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26.5.12

Sequelas da crise



(Desenho de José Bandeira)
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Entretanto no Québec



É a «Guerre des Casseroles», uma vaga popular de apoio aos protestos contra uma nova lei de propinas. Todos os dias, pelas 8:00 pm, durante 15 minutos, as ruas de Montreal enchem-se de todo o tipo de pessoas que, com os mais variados objectos, produzem um barulho infernal. (A inspiração veio do Chile, onde esta forma de protesto foi usada primeiro contra Salvador Allende e mais tarde contra Pinochet.)

Durante o dia, continuam as gigantescas manifestações de estudantes, com mais de 700 detenções na última quarta-feira. Acompanhar os próximos capítulos...

(Fonte)





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O que eu não daria...



... para estar a blogar num teclado assim! 
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A compaixão de Madame Lagarde



Uma entrevista a Christine Lagarde, ontem publicada em The Guardian, está a correr mundo. 

Quando a jornalista lhe pergunta se, ao analisar as contas da Grécia, só pensa em números ou também se lembra das mulheres gregas sem assistência quando dão à luz, dos doentes sem medicamentos e dos velhos que morrem sozinhos sem direito a cuidados, responde: 

«Penso mais nas criancinhas de uma escola numa pequena aldeia do Níger, que têm duas horas por dia de aula, com uma cadeira para três crianças e que, mesmo assim, conseguem estudar. Penso nelas permanentemente e acho que precisam de mais ajuda do que as pessoas em Atenas.» 

Se estamos em maré de humor negro, vamos a isso: na tal aldeia do Níger não existirão prédios mas só palhotas, e não haverá portanto o perigo de um homem de 60 anos, desesperado, se atirar de uma janela de mão dada com a mãe, de 90, como aconteceu na Grécia. Se também querem defenestrar-se, construam arranha-céus, seus idiotas! 
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Pouca intimidade



No jornal «i» de hoje, mais um texto de Luís Januário, a não perder. Para gentes não demasiado «românticas», neste caso… 

«Hoje (…) considera-se o amor total como aquele que reúne uma enorme intimidade, um compromisso forte e a uma paixão fogosa. Esse estereótipo de relação total, total como a gasolina de 98 octanas, o Exterminador, a artroplastia da anca, a Justiça e o Money makeover, a força Total e a ideologia Total, é particularmente repelente. Em primeiro lugar porque toda a paixão é momentânea, como ainda hoje garantia um título do jornal e sempre assegurou a psicologia popular. A paixão, esse prodígio de energia cega, dura nove meses, descobriram os cientistas. Exactamente o tempo de uma gestação humana. (…) 

A melhor relação é a da paixão intermitente, como os faróis com reóstatos que de vez em quando ofuscam e depois brilham como as estrelas do Cruzeiro do Sul na Terra do Fogo. Com um compromisso simples e que se viva sem peso. E sobretudo, pouca intimidade.»
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25.5.12

70 é uma bela idade



Parabéns, José Mário Branco.
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Paroles, paroles…



«A primeira cimeira da Merkollande falou levezinho da "política de crescimento" e da "recapitalização do sistema financeiro". A única coisa a tirar foi a votação, embora não oficial, do hino da cimeira: "Paroles, paroles..." Apropriado, pela letra e pela sua mais famosa intérprete, Dalida. Apesar de egípcia, uma europeia dos quatro costados: filha de italianos, morreu francesa, com carreira iniciada com a gravação de uma canção portuguesa (o Barco Negro, de Amália) e com êxitos em italiano, inglês, alemão e, sobretudo, em francês, entre os quais o tal "Paroles...", onde ela diz estar farta de "palavras e mais palavras semeadas ao vento." No fundo, a declaração final da cimeira. Mas como podíamos nós esperar medidas draconianas se Drácon, apesar de antigo, era grego?»  

Ferreira Fernandes, hoje, no DN.

E eu com ele…
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«Mulheres de Armas» – Lançamento



As histórias contadas em Mulheres de Armas poderiam fazer parte de um romance, mas aconteceram de facto, na década de 1970, e fazem parte da história da luta anti-fascista em Portugal. Nos anos que antecederam a Revolução de Abril de 1974, existiram grupos de acção armada, formados por cidadãos que não acreditavam que o regime cairia por si. 

Uma dessas organizações chamava-se Brigadas Revolucionárias e durante quatro anos, de 1970 a 1974, combateu a ditadura e criou uma nova forma de luta. Com alguma ingenuidade mas muita perícia, este grupo conseguiu abalar o sistema e desorientar a polícia do Estado. O principal objectivo era boicotar a política colonial, daí que os alvos primordiais das acções fossem quartéis e material militar, seguindo o princípio de não afectar vidas humanas. 

Quando, em 2007, a jornalista Isabel Lindim começou a recolher documentos sobre as Brigadas Revolucionárias e o Partido Revolucionário do Proletariado, deparou-se com as histórias de várias mulheres ligadas à organização. Mulheres que participaram em acções, colocaram explosivos e assaltaram bancos. Mulheres que se movimentaram na retaguarda das Brigadas e prestaram o apoio fundamental para a formação de uma base sólida de luta. 

Das entrevistas realizadas a algumas dessas intervenientes resultaram catorze histórias de mulheres de armas, tanto no sentido figurado como no sentido literal do termo. Ficam assim inscritos na memória os importantes testemunhos de quem esteve nas trincheiras de um combate clandestino, contribuindo para construir o puzzle de uma época da história contemporânea portuguesa. 

