22.3.14

Alfredo Cunha – 25A (1)



O fotógrafo Alfredo Cunha está a partilhar uma foto por dia, no Facebook, como homenagem aos militares de Abril. Esta é a de hoje.

E comenta: «E já agora, abaixo os merdosos deste governo miserável e implacável...» 
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Vamos todos fingir?



Em poucas linhas, Nicolau Santos resume, no caderno de Economia do Expresso de hoje, o que está verdadeiramente em causa nas reacções aos Manifestos sobre reestruturação da dívida, recentemente publicados: nós vamos fingir que pagamos e eles vão fingir que acreditam nisso? 
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Como se estivesse a acontecer no planeta Marte



... e passa-se, hoje, aqui mesmo ao lado.



La larga marcha de la dignidad
Mañana comienza la larga marcha hacia la dignidad. Se gestó hace apenas dos semanas en pequeños afluentes que mañana desembocan en Madrid. Sea cual sea su caudal, la larga marcha comienza en la conciencia de los españoles en busca de su dignidad masacrada. Ya no hay retroceso posible, aunque se produzcan desfallecimientos y deserciones. Ahora sí que se puede afirmar que la mecha queda encendida. La mayoría silenciosa se ha dado la vuelta. Esta marcha de mañana es el Punto Cero. A partir de mañana, la palabra dignidad será la seña y contraseña. Ser o no ser dignos, he ahí la cuestión del existir español. No serán paso en falso, proyectos vanos. La dignidad remozará España y la limpiará de tanto como la han ensuciado y violado. 22 de marzo de 2014, España inició la reconquista de la decencia, dirán las crónicas dentro de varios siglos. Sin caudillos ni salvadores que no sean el propio pueblo. Fue el principio de la realidad del deseo. Desde mañana los españoles de bien sentiremos y nos miraremos de otra forma. Sabremos que somos cómplices, todos seremos colaboradores necesarios. Mañana comenzaremos a doblarle el pulso a los usurpadores. El miedo desaparecerá de las calles y casas de España. Y que no se pongan chulos porque ya somos más. Queremos la paz, pero no nos obliguen a la guerra. Tropezaremos y nos levantaremos, esto no hay quien lo pare. El silencio ya no será sordo. Habrán hecho el ridículo con sus miles de antidisturbios, con sus leyes represoras, con sus brutales austeridades. A España ya la gobierna el pueblo, las injusticias han caducado. De modo que ojito, ojito. El pueblo comienza a estar contento, España es una fiesta, la dignidad ha florecido. No nos mofemos, no la escupamos, no la desaprovechemos. Solo así seremos personas, basta ya de excusas y lamentos, la larga marcha nos hará de hierro, reordenaremos el mundo, querer es poder, el que se quiera apuntar que se apunte, las puertas están abiertas, el camino de la esperanza comienza mañana, España dejará de ser un país sórdido y abyecto por lo mucho que unos indignos depredadores la han humillado. El monte era orégano y no lo sabíamos. Esta marcha tiene la suficiente entidad para hacerse duradera en su espíritu. Ése será su gran éxito. Esa semilla no va a caer, no puede caer, en barbecho. Con, de, en, sin, sobre, tras, la marcha de la dignidad y la propia estima ha comenzado. La Historia del progreso del mundo es la historia de sus largas marchas, y la nuestra desde mañana no va ser menos.

21.3.14

Alucinações e manipulação histórica


Manuel Loff escreveu um importante texto no Público de ontem. Aqui fica, na íntegra:

O disparate das imagens/metáforas históricas do primeiro-ministro não cessa de me surpreender!

Há dias, Passos foi às Caldas da Rainha no dia em que passavam 40 anos sobre o 16 de Março de 1974, o fracassado golpe spinolista que procurava antecipar-se ao que viria a ser o 25 de Abril do Movimento dos Capitães. Não é difícil ter sérias dúvidas sobre se Passos Coelho saberá alguma coisa de minimamente sólido sobre o 16 de Março e o 25 de Abril, o contexto da crise final da ditadura, um país empurrado para o abismo pela opção da guerra colonial tomada por Salazar. O que é extraordinário é que este homem se atreva a invocar “a coragem dos militares que fizeram o 16 de Março e o 25 de Abril, num momento de grande incerteza e em que a História não estava ainda escrita, para realçar que também hoje se está perante um momento em que é necessário tomar decisões arriscadas”, como aquelas “medidas muito difíceis” que ele mesmo tomou “no quadro de ajuda financeira” (PÚBLICO, 17/3/2014).

