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22.11.14

De que vamos viver no futuro?



Miguel Sousa Tavares, no Expresso de hoje.
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É só para dizer



... que a Terra continua a girar à volta do Sol.
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Bloco de Esquerda ou Remax?




«Esta pergunta foi feita por Paulo Portas, quando no Parlamento se explicava sobre os vistos gold, política de que é o principal patrocinador.

Esta frase merece ficar na memória destes anos de lixo, juntamente com o “irrevogável” do mesmo autor, e de algumas outras de Passos Coelho sobre os “piegas” versus os empreendedores, ou o “ir para além da troika”, ou a “austeridade criadora”, ou o fabuloso conceito de “justiça geracional”, ou os saltos no palco do “jovem” comissário do Impulso Jovem que nunca deve ter percebido como é que acabou a sua nobre missão de explicar a inutilidade de saber história ou sequer de estudar. Hoje tudo isto nos parece ridículo e perigoso, uma combinação sinistra, até porque tudo ainda está no activo. Vamos um dia olhar para estas frases, com a distanciação possível da história, e perceber melhor o retrato de um período negro da história portuguesa, em que o país foi estragado por uma mistura de ideias erradas e muita incompetência. (...)

E a pergunta das mais certas que há: quem destruiu mais postos de trabalho? Portas ou o BE? Portas ou a Remax? Resposta: Portas e o CDS. E Sócrates – dirão as vozes? Sim, é verdade, Sócrates, Passos Coelho e Portas estão bem uns para os outros. Repito de novo a pergunta que seria aquela que de imediato lhe faria, se ele a fizesse à minha frente: quem destruiu mais postos de trabalho? Portas ou o BE? Portas ou a Remax?

Aplicada aos vistos gold, a frase de Portas tem um significado unívoco: se dá dinheiro, vale tudo. Todo o resto da argumentação é paisagem – os outros também fazem, o dinheiro entra pela banca em cheque, comprar casas de luxo ajuda à nossa economia, etc., etc. Mas a essência é: se dá dinheiro, pode comprar tudo, mesmo esse intangível valor que é a residência em Portugal e depois a nacionalidade. É este sentido que torna a frase muito simbólica dos nossos dias, em que o “estado de emergência” se faz em primeiro lugar sentir no domínio da ética pública. (...)

A frase de Portas pode também ser formulada de outras maneiras: o que cria mais emprego? A prostituição ou Portas? A prostituição. O que cria mais emprego? O crime ou Portas? O crime. O que cria mais emprego? A corrupção ou Portas? A corrupção. O que cria mais emprego? A “economia paralela” ou Portas e a maioria? A economia paralela. O que cria mais empregos? A guerra ou Portas? A guerra. E por aí adiante. Há dez mil coisas más que criam mais emprego do que Portas e a maioria, e isso não as justifica.» 
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21.11.14

Lido por aí (167)


@João Abel Manta

* El resurgimiento de la otra España (Vicenç Navarro)

* O colonialismo nunca existiu? (Miguel Cardina)

* Eles são outros (Nuno Costa Santos)
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Nova mediocridade



«Há algumas semanas, a directora do FMI, Christine Lagarde, cunhou um novo termo: "the new mediocre". A nova mediocridade tinha a ver, claro, com a economia global e a incapacidade de gerar crescimento.

Muitas vezes a macroeconomia parece pouco ter a ver com a realidade da vida diária, mas a mediocridade apontada por Lagarde acaba por se revelar mais vasta. Ela mostra o nivelamento por baixo a que assistimos nesta sociedade, da política à economia ou à cultura. A mediocridade tornou-se hegemónica, limitando a criatividade. Todos estamos reféns de vias únicas ("não há alternativas" dizem muito por aí), reinventando e homenageando o que teve sucesso no passado, onde não há espaço para a inspiração.