(Da contracapa do livro)
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Isto vem de muito longe…



A ler: um artigo muito esclarecedor, publicado hoje no jornal «i» -  Poder político. A pressionar jornalistas desde 1974.

Manifesto de apoio ao Syriza



Foi hoje lançado em Portugal, inicialmente por mais de 250 pessoas mas já com outras adesões, mais um manifesto de solidariedade com o povo grego, neste caso de apoio claro e explícito ao Syriza. Quando as sondagens indicam que esta coligação (agora em fase de transformação em partido) pode vencer as eleições do próximo dia 17 de Junho, não devem existir neutralidades nem falas mansas. É tempo de mostrar which side you are.  


Nas eleições do início de Maio, o povo grego rejeitou a política da troika. Desde então, o governo da Alemanha, a Comissão Europeia e o FMI ameaçam a Grécia com a expulsão do euro ou da União. Esta chantagem procura evitar que, no próximo 17 de Junho, vença um governo da esquerda contra a troika. 

A vitória de um governo unitário de esquerda é decisiva para a Grécia, mas abre também caminhos para rejeitar o dogma da austeridade e a tirania da dívida na Europa. 

Apelamos à solidariedade internacional com a democracia na Grécia. Apoiamos a coligação Syriza na luta por um governo que enfrente a catástrofe social e a bancarrota. 

Apoiamos a esquerda grega contra a troika porque também é necessário que a esquerda portuguesa construa caminhos de coerência e alternativas corajosas, fale sem meias palavras e conquiste a maioria.» 


O manifesto pode ser assinado AQUI

 No site onde o texto está alojado, há também informação sobre Sondagens (saiu entretanto uma outra em que o Syriza é dado como vencedor, com 30% dos votos), sobre o próprio Syriza, uma Entrevista a Alexis Tsipras e uma carta deste a Durão Barroso. 
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À Espera de Gustavo



Um texto de Rita Veloso.

Ana Maria estava nervosa. Era dia de o Aurélio voltar para casa e ela aguardava o seu telefonema para lhe dar sinal de que a zona estava segura. Desta vez, não era necessário pendurar panos na janela ou ir marcar árvores pré-estabelecidas. Bastava ele telefonar e ela dir-lhe-ia que o Gustavo viria jantar. Não sei se o jantar da senha tinha data prevista, se bastava isto:

— «O Gustavo vem cá jantar.»

Ana Maria e Aurélio Teixeira de Barros eram os nomes que constavam nos seus BI falsos. Era fácil, na altura, conseguir um BI com uma identidade nova. À volta do Arquivo de Identificação havia sempre gente a quem se podia pagar (dois contos, seria?) para servirem de testemunhas. Bastavam duas pessoas que garantissem que nos chamávamos assim, que tínhamos nascido ali, naquele dia e daqueles pais, que morávamos acolá, que éramos casados. Ana Maria Teixeira de Barros. Muitos anos mais tarde, já depois do 25 de Abril, ainda o meu pai lhe chamava Ana Maria. Dos vários nomes que teve, este foi o que se aguentou mais tempo. Às vezes ouvíamo-lo começar, numa ponta da casa: «Ó, ó, ó...» O hábito era mais forte. Já nem ligávamos, todas sabíamos que era por ela que ele chamava. «Ó...» Ainda hoje, se oiço alguém gritar «Ó...», olho em volta à procura dela. A minha mãe só soube o verdadeiro nome dele em 1969, com a emersão forçada da clandestinidade. Conheceram-se sete anos antes. A casa dela e do marido era uma das muitas casas de apoio do Partido. Deram-lhe guarida. Pouco tempo depois, ela divorciou-se e mergulhou na clandestinidade com aquele homem de quem nem o nome sabia.

— «Tu nasceste na clandestinidade» — explicava-me, quando me contava a minha pré-história, cheia de mudanças de casa, fugas, algumas perseguições. Aos oito anos, fiz uma troca com uma colega da primária: ela ensinava-me o que era uma prostituta, eu ensinava-lhe o que era a clandestinidade. Imensamente esclarecida, fiquei a saber que uma prostituta era uma mulher que se vendia por dinheiro. O que vendia e se haveria outras formas de pagamento, não percebi. A minha colega não ficou melhor. A clandestinidade era o prédio (secreto) onde viviam os comunistas. Tirando aquele complemento circunstancial de lugar — «tu nasceste na clandestinidade» —, nada explica a minha definição. Vivíamos no isolamento quase total, num universo de quatro, como nos desenhos infantis, mamã, papá, eu e a mana, com raríssimas incursões às casas dos vizinhos que partilhavam o famigerado prédio (raríssimas e às escondidas do meu pai, claro está, senão lá teríamos de nos mudar outra vez).

Apaixonaram-se sem ela saber o nome dele nem qualquer pormenor da sua vida que não o ser um clandestino comunista, grande, bruto, mordaz e inteligente, que gostava de Pessoa, e com um olhar incisivo que mostrava que já tinha percebido o que estávamos a sentir ou a pensar, ainda antes de nós nos apercebermos de que sentíamos ou pensávamos fosse o que fosse. Bastou. Quando estava grávida, ele sugeria-lhe nomes para os filhos. Muitas vezes desconfiou de que ele ia buscar aqueles nomes horríveis à família e que pelo meio estaria o dele. É bem possível.

