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24.1.15

Le Temps des Syriza



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Lido por aí (217)

Keep calm



Grécia e a quebra do «centrão»



«A Grécia foi o berço da Democracia. Volta a sê-lo. Agora de uma democracia reanimada. Uma vitória do Syriza este domingo terá um grande alcance. Muito maior do que a simples ascensão da extrema-esquerda ao poder governativo. É a própria democracia, tal como ela tem sido entendida e praticada, que sofre um grande abanão.

Vivemos, na Europa, no lugar mais livre do planeta, onde o cidadão tem mais direitos e maior diversidade de escolha política. Um espaço tão livre que assusta muita gente, como se sabe. Fundamentalistas, fanáticos, tiranos de todo o género. E também muitos idiotas, sobretudo nas extremidades da direita e da esquerda. Mas, nem por isso, podemos falar de uma democracia avançada. (...)

Apesar do descrédito da política as nossas sociedades vão assim saltitando numa alternância inconsequente. Umas vezes vota-se à direita, outras na esquerda moderada. O centrão domina. E com ele o mesmo pensamento, as mesmas receitas, as mesmas políticas ditas irremediáveis. (...)

A Grécia está prestes a provocar um verdadeiro terramoto na política europeia. Primeiro, porque vai fazer frente à ideologia dominante da austeridade, seguida pelos governos de direita e também pelos da esquerda socialista. Será necessário encontrar novas soluções, já que a expulsão não passa de uma chantagem reles. A renegociação da dívida é inevitável. Segundo, porque a vitória de um partido exterior ao famoso "arco da governação" quebra um inaceitável tabu antidemocrático. Se tal suceder, graças aos gregos, a Europa na segunda-feira será mais livre e mais democrata.» (Realce meu.)

Leonel Moura

23.1.15

Lido por aí (216)


@João Abel Manta

* Davos: Fear ascendant (Felix Salmon)

* End austerity before fear kills Greek democracy (Alexis Tsipras)

* Al día siguiente de la victoria (Isaac Rosa)
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Grécia: Vassilis Vassilikos, ainda



Aos 77 anos, Vassilis Vassilikos, o velho escritor grego, autor de Z que muitos de nós ainda terão na memória, dá uma bela entrevista a Joana Pereira Bastos, publicada hoje no Expresso diário.

Alguns excertos:


 (...)


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Na Grécia, na hora do «vale tudo»!



Uma candidata na Nova Democracia avisa os gregos: preparem-se, já que, caso o Syriza ganhe as eleições, nem papel higiénico teremos!

 E dá argumentos: «There is no toilet paper in Argentina and Venezuela. Therefore, I recommend, you do your supplies.»
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Domingo grego: também catarse



A vitória do Syriza nas eleições de Domingo pode significar (também) um momento de catarse – diz João Quadros, hoje, no Negócios. Certíssimo: nem é preciso sair das redes sociais para ver a quantidade de pessoas que sempre olharam para o partido em questão por cima do ombro, e com total descrença, e que hoje preparam garrafas de espumante para Domingo à noite. 

«Domingo há eleições no berço da democracia. A maioria das sondagens dá como provável a vitória da coligação Syriza.

Muitos políticos e jornalistas gostam de chamar ao Syriza a esquerda radical, apesar de o líder não usar rabo-de-cavalo, não querer sair do Euro e ter um programa, em parte, social-democrata. São radicais porque querem mudanças, o que, nos nossos dias, é considerado muito radical. Chamar esquerda radical ao Syriza é um exagero, é o mesmo que chamar socialista ao Assis ou muito, muito fascista a Cavaco. Bem sei que o nome da coligação é Coligação da Esquerda Radical, mas radical em grego não significa exactamente o mesmo que para nós. É diferente, é como os iogurtes. (...)

Para os que querem assustar os eleitores gregos com o fantasma do radicalismo e da saída do Euro o nome a reter não é Alexis Tsipras, é Angela Merkel. Foi a teimosa alemã quem primeiro falou na possibilidade de a Grécia sair do Euro sem grande incómodo. Neste momento, o maior perigo para o Euro não é o Syriza, é a política da senhora dos dois mil conjuntos de saia-casaco. Ela não altera uma linha no que veste, não vai querer alterar um ponto no que quer que os outros vistam.

