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30.8.14

Lido por aí (102)

As Cidades e as Praças (60)



Praça da Comédia (Montpellier, 2014)





(Para ver toda a série «As Cidades e as Praças», clicar na etiqueta «PRAÇAS».)
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E la nave va



(Capa de 30:08:2014)

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Da desesperança



«Desde 2001 que muito se tem falado sobre fundamentalismo religioso. Mais que saber e compreender os fenómenos fundamentalistas, criou-se o hábito de para aí tudo remeter, de nesse grande invólucro dar guarita a tudo o que, tendo algum aspecto religioso no seu facies, criava incómodo ou afrontava o "Ocidente". (...)

É na "desesperança" que radica o centro do problema, não só dos fundamentalismos no seu todo, mas especificamente na capacidade de certos movimentos arregimentarem jovens para acções de terror com uma violência extrema. (...)

Em ambos os casos [Ocidente e Médio Oriente], os fundamentalismos, sejam os vindos de ideologias políticas, sejam os supostamente religiosos, alimentam-se desta desesperança, desta incapacidade de gerar valores e de criar perspectivas e horizontes. Incapazes de gerar utopias que alimentem vontades positivas e gerem futuro, o "Ocidente" esvai-se em protestos internos e guerras externas.

Até onde irá correr esta sangria, é mistério para o qual nem os mais doutos especialistas dão previsões. Os desafios que se colocam nas políticas internas e externas são de natureza completamente diferente dos paradigmas anteriores.

Se até agora os radicalismos se alimentavam da fome para acenar com um futuro, um modelo, agora alimentam-se da falta de modelos e de futuros. Combater a desesperança com "mais do mesmo" apenas vai fazer alastrar o Iraque a muitos outros iraques, uns fora de portas, outros bem cá dentro.»

O que são os meets?




Reportagem da SIC transmitida ontem, 29 de Agosto. 

É bom que isto seja visto, a começar por jornalistas. E pelos adultos que, desde sempre, certamente desde que o mundo existe, esperam que os jovens herdem as suas formas de sociabilidade e a linguagem que consideram adequada para a exprimirem. 
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29.8.14

Eu ainda sou do tempo



... em que jornais como o Expresso não publicavam títulos deste tipo.

(Expresso diário, 29:08:2014)
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Optimismos adiados «sine die»



«Afogados numa dívida impossível de pagar com o serviço da dívida a que estamos obrigados, e com um défice emagrecido à custa de impostos sucessivos, enquanto os "negócios" com o Estado continuam a florir para alguns, os portugueses olham com desencanto para a Europa. (...)

Tudo se está a desmoronar. O Estado social e o próprio Estado-nação, como se pode ver com o que está a acontecer entre a Síria e o Iraque por acção do Estado Islâmico ou na Líbia, aqui tão perto da Europa. Aquilo que a Paz de Vestfália criou, a soberania nacional e o Estado-nação parece agora um parêntesis. E isso está ligado a uma nova fractura de que ainda pouco se fala, mas que é cada vez mais evidente: a aliança entre o capitalismo e a democracia parece estar a terminar, ela que foi cimentada pela classe média (que está a ser destruída) e pela noção ética do trabalho como valor fulcral (como defendia Adam Smith). (...)

A Europa, nesse aspecto, parece presa na sua inércia e nos dogmas alemães, que apenas se vê como um país exportador (apesar de isso ter assentado em salários baixos e trabalho precário), sem entender que o seu futuro será insignificante no meio da santa aliança dos BRICS e no desprezo dos alemães, que sempre preferirão a Grã-Bretanha, como há muito foi desenhado. O colapso alemão fará implodir a União Europeia, mesmo que alguns julguem que nada disso sucederá. Mas com Estados frágeis e a globalização errante, com sociedades sem esperança no futuro e precárias, a democracia está a ser asfixiada. E a classe política parece ainda não ter acordado para isso.».

Fernando Sobral

Também podiam ter escolhido um gambozino


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É a política, estúpido!



Quanto aos debates que vão preceder as primárias do PS, e que serão certamente decisivos para o futuro do país (e da Europa, quiçá do mundo!...), Seguro queria que durassem 45 minutos, Costa 25. Naturalmente herdeiro da cultura salomónica, Jorge Coelho optou por 35. Sorte a dele: se o primeiro tivesse exigido 44:57 e o segundo 24:58, ver-se-ia obrigado a favorecer um deles com meio segundo.

