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16.6.12

Ήρθε η ώρα της Αριστεράς


= É a hora da esquerda 


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Pete Seeger



Para quem gosta de Pete Seeger, e quer saber um pouco mais sobre a vida deste grande senhor, de 93 anos, que vai publicar em breve um novo disco com alguns temas inéditos, aconselho a leitura de uma longa entrevista publicada hoje no Babelia de El País.

Diz que a sua longevidade talvez se deva ao facto de nunca ter lidado com álcool, tabaco e drogas, vive no Vale do Hudson, a Norte de Nova Iorque, com a mulher com quem partilha a vida há 69 anos, dois gatos e um cão e ainda corta lenha quando as costas o permitem.

Isto e muito mais sobre a sua vida de cantor e as várias gerações que por ela passaram em: La vida en un puñado de versos.

E duas canções muito, muito batidas, mas que continuam a ser das minhas preferidas:




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Aung – A entrega do Nobel, 21 anos atrasada [Actualizado]



Aung San Suu Kyi recebeu esta manhã, em Oslo, o Prémio Nobel da Paz, que lhe foi atribuído em 1991. 

Falou da importância que essa atribuição teve: ajudou-a a voltar à realidade e tirou Mianmar do esquecimento, devolveu-a «ao resto da humanidade», «atraiu a atenção do mundo para a luta pela democracia e pelos direitos humanos em Mianmar». 

Um dia destes, um ano destes, veremos certamente, em Oslo, o chinês Liu Xiaobo, também proibido de sair do seu país para ir à Noruega receber o Nobel da Paz, que lhe foi atribuído em 2010


Esta manhã, Aung proferiu o habitual discurso oficial, para já apenas disponível em norueguês e inglês: 

Nobel Lecture by Aung San Suu Kyi, Oslo, 16 June, 2012 

Your Majesties, Your Royal Highness, Excellencies, Distinguished members of the Norwegian Nobel Committee, Dear Friends, 

Long years ago, sometimes it seems many lives ago, I was at Oxford listening to the radio programme Desert Island Discs with my young son Alexander. It was a well-known programme (for all I know it still continues) on which famous people from all walks of life were invited to talk about the eight discs, the one book beside the bible and the complete works of Shakespeare, and the one luxury item they would wish to have with them were they to be marooned on a desert island. At the end of the programme, which we had both enjoyed, Alexander asked me if I thought I might ever be invited to speak on Desert Island Discs. “Why not?” I responded lightly. Since he knew that in general only celebrities took part in the programme he proceeded to ask, with genuine interest, for what reason I thought I might be invited. I considered this for a moment and then answered: “Perhaps because I’d have won the Nobel Prize for literature,” and we both laughed. The prospect seemed pleasant but hardly probable. 

(I cannot now remember why I gave that answer, perhaps because I had recently read a book by a Nobel Laureate or perhaps because the Desert Island celebrity of that day had been a famous writer.)


O vídeo oficial com a cerimónia desta manhã:


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Olhar para a Argentina



Quando se fala em países intervencionados pelo FMI, é inevitável que se fale do caso argentino. Recentemente, a nacionalização parcial da Repsol trouxe-o, de novo, para as primeiras páginas dos jornais. Vale a pena ler Em Le Monde Diplomatique (ed. Portuguesa) deste mês, este texto de Serge Halimi
  
A nova situação

A mudança é agora… Encorajado pela sua vitória eleitoral, o chefe do Estado impõe a sua vontade ao governador do Banco Central, institui um controlo dos câmbios e anuncia que vai nacionalizar um sector-chave da economia vendido ao desbarato ao sector privado treze anos antes. Dois membros do governo, nomeados por decreto para dirigirem a grande empresa que voltou a ser pública, expulsam de imediato os ex-patrões. A Comissão Europeia, mas também o Wall Street Journal e o Financial Times («um acto mesquinho de pirataria económica»), dão largas à sua fúria. O semanário The Economist chega mesmo a recomendar que o país «pirata» seja excluído do G20 e que os seus cidadãos (que votaram mal) deixem de poder deslocar-se ao estrangeiro sem um visto.

