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19.5.12

Era bom!…



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Imagens



A Paulete Matos disse-me há uns dias que tira muitas fotos nos transportes públicos porque neles se reflecte o estado de espírito de um povo. Bem verdade neste exemplar que hoje divulgou. 

(Aproveito para dizer que a imagem que agora se encontra no cabeçalho deste blogue me foi «oferecida» pela Paulete.) 
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Bom fim-de-semana, dr. Miguel Relvas



… sobretudo se já não for ministro. 

Sequência de episódios de uma novela incompleta, a ver se a gente se entende: 




DE QUÊ EXACTAMENTE? ?? O jornal não explica, o ministro ainda menos. 
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18.5.12

Romance da Guarda Civil Espanhola





Federico García Lorca 

Los caballos negros son.
Las herraduras son negras.
Sobre las capas relucen
manchas de tinta y de cera.
Tienen, por eso no lloran,
de plomo las calaveras.
Con el alma de charol
vienen por la carretera.
Jorobados y nocturnos,
por donde animan ordenan
silencios de goma oscura
y miedos de fina arena.
Pasan, si quieren pasar,
y ocultan en la cabeza
una vaga astronomía
de pistolas inconcretas.

¡Oh ciudad de los gitanos!
En las esquinas, banderas.
La luna y la calabaza
con las guindas en conserva.
¡Oh ciudad de los gitanos!
¿Quién te vio y no te recuerda?
Ciudad de dolor y almizcle,
con las torres de canela.

Cuando llegaba la noche,
noche que noche nochera,
los gitanos en sus fraguas
forjaban soles y flechas.
Un caballo malherido
llamaba a todas las puertas.
Gallos de vidrio cantaban
por Jerez de la Frontera.
El viento vuelve desnudo
la esquina de la sorpresa,
en la noche platinoche,
noche que noche nochera.


O «coiso» ao vivo e a cores



O Álvaro, hoje na Assembleia da República. Ver e ouvir AQUI para crer.
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Será também assim na Europa




«El crecimiento de la población hispana, con un alto índice de natalidad, así como de la minoría asiática, confirma una tendencia esperada desde hace varios años. 

El 49,6% de todos los nacimientos entre julio de 2010 y el mismo mes de 2011 fueron de niños blancos, mientras que los hijos de parejas hispanas, asiáticas, afroamericanas o de diferentes razas ascendieron a un 50,4%. Los estadounidenses blancos, sin embargo, seguirán siendo el grupo mayoritario de población hasta 2042, según las proyecciones de la Oficina del Censo.» 

Pode o Ocidente «civilizado» construir muros ou barreiras burocráticas que não vencerá esta guerra. Nem tem qualquer direito de a vencer. 
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Ricardo Araújo Pereira - Mais sobre o desemprego



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17.5.12

O desemprego como oportunidade permanente



Ler a crónica de Ricardo Araújo Pereira, na Visão de hoje, talvez nem chegue a fazer sorrir. Humor mais do que ácido, mas straight to the point, como sempre. 

«Os rústicos que olhavam para o desemprego como desemprego devem estar envergonhados. Pois que façam também desse embaraço uma oportunidade: procurem a poesia no desemprego. (…) 

O problema é que a oportunidade do desemprego esgota-se na eventualidade, felizmente remota, de o empregado encontrar emprego. (…) O ideal é manter-se desempregado, estado em que se mantém permanentemente a aproveitar a oportunidade. É possível que haja quem não aguente e morra. Mas a morte, não sei se já adivinharam, é uma oportunidade. Para fertilizar a terra, por exemplo. É aproveitar, portugueses.» 

Na íntegra AQUI.
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Nos jogos de guerra, pisam-se os direitos, mas é sempre preciso fazer bem as contas



«Os gregos vão de novo para eleições, em Junho. Nesse mês, se falharem as transferências ao abrigo do segundo resgate, a Grécia entrará em incumprimento. O provável futuro primeiro-ministro helénico, o presidente do Syriza, o jovem Alexis Tsipras, já conseguiu uma quase vitória. Se os pagamentos não forem efectuados, a Grécia não sairá da Zona Euro, ela será expulsa de facto pelos credores, com a Alemanha à cabeça. Trata-se de um triplo ónus: legal, político e económico, que cairá inteiramente sobre Berlim. (…)

A lei europeia está do lado dos gregos. Na formação da Zona Euro há um silêncio total sobre a possibilidade de saída dos Estados. E no Tratado de Lisboa, o artigo 50.º só prevê a possibilidade de saída voluntária dos países da UE, nunca a sua expulsão.

Em segundo lugar, expulsar os gregos numa altura em que eles estão em processo de eleições seria violar o sacrossanto princípio da soberania popular, o princípio de ética pública que separa a democracia de todos os tipos de barbárie.