O afunilamento criado por esta mediocridade é visível numa Europa, teoricamente liderada por um homem que conviveu democraticamente com a governação de um país que era uma verdadeira "off-shore" (e ainda se fala da Madeira!) em concorrência com a fiscalidade de outros países da UE, tal como faz a Holanda ou a Grã-Bretanha. Esta mediocridade é também notória na política de austeridade como única via que leva a que os países mais pobres e endividados tenham de, para lá da chamada desvalorização interna, criar coisas como os vistos "gold" com exigências débeis. Só para conseguir dinheiro. (...)

Não é por acaso que a Europa vive o seu lento suicídio e que a criatividade está em Silicon Valley e não por aqui. Foi esta mediocridade que sempre tornou Portugal, com raras excepções, um lugar de emigração e de corrupção. Todo esse modelo medíocre está de regresso, o que é pena, porque este país teve possibilidades de ser um modelo de modernidade, inovação e criatividade. Mas preso nas mãos da mediocridade que ocupou o centro de tudo, o Estado, Portugal é o que se vê. "Viver não é necessário. Necessário é criar", dizia Fernando Pessoa. Nunca isso foi tão válido nesta nova mediocridade.»

Fernando Sobral

Vistos gold – As suspeitas não começaram há uma semana



«“Todos os clientes que nos procuraram para os ajudar a obter “vistos gold” queriam tudo menos o visto: pretendiam, tão só, que os ajudássemos a proceder a planeamento fiscal abusivo ou a legalizar dinheiro obtido por meios duvidosos”. (...)
O advogado [Miguel Reis] já tinha alertado quer o presidente do Instituto de Registos e Notariado – agora apontado como principal suspeito do caso da corrupção com os ‘vistos gold’ – quer o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, para a proliferação da procuradoria ilícita e da fraude fiscal nas conservatórias do registo civil.»

(Daqui)

Há 39 anos, o juramento no Ralis


A quatro dias do 25 de Novembro, o juramento de bandeira dos cento e setenta novos recrutas do RALIS, em 21 de Novembro de 1975, ficou para a História como símbolo de fim de ciclo, foi uma espécie de canto do cisne de um PREC que se aproximava do seu fim.


Muitos dos que com ele vibraram, encolherão hoje os ombros. Outros, sobretudo mais novos, verão estas imagens com alguma estranheza, porventura com uma ponta de inveja de tempos que não viveram. Para uns tantos, são uma relíquia – de «um sonho lindo que acabou».

A notícia no Diário de Lisboa do dia:


20.11.14

PS e PSD unidos

Falcatruemos



«Uma das razões para adquirir o visto gold é a possibilidade de vir para um país que não incomoda os autores de falcatruas. Se os autores de falcatruas começam a ser presos, e até os seus amigos são forçados a demitir-se, não são apenas os vistos gold que perdem valor, é Portugal que deixa de fazer sentido. Sempre que uma falcatrua é conhecida, alguns portugueses indignados perguntam: "É neste país que queremos viver?" Inúmeros chineses endinheirados respondem: "Sim, se faz favor."»

Na íntegra AQUI
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Lido por aí (166)

Passos Coelho pilota um caça suicida



«A implosão de um sector central do Estado, o da segurança (a começar pelo SEF e pelo SIS), mostra que Portugal, hoje, se pode disfarçar de John Wayne, mas as suas pistolas são de plástico.

Nunca, como agora, foi tão notório o colapso estrutural do Estado português e isso temos de agradecê-lo a Pedro Passos Coelho e ao seu clube de iluminados. Eles quiseram fazer do País, à boleia da troika e da austeridade, um condomínio liberal que seria exemplo para o mundo.

O resultado é hoje uma terra de ninguém, onde desapareceu a segurança no Estado, em que tudo parece estar à venda (das empresas à moral), onde o futuro é todos os dias uma incógnita. Passos Coelho e o seu Governo criaram um sítio balcanizado, onde todos desconfiam de todos, em que todos (em nome da fuga ao fisco) são polícias de todos, em que a luta por um emprego acima do salário mínimo é um salto social. (...)