Ficava sempre nervosa nos dias de regresso do Aurélio. Apurava o ouvido, a tentar detectar a motorizada, qualquer barulho inesperado a deixava alerta. Podia vir ele, podia vir a PIDE. Não que achasse que ele vergasse na tortura, mas não era só dele que dependiam... O Verdial tinha sido preso havia uns tempos e uma das casas que denunciou foi a deles. Por sorte, tinham-se mudado uns dias antes, pela simples coincidência de ela se ter cruzado na rua com um antigo controleiro, o que quebrava a segurança da casa. Daquela vez, antes da motorizada tinha de vir o telefonema. E já tardava. Não sabia o que fazer às mãos, tudo lhe caía. Manteve a rotina com as miúdas, refeições, banhos, brincadeiras. Uma com cinco anos, outra com dois e meio, não podia sequer desabafar. Ligou a televisão para se distrair.

Era já de noite e as miúdas dormiam; entretinha-se com uma qualquer tarefa doméstica, quando, numa peça de teatro que passava na televisão, ouviu:

— «O Gustavo não vem.»

Não teve dúvidas sequer. Não era mais supersticiosa do que qualquer um, mas nesse momento soube. Soube que tinha de sair dali e de nos pôr em segurança. No dia seguinte, livrou-se do que pudesse ser comprometedor, emalou o essencial e fomos procurar refúgio na quinta de uns amigos, nos arredores de Lisboa. A mala incluía apenas duas ou três recordações de sete anos em comum: alguns livros do Pessoa e o «Aureliano», do Aragon, onde eu imagino que o meu pai se tenha inspirado para escolher o seu nome falso. Enquanto entrouxou sete anos e nas longas semanas que se seguiram, ouvia permanentemente o Bécaud a cantar-lhe ao ouvido.

«Et maintenant que vais-je faire 
De tout ce temps que sera ma vie 
De tous ces gens qui m'indiffèrent 
Maintenant que tu es partie»

A história deste dia na vida da minha mãe, ouvi dezenas de vezes, a propósito disto ou daquilo. O meu pai nunca nos contou como foi o dia dele. Soube (pela minha mãe? Por amigos dele? Por ele, a contar a amigos? Não sei dizer) que foi preso numa reunião do C.C., juntamente com os «comparsas», e que adormecera pouco depois de chegar à prisão, para frustração da PIDE, amesquinhado que ficou o terror da tortura para que já esfregava as mãos. Um dia encontrei este relato, numa carta escrita em Peniche, no dia em que fez dois anos que foi preso. Infelizmente, o pragmatismo da minha mãe levou-o a reescrever uma carta inicial, sintetizando o dia em sete linhas. A original, mais desenvolvida, deve ter ido parar à lixeira da prisão. Mesmo assim, a sua personalidade analítica e a sua escrita irónica constroem um testemunho que vale a pena. Pelo menos para mim.

«Esta é uma segunda carta. A primeira tenho-a para ali. (...) Já não sei bem como — e não gosto de reler-me — encontrei-me a descrever-te as primeiras horas da manhã deste dia 25 de Maio, mas em 1969; de como as coisas se foram reflectindo na minha cabeça, com uma lucidez, uma calma e também uma coragem de que no próprio momento se vai tendo consciência e espanta; de como as coisas se sucederam, levemente teatrais, às vezes sarcásticas, às vezes violentas, um pouco ridículas como todas estas coisas são, sempre muito tensas, até que – na posição mais incómoda, com espanto geral de todos os comparsas, no auge da tragédia (1.º acto) – adormeci profundamente como um justo. Depois tombara na indesculpável patetice de te contar um pouco destes 730 dias... Reli-me. Ouvi-te a falar-me de retórica, dos disfarces, da autenticidade. Finquei o olhar neste espaço fechado que me cerca e fui concluindo que era forçoso dar-te razão, que nada daquilo te poderia interessar senão muito literariamente (coisa que não sou) e que se impunha para nós ambos escrever-te uma outra carta. É esta.»


(Imagem daqui.)
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24.5.12

A crise da democracia europeia



Grande texto de Amartya Sem no New York Times.

«If proof were needed of the maxim that the road to hell is paved with good intentions, the economic crisis in Europe provides it. The worthy but narrow intentions of the European Union’s policy makers have been inadequate for a sound European economy and have produced instead a world of misery, chaos and confusion. (…) 

An intention that is fine on its own can conflict with a more urgent priority — in this case, the preservation of a democratic Europe that is concerned about societal well-being. (…) 

There is, in fact, plenty of historical evidence that the most effective way to cut deficits is to combine deficit reduction with rapid economic growth, which generates more revenue. The huge deficits after World War II largely disappeared with fast economic growth, and something similar happened during Bill Clinton’s presidency. (…) European countries today are being asked to cut their deficits while remaining trapped in zero or negative economic growth. (…) 

Perhaps the most troubling aspect of Europe’s current malaise is the replacement of democratic commitments by financial dictates (…) 

Europe cannot revive itself without addressing two areas of political legitimacy. First, Europe cannot hand itself over to the unilateral views — or good intentions — of experts without public reasoning and informed consent of its citizens. Given the transparent disdain for the public, it is no surprise that in election after election the public has shown its dissatisfaction by voting out incumbents. 