A vitória do Syriza nas eleições de domingo pode significar um momento de catarse, do grego "kátharsis, purificação", derivado de "êá?áßñù purificar". Significa purificação, evacuação ou purgação. Não encontro melhores imagens. É disto tudo que precisamos.» (Realce meu.) 
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22.1.15

Certeiro


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Papa e Miss Universo



Ricardo Araújo Pereira, na Visão de hoje:

«Foi uma semana muito triste para a harmonia entre os homens. A paz no mundo foi ameaçada precisamente pelas pessoas em quem mais confiamos para a defender, a saber: as candidatas a Miss Universo e o Papa. (...)

No meu tempo, as candidatas a Miss Universo nem sabiam onde ficava Israel. Amavam toda a gente e desconheciam profundamente a geografia. Se é para discorrerem sobre o conflito israelo-árabe, cedam o bikini ao Nuno Rogeiro.»

Na íntegra AQUI.
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Isto vale quantos sacos de plástico?



E quantos carros com matrícula anterior a 2000? Hipocrisia, pura e dura, destes dirigentes, europeus e portugueses, que estão a dar cabo de nós!


«Plus de 1.700 jets privés sont attendus depuis mercredi pour cette rencontre. (...) L'espace aérien suisse est l'objet d'un embouteillage très polluant, pour accueillir l'ensemble des puissants invités du Forum de Davos.» 
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Lido por aí (215)

21.1.15

Na Grécia como na Europa, deixem-nos decidir!



Carta subscrita por 222 pessoas (em que me incluo), entregue hoje na Representação da Comissão Europeia em Portugal (Centro Jean Monnet).

«No próximo dia 25 de Janeiro realizam-se eleições na Grécia, país que vive uma gravíssima crise humanitária provocada por um programa de austeridade. O desemprego e a pobreza aumentaram para níveis insustentáveis e assiste-se ao colapso das instituições fundamentais do seu Estado Social. O programa previa uma estabilização da dívida em 2012, seguida de um decréscimo sustentado, mas a dívida pública em percentagem do PIB em 2014 estava mais de 30 pontos percentuais acima do inicialmente previsto e continua a subir.

Portugal e outros países da União Europeia também sofreram as consequências desastrosas de políticas de austeridade, que falharam em toda a Europa. No entanto, a Comissão Europeia nunca realizou um balanço crítico das políticas que impôs. Na Grécia, como em Portugal ou em Espanha, 2015 será o ano em que esta política pode ser julgada em eleições legislativas. A democracia coloca aos cidadãos o direito e o dever de fazer escolhas livres e aos partidos políticos a missão de apresentarem programas com caminhos alternativos.

É inadmissível que, ao longo dos últimos meses, se venham multiplicando declarações de responsáveis das instituições europeias, incluindo comissários europeus, sobre o processo eleitoral na Grécia, carregadas de ameaças mais ou menos veladas, com as quais procuram condicionar as escolhas que só os gregos podem tomar. Tais declarações violam o dever de neutralidade a que estão vinculadas todas as instituições europeias e respectivos titulares, dever esse consagrado no direito comunitário. Estas tentativas de ingerência agravam a crise de legitimidade democrática e o descrédito dessas instituições.

Nós, cidadãos portugueses e europeus abaixo-assinados, repudiamos qualquer tentativa de chantagem ou condicionamento das escolhas da democracia. Exigimos respeito pelas opções dos cidadãos gregos, como exigiremos respeito pelas nossas. Porque sem democracia não haverá saída para a crise, dizemos: DEIXEM-NOS DECIDIR!»

Tratou-se de uma iniciativa do Congresso Democrático das Alternativas e a lista completa dos subscritores pode ser consultada AQUI
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Citação do dia



«Não quero saber se Cavaco foi ou não salazarista, o que seria a menor das críticas, perante o facto de ter demonstrado ser alguém que espojou a sua vida familiar diante dos esbirros do regime, apontando o dedo à segunda mulher do sogro, sem querer saber se a deixava – e ao sogro – em apuros. Há uma coisa muito pior do que ser um salazarista convicto: é não prestar para nada!»