A incapacidade de fazer uma remodelação séria, o último fogo-de-artifício possível, foi desprezada pelo primeiro-ministro. Ele não guia um Titanic: pilota um caça suicida. Talvez por isso parte do PSD esteja em pânico, ciente de que a questão não é perder as eleições: será a forma como elas serão perdidas e o custo futuro que terão. O PSD está habituado a imolar os seus anteriores líderes com rigor sacramental. Mas o legado de Passos Coelho será mais difícil de varrer. É difícil esquecer a destruição de um País.»

Fernando Sobral

19.11.14

Imigrantes sem milhões – ou com eles



Crónica de Diana Andringa, hoje, na Antena1: 

Há uma semana, na minha última crónica, depois de referir uma grande operação policial no bairro 6 de Maio, perguntava-me o que apreenderiam operações semelhantes em outros bairros de outras zonas de Lisboa. Houve quem mo recordasse, após as primeiras detenções da chamada Operação Labirinto. Mera coincidência, respondi. Mas talvez nem tanto. Antes um reiterado mal-estar pelo modo como tão naturalmente se olham como suspeitos habitantes de bairros degradados, e se aceitam como acima de qualquer suspeita os moradores de outros bairros; como tão rapidamente se fecham as portas a imigrantes que buscam entre nós uma vida melhor, dispostos a pagá-la com o suor do seu rosto e os impostos que lhes sejam aplicáveis, e se abrem, com vénia, a quem quer que traga, na bagagem, os quinhentos mil ou o milhão de euros necessários à compra de um visto dourado.

Admito que, na base desse mal estar, esteja não só a dúvida metódica criada pelo facto de que são raros os cidadãos que, tendo trabalhado legal e duramente toda a vida, dispõem de semelhantes quantias, mas também a memória de frases antigas, desde a proudhoniana “a propriedade é o roubo” à bíblica “é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”. Mas há uma memória mais recente, a da circular 14, em plena Segunda Guerra Mundial, em que o Ministério dos Negócios Estrangeiros, então chefiado por Salazar, ordena que “com respeito a todos os estrangeiros devem os cônsules procurar averiguar se têm meios de subsistência”.

Pragmatismo? Defesa do interesse nacional? Pois talvez. Mas escolher os que sucumbem e os que se salvam pela quantia que têm no banco – ou trazem na mala – repugna-me tanto hoje como no dia em que vi, nos telegramas trocados entre o consulado de Bordéus e o MNE em Lisboa, a referência à conta bancária a acompanhar o pedido de autorização para a passagem de um visto.

Temo, no entanto que os que o fazem continuem a ouvir reverentemente na igreja o Evangelho segundo Mateus e talvez até celebrem, de quando em vez, a memória dos cônsules que recusaram olhar para a conta bancária daqueles que os procuravam na esperança de um visto. E, talvez infantilmente, essa hipocrisia incomoda-me mais do que os proventos que alguns possam ter retirado indevidamente da venda dos vistos dourados.


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«Investiguemos», pois

Para memória futura




«Se ninguém tiver maioria absoluta é desejável que exista uma coligação [à direita] (…) para garantir a devida estabilidade política.» 
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Passos Coelho e «O Leopardo» de Lampedusa



«Entre "O Príncipe" de Maquiavel e "O Leopardo" de Tomasi di Lampedusa há uma oposição clara. O Príncipe defende a acção política em busca do poder. Pelo contrário, o Leopardo acredita que é pela inacção que o poder se mantém.

Ou seja, num mundo onde os acontecimentos são por vezes ilusórios e superficiais, o poder, os interesses instalados e a subordinação mantêm-se e adaptam-se. Não admira que o príncipe de Salina, de "O Leopardo" considere que "tudo deve mudar para que tudo possa ficar na mesma". Na hora da queda de Miguel Macedo, Passos Coelho julga ser o Leopardo.

