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12.9.15

Dica (133)




«O facto de haver esta eleição é só por si um testemunho de como o mundo e as ideias podem mudar, mesmo quando o nevoeiro deixa a ilha isolada. E chama a atenção para o facto de já não haver socialistas, gente que propõe o socialismo como alternativa ao capitalismo, nos outros partidos socialistas.»
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Geraldo Vandré, 80 - «Quem sabe faz a hora»



Geraldo Vandré nasceu em 12 de Setembro de 1935, iniciou a carreira nos anos 60 e algumas das suas canções tornaram-se ícones da oposição ao regime militar de 1964. A mais conhecida, muito cantada em Portugal antes do 25 de Abril por razões óbvias, é certamente «Pra não dizer que não falei das flores».

Muito conhecido não será talvez este episódio:








Descriminação de género – um líder político macho despido, já!

O Pedro e o lobo



«Pronto, lá passou o tal "debate decisivo" que a nossa comunicação social andou a apregoar com sondagens e discurso de tudo ou nada. (...)

Eram 20h10 e todos estavam tensos e prontos para o duelo, apesar do receio pelo facto de existir a possibilidade de Sócrates sair a correr pela porta de casa, de fato de treino, e pisgar-se a correr pela rua, só para atrapalhar o debate.

Eram 20h25, o debate ia começar, Passos tinha pedido água muito gelada, talvez com a esperança de ficar sem voz e fazer só meio debate. O meu primeiro reparo, em termos de transmissão televisiva, ia para a janela com a senhora da língua gestual. Acho que não devia estar lá. Tudo bem que o Passos e o Costa nos enganem, agora, enganar surdos-mudos! Poupem as pessoas. (...)

Passos rezava pelo fim daquilo e os últimos minutos do debate foram a parte mais insossa, muito por culpa dos jornalistas. Cada um tinha uma pergunta final, mas acabaram por fazer como o indivíduo que tinha um último desejo para pedir, antes de ser fuzilado, e desejou saber que horas são. Judite perguntou se Costa ia visitar Sócrates a casa, o que, como sabemos, é um tema crucial em termos europeus e assunto incontornável quando se trata de falar de desemprego.

Se quiserem um resumo do debate, podemos dizer que Costa parecia aquele gordo que andámos meses a insultar, e a gozar - na escola - até que, finalmente, se levanta da carteira e dá-nos uma sova. (...)

Percebe-se agora porque Passos queria fugir dos debates como da peste. Há quem diga, perante a surpresa do resultado do debate: "Mas o Passos até é bom na Assembleia" - Grande feito. Na AR, o PM está com a matilha, tem a Sininho a apitar e, acima de tudo, o Ferro Rodrigues a liderar a oposição.»

João Quadros

11.9.15

Será que a coligação se vai «safar» nalgum debate?



Se a «banhada» que Catarina Martins deu a Paulo Portas foi grande, a de hoje não foi menor. 
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Dias que ficarão na História



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Dica (132)




«Para derrotar a direita e gerar uma dinâmica favorável a um governo de esquerda que fure as lógicas da maioria absoluta, do bloco central ou dos acordos do PS com a direita, o fator decisivo é o crescimento do voto à esquerda do PS, em concreto, a dimensão eleitoral do conjunto PCP e Bloco de Esquerda. Nenhum outro resultado nos aproxima mais de uma viragem à esquerda porque nenhum outro contribui mais e melhor para mudar a favor da esquerda a relação de forças com o PS. Nestas eleições, a disputa da esquerda faz-se com o PS e não entre si. Aliás, esse é um dos equívocos do Livre/TdA.» 
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11.09.1973 – A tragédia chilena



11 de Setembro de 1973 foi uma data trágica para o Chile, o dia em que o regime democrático foi derrubado por uma acção conjunta dos militares e outras organizações chilenas, com o apoio do governo dos Estados Unidos e da CIA.

Salvador Allende afirmou, bem antes desse dia, que estava a cumprir um mandato dado pelo povo em 1970 e que só sairia do palácio depois de o cumprir. Ou que o faria «com os pés para diante, num pijama de madeira». Assim aconteceu.

Depois, foi o que é conhecido: 30.000 chilenos foram assassinados durante o regime de Pinochet.






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10.9.15

Esquisitices


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Contributos para o estudo dos víveres políticos



Ricardo Araújo Pereira, na Visão de hoje:

«O primeiro caso é o de Armando Vara, que recebeu robalos de um amigo empresário e acabou em prisão domiciliária, o segundo é o de José Sócrates, que está em prisão domiciliária por ter recebido dinheiro de um amigo empresário e acabou a encomendar uma pizza. Vara cumpre uma pena por ter comido robalos e Sócrates come pizza por estar a cumprir uma pena. É um estudo complexo mas fascinante.»