Second, both democracy and the chance of creating good policy are undermined when ineffective and blatantly unjust policies are dictated by leaders. The obvious failure of the austerity mandates imposed so far has undermined not only public participation — a value in itself — but also the possibility of arriving at a sensible, and sensibly timed, solution. 
 
This is a surely a far cry from the “united democratic Europe” that the pioneers of European unity sought.» 

Na íntegra aqui.
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Satisfação para mentes razoáveis e ajuizadas




Daniel Cohn-Bendit contra o Syriza grego…

Já não pede o impossível, já se foi la plage sous les pavés:  restarão talvez umas ervinhas, verdes como ele – poucas, cada vez menos…

(Vídeo via Luís Branco no Facebook)
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Na Grécia, o povo é quem mais ordena



Carta aberta aos Presidentes do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional
 
Nas eleições de 6 de Maio o povo grego exprimiu democraticamente a sua vontade, manifestando a sua oposição às condições impostas pelo programa de assistência financeira. Essas condições lançaram os gregos no desespero e na miséria. Pela sua brutalidade, as medidas do programa estão a dilacerar a sociedade grega, provocando rupturas incompatíveis com uma recuperação social e económica que salvaguardem padrões de vida aceitáveis para a dignidade de todo o povo. 

Goradas as negociações para a constituição de um governo, os gregos vão regressar às urnas no próximo dia 17 de Junho. Trata-se de uma decisão enquadrada nas regras democráticas daquele país. Porém, está a assistir-se da parte dos mais altos representantes das instâncias internacionais a declarações que em nada facilitam uma solução ajustada à situação que se vive naquele país. Pelo contrário, as tomadas de posição já conhecidas vão no sentido de influenciar e condicionar a liberdade de escolha e decisão dos gregos, ao colocar na agenda política, ao arrepio dos tratados europeus, a sua saída da zona euro com todas as consequências daí decorrentes. 

Por outro lado, no mesmo sentido da consulta eleitoral na Grécia, os resultados das consultas eleitorais realizadas recentemente em França, na Alemanha, em Itália e no Reino Unido deram um sinal inequívoco de que também naqueles países as populações estão a rejeitar as medidas de austeridade que lhes querem impor em nome de um ajustamento orçamental cujos exemplos já conhecidos em nada estão a contribuir para melhorar as economias, nem sequer se revelam úteis para atingir o apregoado objectivo de resolver o problema das suas dívidas públicas. 

Por estas razões, os signatários desta carta aberta entendem que nas actuais circunstâncias se deve expressar todo o apoio e solidariedade ao povo grego, exigindo o cancelamento das medidas de austeridade que lhe foram impostas. Entendem também que os governos europeus não devem poupar esforços junto da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu para serem encontradas soluções que aliviem a tensão vivida em toda a Europa. Exigem, finalmente, que sejam respeitados os resultados das eleições de 17 de Junho enquanto escolha democrática do povo grego. 

Lisboa, 23 de Maio de 2012

ASSINAR AQUI.
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Jantar europeu sobre a Grécia



Portem-se bem, levem o casaco porque está frio, não voltem tarde se querem a semanada? É mais ou menos isto, não é?

P.S. – EU Leaders Send Greek PM Home with A Pat on the Shoulder…
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23.5.12

Bonnie & Clyde



Bonnie Parker e Clyde Barrow morreram em 23 de Maio de 1934. Ela tinha apenas 23 anos, ele 25, mas, apesar de curtas, as suas vidas foram atribuladíssimas, recheadas de assaltos e assassinatos, até que eles próprios foram abatidos numa emboscada, numa estrada deserta, algures no estado da Louisiana – cravados de balas, cerca de cinquenta para cada um, segundo consta. 



Ficaram imortalizados no imaginário da história do crime norte-americano como Bonnie & Clyde e foram trazidos para o nosso por um magnífico filme de Arthur Penn (1967), com «som» de Serge Gainsbourg, e, também, por uma inesquecível balada cantada por Giorgie Fame. 




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Ao centro, volver




«Neste momento, o país não permite mais adiamentos e é preciso tomar decisões." – afirma, tonitruante, o líder parlamentar do Partido Socialista. Eis então a decisão decidida: recomendar ao governo que, se for possível, apresente aos outros governos da UE a proposta de virem a pensar na eventualidade de aprovarem uma adenda ao tratado que impõe a austeridade como política oficial, de modo a que a austeridade se mantenha como regra primeira e clara mas se possa talvez pensar em algumas medidas para a temperar aqui e além com uns pozinhos de crescimento. A direita, claro, acha bem uma tão decidida decisão. Agora é que o coiso se vai resolver! » 
José Manuel Pureza, hoje, no Facebook. 

E eu assino por baixo.
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Imagens da crise


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Sem pressa, nem medo



O último «Prós e Contras», com o apelativo título «Vozes Independentes», foi uma amálgama de grupos e de organizações que falaram em paralelo, sem hipótese de verdadeiro diálogo ou confronto, a tal ponto os objectivos que se propõem são radicalmente diferentes. Mas adiante porque não é isso que aqui me traz. 

No excerto mostrado no vídeo, e embora as declarações do Tiago Castelhano sejam importantes, o que me interessa é realçar a curta intervenção de António Dores – um «perigoso» investigador do ISCTE, que conheço, nem jovem, nem mal cheiroso, sem rastas nem tatuagens visíveis (a partir do minuto 3:18). 