E quanto à transcendente escolha da data para o primeiro embate, os dois candidatos ainda não conseguiram pôr-se de acordo.

Ainda há quem diga que não há diferenças entre Costa e Seguro?

P.S. - Parece que já acordaram  numa data: dois debates em dois dias seguidos!!! Brilhante.
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28.8.14

Sempre neste dia – «I have a dream»



Em 28 de Agosto de 1963, Martin Luther King pronunciou este seu célebre discurso, durante a «March on Washignton for Jobs and Freedom» que pode ser recordada neste vídeo.



(No fim deste post, o texto do discurso na íntegra.)


A propósito:








«I have a dream» – Texto:



Lido por aí (101)

Social-democracia?



Onde é que ela já vai! E não volta – digo eu e há muito tempo. O que se passa em França é paradigmático. O passado já foi, para a frente é que é o caminho, mesmo que ainda não se veja claramente como será.

A propósito do caso francês, Fernando Sobral, no Negócios de hoje:

«A social-democracia europeia perdeu-se entre a globalização e o projecto europeu e nunca mais conseguiu encontrar um caminho próprio.

Não entendeu que estes dois factos, em conjunto, enfraqueceram o controle do Estado sobre os mercados e privilegiaram a economia face aos factores políticos e sociais. O seu castelo encantado, o Estado social, ficou assim refém de decisões alheias. Perdendo-se nesse novo mundo, a social-democracia foi incapaz de descobrir um sonho que atraísse os cidadãos.

Aquilo que se está a passar em França, com o catavento François Hollande, que de tanto andar à roda há-de cair estatelado no chão, evidencia esta falência. Há pouco mais de um mês, Manuel Valls, explicava a quem o queria ouvir o que era esta "nova social-democracia" que está agora reflectida no novo governo francês: "os franceses não estão interessados se é um programa das esquerdas ou das direitas. Querem pragmatismo. A esquerda pode morrer se não se reinventa, se renuncia ao progresso". Ou seja, a "nova social-democracia" não é de esquerda ou de direita: de manhã pode ser Jekyll e à tarde Hyde. Desde que conquiste e permaneça no poder. E que seja pragmática. Valores? Esqueçamos. Sendo assim, a esquerda passa a ser idêntica à direita.

A escolha dos cidadãos passa a ser sobre quem acham mais competente para CEO e para CFO. Essa insolvência ideológica torna a social-democracia incapaz de perceber porque os Estados estão hoje reféns dos mercados, e a Argentina é incapaz de pagar as dívidas porque um juiz americano decide como e quando elas devem ser pagas.

É neste pântano que António José Seguro e António Costa brigam pelo poder no PS. Amarrados ao Tratado Orçamental e à política de austeridade a ele inerente, que não permitirá baixar impostos (como diz Seguro) e onde tudo se centra na fulanização (como quando Costa pede que Rio faça uma revolta popular no PSD), mostram porque François Hollande é um fiasco.» 
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27.8.14

Medo!!!



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É isto


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Lido por aí (100)

A natalidade que não temos



No Negócios de hoje, João Taborda da Gama fala de natalidade, mais exactamente de «Procriação fiscalmente assistida», e destaco este parágrafo porque há anos que defendo o que nele é dito: «A baixa fecundidade lusa não é coisa que me preocupe muito. No grande esquema das coisas, tanto valor tem uma criança nascida em Cantanhede como em Cantão, e não parece que a população do mundo, que não termina ali em Gibraltar nem nos Urais, esteja para acabar». Escrevi em tempos um texto em que imaginava o Alentejo desertificado cheio de famílias cambojanas e hei-de repescá-lo um dia.

Pretender aumentar a natalidade com medidas fiscais é não só ineficaz como absurdo, quando, simultaneamente, se constroem toda a espécie de muros para que só circulem nativos europeus ou candidatos a vistos gold. A Europa (e Portugal por tabela) já não é, e nunca mais será, terra de gente branca com olhos azuis. Se estes não se multiplicam... azar venham outros.

O texto de JTG merece ser lido na íntegra, mas pode só estar disponível um pouco mais tarde. Ficam alguns excertos.