Na íntegra AQUI.
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É o marketing, estúpidos!

Debate ou debalde?



«Nada ficámos a saber sobre a vexata quaestio: que fazer com uma maioria relativa, no dia 5 de Outubro? No resto, tudo previsível. Mesmo as não respostas. Mudança de voto por causa deste debate, não creio. Trazer potenciais abstencionistas para o voto, nem por isso. Um debate “plafonado”, para uns visto na vertical, para outros na horizontal. (...,)

Entre a incerteza da certeza (mercado acima de tudo e todos?) e a certeza da incerteza (milagre da rosa?) haverá quem prefira a primeira ou quem sonhe com a segunda.

Redução da dívida, nicles (apenas a discussão de quem a aumentou mais, e foi o PS). Educação, produtividade, inovação, como bases do desenvolvimento, fora do debate. Justiça e reforma do Estado, nada. Pobreza e desigualdades, nem de perto, nem de longe. Pensões, tão-só o concurso de quem errava mais. Sócrates, a presença da ausência.

Nestas coisas não há objectividades, a não ser o voto em 4 de Outubro. À partida, ganha quem queremos que ganhe.»

António Bagão Félix

9.9.15

#REFUGEESWELCOME – Lisboa, 12 de Setembro

Dica (131)

Ou o dia em que a esquerda virou taxista


Um divertidíssimo texto de Ferreira de Fernandes, no DN:

O dia em que os taxistas viraram à esquerda.

Sobre os refugiados, coisas simples



«O que escrever sobre a crise dos refugiados da Síria, da Eritreia, do Afeganistão, do Iraque, do Darfur, da Somália, da Líbia que tentam fugir da guerra e encontrar refúgio na Europa e dos milhares de mortos que lançou nas nossas costas? O que dizer da forma vergonhosa como os líderes políticos da União Europeia (com a honrosa excepção da Alemanha) têm “gerido” esta crise humanitária?

Como falar da morte de Aylan Kurdi sem falar da morte do seu irmão de cinco anos, sem falar da morte de tantos milhares de crianças iguais a eles, mesmo quando a cor da pele é um pouco mais escura? Como falar de todas as crianças que tiveram de morrer antes que os dirigentes europeus (e não todos) suavizassem a sua abjecta política da fortaleza-Europa? Como falar da hipocrisia da pseudo-política de acolhimento que, pressionados pelas suas opiniões públicas, tantos políticos europeus dizem agora defender?

O que dizer, o que repetir? Dizer coisas simples, repetir o necessário.

Dizer que estas crianças são os nossos filhos porque as crianças são filhas de todos, mesmo quando são sírias, e que não queremos que os nossos filhos morram a fugir da guerra. (...)

Dizer que a crise dos refugiados mostrou mais uma vez a hipocrisia da maioria dos políticos europeus, com o governo húngaro de Viktor Orbán a mostrar a sua faceta fascista perante a indiferença de Bruxelas e com a maioria dos governos a tentar espalhar o medo e a mentir descaradamente sobre os números e os riscos do acolhimento de refugiados.

Dizer aos media que a história dos refugiados não se pode contar apenas sob a forma de notícias que dizem quantos morreram e quantos chegaram ontem e hoje, mas tem de ser contada referindo as causas do fenómeno (fala-se dos refugiados mas deixou de se falar dos conflitos que geraram estes refugiados e das atrocidades de que eles fogem) e referindo os culpados por esses conflitos (mesmo quando se fala dos conflitos nunca se fala do que se faz para lhes pôr fim, como se eles se tivessem tornado uma fatalidade).

Dizer enfim que, se a resposta generosa dos cidadãos europeus, organizando-se para ajudar e receber refugiados e manifestando-se em favor do apoio aos refugiados, mostra que a ideia de solidariedade não está morta na Europa, ela não é substituto para uma verdadeira política de asilo por parte dos estados nem para a definição de políticas de asilo ao nível da UE, devidamente financiadas pelos dinheiros públicos - que não podem servir apenas para servir os mais ricos, deixando aos cidadãos e organizações privadas a realização da política de solidariedade.»

8.9.15

É sempre bom recordar o passado




... na noite em que ele se «espalhou» no primeiro debate que teve na agenda.
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Dica (130)




«O facto é este: há mesmo reestruturações das dívidas soberanas e os credores podem ter que aceitar perdas. É só mais um episódio dessa longa saga de renegociações e abatimentos da dívida, que os peritos do FMI contabilizavam em 2012 em mais de 600, considerando no pós-guerra as 95 principais economias.

Melhor seria para Portugal fazer parte dessa lista mais recente.» 
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Os ursos também dão abraços



Sócrates falou exactamente para quê? Alguém esperava que dissesse que estava «ao lado» de outro partido e de outro secretário-geral?
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Joker e os refugiados



«Numa das versões cinematográficas de "Batman" somos confrontados com uma metáfora destes dias de múltiplas crises com que chocamos frontalmente. No meio do caos, os cidadãos do bem, que pagam impostos, fogem.