Em terceiro lugar, expulsar a Grécia nesta altura (…) seria lançar a UE num vendaval de perdas de rating, forçando o BCE a abrir desesperadamente a bolsa, em muito mais do que os escassos milhares de milhões de euros que Atenas vai precisar para flutuar. (...)

Nos jogos de guerra, pisam-se os direitos, mas é sempre preciso fazer bem as contas»
Viriato Soromenho-Marques

Ler também: BCE deixa cair alguns bancos mas defende que Grécia deve ficar no euro

P.S. - Entretanto, saiu há pouco a primeira sondagem que dá o primeiro lugar à Nova Democracia, com hipóteses de formar maioria com o PASOK. Garrafas de champanhe devem estar a ser abertas em Berlim e em Bruxelas. Para que a Grécia continue excelente como até agora...

A Grécia, esse país inventado




José Luís Arnault, ontem, na SIC N, ipsis verbis

«A Grécia é uma realidade política artificial. A Grécia, até ao Século XIX, até meados do século XIX, foi uma província do império otomano. Foi um país inventado em 1828. Portanto, não existe como país.» 

Quantos países europeus não existiam em 1828? É só contar...

(A Ana Cristina diz que ele merece um pano encharcado na cara, mas acho pouco, muito pouco.) 
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Syriza: o que é e o que pretende





Também: Declarações de Alexis Tsipras, ontem, à CNN:


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16.5.12

Euro, Dracma e Dignidade



Apesar das notícias e das imagens que nos chegam, é difícil realizarmos concretamente as pressões de todos os tipos a que os gregos estão a ser submetidos até às novas eleições, já apontadas para 17 de Junho. Não só dos seus dirigentes políticos e partidários, como em toda a parte, mas dos responsáveis da União Europeia, FMI, Merkel & friends.

Ainda falta um mês mas as ditas pressões já estão em campo e nem é preciso ir mais longe atente-se nas palavras hoje proferidas por Durão Barroso: «Não há qualquer forma» de alterar o programa que o país teve de adoptar em troca de uma ajuda da zona euro e do Fundo Monetário Internacional, «é muito importante que o povo grego o saiba muito bem» e que «decida plenamente informado sobre as consequências das suas decisões».

Ou seja: vale tudo para que os gregos sejam levados a votar naqueles que defendem o pacote austeritário que foi negociado e que está em cima da mesa, sem que este seja sequer amenizado, apesar de eles já terem recusado fazê-lo uma primeira vez, em 6 de Maio, e quando todas as sondagens apontam, pelo menos até este momento, para um reforço dessa recusa. Em nome da «democracia», evidentemente, estamos a assistir a um filme que nos pareceria absolutamente inimaginável há cinco ou há dois anos, ou mesmo há meia dúzia de meses.

O que se seguirá até 17 de Junho? Who knows?!... Um mês é uma eternidade.

Para já, limito-me a citar a reacção de um comentador grego às afirmações de Durão Barroso, acima referidas: «Se a União Europeia continuar a colocar os gregos perante o dilema “Euro ou Dracma”, temo que estes acabem por votar pela “Dignidade”.» Ou não. Tudo se tornou muito mais dramático nas últimas horas. 
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Quando a crise chega ao Vaticano



... há que explorar todas as parcerias possíveis! 

(Imagem via Rita Veloso no Facebook)
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E se a Grécia decidisse falir e ficar no euro?


Um texto importante, publicado hoje no Libération. Responde a muitas questões que pairam por aí.
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Para além de Hollande



Num texto hoje divulgado por ATTAC Espanha, Vicenç Navarro explica por que razão se regozija pela eleição de François Hollande, embora considere que as suas propostas são insuficientes para se sair da crise. 

«Antes que nada quiero subrayar que estoy contentísimo de que François Hollande ganara las elecciones en Francia. Abre una serie de posibilidades que estaban cerradas hasta ahora. Y hay muchas propuestas de su programa que son positivas, e incluso algunas muy positivas. Ahora bien, me apena constatar que la puesta en marcha de todas ellas no será suficiente para salir de la crisis. Y ello se debe a que la economía europea no se recuperará a no ser que las políticas de austeridad que se están imponiendo en la Unión Europea (UE) se eliminen. Y Hollande no se ha comprometido a eliminarlas. A lo que sí se han comprometido es en complementarlas con políticas de crecimiento. En otras palabras, la tesis que Hollande sostiene es que las políticas de austeridad que se están siguiendo son necesarias pero insuficientes. Según él, se deben establecer unas políticas de estímulo del crecimiento que permitan a la UE salir de la crisis. Pero el mayor problema que tiene la Unión Europea, incluyendo Francia y España, es que la principal causa hoy de la crisis y la recesión son precisamente las políticas de austeridad, dictadas por el Pacto de Estabilidad. François Hollande no ha mencionado que vaya a eliminar o modificar el Pacto de Estabilidad, que es la ley que fuerza hoy las políticas de austeridad en los países de la UE. (…)