«Há agora uma obsessão europeia com políticas de fomento natalista que incluem medidas fiscais. E Portugal está em último quanto a número de filhos – aliás, somos também o país com menor actividade física, e não parece que as coisas andem desligadas. (...)

Em matéria de família, cada uma sabe de si; já vi céus e infernos em famílias grandes e em famílias pequenas, em famílias com pai e mãe, só com pai, só com mãe, só com mães, só com pais. Liberalismo selvagem é a minha filosofia sobre natalidade. Quanto menos controlo, melhor. Desse, do Estado e da sociedade. O futuro a Deus pertence e quando estiver a morrer só me hei-de arrepender dos filhos que não tive e, enquanto cá estiver, gosto pouco que me digam que tenho filhos a mais ou a menos. Pratico em relação aos outros uma feroz abstinência proselitista natalista, e a última coisa que quero é o IRS a piscar-me o olho para ir ao sexto filho. (...)

Ter filhos por causa de um benefício fiscal é comprar uma casa no Algarve por causa da Nespresso de oferta, e o povo é mais esperto do que isso. (...)

Se o quociente familiar é uma medida de justiça fiscal que repõe a igualdade entre famílias grandes e pequenas, há ainda uma proposta que ajuda à tranquilidade de alguns lares: a possibilidade de declaração separada. O argumento para a declaração tributária separada é o de que havendo liberdade quanto a finanças conjugais separadas (o princípio "uma cama, duas contas"), não pode o Fisco impor um momento anual de intimidade conjugal patrimonial. Admito uma visão de conjugalidade ultrapassada e minoritária que passa pela partilha quer de contas bancárias, quer de wc (há agora a moda dos dois lavatórios), e sobretudo não compreendo o que pode levar um casal a querer preencher duas, e não uma, declarações de IRS. Mas também aqui é preciso afastar preconceitos pessoais. A possibilidade de declaração separada era necessária à luz do princípio da maior neutralidade possível da lei fiscal. Felizes esses lares onde a 31 de maio não haverá angústias ("Zé Manel, marcelopresidente2016 está-me a dar erro, e já só tenho uma tentativa. Qual era o raio da senha? – Tenta santana, deve dar, mas não juro") nem recriminações (mas deitaste fora os recibos todos da farmácia como, Maria?!?!").» 
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26.8.14

As Cidades e as Praças (59)



Praça do Palácio (Monte Carlo, 2014)





(Para ver toda a série «As Cidades e as Praças», clicar na etiqueta «PRAÇAS».)
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Impostos e mais impostos



«Houve um tempo em que foi criada uma lei que proibia os portugueses de andar descalços. A multa era de 2$50. Uns sapatos custavam menos do que dois escudos e cinquenta centavos, mas quem andava descalço não ganhava o suficiente para os comprar.

Portugal de hoje não é tão pobre. Mas centenas de milhar de portugueses já não têm qualquer salário ou apoio estatal. A austeridade foi o soro milagroso que nos foi vendido como a forma de asfixiar a dívida e o défice. Os equívocos estão à vista: a dívida é cada vez maior, o Estado continua a aumentar as despesas, as exportações mostram sinais de cansaço.

A Europa parece uma prisão de devedores e Portugal não tem acesso à chave para fugir dela. Face a este descalabro a única certeza dos portugueses é que os impostos vão continuar a aumentar. Até ao dia em que trabalhar deixará de ser uma opção, porque não valerá a pena. (...)

Só falta nascer um imposto sobre quem anda calçado.»

Fernando Sobral

Da série «grandes capas»


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Bom dia, Julio Cortázar



Cortázar faria hoje 100 anos e já morreu há 30.

Em jeito de homenagem, convido-vos a olhar para o canto superior direito deste blogue e a seguir as instruções. Poderão ler muitos textos seus, que fui publicando aqui – prova da profunda admiração que há muito tenho pelo escritor e pelo homem. 
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25.8.14

Privilégio



Ter estudado nesta belíssima cidade – Leuven / Louvain «la vieille», na Bélgica.




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Lido por aí (99)

A reforma que nunca saiu da gaveta



«Depois das mais recentes decisões do Tribunal Constitucional, a reforma do Estado fica definitivamente na gaveta, de onde, aliás, parece nunca ter saído.

