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16.8.14

O turismo é quem mais ordena



Barcelona não é o centro do mundo, mas o mundo julga que sim – ou não viria em peso para aqui. Multidões! 
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15.8.14

Uma semanita



Desta vez a escapadela será curta e para paragens menos exóticas do que é habitual. Ficarei pela velha Europa, de Barcelona a Nice, para ver algumas coisas lindas que não conheço e outras que já quase esqueci. 

Passarei por aqui, na medida do possível.
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Um ritual



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Sylvie, 70



Não pode ser? Pode sim: Sylvie Vartan faz hoje 70 anos.

Francesa nascida na Bulgária, de pai búlgaro de origem arménia e mãe de ascendência húngara, estreia-se no cinema com 6 anos e emigra pouco depois para França com a família. Em 1965 casa-se com Johnny Hallyday, têm uma vida acidentada e acabam por se divorciar, mas continua a partilhar com ele parte da sua carreira artística.

Diz-se que é a cantora francesa com registo mundial de maior número de espectadores que a terão visto exibir-se ao vivo. Verdade ou mentira, ela aí está e... ainda canta.

Sylvie Vartan, 70 ans et une énergie intacte

1963


2014
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Lido por aí (97)


@João Abel Manta

* Vota em mim mas não me perguntes nada (Francisco Louçã)
* Vícios políticos, virtudes judiciais? (Pedro Bacelar de Vasconcelos)
* Las absurdas sanciones contra Rusia (Hedelberto López Blanch)
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BES(t) of isto tudo



«Como estão os estimados leitores? Espero que bem; porque entre o bem e o mal vai a distância de um banco. Comecei as férias como um reles mortal, e acabei como dono disto tudo. Agora sim, estou a viver acima das minhas possibilidades: eu não quero ser dono do antigo BES. (...)

José Gomes Ferreira, o homem com um programa de governo, veio sossegar os espíritos e afirmou, na SIC Notícias, que o BES estava sólido e que se ele tivesse dinheiro investia tudo em acções do BES (estavam a 0,45 nesse dia). Foi pena não o ter feito e é pena que ainda tenha emprego. O meu quentinho é pensar que a malta que compra o livro do José Gomes Ferreira é bem capaz de ter seguido o conselho e ter gasto tudo em acções do BES. Aquele casal que foi à FNAC, de propósito, para pedir um autógrafo ao Zé Gomes, anda agora a ver se o encontra para lhe dar uma tareia porque seguiu o conselho do mestre e investiu as poupanças da filha em acções do BES.

Como todos sabem, esta história acaba com uma decisão à Gentil Martins, com o BES a ser separado em dois, indo o mau para um lado e o bom para o outro. Não me pareceu uma decisão sensata, quanto mais não seja porque Espírito Santo mau soa a culto demoníaco e, sinceramente, acho que Novo Banco é uma designação que se vê que foi feita à pressa. Novo Banco é daqueles nomes propostos na lista de empresas na hora. Ou era Novo Banco ou A Conquista do Pedal. Por outro lado, o Novo Banco é mesmo filho do Espírito Santo porque ninguém sabe explicar como apareceu.

Seja como for, não arriscando, vou pôr o meu dinheiro todo no Espírito Santo mau, porque os bons acabam sempre por ser comidos.»

João Quadros

14.8.14

Imprudências


«Ricardo Salgado citou o papa Francisco. Desde a débacle do 11 de Setembro que ninguém fazia tanto pela causa do Islão.» 

(Pedro Vieira no Facebook)
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António José Seguro: depois das primárias, um referendo...



António José Seguro disse hoje que fará um referendo aos militantes do PS, caso não obtenha uma maioria absoluta nas eleições legislativas, para decidir com quem o PS se deve coligar. Mas, logo a seguir, definiu «linhas vermelhas» a não serem ultrapassadas.

Assim sendo, imagino que a pergunta do referendo em questão deveria ser algo deste tipo: «Com quem deve o PS governar, estando excluídos para tal os partidos que defendam a privatização de x, y e z, a destruição do Estado social ou a saída do euro?» Simplicíssimo...Não seria mais fácil dar nome aos bois, dizer o que quer, ou seja, quem sobra?

