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29.8.15

Simplex, versão «ir além da Troika»



(Luís Vargas no Twitter)
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Esta senhora faria hoje 100 anos


E que levante o braço quem não pensar imediatamente em Casablanca.


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Síria



@Bansky
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Viagens num país «low cost»



«Em Janeiro de 1871, quando recebia na Câmara dos Deputados o governo do Marquês d'Ávila, José Luciano resumia, a régua e a esquadro, o cíclico futuro do dilema nacional: "É necessário que se organizem dois partidos somente; um – mais ou menos conservador e outro – mais ou menos avançado". Em 2015 o dilema nacional parece, à primeira vista, resumido à organização de dois pólos de poder quase semelhantes. Porque, acima deles, está a Europa que tem numa mão a austeridade e na outra a máquina do dinheiro e das leis. Uns dizem-se liberais, outros social-democratas, mas ambos têm, até hoje, feito um jogo fechado de cartas onde pequenos núcleos vivem protegidos pelo Estado, e onde os negócios são feitos em circuito fechado. As "reformas" são feitas para que nada do essencial mude. (...)

O que divide hoje os dois principais blocos que querem exercer o Governo em Portugal nos próximos quatro anos é essencialmente a qualidade pessoal de cada um e uma maior ou menor sensibilidade social para o terrível estado pantanoso em que se encontra o país, ressacado pelos anos de duas faces da mesma moeda: o socratismo e o passismo. No fundo, nas suas aparentes diferenças, eles representam a mesma forma autoritária de ver a política e a forma de ela ser utilizada a favor de certos grupos de interesses. (...)

Vivemos numa democracia de consumo, com partidos demasiado dominados pelos aparelhos partidários e sem muitas alternativas à vista. Até um dia surgir um populista a sério e não um fogo-de-artifício como Marinho e Pinto.

Chegámos ao fim de um ciclo e o horizonte é ainda nebuloso. A sociedade sonhada, enquadrada por uma classe-média pujante, eclipsou-se com a austeridade. Esta depressão económica, por outro lado, ameaça destruir todos os laços sociais que dão estabilidade a uma nação e são a visão de futuro para várias gerações. Voltamos a ser uma nação que busca o futuro fora de portas. Pior: criámos um sociedade "low cost", onde o valor mínimo (do trabalho ou do que se vende) parece ser a única lógica de racionalidade a seguir, como se isso não implicasse a falência educacional e cultural que são o cimento de um país que quer ter futuro.»

Fernando Sobral
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28.8.15

Exactamente


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Abater os debates



«A campanha eleitoral tem sido o combustível da "silly season". Sem ela ainda estaríamos a discutir se a água está fria e se o Outono começa em Agosto. Depois da confusão com os cartazes, chegou a rebaldaria com os debates. Dá a sensação que os partidos do "arco da governação" pensam que precisamos de razões para não os levar a sério. Não podemos deixar de sorrir quando imaginamos que estes partidos, que não conseguem chegar a acordo para irem duas horas a um estúdio de televisão, são os mesmos que o nosso Presidente queria que chegassem a consenso nos grandes desafios que o país enfrenta. (...)

Esta semana, a grande notícia era: "Passos recusa debate sem Portas" - isto é tão Big Brother, "se a Andrea sair eu saio!". Nesta situação, quem é que passa por cavalheiro? A Andrea ou o Passos? Na realidade, Passos balda-se ao duelo para defender a honra da dama, é todo um novo conceito de romantismo. Esperava-se que Passos fosse lá e valesse por dois, enquanto Portas esperava junto à lareira no convento. Dir-se-ia, pelo que se lê nos jornais, que é esse o seu estilo, mas não. Na verdade, onde se nota uma das característica de Passos é no facto de também não ter conseguido abrir a porta dos debates ao Portas. Já na Tecnoforma acabou por ser assim. (...)

Como já devem saber, toda esta bambochata acabou com o cancelamento do debate final entre todos, mas o mais extraordinário é que esta notícia foi dada como se nós nos importássemos. Quase com a mesma carga dramática que teria se viessem anunciar que optaram por parar de transmitir futebol durante um mês. Vê-se mesmo que não nos conhecem.»

Genial



Capa do «i» de hoje.
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28.08.1963: «I HAVE A DREAM !»



Em 28 de Agosto de 1963, Martin Luther King pronunciou este seu célebre discurso, durante a «March on Washignton for Jobs and Freedom» que pode ser recordada neste vídeo.