O Estado em causa não se situa no Velho Continente. É a Argentina. «Somos o único país da América Latina, e direi mesmo do mundo, que não controla os seus recursos naturais», justificou-se a presidente Cristina Kirchner, a 16 de Abril passado, na altura em que nacionalizou a maior parte dos haveres da multinacional espanhola Repsol, até então accionista maioritária da companhia petrolífera argentina YPF. A propriedade pública dos recursos estratégicos é menos universal do que Cristina Kirchner sugere – a Total, a BP, a Exxon, etc. são empresas privadas –, mas remete para outras lutas: a nacionalização da Anglo-Iranian Oil Company por Mohammad Mossadegh no Irão em 1951, a do Canal de Suez por Gamal Abdel Nasser no Egipto em 1956, a dos activos argelinos da Elf e da Total por Houari Boumediene em 1971, o sequestro da empresa Iukos por Vladimir Putin na Rússia a partir de 2003. Sem esquecer, na mesma altura, na Venezuela, o controlo da Petróleos de Venezuela (PDVSA) por Hugo Chávez.

O governo de Buenos Aires censura os antigos proprietários da YPF por terem distribuído aos accionistas 90% dos lucros obtidos pela empresa. Por falta de investimentos, a produção nacional de petróleo baixou 20% desde 2004 e as importações energéticas aumentaram vinte vezes. Situação tanto mais deplorável quanto a Argentina, instruída por uma experiência dolorosa, já não quer depender de credores estrangeiros (e ainda menos do Fundo Monetário Internacional) para equilibrar as suas contas.

A audácia do governo argentino, bem acolhida pelo seu povo, está a valer-lhe pedidos de indemnização extravagantes, ameaças de boicote comercial e as mais sombrias profecias. Mas Buenos Aires lembra-se dos profetas de mau agouro. Em 2001, quando a Argentina, exangue, deixou de pagar a sua dívida e a seguir desvalorizou a sua moeda, predisseram-lhe uma crise da balança de pagamentos e a falência económica (1). Desde então, as suas contas externas passaram a ser excedentárias, a sua produção aumentou 90%, o desemprego e a pobreza diminuíram (2). Em vez de se solidarizar com os accionistas da multinacional espanhola, a Europa teria vantagem em inspirar-se no voluntarismo político argentino. (Realce meu)

NOTAS

(1) Ler Maurice Lemoine, «Face aos credores, atrevimento argentino e timidez grega», Le Monde diplomatique – edição portuguesa, Abril de 2012.
(2)  Ler Mark Weisbrot, «Argentina’s Critics are Wrong Again about Renationalizing Oil», The Guardian, Londres, 18 de Abril de 2012.
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Amanhã



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15.6.12

O mundo contra o Syriza



A edição alemã do Financial Times traduziu e publicou EM GREGO um texto em que faz apelo ao voto na «Nova Democracia», contra o Syriza. 

Pode ser «visto» aqui. Reacção grega e alguns excertos em inglês aqui e aqui

Ainda há almas chocadas com este nível de pressão, mas não é o meu caso. Pelo menos ficamos a saber, cada vez melhor, com o que contamos: é este o tipo de democracia que ainda (ou que já não) temos. 
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Para a agenda: Terreiro do Paço, 16 de Junho



Amanhã, toda a gente vai falar do assunto, mas eu aviso de véspera. 

Se ainda se lembra da Avenida da Liberdade em 2011, prepare-se psicologicamente para os três compromissos que o Continente vai cumprir com o seu mega piquenique, amanhã, no Terreiro do Paço em Lisboa – «enaltecer os valores da cultura tradicional, celebrar a produção nacional e o orgulho em ser português» –, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, da CAP e da RTP. 

Não faltaram as habituais reclamações, mas couves, porcos e Tony Carreira lá estarão e Sá Fernandes agradece os 40.000 euros que a organização dará para participar no restauro da estátua de D. José. 

Os condicionamentos de trânsito já começaram e vão até 2ª feira, mas who cares?... Só lá vai quem quiser, há mais canais de televisão para além do de serviço público e o «orgulho de ser português» agradece. Obviamente. 