Depois da ideia peregrina das primárias, esta outra de lançar um referendo escaleno rima exactamente com quê?

(TSF)

Lido por aí (96)


@João Abel Manta

* La rabia (Manuel Vicent)

* A Sicília fica aqui (André Macedo)

 * Os monstros do improviso (Viriato Soromenho-Marques)
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Regressa, Brites



Conta a história ou a lenda, e para o caso pouco importa, que foi num 14 de Agosto que Brites de Almeida, a nossa mais célebre padeira – grande, feia e com seis dedos em cada mão –, pegou em armas e se juntou às tropas portuguesas que se fartaram de matar castelhanos. Veio a casa, despachou mais sete que encontrou escondidos no forno e fez-se de novo à estrada.

Dava jeito se andasse agora por aí. Quando estamos todos mais ou menos estupefactos e anestesiados, alguém que resolvesse alguns problemas à pazada talvez trouxesse uma lufada de ar fresco.
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13.8.14

«You just put your lips together...»

Homens como nós



«Imigrantes africanos descansam numa campo de jogos depois de chegarem ao porto espanhol de Tarifa, em Cadiz. Tentavam fazer a travessia do norte de África para Espanha de forma ilegal. As autoridades espanholas resgataram cerca de 920 pessoas em 81 barcos insufláveis que faziam a viagem. Só este ano entraram em Melilha cerca de 3500 imigrantes ilegais.» (Expresso diário de hoje).

Estes não morreram, como tantos milhares de outros que tentaram vir de África para a Europa através do Mediterrâneo. Mas há que resolver este drama, não foi para isto que chegámos a 2014, depois de tantos séculos de história comum de dois continentes. Não se trata de uma questão fácil – obviamente. Mas a humanidade já enfrentou outras bem piores. 
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Lido por aí (95)

Chiquita Banana



«As Repúblicas das Bananas nasceram porque eram as empresas americanas do delicioso fruto que dominavam a economia e a política de países como as Honduras. Quem produzia as bananas dominava o poder. (...)

Portugal não precisa de bananas para se transformar numa República da Chiquita. A que foi cantada por Carmen Miranda, é claro. Não a empresa.

O caso BES tornou-se um imenso bananal, onde só há um consenso nacional: tudo está a ir de mal a pior. Já nem se fala da falta de transparência de todas as entidades envolvidas e das pedras de xadrez que vão caindo umas após as outras (Ricardo Salgado e Henrique Granadeiro parecem ser apenas os primeiros de uma longa fila), porque muitos faziam parte do mesmo jogo.

O Banco de Portugal e Carlos Costa saem muito danificados desta colheita, entre a linha de crédito ao BES que teve vergonha de revelar até à anunciada contratação por convite de um filho de Durão Barroso. Que, a ser verdade, mostra como funciona o grémio do sítio. (...) Esta é uma República das Bananas com toda a certeza. Só falta começarmos a plantar as ditas para o postal ilustrado ser apelativo. Mas talvez nem seja necessário: o BCE trata-nos como uma República das Bananas. E a elite dança ao som de "Chiquita Banana".»

Fernando Sobral

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12.8.14

Alguém é capaz de me explicar

«Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem»



Foi em 12 de Agosto de 1963, duas semanas depois de o Conselho de Segurança ter condenado a política colonial portuguesa, que Salazar fez um importante discurso – «Vamos a ver se nos entendemos» – , na RTP e na Emissora Nacional.

Na biografia que escreveu sobre Salazar, Franco Nogueira dedica-lhe várias páginas e quem tiver em casa o volume V pode dar uma vista de olhos pelas páginas 504 a 509. É todo um tratado para explicar que «também somos, além do mais e a melhor título que outros, uma nação africana» e para atacar «os governos comunistas que pretendem destruir o Ocidente» e de outros que querem captar a simpatia africana, «contra a vontade dos próprios».

Mas seria esta frase que ficaria na lista das citações históricas do ditador: «Havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem».