É que só nos faltava mais esta! O homem a quem tocou dirigir o Governo no ano em que se comemoram 40 anos de democracia julga-se um Salgueiro Maia?, um decidido capitão que se revolta contra uma ditadura que prolongava, havia 13 anos, uma guerra ilegítima, sem apoio popular e sem saída militar? O problema não é só esta petulância de se comparar a si próprio com os capitães de Abril; é, acima de tudo, comparar o 25 de Abril e a libertação de um povo que, por vontade própria e, então sim, soberana, renunciava à guerra e, nas palavras de Costa Gomes na ONU, “não mais [admitia] trocar a liberdade de consciência coletiva por sonhos grandiosos de imperialismo estéril” com esta procura deliberada do regime de protetorado da troika que Passos nos apresenta como o dos “sacrifícios” para conseguir “a mudança estrutural” da economia portuguesa, como descreveu ele a Merkel.

Esta não é a primeira das alucinações de Passos entre o presente desastroso que ele próprio nos vem impondo e o passado recente da revolução de Abril e do fim da ditadura. Há um ano e tal, querendo prestar homenagem aos ex-combatentes da guerra colonial, enalteceu o esforço destes, não por terem suportado uma guerra injusta sobre a qual não tinham tido direito a pronunciar-se, mas porque haviam "servido a pátria de forma tão absoluta"; ora, como Portugal vive também hoje, segundo ele, "uma guerra intensa", "precisamos de encontrar em cada cidadão um soldado que esteja disposto a lutar pelo futuro do país" (Económico, com Lusa, 21/12/2012)! Se aceitarmos a metáfora – quase abjeta –, Passos não sai bem do paralelo que estabeleceu: a guerra que se vivia em 1974 fora declarada em 1961 por Salazar; a de hoje, foi declarada por Sócrates ao assinar o memorando da troika, mas apoiada e redobradamente assumida por Passos em 2011.

É um curioso sintoma este, o de uma direita política que, de tão embaraçada e intrinsecamente alheia ao 25 de Abril e à luta pela democracia em Portugal, não sabe o que há de dizer sobre a revolução. E que nem sequer aprende as lições revisionistas que a direita intelectual nos pretende há muito ensinar sobre o passado. Os programas oficiais de comemoração dos 40 anos da democracia são reveladores. Quando Cavaco lançou a ideia de uma pomposa conferência Portugal, Rotas de Abril: o Espírito da Democracia, a Cultura de Compromisso e os Desafios do Desenvolvimento, o historiador David Justino, da organização, propôs que se “usassem os princípios que a revolução trouxe para refletir para o futuro, em vez de se olhar em volta à procura de sinais no tempo de hoje idênticos ao do tempo de pré-revolução de 1974” (PÚBLICO, 6/12/2013). Justamente o que Passos Coelho não pára de fazer! Claro que o que incomoda o ex-ministro de Cavaco é a denúncia de um retorno ao passado, a evidências como uma emigração superior à dos piores anos do período 1961-74, um governo que apela, como o de Marcelo fazia, ao sacrifício nacional em nome de um projeto para Portugal que não submeteu a ratificação popular, dirigindo, num caso como noutro, um sistema político que perdeu o essencial da sua credibilidade...

Há vinte anos, o cavaquismo comemorou o 20.º aniversário do 25 de Abril tratando-o como se tivesse sido um golpe de uns quantos militares mandriões que abriram deliberadamente as portas ao totalitarismo, nada menos. Há dez, outro governo da direita, o de Durão, quis descafeinar a revolução negando o caráter revolucionário dos seus efeitos (“Abril é evolução”, lembram-se?). Agora, Cavaco só quer falar na “cultura de compromisso” (justamente o que, felizmente, o MFA não fez com a ditadura), a presidente da AR gostava de ver chaimites engalanadas par Joana Vasconcelos e patrocinadas pelo Pingo Doce, e o Governo aprovou no dia 11 (alguém se apercebeu?) um programa de comemorações que inclui uma coisa tão pertinente como um “call for design, dirigido a diversas categorias (print, motion, product e fashion)” a cargo de Guta Moura Guedes...

Dois dias depois do desaparecimento de Medeiros Ferreira, o historiador pioneiro na investigação sobre a Revolução dos Cravos, o melhor mesmo é fingir que nada disto está a acontecer... 
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As Cidades e as Praças (55)



Praça da Constituição (Cidade da Guatemala, 2014)







 (Para ver toda a série «As Cidades e as Praças», clicar na etiqueta «PRAÇAS».)
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Lido por aí (8)

Urgências hospitalares - Um sintoma gritante da austeridade



Um texto de Isabel do Carmo, enviado pela autora a este blogue. Publicado em Le Monde Diplomatique (ed. portuguesa), Fevereiro de 2014.