As mudanças fazem-se para que nada mude, mesmo que o Governo cheire a bolor, que São Bento seja um centro político paralisado, que existam ministros como o da Educação e a da Justiça que tenham passado o prazo de validade como os iogurtes. Passos Coelho resiste a tudo, porque só quer ser reconhecido como o homem que "salvou" as finanças. Mesmo destruindo a vida dos portugueses. E é por isso que desvaloriza a necessidade de uma grande chicotada psicológica no Governo para poder, ainda, sonhar em ganhar as eleições.

Passos Coelho, ingenuamente, acredita que se perder em 2015 regressará depois, não como o Leopardo, mas como o Desejado. A política instalou-se hoje no mundo táctico, seja a nível de debate, de agenda ou do horizonte futuro. Passos Coelho, cujo núcleo político é indigente, pensa que a sua sobrevivência no futuro passa por observar, manipular os factos e mudar o menos possível. Acredita que assim, mesmo perdendo em 2015, ganhará mais tarde. É hoje claro que Coelho não tem nenhuma visão de uma política portuguesa ou europeia e é incapaz de resolver a crise porque não a compreende na sua complexidade. O seu único dogma é um liberalismo inexistente que ele quer aplicar a Portugal. Por isso, nada quer mudar no centro do poder. Porque a única remodelação necessária era Passos Coelho remodelar-se a si próprio.»

Fernando Sobral

18.11.14

Lido por aí (165)


@João Abel Manta

* Desresponsabilização (Pedro Braz Teixeira) 

* Podemos.pt (Boaventura Sousa Santos) 

* The 'Caliphate's' Colonies: Islamic State's Gradual Expansion into North Africa (Mirco Keilberth, Juliane von Mittelstaedt e Christoph Reuter) 
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Inxalá


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Manuel António Pina, 71



Nasceu em 18 de Novembro de 1943, faria hoje 71 anos. É mais do que trivial, mas não deixa por isso de ser verdade: faz-nos falta, daria mesmo muito jeito que ainda nos ajudasse, todos os dias, com as suas crónicas inconfundíveis e com a leitura dos seus livros.

Hoje, o grupo de «Amigos à Espera do Pina» divulgou publicamente o local onde está sepultado o escritor – o cemitério de Agramonte, no Porto – e organiza iniciativas para assinalar a data do seu nascimento: o descerramento de uma lápide no cemitério, uma exposição, na Alfândega do Porto, com rascunhos e objectos do poeta, e uma sessão, na Biblioteca Almeida Garrett, em que serão lidos poemas de sua autoria.

Em jeito de homenagem, o que julgo ter sido a última crónica que publicou no JN (1/8/2012):

Coisas sólidas e verdadeiras

O leitor que, à semelhança do de O'Neill, me pede a crónica que já traz engatilhada perdoar-me-á que, por uma vez, me deite no divã: estou farto de política! Eu sei que tudo é política, que, como diz Szymborska, "mesmo caminhando contra o vento/ dás passos políticos/ sobre solo político". Mas estou farto de Passos Coelho, de Seguro, de Portas, de todos eles, da 'troika', do défice, da crise, de editoriais, de analistas!

Por isso, decidi hoje falar de algo realmente importante: nasceram três melros na trepadeira do muro do meu quintal. Já suspeitávamos que alguma coisa estivesse para acontecer pois os gatos ficavam horas na marquise olhando lá para fora, atentos à inusitada actividade junto do muro e fugindo em correria para o interior da casa sempre que o melro macho, sentindo as crias ameaçadas, descia sobre eles em voo picado.

Agora os nossos novos vizinhos já voam. Fico a vê-los ir e vir, procurando laboriosamente comida, os olhos negros e brilhantes pesquisando o vasto mundo do quintal ou, se calha de sentirem que os observamos, fitando-nos com curiosidade, a cabeça ligeiramente de lado, como se se perguntassem: "E estes, quem serão?" Em breve nos abandonarão e procurarão outro território para a sua jovem e vibrante existência. E eu tenho uma certeza: não, nem tudo é política; a política é só uma ínfima parte, a menos sólida e menos veemente, daquilo a que chamamos impropriamente vida. 
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O aviário faliu



«Os vistos "gold" eram as galinhas dos ovos de ouro deste Governo. O aviário faliu. A corrupção matou a galinha, porque ninguém mais vai confiar que ela tinha um tesouro dentro.

