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23.8.14

Regresso



O regresso é duro, muito duro... Mas consegui estar uma semana (quase) sem ler notícias. Julgo que foi salutar! 
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22.8.14

Um oásis na Côte d’Azur



Saint Paul de Vence, pela manhã, antes de ser invadido por turistas, é um pequeno oásis de beleza e de calma. Sobretudo quando se vem de Nice, onde multidões já disputam metros ou centímetros quadrados de uma horrível praia de pedras – a insensatez civilizacional em todo o seu esplendor.

Se em Arles se fala de Van Gogh, em Saint Paul de Vence é sobretudo Chagall que é referido e com toda a justiça: passou lá uma parte significativa da vida, é no cemitério local que está enterrado. Mas não foi caso único, muito longe disso: muitos artistas e escritores frequentaram o local, normalmente alojados na estalagem «La Colombe d’Or», entre os quais Matisse, Modigliani, Jacques Prévert, Simone Signoret e Yves Montand. Ainda hoje se fala da frequência com que este último era visto a jogar petanca, precisamente junto à estalagem (última imagem deste post).

Viagem a chegar ao fim – quase. 






(«La Colombe d’Or» e o campo onde Montand jogava petanca.)
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21.8.14

As pegadas de Van Gogh



Passei hoje para a Côte d’Azur, a Provença já ficou para trás, mas regresso a Arles, não para falar de monumentos (e se os tem…) mas sim das pegadas de Van Gogh.

Se não existe nem uma obra do artista na cidade, foi lá que o pintor, nascido na cinzenta Holanda, se exaltou com a luz do Sul e pintou muitos dos quadros que tão bem conhecemos, desde os famosos girassóis aos ciprestes, à casa amarela onde viveu, ao célebre quarto, ao autoretrato com a ligadura depois de ter cortado a orelha após uma forte zanga com Gauguin – 185 quadros entre Fevereiro de 1888 e Maio de 1889.

Depois do corte da orelha, a população considerou-o cada vez mais louco e exigiu o seu internamento definitivo no Hotel de Deus da cidade, misto de asilo e hospital. O claustro está hoje intacto (foto no topo deste post), tal como ele o pintou. Pediu depois para ser transferido para um hospital psiquiátrico perto de Saint-Rémy-de-Provence e regressou mais tarde aos arredores de Paris.

Se não o tratou bem em vida, Arles tira hoje todo o partido possível da estadia de Van Gogh nas suas terras – estadia curta, é certo, mas extraordinariamente criativa. 




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20.8.14

Sur le pont



… d’Avignon, evidentemente. Mas se o nome da terra lembra uma canção infantil e um célebre festival de taeatro, é o Palácio dos Papas que concentra todas as atenções. Obra-prima da arquitectura gótica, misto de fortaleza, abadia e castelo, foi residência de papas entre 1309 e 1403, primeiro sem concorrência até 1378 e depois concretizando o Grande Cisma.

Val a pena visitá-lo demoradamente, ver os claustros, os longos corredoes, a janela das indulgências, a chaminé da cozinha principal onde todos os dias eram assadas mais de 20 vacas, num complexo sistemas de grelhas, a porta principal com as imagens decapitadas e decepadas quando a Revolução Francesa chegou ao palácio. E haveria mais, muito mais a dizer! O meu tempo é que é pouco, ficam algumas imagens.







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19.8.14

Por terras de França







Depois da Catalunha, hoje foi dia de Languedoc-Roussillon. Mais concretamente, Carcassonne e Montpllier.

90 quilómetros a sudeste de Toulouse, Carcassonne é uma bela cidade fortaleza, construída no fim do século IX e início do século X. Impossível não pensar em Óbidos, excepto que, por aqui, já não mora verdadeiramente ninguém: tudo está exclusivamente reservado a turismo.

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Quanto a Montpellier, confesso que não me disse muito. Agradável, certamente, com praças amplas e prédios que parecem de Paris (mas não são…), vestígios das velhas faculdades de Medecina, que tão célebre tornaram a cidade, uma parte antiga com ruelas simpáticas, mas não muito mais do que isso. Amanhã será a Provence e espero mais.





Mas repete-se o sentimento habitual quando faço incursões por esta velha Europa: vejo, gosto, mas não entranho, não muda nada. Vem-me sempre o desejo de ser teletransportada para outras lonjuras, de preferência para um qualquer país da América Latina, com menos becos e outros horizontes, de terras e gentes viradas para o futuro.

Quanto aos franceses, parece-me que estão a aproveitar os últimos cartuchos de um passado / presente já um pouco ilusório, sem se apeceberem do futuro próximo que os espera. Talvez não seja tão cinzento como o nosso, mas ainda assim… 
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18.8.14

Catalunha, dois países





Hoje foi dia de visitar o Mosteiro de Monserrart, perto de Barcelona, empoleirado no meio de montes com rochedos estranhíssimos, boleados, e com a sua famosa Virgem Negra ou La Moreneta, padroeira da Catalunha. Ainda por lá vivem 70 monges beneditinos que mantêm um complexo conjunto que inclui um hotel, uma escola, um coro de pequenos cantores, lojas, etc., etc.


Depois, foi longa a viagem, com muitos quilómetros em estradas com todas as vantagens europeias, sem burros etíopes, nem crateras como em alguns outros países por onde tenho andado, é certo, mas sem grande graça. Deu para dormir… 

Entrei em França, mas não saí da Catalunha, estou agora numa bela cidadezinha que não conhecia – Perpignan – onde há bandeiras catalãs por tudo quanto é sítio (Hôtel de Ville incluído), algumas delas expressamente separatistas. Ficam algumas fotos, amanhã é outro dia e há muito para ver.



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17.8.14

Bilhete-postal quase telegráfico




1 – As fachadas da Sagrada Família estão muito mais «acabadas» do que as vi há um ano. Mais de 300 pessoas trabalham intensamente para que a basílica fique pronta (???) em 2026, ano em que se celebra o centenário da morte de Gaudí. Mixed feelings.



2 – Nunca tinha reparado nas primeiras obras expostas de Gaudí: os candeeiros da Praça Real. 

3 – Ainda não foi desta que fui ao Barça ver o terceiro museu mais visitado ds 125 que existem em Barcelona! (Garantem-me que é verdade…) 

4 – Mas a maior novidade que vi até agora foi o número razoável de turistas, diante de paisagens lindíssimas ou belos monumentos, que não lhes apontam os telemóveis e optam por… selfies. Há mesmo uns dispositivos metálicos com uma ranhura onde se introduz o telefone e que «alongam» o braço para melhor performance! Notável e estranho mundo. 

5 – Amanhã, França.
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