Quem quiser perceber um pouco o fenómeno dos chamados « movimentos sociais» terá vantagem em ouvi-lo – concorde ou não. 
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Enquanto a ERC vai e vem



… folgam muitas costas. E, oxalá me engane, continuarão a folgar porque suspeito, desde a primeira hora, que nada será dado como provado. Mas repito: talvez…, quem sabe…, por uma vez…, já que a esperança é a última a morrer mesmo quando a fé vacila. 

Convém no entanto manter a chama viva sobre o caso Relvas, antes que outros acontecimentos mais ou menos picantes o arrumem numa prateleira. 

José Vítor Malheiros, no Público de ontem (sem link, mas já divulgado aqui.) 

«Não se trata de surpresa pelas acusações mas de surpresa (e de tristeza) pela ausência de surpresa. Ausência de surpresa no meio político, no meio jornalístico e até ausência de surpresa nos cafés e na rua. Que estas acusações apenas tenham conseguido suscitar vagos comentários dubitativos por parte de correligionários de Miguel Relvas, que sabemos obrigados por razões de lealdade partidária, diz muito sobre a estatura moral das pessoas a quem se confiou o Governo deste país. Mais: se alguém tivesse feito um inflamado discurso de defesa de Miguel Relvas - que outras personalidades, se tivessem sido acusadas da mesma coisa, poderiam ter suscitado - penso que o resultado seria, igualmente, uma sonora gargalhada do Minho aos Açores. (…) 

A minha segunda tristeza diz respeito à “comunicação” feita por Relvas à Entidade Reguladora da Comunicação, que já anunciou a sua intenção de proceder a uma averiguação. Imagine mais uma vez, caro leitor, que ainda está na pele de Relvas e que - faça um esforço - não cometeu nenhum dos actos de que os jornalistas deste jornal o acusam. Qual é o seu primeiro gesto de defesa? Queixar-se à ERC de que uma jornalista do Público faz “jornalismo interpretativo”? Calar-se perante as câmaras de TV? Não explicar sequer por que razão pediu desculpa à direcção do Público? Ou quereria explicar preto no branco cada um dos seus gestos, cada uma das suas palavras e indignar-se pela descabida acusação? Não quereria que fossem investigadas as críticas que lhe fazem? Não quereria contrapor a sua verdade à versão de quem o acusa? Pareceria normal, não é? Em teoria, Relvas pode estar inocente daquilo de que o acusam. Mas a sua atitude não reforça essa convicção. » 


E já que, antes da esperança, a penúltima coisa a morrer deve ser o sentido de humor, Manuel António Pina, ontem, no JN

«Um jornalista com vida privada está sempre exposto a que um político, designadamente um governante, o ameace de a revelar publicamente. Eu, por exemplo, deixaria de escrever a maior parte destas crónicas se um governante me ameaçasse que, caso continuasse a fazê-lo, revelaria publicamente que ando com buracos nas meias, coisa que hoje já todo o Governo deve saber pois falei disso ao telemóvel com a minha empregada e o SIS está, como se sabe, na dependência directa do primeiro-ministro.» 

Assim vamos…
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22.5.12

O desemprego tem rosto



Novo blogue do Público.

Projecto fotográfico iniciado em 1 de Maio, com duração prevista de 365 dias, e que tem o objectivo de mostrar 365 rostos. «Com dignidade. Uma pessoa por dia.»
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Talvez um pouco básico, mas útil



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Carta aberta a Mariano Rajoy



… por Aarón Reyes Domínguez.

Corre pela blogosfera espanhola desde há um mês. Alguém, por cá, disposto a plagiar / adaptar?...


El Presidente del País de los Horrores

Querido señor Presidente: es usted un hijo de puta. Usted y sus ministros. Se lo digo así, de entrada, porque sé que nunca va a leerme, como nunca lee usted libros, ni nada más que periódicos deportivos como usted mismo ha confirmado, jactándose, como buen español de ser un ignorante. No se engañe, por eso lo han votado tanta gente. Perdonen los demás el exabrupto, pero es que está demostrado que somos lo que nuestros padres nos han educado, y si usted y sus ministros son como son, es porque sus madres muy bien no lo han hecho. A pesar de los colegios de pago, de pertenecer a la oligarquía de épocas dictatoriales, etc.

Verá usted, señor presidente. Lo que más me molesta no es que usted sea un bastardo malnacido, sino un ignorante, y sobre todo un mentiroso. Se presentó a unas elecciones diciendo que no haría cosas que ahora hace. Dijo hace tiempo que la posibilidad de una amnistía fiscal le parecía injusta y absurda, y no ha tardado ni tres meses en recurrir a esta medida de forma injusta y absurda, como señala el diputado de IU Alberto Garzón al que usted y sus secuaces ningunean como a cualquier otro que no sea seguidor suyo. Ésa es la democracia que ustedes entienden, ignorar a los representantes de la ciudadanía que no les afín. Usted dijo que la Sanidad y la Educación no se tocaban, y la han tocado pero bien. A la banca nada, y eso que los grandes expertos en economía señalan que, o le metemos mano a sus amigos de las finanzas, o nos vamos a pique.