Este foi o único registo sonoro que encontrei do excerto em questão:



«Sem hesitações, sem queixumes, naturalmente como quem vive a vida, os homens marcham para climas inóspitos e terras distantes a cumprir o seu dever. Dever que lhes é ditado pelo coração e pelo fim da Fé e do Patriotismo que os ilumina. Diante desta missão, eu entendo mesmo que não se devem chorar os mortos. Melhor: havemos de chorar os mortos se os vivos os não merecerem.»

Mas há aqui e aqui mais duas partes do discurso.

Inútil recordar tudo isto? Não é, não é...
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Lido por aí (94)


@João Abel Manta

* "E se decretássemos o fim do cavaquismo?" (Pedro Lains)

* Transparência (Ricardo Cabral)

* Quando falam as vítimas (Mariana Clini Diana)
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BES: cabe-nos exigir justiça



José Vítor Malheiros, no Público de hoje (acessível ou não): 

«"Erros de gestão", "imprudência", "irregularidades", "risco de crédito", "falta de activos", "imparidades", "activos tóxicos", "incumprimento", "problemas de solvabilidade", "insuficiências de capital", "infidelidade", "gestão danosa", "abuso de informação privilegiada", "abuso de confiança". Há, no simples léxico usado pelo mundo político, pelo mundo financeiro e pelo mundo mediático para descrever o caso BES, narrativas implícitas que se impõem como explicações naturais para o descalabro do império Espírito Santo. (...)

Apesar de se acumularem os sinais de "irregularidades" no BES (algumas denunciadas pela CMVM ao Ministério Público, ainda antes das suspeitas de insider trading dos últimos dias) a verdade é que a narrativa se arrisca a amornar, com a CMVM e o Banco de Portugal e o Governo a lavarem as suas mãos e o contribuinte a pagar os luxos de que Ricardo Salgado fez beneficiar tantos amigos. (...)

O que o Governo tem de anunciar é o pedido dessa grande investigação ao Ministério Público, com a máxima urgência e garantindo-lhe todos os meios. E, se não o fizer, apenas poderemos concluir que receia ver-se envolvido ele próprio (leia-se PSD e CDS) nos negócios sob escrutínio. Recordam-se de Carlos Costa a garantir há um mês que nem o BES nem o GES tinham um problema de solvabilidade? E de Cavaco Silva? E de Passos Coelho? Que as responsabilidades políticas não sejam assumidas pelo Governo é algo a que estamos habituados, mas temos de exigir a responsabilização criminal de quem rouba de forma tão colossal e tão descarada. E a verdade é que falta dinheiro no BES e que nos vão pedir para tapar o buraco. Não chegará isso para exigir a investigação?

O que não podemos aceitar, em nome da decência, são processos tão vergonhosos como o do BCP ou o do BPN. Não podemos aceitar que, de novo, um processo BES se salde por uma multa ridícula, pela inibição de gerir um banco durante os próximos anos, pela prescrição do crime ou pela condenação de um bode expiatório isolado. (...)

À imprensa cabe, entretanto, ir juntando as pedrinhas dos factos – como a discrepância sobre o momento em que o Banco de Portugal decidiu partir o BES em dois e o momento em que comunicou essa decisão à CMVM, como as razões da autorização do aumento de capital do BES pelo BdP e pela CMVM, como as razões dos perdões dos esquecimentos fiscais de Salgado, como a venda das acções da Rioforte aos balcões do BES, etc., etc. – de forma a tornar incontornável a exigência de uma verdadeira averiguação.

E a todos os cidadãos que recusam viver numa sociedade onde os ricos têm todos os direitos, incluindo o direito a roubar o nosso dinheiro e a escapar impunes, cabe-nos exigir justiça.» (Realces meus.)
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11.8.14

Não têm emenda




Ficou-lhes na massa do sangue.
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No Alfa, chega-se lá num instante!



A SIC acha que a lua esteve à distância de uma viagem Lisboa-Porto.

(Via João Gaspar no Facebook)
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Santana Lopes em Belém? Tudo tem limites!


É com algum temor e grande perplexidade que vejo que se fala, aparentemente a sério, da hipótese de Santana Lopes se candidatar à Presidência da República, que nem está muito mal colocado em algumas sondagens que vão sendo publicadas e que corre o boato de que é a opção preferida por Passos Coelho.