Óscar Mascarenhas, no Facebook.
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«Je suis Charlie», mas



Crónica de Diana Andringa, ontem, na Antena 1:

Há alguns já largos anos, uma jovem actriz inglesa disse-me que sabia de cor os argumentos a favor da monarquia: é que, sendo ela republicana, nos debates escolares era normal escolherem-na para defender a posição oposta. “É uma maneira de aprendermos que todos os lados têm argumentos a seu favor.”

Lembrei-me disto nos últimos dias, quando vários daqueles que não hesitaram em proclamar a “Eu sou Charlie!” desferiram ataques violentos contra outros que, solidários embora com as vítimas do ataque ao semanário satírico francês, ousavam acrescentar à condenação um “mas” ou um “no entanto”.

“Mas” ou “no entanto” estão longe de significar concordância com o atentado: significam, antes, o desejo de compreender as raízes dessa acção, porque só compreendendo-as é possível combatê-las eficazmente. O unanimismo que, no tempo de uma manifestação, uniu pessoas com opiniões bem diferentes sobre as liberdades de expressão e imprensa, criando uma falsa linha divisória entre “nós” – os que proclamamos “Eu sou Charlie” - e os “outros”, os que atacaram a redacção do semanário, associando falaciosamente a estes os que se limitam a lembrar que há outras vítimas e que, por muito que alguns daqueles cartoonistas nos sejam tão próximos que quase os sentimos como amigos – como acontece a muita gente da minha geração – não podemos esquecer os muitos “danos colaterais” que resultam dos ataques ocidentais a países como o Iraque, o Afeganistão ou a Síria.

Passa muitas vezes, na televisão, um pequeno filme em que uma mulher loura, com um lenço vermelho a encobrir-lhe os cabelos, fala ao telemóvel. Percebemos, das palavras trocadas, que há algo, eventualmente um atentado, prestes a ocorrer. De súbito, a mulher tira o lenço, que cai lentamente – e há uma explosão. É, julgo, o anúncio de uma série de sucesso, mais uma, inspirada na luta contra o terror. Pergunto-me se não há pessoas para quem aquele lenço vermelho é, em si, uma imagem de terror. E se essas serão capazes separar o humor do Charlie Hebdo da violência dos drones. De encontrar os argumentos justos para defender a posição do adversário.

Como tentam, bem, fazer aqueles que, condenando sem reservas o atentado, não esquecem nem os “mas” nem os “no entanto”.

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20.1.15

Lido por aí (214)

A transcendente questão dos sacos de plástico



Margarida Cardoso, no Expresso diário de 20.01.2015:


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Hoje é dia dele




D. Sebastião nasceu em 20 de Janeiro de 1554 e ainda esperamos por ele – oh, se esperamos!... 
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Amílcar Cabral, Conacri 20/1/1973



Foi nesse dia, há 42 anos, que Amílcar Cabral foi assassinado em Conacri. Tivesse a morte esperado um pouco mais e teria assistido ao 25 de Abril.

Nasceu na Guiné, em Bafatá, em 12 de Setembro de 1924, fez o liceu em Cabo Verde e veio mais tarde para Lisboa onde se licenciou em Agronomia. Em 1956 foi um dos fundadores do PAIGC, partido que, em Janeiro de 1963, declarou guerra contra o colonialismo de Portugal.

Está disponível online um riquíssimo arquivo, recuperado e tratado pela Fundação Mário Soares, a pedido das autoridades guineenses e cabo-verdeanas e com o especial empenho de Aristides Pereira, Iva Cabral e Pedro Pires. Encontra-se na «Casa Comum», site criado por aquela Fundação, e pode ser consultado a partir daqui.

Um pouco de história e (boa) música com os Super Mama Djombo:



Leitura aconselhada: Diana Andringa, Conversas sobre Amílcar (Público, Janeiro de 1993)
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19.1.15

Lido por aí (213)

Todos os caminhos vão dar à Grécia


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Francisco – duas calinadas numa mesma semana?



Francisco diz muitas coisas acertadas quando está em Roma, mas, «pelos vistos e ouvidos», nem tantas assim em viagem.

