dos trabalhadores e o nível de vida atingido na Europa com o pacto social que adveio à Segunda Guerra Mundial, então por que não avançam ainda mais rápido?»
São José Almeida, Queimar etapas, Público 22/10/2011 (sem link)

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«Manuela Ferreira Leite gosta de brincar com a democracia. Está-lhe na massa do sangue, que se há-de fazer? Sai-lhe é o humor sempre para o mesmo lado: suspender direitos e pôr as liberdades entre parênteses. É humor da velha escola sul-americana, está bem de ver.
Num rasgo de fino recorte, sugeriu há meses que se suspendesse a democracia por uns tempos para assim ser possível pôr em prática uma série de políticas de excepção. (…)
Há dias, a Dra. Ferreira Leite quis brincar outra vez. Desta vez com o Governo. E vai de lhe propor que “durante dois, três anos a educação não seja gratuita, sendo paga por quem pode; durante dois, três anos a saúde não seja gratuita, sendo paga por quem pode". E se o Governo gostou da proposta de brincadeira! É que se há ministros com vontade e com jeito para brincar à destruição dos serviços públicos são Nuno Crato e Paulo Macedo. E assim sempre conseguem que o Ministro Álvaro – que fez, há semanas atrás, humor deste tipo nos transportes – não se fique a rir.»
José Manuel Pureza, Humores
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