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Não foi há muito tempo


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E a Primavera deu este triste Verão

14.6.12

Espelho meu...


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Resgate suave, moeda falsa



«Os mercados demoraram apenas quatro horas a perceber que o "resgate leve" da banca espanhola era mais uma moeda falsa posta em circulação pela comissão liquidatária que governa os destinos da UE.»

P.S. – Hoje: Juros de Espanha oscilam nos 7%

Última hora: Cascais - DGS acaba de percorrer todas as casas da Quinta da Marinha



… onde existem crianças com menos de 4 anos, para «melhorar a prevenção de acidentes domésticos».

Vão começar por aí, certo? Ou pela Cova da Moura? É só para perceber.
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PPP Saúde | Público-Privado: que Parcerias?


No próximo sábado, dia 16, a IAC organiza mais um debate / sessão pública em Lisboa, dedicado às parcerias público-privadas, com alguns especialistas e participantes nas PPP:
  • Bruno Maia: Médico no Centro Hospitalar de Lisboa Central, Grupo Técnico da Auditoria Cidadã 
  • Mário Neves: Vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos 
  • Romana Borja-Santos: Jornalista do Público 
  • José Boquinhas: Antigo Secretário de Estado da Saúde, Administrador HPP Saúde
Será na Biblioteca Museu República e Resistência, na Rua Alberto de Sousa, 10A (Rego). Metro Cidade Universitária / Entrecampos; Autocarros: 31, 34, 54, 756, 768.

Desde o mais antigo Hospital Amadora-Sintra até ao Hospital de Loures, passando pelo conturbado Hospital de Braga, a polémica nunca esteve afastada do investimento através de contractos de PPP com o grupo Mello Saúde, Hospitais Privados de Portugal (HPP Saúde) e BES Saúde.As opiniões dividem-se, em altura de particular escrutínio das contas públicas e do tipo de investimento seguido nas últimas décadas. 

A Iniciativa para uma Auditoria Cidadã apresentará neste evento alguns dos resultados alcançados até agora no processo de escrutínio cidadão e democrático das contas e contractos de parcerias público-privadas na Saúde em Portugal. 

(Daqui.)
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13.6.12

Athina




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Cartoon



Já publiquei neste blogue muitos «bonecos» da talentosíssima Gui Castro Felga, mas este não é apenas mais um: é o primeiro que ela enviou a «The Cartoon Movement», depois de ter sido aceite como colaboradora free lancer

A sua publicação depende do número de votos que o desenho receber no site do Movimento. Qualquer pessoa pode votar AQUI, sendo necessário um Registo simples (atenção porque o Username é recusado se contiver maiúsculas, caracteres especiais ou espaços). A Gui merece...
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Lenha para a fogueira grega



A frase que Angela Merkel disse ontem, numa reunião de democratas cristãos em Berlim, e que irritou os gregos:  


Reacções em cadeia: Merkel quer impor à Grécia um castigo exemplar para dissuadir outros países de quebrarem as regras, «trata-nos como ratos de laboratório». Mas «as experiências com ratos falham por vezes, quando estes são incapazes de sobreviver às tentativas indignas do cientista louco…» 

A cinco dias das eleições…
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Próximo utente



«Itália não precisa nem vai precisar de ajuda» 

Já parece anedota!...

Os historiadores desta década terão a vida facilitada: as peças do puzzle são todas muito diferentes e há algumas muito maiores do que outras (quem gosta de puzzles sabe que se trata de uma grande ajuda), mas encaixam facilmente para reconstituir a paisagem.
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12.6.12

Sabedoria popular



Este ano, a sardinha está óptima (confirmo...), mas...

«Está mais carinha e há muito menos (…). Os clientes querem pouco mas bom e eu acho bem, que a gente p’ra mal já está co’a troika!» 

No Mercado do Bolhão, ouvido aqui
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Falta um minuto para a meia-noite na Europa?



Texto duríssimo publicado hoje em Der Spiegel: This Time, Europe Really Is on the Brink.  