A corrupção aniquilou a credibilidade dos vistos "gold" portugueses, fez implodir um ministro e arrasou parte da elite policial do país, do SEF ao SIS. Sobretudo transformou em cinzas a credibilidade do Estado, permeável até ao mais nível do pecado da gula e da ganância. A tutela moral do Estado, em sectores cruciais como a justiça e a segurança, é agora uma chalaça. (...)

Os últimos meses estão a transformar Portugal numa comédia de horrores, transfigurando grotescamente aquilo que era a elite nacional. Cai o rei de copas, cai o rei de espadas, cai o rei de ouros, cai o rei de paus, cai tudo e não fica nada, cantava alguém. Não fica: nem autoridade do Estado, nem moral para se pilhar com impostos os rendimentos dos portugueses que trabalham e que deixaram de acreditar no que quer que seja.»

Fernando Sobral

17.11.14

Lido por aí (164)

Vistos death


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Há 25 anos, a «Revolução de Veludo»



Praga, 17 de Novembro de 1989. Com início no campus universitário e concentração final na mítica Praça Wenceslas, teve lugar uma marcha pacífica de estudantes, que pretendia assinalar a morte de Jean Opletal e o encerramento das universidades checas pelos nazis. A manifestação foi fortemente reprimida pela polícia, facto que desencadeou uma onda de eventos que iria durar até final do ano e que congregou um número crescente de participantes.

Momento alto em 27 de Novembro, dia de greve geral, em que Mikhaïl Gorbatchev fez uma declaração em que condenou a operação do Pacto de Varsóvia, que pôs termo à Primavera de Praga em 1968, numa clara demonstração de ausência de suporte ao governo da Checoslováquia, por parte da União Soviética.


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16.11.14

Para acabar o Domingo



Via «A criada Malcriada» no Facebook.
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Fefé, quem te viu e quem te lê!



Ferro Rodrigues, em entrevista ao Público de hoje.

«Nós não sabemos o que vai acontecer à esquerda "entre aspas" – digo sempre "entre aspas" porque não acho que haja forças mais à esquerda que o PS.»

À esquerda do PS é o deserto. Talvez na margem Sul, naquele que foi imortalizado pelo célebre «Jamais!» de Mário Lino. Sinceramente...
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Lido por aí (163)

Vistos – de ouro e com muitos quilates



Infelizmente, não tenho nenhuma casa para vender com direito a proporcionar vistos gold, ou ela já seria hoje chinesa e eu andaria por aí a dar a volta ao mundo, de preferência em cruzeiros aéreos, que é o que está a dar. Mas vou contar uma história.

Há poucos meses, soube de uma pessoa que comprou um andar na Expo, há meia dúzia de anos, e que foi contactada por uma imobiliária que pretendia adquiri-lo para depois o revender a um chinês. Foi oferecida uma quantia aparentemente astronómica pelo dito andar, que nenhum português pagaria, e que correspondia mais ou menos a três vezes o valor pelo qual tinha sido comprado.

Nem sei se o negócio se concretizou, mas lembro-me de pensar que havia algo de estranho no caso: com tantas casas à venda em Lisboa, por que motivo um comprador estaria disposto a pagar um tal preço, aparentemente inflacionado e bem superior aos 500.000 euros necessários para um gold? Desde há alguns dias, as minhas dúvidas adensaram-se: quanto, a mais da dita quantia, já altíssima, viria a ser pedido pela imobiliária ao comprador de Xangai ou de Pequim para que várias comissões pudessem ficar pelo caminho?

Ora bem: se até eu sei deste caso, ninguém em todo o circuito, de ministros a vendedores de imobiliárias, soube, desconfiou, pressentiu, que fenómenos deste tipo grassavam por aí? Ora... 
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