Quando os utentes do Serviço Nacional de Saúde acorrem às urgências hospitalares, como agora no pico das gripes de Inverno, ficam a nu todos os problemas que se vão acumulando com os cortes do financiamento público e com a falta de uma visão estratégica que defenda os doentes e facilite o trabalho dos profissionais. O que está errado? O que pode fazer-se?

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Em patologia clínica, no que se refere ao tempo de aparecimento de sintomas ou sinais, as situações podem ser agudas, com aparecimento rápido; sub-agudas, quando se instalam pelo menos durante três semanas, muitas vezes sem que se consiga perceber a etiologia; e crónicas, quando duram para a vida. As crónicas podem ter agudizações ou, no calão médico, descompensações, pela própria história natural da doença ou por falhas na medicação.

As agudas podem ir desde uma amigdalite ou uma dor articular até um enfarto. E quanto às cirúrgicas, todas as provocadas por acidente são agudas, tal como situações orgânicas como a apendicite. Dentro das situações agudas, ou tidas como tal, a necessitar de assistência, há então a já conhecida classificação de Manchester, de acordo com a gravidade: azuis, verdes, amarelos, laranjas e vermelhos. Esta classificação traduziu-se numa grande melhoria no atendimento, pois até aí não havia triagem e os doentes eram atendidos por ordem de inscrição, o que era um absurdo. Exceptuando os «directos», cujo grau de gravidade era evidente, todos os outros permaneciam na sala de espera, por ordem, fosse uma dor articular sub-aguda ou crónica, ou uma dor precordial, que era sintomática de enfarto. Naturalmente que, hoje em dia, os verdes são os que esperam mais tempo e os laranjas os que esperam menos. Quanto aos vermelhos, correspondem geralmente aos «directos». Portanto, em matéria de tempos de espera tem que se contar com a classificação.

Quais são os factores que podem conduzir a uma demora inadequada no atendimento? O facto de virem ter às urgências hospitalares os doentes com classificação verde e parte dos amarelos (os azuis são uma minoria), que podiam e deviam ser atendidos nos cuidados primários (Figura 1). E o facto de haver poucos médicos nos hospitais no grupo etário que faz urgências.

A área de Lisboa e Vale do Tejo cobre 3,3 milhões de habitantes e recebe também de todo o Sul do país, quando necessário. Hospitais com todas as valências médico-cirúrgicas são o Centro Hospitalar Lisboa Norte (urgência no Hospital de Santa Maria), o Centro Hospitalar Central (urgência no Hospital de São José), o Centro Hospitalar Ocidental (urgência no Hospital São Francisco Xavier), o Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) e, ao Sul, o Hospital Garcia de Orta (Barreiro) e de São Bernardo, em Setúbal. Os hospitais de Loures, Cascais, Santarém, Vila Franca, Torres Vedras e Caldas da Rainha não têm todas as valências, ou então não as têm nas 24 horas. 


20.3.14

Ricardo Araújo Pereira entrevista-se



Esta semana, na Visão, RAP entrevista RAP.

- Qual é a sua opinião sobre a co-adopção?
- Sou a favor para todos os tipos de casal, menos para os que incluam parlamentares. As crianças precisam de um ambiente estável, e um parlamento que começa por aprovar uma lei para vir a chumbá-la meses depois é formado por pessoas instáveis, que não têm maturidade para criar uma criança.

Na íntegra AQUI.
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68 anos depois



(Recebido por mail.)

It is now 68 years after the Second World War in Europe ended. This e-mail is being sent as a memorial chain, in memory of the six million jews, 20 million russians, 10 million christians and 1,900 catholic priests who were murdered, massacred, raped, burned, starved and humiliated. Homossexuals and gipses has been stigmatized too.

Now, more than ever, it's imperative to make sure the world never forgets, because there are others who would like to do it again.

This e-mail is intended to reach 40 million people worldwide! Join us and be a link in the memorial chain and help us distribute it around the World.

Please send this e-mail to people you know and ask them to continue the memorial chain. It will only take you a minute to pass this along. 