Pedro Passos Coelho anunciou que até ao final da legislatura não irá propor mais nenhuma reforma da Segurança Social, uma vez conhecida a decisão do TC que se opõe ao corte das pensões. Diga-se que o Governo ainda não entendeu que "reformar" não é cortar pensões nem vencimentos. "Reformar" é repensar funções e definir modelos de governação da "coisa pública". Enquanto este governo "liberal" não perceber o óbvio, continuamos alegremente a diminuir a eficiência pública, a desmotivar os funcionários e a "atrofiar" a economia em nome do financiamento do Estado, porque não há coragem onde existem interesses pessoais e apropriação privada das estruturas públicas, na "partidocracia" em que vivemos, que se habituaram a alimentar do sistema. (...)

Mais do que grandes ideólogos ou utópicos, fazem actualmente falta, em Portugal e na Europa, grandes estadistas mas com visão da sociedade e capacidade de projecção, com grande sentido prático e simplificador. As ideologias que conhecemos são produto do século passado e de contextos próprios e não se adaptam ao mundo global e às novas formas de organização social contemporâneas. A generalidade das instituições não se adaptaram às novas realidades sociais e económicas, ao nível da família, da demografia, da tecnologia, das empresas, no desenho de novos sistemas sociais e redefinição de funções. Insiste-se num modelo decrépito para regular um sistema novo. Não funciona. (...)

Certo é que a dívida pública não para de crescer e está a ser sustentada pelos únicos agentes que geram valor e cada vez com mais dificuldade – famílias e empresas. O mesmo será dizer que continuamos alegremente a acelerar em direcção ao precipício, mas em vez de 200 km/hora vamos só a 100 km/hora. É esta a gestão do Governo. Infelizmente o destino e o caminho são os mesmos. Muda apenas a velocidade e o tempo em que lá chegaremos, adiando por uns "instantes" o embate.»  

Há 70 anos – a libertação de Paris



Entre 19 e 25 de Agosto de 1944, a libertação de Paris pôs fim a quatro anos de ocupação. Hoje celebra-se, de diversos modos, este 70º aniversário.

Nesse mesmo dia 25, Charles de Gaulle, chefe do Governo Provisório, fez um discurso à população, que ficou célebre e imortalizado em algumas frases: «Paris outragé! Paris brisé! Paris martyrisé! Mais Paris libéré!».





A ver, também, um documentário, de cerca de 30 minutos, feito pela resistência francesa.







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24.8.14

Então ele não tinha mais jeito para isto do que para fazer discursos no Pontal e em Valpaços?



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As Cidades e as Praças (58)



Praça da República (Arles, 2014)

Obelisco, igreja S.Trophime e igreja Santa Ana:




(Para ver toda a série «As Cidades e as Praças», clicar na etiqueta «PRAÇAS».)
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Lido por aí (98)


@João Abel Manta

* Inmigración en Europa: en lugar de soluciones, contradicciones (Federico Mayor Zaragoza)

* ¿De qué solidaridad habla la Unión Europea? (Emir Sader)

* Uma coisinha simples (Ferreira Fernandes)
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PPC, o homem novo



«Há dois anos, no Aquashow, o primeiro-ministro menos bronzeado mas com mais cabelo anunciava o fim da crise em 2013. Uma vitória que atribuía aos portugueses e aos empresários do nosso país (ainda eram alguns, nessa altura). Dois anos depois, surge no Pontal um homem novo. A designação "homem novo" não surge por acaso. O Passos do Pontal é um revolucionário. (...)

No discurso aos Pontalinos, P.Coelho destrói os poderosos. Fala de uma sociedade com os pilares assentes no "podre". Segundo o PM, o BES, que esteve envolvido nas recentes privatizações, fazia parte dos alicerces podres. Afinal, o Marinho e Pinto vai regressar porque está preocupado, dado que Passos roubou-lhe o discurso. (...) Por momentos, pareceu-me ouvir gritar: "Assim se vê a força do PSD" e "Força, força camarada Passos, nós seremos a muralha de aço(s)". O PSD de Coelho larga a "paz, pão, povo e liberdade" e adopta o "quando o pão que comes sabe a merda/o que faz falta". Faltou acabar a festa a queimar sapatos de vela e calças de pinça.

Vamos lá ver, este discurso do Passos até podia fazer sentido se ele tivesse acabado de chegar a Portugal depois de 20 anos de exílio na Manta Rota, mas foram só 15 dias.»

João Quadros