Le voy a explicar unas cuantas cosas dado que usted es un ignorante que lee prensa deportiva en lugar de libros de historia, economía o política. Durante los años 20 hubo gente que tuvo la genial idea de crecer mucho, por encima de sus posibilidades como ahora tienen ustedes tan de moda decirnos. Tanto que incluso a Churchill, para salir de la situación de postguerra, se le ocurrió revalorizar la libra, lo que trajo bajada de sueldos y aumento de las horas de trabajo. No sólo no se creció por encima de lo esperado sino que destruyó la posibilidad de crear un modelo sostenible de crecimiento basado en el consumo, lo que permite terciarizar una economía y hacerla verdaderamente competitiva. Eso es ser un país desarrollado y no ganar mundiales de fútbol. Cuando llegó la crisis del 29 y la posterior recesión mundial en los 30, en un país tan poco sospechoso de socialista, comunista o lo que ustedes quieran, como EEUU, decidieron adoptar una cosa llamada New Deal, que consistió, entre otras cosas, en subir los sueldos y bajar las horas de trabajo. Como consecuencia, había más puestos de trabajo para cubrir esas horas de menos, y los que salían de su trabajo lo invertían en consumo, lo que reactivó la economía y permitió al país dar un definitivo empujón hacia arriba para salir victorioso de una Guerra Mundial que libró en tres continentes.

Por si usted no lo sabe, las medidas que está ejecutando han conseguido lo contrario. Hablo en pasado porque tal vez no lo sepa, pero no hay nada nuevo en los famosos "recortes". Argentina, Chile, Polonia, Rusia y así hasta un largo etc de países engrosan una horrible lista de fracasos de las políticas neoliberales de Milton Friedman y el Consenso de Washington que desde los 70 llevan intentando hacernos creer que sumergir a un país en el shock económico es una salida a la crisis. Jamás las medidas de la Escuela de Chicago han funcionado. Jamás un país ha salido de la crisis de esa forma. Jamás una sociedad se ha beneficiado de ello. Por el contrario, ha generado suicidios, deterioro del Estado del Bienestar (que ustedes insisten en decir que se ha terminado mientras vemos cómo crece y se desarrolla en otros países de nuestro entorno) y ha destruido el futuro de numerosas generaciones.

Usted miente, señor Presidente, y es sumamente peligroso. Porque el anterior era un inútil, pero usted es un pirómano en mitad de un incendio. El otro creía vivir en el País de las Maravillas y usted nos está sumiendo en el País de los Horrores. Toda política fiscal que no se base en la generación de riqueza, toda medida relativa al empresariado que no atienda prioritariamente a las empresas que cotizan más del 60% de sus ganancias en forma de sueldos e impuestos en España (y no Repsol, que solamente invierte un 20% y ahora la defienden como española; hay empresas extranjeras que reparten más beneficios al conjunto del país), todo lo que no sea alumbrar un futuro basado en la investigación y no en el trabajo precario, es destruir el futuro del país. A usted y sus secuaces se les llena la boca diciendo que hay que fomentar el emprendedorismo, y en lugar de ello desarrollan un plan basándose en los ideales especulativos de los dirigentes de la CEOE cuyo historial de empresas arruinadas por la especulación de la que ellos salen indemnes mientras el Estado se hace cargo de los parados que dejan es absolutamente bochornosa. Eliminan de todo plan de emprendedores la posibilidad del emprendedor social y generan únicamente una nueva casta de tiburones amparados en una reforma laboral neofeudal.

Ustedes se olvidan que los países desarrollados como EEUU, Alemania, Francia, etc., invierten entre el 2’6 y el 3’4% del PIB en I+D+I. España no sólo necesita un esfuerzo superior (en torno al 6%) para ponerse a su altura sino que ustedes nos bajan la inversión del 1’3% al 0’9%. Para entendernos, usted que sólo lee sobre deportes, es la diferencia entre inventar un coche, y fabricarlo. Quien lo inventa tiene los beneficios de todos y cada uno de los coches que se venden. Quien lo fabrica sólo de las unidades que salen de su fabrica. ¿Dónde se inventan los coches? En Alemania, por citar un caso. ¿Dónde se fabrican? En España, Polonia o Rumania. Es evidente de quiénes estamos más cerca, pues. Al darle el hachazo que usted le ha dado a la investigación nos condena a ser un país de camareros, portaequipajes, y por supuesto de trabajadores poco o nada cualificados que trabajemos para empresas extranjeras a sueldos miserables mientras tenemos la moneda de los países con mejor calidad de vida. Si seguimos en el euro es para vivir como ellos, no para que ustedes nos hagan vivir como en Botsuana con precios de París.

Usted nos está suicidando económicamente. Tal vez no sepa quién es Paul Kruggman, pero es Premio Nobel de Economía. Para él es evidente que usted nos miente o no quiere darse cuenta de que no estamos ni siquiera en recesión, sino en fase de depresión, y sus medidas nos hunden cada vez más. Ha aceptado ser el banco de pruebas del FMI, cuyas medidas ya arruinaron a varios países, pregunte si no por Grecia o Italia donde están fracasando estrepitosamente. Usted no le dice a la gente que estamos metidos en una III Guerra Mundial cuyas armas no son de fuego, sino que tienen a forma de experimentos socio-económicos, donde los tanques son agencias de calificación de la deuda, donde los países utilizan a los ciudadanos para intereses ajenos a estos, y donde, al final, la gente está muriendo y sufriendo, como en cualquier guerra. Usted nos dice que es bueno meter a cuarenta alumnos por clase, que es bueno que haya menos profesores, menos médicos, menos atención sanitaria, y a veces pienso que simplemente usted es gilipollas, que no puede ser que actúe con maldad. Y créame, lo sigo pensando. Los malos seguramente son otros, usted no tiene la inteligencia suficiente para darse cuenta de todo eso. Sí la tiene, en cambio, para saber que todo esto puede traer revueltas sociales, agitación en la calle. Por eso va a aprobar una medida por la cual será terrorismo y condena criminal resistirse a la voluntad del Gobierno expresada en sus brazos de coerción, es decir, al policía. Como yo le estoy diciendo esto, seguramente me acusará de terrorismo por incitar a la gente a decirle a usted las verdades a la cara.