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Não parece




... mas ela aí está.
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Merkel e as «nossas» Europeias



«PSD e PS esforçam-se, com devoção patriótica, para mostrar que têm divergências sobre o presente e o futuro de Portugal. Os portugueses, com uma lupa, tentam encontrá-las.
Angela Merkel, que sabe como funcionam os microscópios políticos, não encontra diferenças relevantes. (...)

Sendo assim, se ambos [PS e PSD] se comprometem a seguir cegamente as opções de Berlim, o que é que os leva, passados minutos, a soltar os seus galos de combate para mais um debate épico? As eleições europeias. PSD e PS precisam de mostrar que são divergentes, apesar da sua convergência. Afinal as regras do tratado orçamental foram subscritas pelos dois desavindos. Sabe-se que a política é um jogo, mas às vezes parece que tudo não passa em Portugal de uma versão de "Rambo: The Videogame": o que interessa é somar pontos, insígnias, ultrapassar obstáculos e conseguir privilégios. Ou seja, resultados eleitorais e poder.

Merkel bem pode fornecer a consola a Passos Coelho e António José Seguro para estes se entreterem. O que interessa é mostrar que Portugal é um caso de sucesso, que não há mais custos associados para os eleitores alemães e que todos irão gerir a austeridade durante os próximos 20 anos. Nada de mais simples. Merkel, no fundo, diz: que venha o próximo Bloco Central.»

Fernando Sobral, no Negócios de hoje.
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19.3.14

Regressa, La Fontaine

1968: Mário Soares detido e deportado



Mário Soares foi deportado para S. Tomé, pouco depois de ter estado preso e incomunicável, durante três meses, pretensamente por ter fornecido a um jornalista do Sunday Telegraph informações relativas a um escândalo sexual que envolveu suspeitas de actos pedófilos por parte de várias figuras públicas – o chamado caso dos «Ballet Rose». No fim de Fevereiro de 1968, conseguiu sair em liberdade na sequência de um pedido de habeas corpus.

O que se seguiu, aqui resumido por Maria João Avillez (Soares. Ditadura e Revolução, 1996, Círculo de Leitores, p. 197):


Detido pela PIDE nesse 19 de Março, foi-lhe comunicado que partiria para S. Tomé no dia seguinte, por volta das onze horas da noite. Rapidamente espalhada a notícia (sem internet, sem telemóveis...), centenas de pessoas, de todos os quadrantes da oposição, dirigiram-se para o velho aeroporto da Portela, na tentativa de chegarem a uma varanda de onde então se podia assistir a descolagens e aterragens de aviões. Em vão, porque a polícia correu tudo à bastonada. Recordo bem algumas cabeças partidas e correrias atabalhoadas por corredores e escadarias. Alguns escaparam: Maria Belo, por exemplo, porque era loira, foi tomada por estrangeira e saiu calmamente, sem pressas e sem que os bastões lhe tocassem. Eu não era loira, mas só um me tocou – e de raspão.

In illo tempore, havia um consenso sagrado: contra a PIDE, sempre, quaisquer que fossem as afinidades ou as divergências. E, se existiam algumas (poucas) excepções, não faziam mais do que confirmar a regra. 
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Lido por aí (7)

Tratado Orçamental? Não, muito obrigada



«Na relação de Portugal com a Europa, a ligeireza irresponsável que conduziu à perda da soberania monetária e cambial, nos anos 90, na expectativa de uma união política e de uma governação económica solidárias que jamais aconteceram, deu lugar a um medo paralisante. Só assim se explica que no seio dos três partidos do arco da governação possa subsistir a ideia de que há um consenso relativamente ao Tratado Orçamental (TO). (...)

Portugal assinou o TO com a pistola da bancarrota apontada à cabeça. Em vez do "princípio de atribuição" assistimos a um "princípio de coação", que só faria sentido entre países em estado de guerra e não entre Estados amigos, onde impera o primado da lei. Economicamente, o TO condena a Europa ao colapso. A palavra "crescimento" é vazia de sentido concreto, enquanto a "disciplina orçamental" aparece igual para todos, do mesmo modo, e ao mesmo tempo. Como se fosse possível, numa UEM funcional, todos os países poderem ser excedentários sem que o próprio sistema não implodisse. Politicamente ignóbil. Economicamente absurdo. Eis o TO. A lei suprema da Europa do diretório. Há que ter coragem para dizer "não".»

Viriato Soromenho-Marques

18.3.14

Medeiros Ferreira – crónica de Diana Andringa, hoje, na Antena 1



«Acontece-me cada vez mais, porque com o passar dos anos crescem as mortes que nos tocam. E cada notícia traz consigo a memória de uma data e um local, mesmo as que falam de pessoas que vimos muitas vezes, ao longo de vários anos.