Temor porque creio que os eleitores portugueses são capazes de quase tudo quando postos diante de uma urna, perplexidade porque começo a acreditar que 10 anos sejam o suficiente para apagar da memória dos portugueses a coboiada que foi o período de quatro ou cinco meses, na segunda metade de 2004, em que tivemos Santana Lopes como primeiro-ministro. Repito: coboiada – não há outro termo mais adequado para qualificar aquele período!

Nós resistimos aos mouros, aos espanhóis, aos franceses, ao escorbuto nas naus, a 1755, a décadas de ditadura, aos últimos anos de um (des)governo inacreditável, mas não aguentaríamos Santana em Belém, nem que Chopin ressuscitasse e compusesse os tais concertos para violino. Esperemos – esperemos mesmo -– não vir a ter saudades dos dois mandatos de Cavaco Silva.

Deixemos o menino guerreiro em paz, please...


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Lido por aí (93)

Trincheiras



«A guerra de trincheiras voltou a Portugal. E os portugueses voltaram a estar na primeira linha, dando o corpo às balas, para salvar a Europa e o euro, a banca europeia e a incapacidade estratégica e táctica dos QG de Bruxelas e Frankfurt. (...)

Portugal deveria ser condecorado e receber bónus por evitar que o tigre de papel que é a Alemanha se confrontasse com as suas próprias debilidades, a começar pelo seu anacrónico sistema financeiro. Mais uma vez é nas fronteiras, onde os alemães e os burocratas de Bruxelas, julgam só existir homens sem qualidades, que se estanca a crise que poderia demolir o euro.

Nesta guerra de trincheiras os portugueses pagam de todas as maneiras, desde os erros dos seus políticos e gestores iluminados aos aristocratas europeus que utilizam este pequeno país como laboratório para as suas novas experiências financeiras.

Enquanto a "salvação" da Europa nos atola ainda mais neste sonho europeu que acabará por implodir, Vítor Bento, numa intervenção muito frágil e insegura na SIC, trouxe tudo menos confiança. E mostrou que danos colaterais poderão atingir o interior do BES Bom, ou Novo Banco, ou futuro Qualquer Coisa de Alguém. Sabe-se como acabou a guerra de trincheiras. »

Fernando Sobral

10.8.14

Cuidado com o banco mau


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Lido por aí (92)


@João Abel Manta

* Adivinhe onde está o luxo (Francisco Louçã)

* Os Sansões das sanções (Azeredo Lopes)

* Não há nada que o tempo não resolva (Ferreira Fernandes)
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Os idiotas somos nós



«Recuámos anos em semanas. Reguladores literalmente a reboque da situação. Mercados desacreditados. Perplexidade na política. Justiça relapsa. E os jornais, num inacreditável e generalizado aplauso a esta gente toda, quando deveriam estar a questioná-la incisivamente sobre a razão fundamental da sua existência.

O BES é um escândalo financeiro, o mais grave da nossa história económica. Não é o pecado original. Porque na origem estão a fraude, a mentira e outros crimes económicos cometidos em doses maciças e debaixo desta complacência colectiva. (...)

Todos cumpriram afinal o seu dever. A verdade é que o sistema funciona e a democracia bate palmas: os poderes reguladores do Estado controlaram a situação, o poder judicial vai investigar e julgar até às últimas consequências e o quarto poder continuará a exercer a função independência.

Todos juntos, porém, construíram este gigantesco cilindro que está a terraplenar a credibilidade do País, a soterrar as pequenas poupanças e a matar a confiança de grandes investidores. A Bolsa portuguesa perdeu três vezes mais do que as outras. Foi uma semana dos diabos. Mas a culpa é de Obama no Iraque e de Israel em Gaza...

O resgate ao BES é bom, o Banco de Portugal é sério, a CMVM é firme, as assembleias de accionistas são afinal encontros evangélicos do Reino de Deus, os jornalistas não têm culpa nenhuma e a KPMG está inocente. Nós, os homicidas financeiros, os negligentes colectivos, nós é que somos todos uns perfeitos idiotas.»

Sérgio Figueiredo