La ingeniería monetaria y fiscal de la Unión Europea se basa en dos pilares. Uno, la Ley de Estabilidad que imposibilita a los Estados poder recuperarse en tiempo de crisis, como lo muestra la situación actual. Es más, su incapacidad de diferenciación entre gasto ordinario y gasto en inversiones, poniendo todo el gasto público dentro del límite de gasto permitido (el 3% del PIB) destruye la creación del futuro, pues no permite la inversión con la que se podría aumentar la producción y crecimiento económico en el futuro. (…)

Y el segundo pilar de la austeridad impuesta a los países es la manera como se estableció el Banco Central Europeo (BCE), un banco que, en realidad, no es un banco central, sino un lobby de la banca y, muy en especial, de la banca alemana. »

Na íntegra.

15.5.12

Menos um – Carlos Fuentes



Morreu hoje, com 83 anos, este escritor mexicano, eterno candidato a Prémio Nobel da Literatura, como muitos outros. 

Estive anos sem ter contacto com a sua obra, mas acabei de ler, há poucas semanas, Adão no Éden, depois de ouvir uma crónica de Carlos Vaz Marques que o escolheu como «livro do dia», na TSF. Aconselho.
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Coup de foudre entre Merkel e Hollande?



Mais non: seulement une foudre
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Onde já vai a crise!...


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Um mês de Junho em brasa



Quando acaba de se saber que a Grécia terá novas eleições legislativas, talvez em 10 ou 17 de Junho, e que, precisamente nessas datas, terão lugar as francesas, o próximo mês anuncia-se especialmente importante e decisivo e não apenas para os dois países em causa. 

Se muita água ainda correrá ainda, hoje e nos próximos dias, sobre o caso grego, quanto a França, Hollande marcou a sua agenda com a prioridade de uma visita a Metkel, no próprio dia em que tomou posse em Paris (e Bruxelas lá tão longe…) e Jean-Luc Mélenchon começou uma cruzada contra o «Front National», em competição corpo a corpo com Marine Le Pen, em Pas-de-Calais. No lançamento da candidatura afirmou que a mesma «tem uma dimensão nacional e internacional: trata-se de saber se a resposta à crise global que vivemos deve ser social ou étnica; trata-se de saber se a extrema-direita deve continuar – como na Europa – a progredir na nossa pátria ou se, pelo contrário, queremos fazê-la recuar» (Via Facebook). 

Tempos perigosos, tempos de esperança, nestes dois casos? Ambas as coisas. Prefiro o copo meio cheio. Para meio vazio, basta-me o nosso: em 10 de Junho, Cavaco andará por aí a pendurar umas medalhas e uns colares… 
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Por que é que a Europa precisa da Grécia



Só ontem li este texto do grego Costas Lapavitsas, publicado em The Guardian no passado dia 11.

«O sucesso eleitoral do Syriza marca o início da primeira grande batalha contra a austeridade. O continente inteiro devia desejar que seja ganha.» 

«Syriza believes that the measures can be introduced while the country remains within the eurozone. It has been unwilling to call for Greek exit, thus increasing its appeal to voters who worry about the aftermath of exit and believe that the euro is integral to the European identity of Greeks. In my view, and that of many other economists, it would be impossible for Greece to stay in the eurozone if it went down this path. Moreover, exit would be both necessary and beneficial to the economy in the medium term, and remains the most likely outcome for Greece. If Syriza really wanted to contribute to solving the crisis, it should get itself ready for this eventuality. (…)

It is important to seek unity at all times, avoiding both gloating and the ancient factionalism of the Greek left. Syriza will need the active co-operation of the rest of the left if it is to muster sufficient forces to deal with the storm ahead. It is equally important to improve its appeal to experienced and knowledgeable people across society, for it will need many more in its ranks.

Finally, if there is a new government led by Syriza, it will rely on the support of people across Europe to tackle the catastrophe inflicted on Greece by the eurozone crisis. The first major battle against austerity is about to begin in Greece, and all European people have an interest in winning it.»

Na íntegra aqui.
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14.5.12

Os ricos também emigram



Pelas «melhores» razões, como é óbvio: para porem o que têm em segurança. De poiso em poiso, se necessário for. 

Chegou a vez dos chineses, políticos eu homens de negócio, cheios de yuans, que querem sair do país porque temem uma desaceleração do crescimento económico e, sobretudo, por temores de ordem política – o caso Bo Xilai deixou marcas. 

Preferem vistos para os Estados Unidos, de «residência contra investimento» (um milhão de dólares e criação de empregos), mas são tantos os pedidos que são agora forçados a virarem-se para as Caraíbas. 