Assim quando me chegou hoje a notícia da morte de José Medeiros Ferreira. Recordei-o sentado num café que há muito não existe, o Nova Iorque, no lado esquerdo da Avenida dos Estados Unidos, junto a Entre Campos, em Lisboa. Estava um dia de sol e sentou-se à minha mesa. Tratava-o com o respeito próprio a um “mais velho” - dirigente da crise de 62, preso político, autor do comunicado No Dia de uma Universidade Cativa, que ajudara a distribuir, no dia seguinte ao da prisão de cerca de cinco dezenas de estudantes, a 21 de Janeiro de 65, estudate expulso de todas as universidades do país nesse mesmo ano. Irónico, como sempre, parecia, nesse dia, levemente ansioso. Hesitou em pedir um café, optou por um carioca de limão. Percebi que esperava uma hora e alguém, e a minha presença era apenas, de algum modo, um disfarce útil. A certa altura disse-me adeus e saiu, deixando o carioca por beber. Dias depois, alguém me distribuiu a Carta Aberta ao Povo Português com que anunciou a sua deserção do exército português, “por ele estar a executar a sua guerra mais injusta”, escreveu, dizendo também estar “pronto a reentrar nas suas fileiras quando voltar a defender o povo e a lutar pela liberdade em Portugal”.

Com razão ou sem ela, liguei sempre a memória dessa carta e a do carioca de limão deixado por beber.

Talvez o Nova Iorque não merecesse, só por isso, uma placa a recordá-lo como lugar de resistência. Mas penso como seria bom que a Câmara de Lisboa copiasse o exemplo de Porto Alegre, onde, há dias, a propósito das Descomemorações dos 50 anos do Golpe Civil-Militar de 64 – os brasileiros sabem formar novas palavras justas, um golpe como aquele descomemora-se - há dias, dizia, o mandato do vereador Alberto Kopittke lançou um Mapa da Ditadura na cidade, porque, disse, “a memória é fundamental para homenagear a todo(a)s que lutaram para que hoje possamos viver numa democracia”



A Carta Aberta ao Povo Português, a que Diana Andringa faz alusão, está publicada na Ephemera e pode ser vista AQUI, em formato maior (com a qualidade possível...). 
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Lido por aí (6)

Medeiros Ferreira e o início da sua vida política



A notícia da sua morte, infelizmente mais do que esperada, chegou esta manhã.

As biografias já começam a sair, vou às origens da sua vida política activa – a Crise Académica de 1962. Neste vídeo, José Medeiros Ferreira, então Vice-Presidente da Pró-Associação da Faculdade de Letras de Lisboa, fala da ruptura entre a Universidade e o regime, que a referida Crise significou, e relata alguns episódios relacionados com a proibição do Dia do Estudante de 24/3/1962.


(Fonte do vídeo)
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17.3.14

Árvores e mais árvores



Escolhidas, entre dezenas, de uma viagem por quatro países: Honduras, Guatemala, Nicarágua e El Salvador.




Mais:


Elis



Elis Regina, essa grande senhora da música brasileira, faria hoje 69 anos e morreu, estupidamente, com 36.

Viveu os «Anos de chumbo» da ditadura brasileira e não lhes passou ao lado, participando em vários movimentos culturais e políticos. Uma das suas canções – «O bêbado e o equilibrista» – funcionou como uma espécie de hino pela amnistia de exilados brasileiros. Notável também, nessa mesma linha, «Aos nossos filhos».






E, como não podia deixar de ser, o seu ícone:

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O tempora o mores




«Teria assinado o manifesto, seguramente», disse ontem Sócrates...
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Uma Europa, duas políticas



«A União Europeia é excepcional na arte do lançamento do martelo. Gosta de atirar o peso dos problemas para o futuro.

Às vezes gostaria de ter uma máquina do tempo para fugir do presente, da crise da dívida, dos dilemas dos défices e da austeridade, da pressão dos eleitorados cada vez mais nacionalistas, da incógnita da deflação. A União Europeia parece hoje estar refugiada nas trincheiras de uma guerra de que não quer ouvir o ruído. Coloca os capacetes na cabeça e espera que os bombardeamentos passem por cima dela. Mas, no meio de tudo isto, os sinais de fragmentação começam a ser mais evidentes. E agora vêm do sul, o mais pressionado pela crise da dívida. (...)