A propósito:






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27.8.15

Heroísmo é isto

Dica (124)




 «'National parties forming flimsy alliances within a Europe that operates like a bloc, like a macroeconomy, in its own interests—that model doesn't work anymore. I think we should try to aim for a European network that at some point evolves into a pan-European party.'»
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Um energúmeno sem qualidade



Ricardo Araújo Pereira, na Visão de hoje, a propósito do incidente no comboio Amesterdão – Paris:

«O terrorista deixou-se dominar por quatro turistas, sendo que um deles era um consultor informático sexagenário. Não deve haver muitas coisas mais humilhantes para um terrorista do que ser imobilizado por um idoso especialista em Java Script.
O curso de terrorismo que este delinquente frequentou foi, provavelmente, ministrado por uma espécie de Tecnoforma síria, mais interessada em recolher fundos do Estado Islâmico do que em fornecer formação criminosa de qualidade.»

Na íntegra AQUI.
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E continuam


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As sombras chinesas



«Quando Cao Guangjing foi removido da liderança da China Three Gorges (e, como consequência, da EDP) e colocado como vice-governador da província de Hubei, tudo apontava para que ele tivesse caído em desgraça.

E que tivesse tido um regresso forçado ao local onde a gigantesca barragem tinha sido construída com todas as dúvidas ambientais daí decorrentes. Hoje, talvez como ironia do destino, Cao é a voz mais audível do poder chinês no estrangeiro sobre a necessidade de "reduzir as energias fósseis" e de dar uma atenção redobrada às questões ambientais.

O nevoeiro que constantemente paira sobre Pequim explica isso e muito mais. Tal como as sombras chinesas que não permitem entender todos os contornos da crise das bolsas e o que elas revelam sobre a mudança interna na China. A China chocou frontalmente com a sua cavalgada pelo desenvolvimento. A liderança chinesa cultivava a velha tradição de continuidade entre a guerra e a paz através do reforço do poder do Estado, ao contrário da ocidental de Roma e Atenas que separava os tempos de guerra e de paz. Mas a China mudou.

Em Pequim pensa-se hoje que a riqueza do Estado é alcançada se os interesses do mercado e dos empresários forem bem protegidos. Ou seja, o Estado está ao serviço do mercado para o proteger. Mas isso faz-se com um poder politicamente forte. Nesse sentido a destruição do mercado seria o vírus que arruinaria o Estado. Nesta crise cruzam-se dois dilemas: a reformulação do modelo económico chinês, de exportador de consumo e produção interna (como as multinacionais já estão a sentir) e o futuro do modelo político.

Ao contrário da democracia, instável no dia-a-dia, mas estável no longo prazo, o sistema chinês pode parecer estável hoje e ser instável a prazo. Por isso, Xi Jinping, para salvar o Estado, precisa de mudar a economia chinesa. Usando a campanha anticorrupção para concentrar o poder nas suas mãos e, assim, proteger a teia económica que vive do Estado. A presente crise é o fruto proibido da mudança de um sistema.»

Fernando Sobral

26.8.15

Dica (123)




«China is not going to drive global demand any more. The rest of the world must now resign itself to lower growth for the foreseeable future. Countries must find ways of generating their own domestic demand. This suggests that loosening, rather than tightening, both monetary and fiscal policy will be the appropriate course of action for most countries, including the US and UK, in the near future. Interest rate rises? Forget it.»
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Algures na Grécia


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Quando os refugiados éramos nós

O crash chinês já cá chegou




Prejuízo de cem milhões de euros da Fidelidade, vendida à chinesa Fosun. 
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A maratona das privatizações



«Marco António Costa, no seu estilo monotonamente áspero, conseguiu tirar do bolso a ideia que o espírito governamental é de "maratonista". Como ideia embalsamada é louvável, mas tem o aroma estragado. (...)

É incompreensível esta fúria, a um mês das eleições, para despachar contra tudo e contra todos um serviço público ao primeiro turista que passe defronte do Ministério da Economia. António Pires de Lima poderia tê-lo feito antes, com tempo e transparência total. Fazer tudo a correr, diminuindo inclusivamente os prazos, e enviando cartinhas perfumadas a dezenas de entidades para ver se alguma avança, não causa apenas estupefacção. Causa um arrepio na espinha.