Señor Presidente, usted no quiere decirlo porque la Führer Merkel le amenaza desde el IV Reich que se ha instalado. No es una exageración, oiga, que lo dice hasta el Financial Times que como todo el mundo sabe es muy de izquierdas sin duda. Estamos metidos en mitad de una III Guerra Mundial, vuelvo a repetírselo, y no es una idea únicamente mía, sino de gente de esa que ha estudiado, tiene doctorados, ha dado clase en varias universidades, ha viajado por el mundo, ha leído mucho, mucho, habla varios idiomas, ha vivido diferentes procesos de crisis y recuperación, y a algunos también les gustan los deportes. Pero también ven que ustedes nos metieron una primera fase de Movimientos Financieros que ahogaron nuestra economía y ahora nos meten en una fase de Posiciones para hundirnos en el shock, en el miedo, en la angustia.

Solo le deseo que si algún día la sociedad se rebela, salimos a la calle, tomamos los poderes públicos, proclamamos una Asamblea Constituyente, convocamos un referéndum sobre la forma de Estado, disolvemos los partidos actuales y los obligamos a refundarse en partidos que atiendan a las ideologías políticas y no a las económicas, establecemos un sistema de elecciones realmente democráticas, nos salimos de la moneda alemana (llamada también euro) y establecemos pactos bilaterales con los países importantes, invertimos en educación e investigación. Si todo eso pasa y empieza con una mecha que la sociedad enciende. Si pasa y asaltamos su palacete en la Moncloa, ojalá usted esté ya camino del exilio en Berlín.

O lo va a pasar mal. Muy mal.

(Os realces são meus.)
 
(Fonte)
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Virtudes públicas, vícios privados



Ou vícios públicos, virtudes privadas, conforme o lado da barricada em que se esteja relativamente ao famigerado AO. 


Apesar de saber que Timor já ratificou o Acordo, fiquei a pensar como este deve ser decisivo para o futuro daquele país, ao ponto de levar Cavaco a elogiar a existência, na Feira, de alguns livros que já o seguem. (Gostava de ser mosca para ver o que se passa nas escolas timorenses, com manuais já com alguns anos, enviados de Portugal…) 

Para além de uma dúvida metafísica que se instalou: «o primeiro Dicionário de Malaio/Indonésio-Português» ontem lançado, respeita ou não respeita o AO? 
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21.5.12

E ainda se queixam?!!!



Mestrado, etc., etc.
500 Euros / mês 
10h trabalho / dia 

(Via Rafael Fortes no Facebook) .

Se os gregos votarem em Tsipras



No (insuspeito) Der Spiegel de hoje, mais um importante artigo sobre a Grécia: Why Greeks Will Vote for Tsipras

Não me parece que tenham sido divulgadas hoje novas sondagens na Grécia, as conhecidas até ontem mantinham tudo em aberto quanto ao vencedor das próximas eleições de 17 de Junho, mas a autora deste texto aposta na probabilidade de ser ao Syriza a vencê-las e explica porquê. 

Os gregos desprezam os políticos que têm representado o sistema e estarão dispostos a apostar em quem promete libertá-los do tipo de austeridade a que têm estado sujeitos mantendo-os no euro, mesmo sem conhecerem exactamente os planos do Syriza para o conseguir. 

Consideram que não lhes é dada outra escolha, em 17 de Junho, que não seja a de manterem uma atitude de recusa e de protesto, já que, em alternativa, só lhes restaria votar nos que os levaram à situação miserável em que se encontram – o PASOK e a Nova Democracia. E a alegada recente proposta de Merkel, no sentido de ser feito um referendo sobre o desejo de permanência no euro, só terá reforçado o sentimento de revolta: os gregos perceberam que a chanceler trata a Grécia como um protectorado. 

Entrevistado pela jornalista, Giannis Dragasakis, de 64 anos, membro do Syryza, tem uma posição mais moderada que Tsipras e não está totalmente optimista quanto à possibilidade da organização a que pertence cumprir o que promete. Mas insiste na impossibilidade de a Grécia pagar inteiramente a dívida («a montanha é demasiado grande») e na urgência de ser definido um roadmap que inclua crescimento. 

Mas se o Syriza vencer as eleições, conclui, os europeus terão de aceitar o facto consumado e reconhecer que uma nova geração – a de Tsipras – quebrou o velho sistema e pegou nas rédeas do país. 
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Foi com esta que chegaram cá




… pelo menos para mim..

A propósito desta notícia.

Mais:


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Uma semana de Maio



A cónica de Ferreira Fernandes, hoje, no DN, é magnífica. A semana que passou, de fio a pavio, com um sentido de humor notável.  