«A União Europeia foi criada para evitar a repetição dos desastres da década de 1930, mas a Alemanha, mais do que todos os outros países, não foi capaz de aprender com a História. À medida que se agrava a crise do euro, Berlim devia lembrar-se de como a crise bancária de 1931 contribuiu para o colapso da democracia em toda a Europa. É urgente tomar medidas para evitar que a história se repita.

Falta um minuto para a meia-noite na Europa? 

O fracasso da opinião pública alemã em entender o péssimo estado de coisas na Europa de hoje é um convite para a repetição da crise de meados do século 20, quando a integração europeia foi concebida precisamente para a evitar.» 

Continuar a ler AQUI o artigo que tem duas longas partes.
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Grécia: números que falam



«Es cierto que Grecia tenía un déficit elevado (-6,7% del PIB) y una deuda pública también elevada (105,4% del PIB) cuando la crisis empezó. Ahora bien, la aplicación de aquellas políticas de austeridad empeoró enormemente su situación, acentuando la recesión y con ello la entrada de ingresos al Estado. Como consecuencia, su déficit público aumentó a un -7,2% del PIB (año 2012) y su deuda pública se disparó, alcanzando el 153,2% del PIB. Tales políticas de austeridad disminuyeron su PIB un 15,8%, alcanzando un 21,7% su tasa de desempleo. Su salario mínimo ha disminuido un 20% (un 32% para los jóvenes de menos de 25 años), con gran reducción de gasto y empleo público (150.000 empleados públicos), y descenso muy significativo de la población ocupada, siendo en 2011 sólo un 43,8% de la población adulta (en 2007 era de un 50%). Los costes humanos de esta situación quedan reflejados en el dramático aumento de los suicidios (un 40% en 2011, sobre las cifras del 2010, según la revista médica Lancet).» 

Na íntegra aqui.

A ler: Presentation of the program of SYRIZA-EKM (12/6/2012)
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Declaração de Amor à Língua Portuguesa



A escritora Teolinda Gersão publicou ontem este texto no Facebook. Parar para ler, sff. 

«Tempo de exames no secundário, os meus netos pedem-me ajuda para estudar português. Divertimo-nos imenso, confesso. E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas, mas as ideias são todas deles. Aqui ficam, e espero que vocês também se divirtam. E depois de rirmos espero que nós, adultos, façamos alguma coisa para libertar as crianças disto.  


Redacção – Declaração de Amor à Língua Portuguesa 

Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito.”O Quim está na retrete” : “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo. 

No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um “complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo “complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum,o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento,e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente. 

No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa. 

No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela,subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço? 

A professora também anda aflita. Pelo vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português,que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo,o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer, dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.) 

Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou : a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens,ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero. E pronto, que se lixe, acabei a redacção - agora parece que se escreve redação.O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.
E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me pe.rguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito. 

João Abelhudo, 8º ano, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática.»
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Sobre a Síria – sem simplismos


José Manuel Pureza, entrevistado no Brasil:



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11.6.12

Festas de Lisboa?



Foram inauguradas por Carmona em 1 de Junho de 1935.

O «Consórcio Português de Conservas de Sardinha» distribuiu gratuitamente produtos do seu fabrico na Feira da Praça do Comércio.

(Daqui, onde há muito mais informação.)
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ET phone home



Eis uma efeméride que refiro com prazer e que não exige grandes explicações: «E.T.», de Steven Spielberg, estreou, nos Estados Unidos, exactamente há 30 anos, em 11 de Junho de 1982. 

Ignorava que tinha sido inicialmente «concebido como um filme de terror» em que «o inocente E.T., longe de se esconder em armários e fugir da Polícia numa cesta de bicicleta, aterrorizava uma família juntamente com um grupo de seres de sua espécie perdidos na Terra» e que «o seu dedo luminoso, em vez de ter propriedades curativas, podia acabar com a vida daquilo que tocava». 