Renzi [em Itália] torneou as trincheiras da União Europeia e ultrapassou o Rubicão: a política prioritária da CE é diferente das linhas estratégicas que está a definir para Itália. O primeiro-ministro italiano quer sobretudo aumentar o consumo interno o que vai contra a barragem que a CE (e o FMI) recomendam. Ou seja, uma Europa, duas políticas. E isso abre mais uma brecha na pretensa unanimidade europeia. De políticas e de opções económicas e financeiras. "A Doce Vida" já não é o que era.»

Fernando Sobral, no Negócios de hoje.
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16.3.14

Lido por aí (5)


@João Abel Manta

* La tierra en que se muere (Antonio Muñoz Molina)

* Uma Aventura das Caldas (Mário Tomé)

* Resnais e a vida (Daniel Sampaio)
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O falhanço das Caldas



Vários órgãos de comunicação social assinalam o 40º aniversário do golpe falhado das Caldas da Rainha, em 16 de Março de 1974. Recorro ao Diário de Notícias de ontem, que ocupou duas páginas (não colocadas online) com vários textos sobre «A coluna rebelde que Spínola e Costa Gomes impediram de ocupar o Aeroporto de Lisboa»:

«A imagem que ficou na memória dos portugueses sobre a intentona tentada pelo Regimento de Infantaria N. º 5 das Caldas da Rainha no dia 16 de Março de 1974 foi a de uma coluna militar que ficou parada às portas de Lisboa. Ilustrava perfeitamente o golpe militar frustrado, que só teria o seu epílogo a 25 de Abril, e que logo deu origem a uma anedota bastante popular. A de que os camiões com 200 militares que iriam ocupar o Aeroporto de Lisboa teriam parado às portas de Lisboa porque o então presidente da República, Américo Tomás, ameaçou que o primeiro a chegar à capital seria obrigado a casar com a sua filha. (...)
A anteceder o 16 de Março tinham- se verificado mais dois factos políticos que fizeram o presidente do Conselho hesitar: a 22 de fevereiro dera- se o lançamento do livro Portugal e o Futuro, do general Spínola, que defendia uma solução política e não militar para a guerra no Ultramar; a 14 de março, o Governo demitira os generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de chefe e vice- chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, devido à ausência no evento em que as chefias militares se solidarizavam com Caetano, numa cerimónia definida como representativa da “Brigada do reumático”.
A demissão dos dois generais espoletou a Intentona das Caldas e criou esse ato militar falhado.»


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Nota oficial do governo, difundida às 19:00 de 16 de Março:
«Na madrugada de sexta-feira para sábado, alguns oficiais em serviço no Regimento de Infantaria 5, aquartelado nas Caldas da Rainha, capitaneados por outros que nele se introduziram, insubordinaram-se, prendendo o comandante, o segundo comandante e três majores e fazendo em seguida sair uma Companhia autotransportada que tomou a direcção de Lisboa.
O Governo tinha já conhecimento de que se preparava um movimento de características e finalidades mal definidas, e fácil foi verificar que as tentativas realizadas por alguns elementos para sublevar outras Unidades não tinham tido êxito.
Para interceptar a marcha da coluna vinda das Caldas foram imediatamente colocadas à entrada de Lisboa forças de Artilharia 1, de Cavalaria 7 e da GNR. Ao chegar perto do local onde estas forças estavam dispostas e verificando que na cidade não tinha qualquer apoio, a coluna rebelde inverteu a marcha e regressou ao quartel das Caldas da Rainha, que foi imediatamente cercado por Unidades da Região Militar de Tomar.
Após terem recebido a intimação para se entregarem, os oficiais insubordinados renderam-se sem resistência, tendo imediatamente o quartel sido ocupado pelas forças fiéis, e restabelecendo-se logo o comando legítimo. Reina a ordem em todo o País.»

Alguns dias depois, mais exactamente, no dia 22 de Março, na sua última «Conversa em família», Marcelo Caetano referiu-se assim ao golpe das Caldas:



Só faltava um mês.
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S'il vous plaît


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1640 à vista



«Aproxima-se, entretanto, o 1640 de Paulo Portas e ele anda nervoso com as cerimónias inerentes à "Restauração" (terá de atirar algum Miguel de Vasconcelos pela janela, alguém que simbolize a colaboração com o ocupante estrangeiro, e não vejo ninguém mais apropriado do que Passos Coelho). Deve ser por isso, porque o seu timing não pode ser perturbado, que ele se embrenhou num caminho sem honra nem coragem, na questão da co-adopção.»

Miguel Sousa Tavares, no Expresso de ontem.
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