Depois do episódio da defesa da legitimidade de um valente murro a quem se exprimisse negativamente sobre a sua mãezinha, vem agora dizer aos filipinos que não se deixem colonizar ideologicamente e que não imitem os países onde as uniões entre homossexuais estão legalizadas. Terá mesmo afirmado que «estas realidades [as famílias] estão sob ataque crescente de forças poderosas, que ameaçam desfigurar o plano de Deus para a criação».

Ele lá saberá se Deus tem planos para a criação, e se estes estão em perigo por causa dos homossexuais, mas nada disto abona muito em favor dos que esperam grandes transformações saídas dos salões do Vaticano. Duas grandes calinadas, numa mesma semana, é que não ajuda muito... Dizer que há muitas injustiças neste mundo é fácil, o pior é o resto.
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Radicais versus radicais



«No domingo, os gregos vão às urnas para escolher o próximo governo, com a possibilidade de a Coligação da Esquerda Radical (Syriza) de Alexis Tsipras, com intenções de voto de cerca de 30%, chegar ao poder.

A ascensão meteórica de um partido que há meia dúzia de anos convencia 5% do eleitorado evidencia o radicalismo das políticas que foram seguidas na Europa nos últimos anos, sob a batuta alemã e a complacência da Comissão Europeia. (...)

Se o Syriza chegar ao poder no domingo, então pela primeira vez na crise europeia teremos um choque de radicais. O que virá depois será com certeza interessante. E pode até ser positivo. É que, pelo menos do ponto de vista da política económica, defender uma reestruturação de dívida pública grega, como faz Alexis Tsipras, dificilmente é mais radical do que a proposta europeia de que o país gere excedentes primários superiores a 4% do PIB por várias décadas.» (O realce é meu.)

Rui Peres Jorge

18.1.15

Lido por aí (212)

Há 81 anos, na Marinha Grande – e não só



Em reacção à Constituição que Salazar começou a preparar desde que chegou ao poder, em 5 de Julho de 1932, e que acabou por ser promulgada em Abril de 1933, à criação da polícia política (PVDE) e à legislação que neutralizou as organizações operárias, fascizando os sindicatos, gerou-se um amplo movimento operário que, depois de alguns acidentes de percurso, culminou na convocação de uma «Greve Geral Revolucionária» para 18 de Janeiro de 1934.

Porque na véspera a PVDE prendeu alguns dos principais responsáveis e activistas, o impacto foi menor do que esperado. Apesar disso, explodiu uma bomba no Poço do Bispo em Lisboa, na noite de 17, e o caminho-de-ferro foi cortado em Xabregas, em Coimbra, explodiram duas bombas na central eléctrica e houve movimentações em diversos outros pontos do país (Leiria, Barreiro, Almada, Sines e Silves). A mais significativa deu-se na Marinha Grande, onde grupos de operários ocuparam o posto da GNR, os edifícios da Câmara Municipal e dos CTT.

Mas a repressão foi forte e uma das suas decisões concretizou-se na criação de uma colónia penal no Tarrafal, para onde acabaram por seguir, em 1936, muitos dos detidos do 18 de Janeiro. Nove acabaram por lá morrer.

Estes acontecimentos puseram fim a décadas de sindicalismo livre, apesar de todos os condicionalismos persecutórios. Além disso, o falhanço que constituíram e a repressão que se seguiu liquidaram a liderança do movimento operário pelo anarco-sindicalismo.



Conselho de leitura: Fátima Patriarca - O «18 de Janeiro»: uma proposta de releitura.
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Que o Olimpo os proteja




Syriza 35.4%
New Democracy senior ruling coalition partner 30.8%
To Potami 7.1%
Golden Dawn (Chryssi Avgi) 5.4%
Communist Party of Greece (KKE) 5.1%
Pasok junior ruling coalition partner 4.2%
Independent Greeks (ANEL) 3%

Parties that will not make it in Parliament (under 3% of votes) include:
former PM George Papandreou’s party KIDISO with 2.7%, and
Popular Orthodox Rally (LAOS) 1.4%.
Another 4.9 percent chose “Other.”


(A partir daqui)
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Isso é que era!



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