Pior: o Ministério da Economia diz ir fazer um "ajuste directo", como se o único objectivo fosse encontrar alguém que tome conta da ocorrência. Sem que haja transparência total na decisão do Estado, sem ouvir a autarquia do Porto, ignorando os prazos decentes para se decidir com juízo e recato. Fala Marco António Costa de maratonas? António Pires de Lima corrige-o com acções: corre, sabe-se lá para onde, com os pulmões a saltar-lhe pela boca. O Ministério da Economia diz ainda que a urgência é ditada pelo "interesse público". Como momento de humor era melhor terem contratado John Cleese. Sempre levaríamos a piada a sério. Assim percebem-se melhor as palavras de Marco António Costa: no dicionário consultado pelo Governo uma maratona é uma prova de 100 metros. Sem barreiras.»

Fernando Sobral

25.8.15

Portugal não pode mais




Mais um vídeo do Luís Vargas.
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25.08.1944: a Libertação de Paris



Entre 19 e 25 de Agosto de 1944, a libertação de Paris pôs fim a quatro anos de ocupação.

Nesse mesmo dia 25, Charles de Gaulle, chefe do Governo Provisório, fez um discurso à população, que ficou célebre e imortalizado em algumas frases: «Paris outragé! Paris brisé! Paris martyrisé! Mais Paris libéré!».




E há também canções «eternas»:




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Até fui buscar um binóculo

Passos Coelho e os Kiss



«A banda norte-americana Kiss nunca foi conhecida pela qualidade da música mas sim por os seus membros surgirem com a cara pintada durante os concertos. Os espectadores, mais do que escutarem o que cantava o vocalista, eram conquistados pela pirotecnia utilizada, de guitarras que deitavam fumo, ao fogo que saia da boca dos músicos.

A música era irrelevante. A pré-campanha eleitoral nacional é, neste momento, um gigantesco concerto dos Kiss: tem muito ruído e poucas ideias. Só os partidos do Governo têm interesse nisto, como parece ser evidente. (...)

PSD e CDS usam a táctica de Maquiavel: dividir para reinar, calar para ganhar. A sua política é a de liquidificador: ruído máximo enquanto se mistura o que é importante com o que não é. Em vez de fruta, os cidadãos bebem um batido com muito gelo feito com água da torneira. É esta ideologia da confusão que tem servido desde há muito a Passos Coelho, desde os tempos em que se socorreu dela nas chamadas "redes sociais", para conquistar o poder no PSD e, depois, no país. É também a sua política: viver sem olhar para trás, em máxima aceleração, para impedir o sossego e deformar a realidade. Os Kiss não fariam melhor.»

Fernando Sobral

24.8.15

Somos extraterrestres



O mundo à beira nem se sabe de quê e nós com a transcendente questão dos debates entre nem se sabe quem. 
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Léo Ferré: 99 seria uma bela idade



Nasceu no Mónaco em 24 de Agosto de 1916, o pai trabalhava no Casino, a mãe era costureira e Léo, com 7 anos, já cantava no coro da catedral.

Deixou-nos preciosidades que resistem a todas as décadas, com letras suas ou de Aragon, Rimbaud e mais uns tantos. Quatro dessas «preciosidades», entre muitas outras:








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Dica (122)

A ovelha Choné e as promessas



«Esta é a primeira campanha em que os líderes não prometem e fazem apenas "projecções". É também o símbolo da ideologia pelintra que guia o destino nacional nestes dias. A política segue agora, de forma jocosa, a forma agitada como a ovelha Choné agita a rotina enfadonha em que vive, no rebanho e na quinta. Os anúncios governamentais dos últimos dias têm assim muita graça, mas não tanta como ele julgava que teriam. O governo legisla sobre os mais idosos mas na prática isso só se poderá traduzir em algo de real se o Parlamento, na próxima legislatura, alterar o Código Penal. Inaugurou-se assim a anedota pitoresca da época eleitoral.

Descontente por não merecer atenção especial nos últimos meses, o ministro Nuno Crato também decidiu mostrar que não é um holograma e que existe. Assim decidiu anunciar que vai haver obras no Conservatório Nacional, uma atitude inteligente porque um dia destes teria de se construir uma escola nova. Crato, com o seu indefinido magnetismo de mestre da instrução primária, logrou inovar: o concurso para as obras só "deverá ser lançado" em Outubro e as obras só se farão para o ano. Depois das chuvas, presume-se. Ou seja, agora já não se inauguram estradas que não estão terminadas nem fazem duas inaugurações da mesma obra. Isso é "politicamente incorrecto" nesta era das "não promessas". Agora anuncia-se obras que talvez sejam outros ministros a fazer. Se estiverem para aí virados. Se o dinheiro da UE chegar. Se a degradação do Conservatório não for total em Março ou Abril. A ovelha Choné é a "spin doctor" da política nacional.»