O novo roteiro foi rejeitado pelos estúdios Columbia Pictures, que consideraram «não haver público para esse tipo de filmes», decisão que lamentariam mais tarde, obviamente, depois do sucesso registado pelos Universal Studios…  

(Fonte)
 


Toda a gente mente



Grande texto de Pedro Santos Guerreiro:

«A crise é bancária. Metastizou-se em crise soberana. E ambas são suportadas pelos "europeus". Por nós. Só numa democracia doente é que mentir a instituições europeias, como na Grécia, é mais grave que mentir ao povo, como em Espanha. A banca será ajudada. E nós, que lhes dizemos? Nada. Já dissemos tudo um outro. Já escrevemos tudo o que havia a escrever. Falta sofrer. Como é que se regressa do abismo?» 

Na íntegra aqui.
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Em defesa do Serviço Nacional de Saúde



COMUNICADO CONJUNTO DAS ORGANIZAÇÕES MÉDICAS 
Em defesa do Serviço Nacional de Saúde e dos Portugueses 

A situação na área da saúde tem conhecido uma preocupante e dramática degradação nos últimos meses que está a limitar o acesso aos cuidados de saúde a uma parte muito significativa da população. O direito à protecção da saúde para todos os portugueses está consagrado no artigo 64º da Constituição Portuguesa e é dever de todos, e em particular dos nossos governantes, defendê-lo e promovê-lo. 

A Saúde é, no nosso país, um exemplo marcante de capacidade de desempenho de um serviço público ao ter atingido excelentes indicadores que o colocam nos primeiros lugares a nível mundial. O SNS, como instrumento de garantia do direito constitucional à saúde, tem desempenhado um papel central na concretização da coesão social e constituído um sólido pilar do Estado Social. 

Os médicos, ao longo de diversas décadas, têm apoiado a universalidade dos cuidados de saúde e têm garantido um elevado nível de exigência formativa que confere ao exercício da profissão médica uma inquestionável qualidade técnico-científica, reconhecida claramente no plano internacional. 

A política desenvolvida pelo atual Ministério da Saúde, com o obsessivo pretexto da crise, tem generalizado os cortes sistemáticos sem qualquer preocupação com a qualidade dos cuidados de saúde, e consequentemente com elevado impacto negativo humano e social. 

Embora o Ministro da Saúde se desdobre em profusas declarações públicas de suposto apego ao SNS, as medidas práticas em execução mostram que os resultados vão todos no sentido da sua integral destruição. 

A mais recente medida do Ministério da Saúde, ao publicar um concurso para entregar a empresas privadas as contratações de médicos dos serviços públicos, para além de pretender destruir a contratação colectiva e as carreiras médicas, visa eliminar também a qualidade e a segurança da profissão médica e dos cuidados prestados. 

Nos últimos 5 meses, o Ministério da Saúde adoptou um comportamento negocial deplorável e revelador de uma evidente falta de seriedade política ao protelar a apresentação de propostas concretas, enquanto preparava medidas de desarticulação e de destruição do SNS e da qualidade assistencial. 

Num momento desta gravidade e com as medidas ministeriais em curso, a Ordem dos Médicos, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) consideram que se tornou inadiável desencadear um conjunto de medidas enérgicas em defesa do SNS, do direito dos cidadãos à saúde e da qualidade da Medicina no nosso país. Assim, vêm divulgar as seguintes medidas ontem decididas em reunião conjunta:

- Exigir o respeito pelo direito dos doentes a uma medicina qualificada e cuidados médicos credenciados, defendendo a qualidade da formação médica pré-graduada, pós-graduada e contínua. 

- Pelos direitos dos Doentes, pela Qualidade da Medicina portuguesa e pela qualificação profissional médica, exigir a imediata anulação do concurso ministerial de contratação de empresas privadas e a implementação dos concursos legais de recrutamento dos médicos, aplicando na prática a legislação sobre as Carreiras Médicas. 

- Desencadear contactos com o Movimento “Médicos Unidos”, com a Associação Nacional dos Estudantes de Medicina (ANEM) e com outras associações sectoriais médicas para colaborarem com esta plataforma, numa perspectiva de ampla unidade dos médicos em defesa do SNS e da qualidade dos cuidados médicos. 