Frase a frase a semana toda

O Sporting ganhar alguma coisa era uma hipótese meramente académica. Nunca um Presidente americano fez tanto pelos europeus: Obama assistiu ao desempate a penáltis num jogo de soccer. Paradoxo é uma palavra inventada para tapar um esquecimento, coiso, fazer-nos logo lembrar o nome de um ministro. Quem vai sair primeiro do Euro: Paulo Bento ou Vítor Gaspar? História repetir-se é a Grécia ficar em primeiro num campeonato europeu (o da saída do euro) e nós em segundo. Conhecem coisa mais badalada que os nossos serviços secretos? Os superespiões de todo o mundo assassinam, primeiro, e escondem as pistas, a seguir; por cá anunciam sopapos no Facebook e depois não dão. Hollande defende o crescimento, o que é natural em alguém com nome de país baixo. Enquanto pedia a demissão de Miguel Relvas, a oposição tremia toda: no desemprego, ele ia ficar ainda com mais oportunidades. Grande industrial, Tomé Feteira deve a sua fortuna à "Empresa de Limas Tomé Feteira", o que não quer dizer que todos os seus próximos tenham tido a mesma sorte com essa ferramenta. Os nossos bancos não querem ser como os gregos, o nosso Governo não quer estar como o grego, os portugueses não querem ser gregos, excepto o Bloco de Esquerda, para o qual ser grego era a cereja em cima do bolo. O dono de um café de Faro, para combater a crise, cobra 50 cêntimos por copo de água da torneira e ainda não percebeu que o copo vai ficar-lhe meio vazio.
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20.5.12

Os Arautos da Boa Nova



Este texto da Rita Veloso foi por ela publicado no Facebook e é hoje divulgado também aqui. 

Na Quinta-Feira de Ascensão anunciaram-nos que vem aí a salvação da esquerda

Chegaram finalmente os messias que nos irão ajudar a purificar a alma e conduzir ao reino da plenitude democrática, de igual para igual com os nossos irmãos, sem inflexibilidades nem divisões. 

Para conseguirmos a redenção, a nós, ovelhas tresmalhadas, basta-nos começar pelo clássico acto de contrição. Temos vivido nos pecados da moleza e da inconsequência, idolatrando bezerros de oiro dogmáticos ou feudalistas e, inocentes que fomos, nem nos apercebemos de que nos afastámos da verdade e nos deixámos cair em tentação. Agora que nos mostram o caminho, batemos no peito e juramos renunciar à cobardia e ao sectarismo. Morremos com o pecado e renascemos com a salvação. 

Os nossos messias irão mostrar-nos onde falhámos e corrigir-nos os desvios da fé. Com eles, a esquerda libertar-se-á das rivalidades e, unida, chegará à Terra Prometida, e tão merecida, do pensamento único mas não dogmático. A doutrinação começa já no dia 2 de junho, numa sessão onde seremos guiados na leitura dos evangelhos e, num debate plural, falaremos a uma voz. 

Em uníssono, derrubaremos finalmente o mal da face da Terra. 
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Nem sei o que diga…



Emmanuelle Riva e Jean-Loius Trintignant no Festival de Cannes.




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Noé bem tenta escapar...


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Grécia: G8 dixit



Sem surpresa, ontem, em Camp David, os membros do G8 sublinharam a «importância de manter a Grécia numa zona euro forte e coesa» («enquanto cumpra os seus compromissos«) (*). 

Pode parecer tratar-se de uma simples declaração de circunstância, mas não o creio. Cada vez é mais evidente que ninguém (nem sequer a senhora Merkel…) quer uma Europa sem a Grécia. Não por filantropia nem por solidariedade, mas para não a entregar de mão beijada à Turquia – e, ainda menos, à Rússia – com todas consequências, não só económicas mas geoestratégicas. Ingénuos não somos… 

Mas as pressões continuarão, e a chantagem também, para que os gregos ressuscitem a coligação dos partidos de centro e garantam a inviolabilidade do Memorando. O que acabará, ou não, por acontecer. Três sondagens, ontem divulgadas, aí estão para mostrar que tudo está ainda em aberto. 

Percentagens dos partidos mais votados (sem indicação dos outros, dos indecisos e da abstenção declarada): 

Syriza 28%, ND 24%, Pasok 15%, Independent Greeks 8%, Democratic Left 7%, KKE 5%, GolDawn 4,5% 

ND 24.4%, Syriza 23.8%, Pasok 14.5%, Independent Greeks 8.5%, KKE 5.9%, Golden Dawn 5.8%, Democratic Left 6.9% 

ND 23.1%, Syriza 21.4%, Pasok 13.5%, Independent Greeks 7.3%, KKE 5.2%, Golden Dawn 5.2%, Democratic Left 6% 

Ainda faltam quatro semanas para as eleições!... 

5. We welcome the ongoing discussion in Europe on how to generate growth, while maintaining a firm commitment to implement fiscal consolidation to be assessed on a structural basis. We agree on the importance of a strong and cohesive Eurozone for global stability and recovery, and we affirm our interest in Greece remaining in the Eurozone while respecting its commitments. We all have an interest in the success of specific measures to strengthen the resilience of the Eurozone and growth in Europe. We support Euro Area Leaders’ resolve to address the strains in the Eurozone in a credible and timely manner and in a manner that fosters confidence, stability and growth. 
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