Fernando Sobral

23.8.15

Noite de eleições



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Dica (121)




«“O que é interessante é que o ministro das Finanças alemão é um homem que percebe isto melhor que ninguém. Num intervalo de uma reunião, perguntei-lhe: 'Assinaria isto, este acordo?' e ele respondeu: 'Não, não assinaria. Não é bom para o vosso povo'.»
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23.08.1927 ─ Sacco & Vanzetti



Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti foram acusados do homicídio de duas pessoas, nos Estados Unidos, e acabaram por ser condenados à pena de morte e electrocutados em 23 de Agosto de 1927, apesar de, cerca de dois anos antes, uma outra pessoa ter confessado ser autora dos crimes.

Na sessão do tribunal em que a sentença da condenação foi lida, Vanzetti incluiu o seguinte nas suas longas declarações finais:

«I would not wish to a dog or to a snake, to the most low and misfortunate creature of the earth. I would not wish to any of them what I have had to suffer for things that I am not guilty of. But my conviction is that I have suffered for things that I am guilty of. I am suffering because I am a radical and indeed I am a radical; I have suffered because I am an Italian and indeed I am an Italian...if you could execute me two times, and if I could be reborn two other times, I would live again to do what I have done already.»

Nunca pararam as reacções e os protestos contra um caso que, com toda a sua trama, passou a funcionar como um símbolo de desrespeito flagrante pelos princípios da justiça na América.

Deu origem a um filme, inspirou escritores, pintores, músicos como Woody Guthrie . Joan Baez viria a consagrar uma das canções mais divulgadas, até Dulce Pontes interpretou «The Ballad of Sacco e Vanzetti», etc., etc.







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Leitura importante



«Hemos aprendido una cosa: Mientras el supuestamente independiente y apolítico Banco Central Europeo pueda cerrar el grifo del dinero a un gobierno de izquierdas, una política que se oriente hacia principios democráticos y sociales será imposible. El exbanquero de inversión Mario Draghi no es ni independiente ni apolítico. Él trabajaba para Goldman Sachs, en el momento en que ese banco de Wall Street ayudó a Grecia a falsear los balances de su contabilidad. Así fue como se hizo posible la entrada de Grecia en el euro. (...)

La pregunta, por todo ello, no puede ser para nosotros: “¿dracma o euro?”, sino que la izquierda debe decidir, si a pesar del desarrollo social catastrófico se sitúa a favor de una permanencia en el euro, o por el contrario se pronuncia en favor de una reconversión escalonada hacia un sistema monetario europeo más flexible. Yo estoy a favor de una vuelta a un sistema europeo de monedas que tenga en cuenta las experiencias aprendidas con este sistema monetario y que con su construcción beneficie a todos los países que formen parte del mismo. (...)

La izquierda europea debe ahora desarrollar un plan B para el caso de que un partido en uno de los miembros europeos se vea en una situación parecida. El código europeo debe ser reconstruido de tal forma que se le quite el poder al Banco Central (que no está legitimado democráticamente) de anular la democracia a golpe de botón. La introducción escalonada de un nuevo sistema monetario europeo allanaría para ello el camino. También la izquierda alemana debe desenmascarar el mantra de Merkel según el cual “si muere el euro, entonces muere Europa”. El euro se ha convertido en un instrumento de dominación económica de la economía alemana y del gobierno alemán en Europa. Una izquierda que quiera una Europa democrática y social, debe cambiar su política europea y escoger nuevos caminos.»
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Grécia, Europa e as reviravoltas que o mundo dá



«A Europa passou meses a tentar esmagar Alexis Tsipras. Mas agora que o primeiro-ministro de esquerda da Grécia pediu eleições antecipadas, e que espera obter um mandato para o difícil novo programa de resgate, que negociou com os credores de seu país, a Europa, curiosamente, pode estar a investir no seu sucesso.

A Grécia nunca deixa de surpreender e os oito meses de turbulento mandato de Tsipras provaram que é raramente previsível. Mas o homem que muitos líderes europeus consideraram como uma arma de destruição populista apresenta-se agora como uma figura que pode assegurar pragmatismo e estabilidade - e pôr em prática um tipo de programa de austeridade contra o qual já investiu furiosamente.

"Tenho a certeza de que ele conversou com os líderes europeus e que eles concordam com aquilo que está a fazer agora", disse Harry Papasotiriou, professor de relações internacionais na Universidade Panteion, em Atenas.»

Na íntegra aqui, para quem tiver acesso ao New York Times.
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