As nossas fronteiras estão abertas, be our guests, please… O governo agradecerá.

(Fonte)

A Grécia não pode continuar a adiar a saída da zona Euro



Já em inglês, o artigo de que toda a gente fala.

«After Greek voters rejected austerity in last week's election, plunging the country into a political crisis, Europe has been searching for a Plan B for Greece. It's time to admit that the EU/IMF rescue plan has failed. Greece's best hopes now lie in a return to the drachma.»

Na íntegra aqui.
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Para quem não teve ocasião de ver Eduardo Galeano


…na entrevista transmitida na RTP 2, no passado dia 10 de Maio de 2012 (Programa «O Tempo e o Modo») 


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O esplendor de Portugal



A notícia é delirante, mas vale a pena ver o vídeo. Mais de 100 pessoas esperaram, algumas delas durante dois dias e duas noites, para garantirem o aluguer de um toldo, na praia de Armação de Pêra, em Julho e Agosto. Houve quem viesse de Beja, de Lisboa ou mesmo do Porto. Tendo de escolher entre sombra no Verão e umas rezas na Cova da Iria, quem sabe… 

Tratar-se-ia de aproveitar uma pechincha? Talvez, não sei avaliar: 500 euros pelos dois meses. Para subalugar e ganhar uns trocos? Não faço ideia… 

Mas que povo é este?
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Passos foi à Feira



Já quase tudo terá sido dito sobre as afirmações de Passos Coelho sobre os desempregados, enquanto o próprio, em vez de aproveitar uma ou várias ocasiões que tem tido para as explicar ou amenizar, prefere insistir, sem mais. Lá saberá as linhas com se quer coser (ou cozer…). 

Ontem foi vaiado e insultado na Feira do Livro. Não por bandidos (reconheci nas imagens das televisões muitas caras minhas conhecidas e eu própria estive na manifestação de Sábado), mas por jovens e não jovens que sofrem na própria pele, ou na dos seus próximos, a tal «oportunidade» que o desemprego representa para o primeiro-ministro ou a precariedade cheia de potencialidades de empreendorismo. 

Por vezes, vale mais uma anedota do que mil teorias explicativas para visualizar certas realidades. É o caso de uma, hoje recordada por Manuel António Pina

«Conta-se a história daquele operário da construção civil que gemia sob um bloco de cimento que lhe caíra em cima e de quem alguém, provavelmente um primeiro-ministro, se aproxima e pergunta: "Dói muito?". O infeliz terá respondido: "Não, só quando me rio". 

A história fica-se por aqui mas, depois da mensagem de Passos Coelho aos desempregados, não é difícil imaginar como terá prosseguido, com o tal primeiro-ministro a lembrar ao "piegas" que a paraplegia "não pode ser um sinal negativo (...), tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida". Pode, por exemplo, digo eu, representar a oportunidade de uma carreira paraolímpica.» 

Se, ontem, Passos Coelho não previu que os possíveis futuros paraolímpicos o podiam vaiar, ou é parvo ou faz-se. Humor negro? Certamente. É o que se pode arranjar. 
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13.5.12

Se ainda existissem licenças de isqueiro

Os náufragos do sonho europeu



A Europa vai construindo baias e muros, como se fosse possível fechar-se a sete chaves, mais ou menos como se fosse possível impedir a chuva de cair. 

Depois do que se passou deste lado do Mediterrâneo, com os naufrágios de africanos que tentaram chegar a este velho continente e que morreram às dezenas ou ficaram empilhados em várias Lampedusas à espera de serem repatriados, é agora a vez de a Grécia erguer um muro que a separe da Turquia: vai ter 12,5 quilómetros de comprimento, 3 metros de altura, com câmaras por todo o lado. 

Hoje, o «muro» é um rio que faz fronteira de 180 quilómetros entre os dois países, pelo qual centenas de pessoas tentam passar todos os dias e onde uns tantos acabam por morrer, afogados ou por hipotermia – 70 em 2011. 

A Grécia é actualmente o ponto principal de entrada de clandestinos no espaço Schengen, desde que a Itália e a Espanha reforçaram os dispositivos de segurança – através de Istambul, onde chegam por voos low cost vindos da Argélia, do Irão ou da Nigéria. 

E quando a Grécia se fechar, outras portas serão descobertas. Alguém duvida? Quando é que se perceberá que erguer muros não é o modo mais eficaz de diálogo e de convivência entre humanos?  

(Fonte)

Um pouco a Norte, em Copenhaga




Abril de 2012, Flash mobil no metro pela Copenhagen Phil (Sjællands Symfoniorkester).
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Quem quiser que interprete o presente, quem for capaz que imagine o futuro




Fátima / Madrid, 12 de Maio de 2012
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