- Desenvolver contactos imediatos com as várias organizações de doentes e utentes dos serviços de saúde, com o objectivo de articular acções na defesa do SNS. 

- Contactar as Centrais Sindicais para analisar as formas de cooperação na defesa do SNS e da Contratação Colectiva. 

- Contestar pelas vias judiciais possíveis uma medida que viola os direitos constitucionais da contratação colectiva, do acesso à Função Pública e do direito ao trabalho. 

- Solicitar uma audiência ao Senhor Provedor de Justiça para apelar à sua acção quanto ao pedido de inconstitucionalidade do citado concurso. 

- Solicitar uma audiência ao Senhor Presidente da República. 

- Solicitar uma audiência à Comissão Parlamentar da Saúde. 

- Desencadear a muito curto prazo, a nível nacional e regional, reuniões de médicos nos principais locais de trabalho com o objectivo de proceder à mais ampla mobilização de esforços na defesa dos objectivos reivindicativos definidos. 

- Efectuar plenários regionais de médicos no Porto, em Coimbra e em Lisboa em data a designar. 

As duas organizações sindicais médicas decidiram também convocar uma GREVE NACIONAL DOS MÉDICOS para os dias 11 e 12 de Julho e face à qual a Ordem dos Médicos, compreendendo e partilhando as preocupações dos Sindicatos Médicos, não pode deixar de se solidarizar com esta e as outras medidas decididas, certa que está que os interesses dos doentes estarão sempre defendidos. 

Lisboa, 6 de Junho de 2012

Federação Nacional dos Médicos – FNAM

Ordem dos Médicos – OM

Sindicato Independente dos Médicos – SIM
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Economia vudu



A propósito da «ajuda» à Espanha, Joseph Stiglitz usa uma excelente imagem que bem se pode aplicar a outras situações:  

«Se o governo espanhol resgata os bancos e a banca resgata o governo, o sistema converte-se numa economia vudu. Não está a funcionar e não funcionará.» 

«El rescate podría engordar en un 10% la deuda pública, lo que podría complicar al Gobierno colocar bonos a un precio razonable en los mercados financieros y como consecuencia, podría verse obligado a pedir ayuda a las mismas entidades financieras a las que ahora está ayudando, una situación en la que el país, además, está sometido a las duras condiciones de ajuste del déficit impuestas por el pacto fiscal.» 

(Fonte)

10.6.12

Nós esperamos as migalhas

É mais ou menos isto, dr. Rui Rio?



«Quando uma câmara um país está excessivamente endividadao, quem vier depois a ganhar eleições não tem margem para tomar qualquer decisão política. As câmaras Os países endividadaos não deviam ter eleições, mas sim uma comissão administrativa para a gestão corrente, até estarem equilibradaos.» 

Nalguns países, até já é assim. Estamos atrasados?
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10 de Junho – não esquecer



Mais um ano, mais discursos e cerimónias, mas nem é disso que me interessa falar.

Neste dia, nunca deixo de afirmar que considero que manter esta data para distribuir condecorações «democráticas» é um atentado à memória histórica, ou à sensibilidade para a mesma. Atentado que devia ser evitado, pelo menos enquanto houver quem se lembre do que se passava antes do 25 de Abril, sobretudo daqueles que foram medalhados por feitos na guerra colonial nas pessoas de mulheres, pais ou filhos, por eles próprios não terem sobrevivido (fotos reais a ilustrar este post). Dizia-me alguém que perdeu um irmão na Guiné que nem consegue abrir agora a televisão e eu entendo. Não seria bem mais normal reservar o 25 de Abril, por exemplo, para tal cerimónia (se é que ela faz sentido, nem entro nessa discussão...)?

Para quem não saiba, ou não se lembre, a partir de 1963 o «Dia da Raça» foi transformado em data de homenagem às Forças Armadas envolvidas na guerra colonial e era a tal ponto marcante que o actual presidente da República ainda tem actos falhados e usa a designação que deixou de existir em 1978 (substituída por «Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas»). 

Era este o ambiente, é disto que estou a falar:



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