E fazem-no num barco rumo ao que é habitual nestes casos: o desconhecido. Por mera casualidade, ou não, essa travessia cruza-se com outra: a dos presos de Gotham, que não pagam impostos, e que também fogem para nenhures. O Joker, manobrador do destino de todos, colocou em cada barco suficientes explosivos para os destruir. Mas os que vão em cada um dos barcos podem salvar-se: cada um dos grupos tem um dispositivo que permite accionar as bombas colocadas no outro barco e assim salvar-se. O dilema é mortal. Tal como aquele em que se encontra agora a Europa, terra de emigrantes que vê agora chegarem às suas costas centenas de milhares de refugiados que só querem fugir da sua terra em chamas e que também querem refúgio num lugar de sonho que viram na televisão e na internet.

A Europa da crise é o paraíso para quem vive no meio de uma desgraça maior. A resposta dos governos europeus é, como sempre, confusa e contraditória. Todos sabem que é impossível acolher centenas de milhares de refugiados e todos têm medo das consequências políticas e eleitorais das suas decisões. Alguns, mais atentos, lembrarão que esta tragédia sem fim é o resultado do falhanço das políticas dos Estados Unidos e da Europa no Médio Oriente e que sem se resolver a implosão do Estado na Líbia e a guerra na Síria esta vaga não terá fim.

Sem uma nova política, sensata e séria, para a região, será impossível começar a fazer sarar esta ferida que alastrou até aos confins da África. A Europa não pode continuar a ter uma política de respostas tontas e tardias depois de tantos erros que vai cometendo. E depois chorar com lágrimas de crocodilo porque se depara com fotos nas capas dos jornais. O dilema que Joker colocou aos que viviam em Gotham está defronte de todos nós.»

Fernando Sobral

7.9.15

«Here»


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Mia Couto, «Doutor Honoris Causa»



Vale muito a pena ler a intervenção de Mia Couto, no acto de outorga do título de Doutor Honoris Causa, que lhe foi entregue pela Universidade moçambicana «A Politécnica», no dia 2 de Setembro.

O LIVRO QUE ERA UMA CASA A CASA QUE ERA UM PAÍS

Todos os povos amam a Paz. Os que passaram por uma guerra sabem que não existe valor mais precioso. Sabem que a Paz é um outro nome da própria Vida. Vivemos desde há meses sob a permanente ameaça do regresso à guerra. Os que assim ameaçam devem saber que aquele que está a ser ameaçado não é apenas um governo. O ameaçado é todo um povo, toda uma nação.

Na íntegra aqui.
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07.09.2015 – Quem se lembra dos SUV?



Os SUV (Soldados Unidos Vencerão) – uma auto-organização política de militares, clandestina, que se definia com «frente unitária anticapitalista e anti-imperialista» – apresentaram-se, «embuçados por razões de segurança», numa conferência de imprensa realizada no Porto e transmitida pelo Rádio Clube Português , em 7 de Setembro de 1975.

Organizaram desfiles em várias cidades, mas julgo que nenhum teve a dimensão do de Lisboa, em 25 de Setembro, com apoio de partidos como o MES, a LCI, a UDP e o PRP. Centenas de soldados fardados, acompanhados por representantes das comissões de trabalhadores e de moradores e por uma verdadeira multidão, subiram do Terreiro do Paço até ao Parque Eduardo VII, onde teve lugar um comício. No fim deste, foram desviadas dezenas de autocarros da Carris, que levaram quem quis até ao presídio da Trafaria, de onde, pelas 2:00 da manhã, foram libertados dois militares que se encontravam detidos, precisamente por terem distribuído panfletos de propaganda da manifestação.

Para se perceber um pouco mais do que estava em causa, vale a pena ler o MANIFESTO com que os SUV se apresentaram, precisamente nesse 7 de Setembro.
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Dica (129)



A desunião mortal dos europeus. (Wolfgang Münchau) 

«Temo que isso vá demorar muito até acontecer, por duas razões. A menos importante é que pessoas como o Sr. Orbán estarão entre aqueles que terão de tomar a decisão. A razão mais profunda é que os europeus não estão ainda suficientemente desesperados para aceitarem a Lógica da Ação Coletiva, o 
título do livro de Olson de 1965.»
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Grécia – UE: derrotas humilhantes e vitórias pírricas



Quando se fala agora da política grega quase apenas para perceber quem tem mais hipóteses de ficar à frente nas eleições do próximo dia 20, vale a pena recuar um pouco para não esquecer o que esteve de facto em jogo. 

«É muito curioso que os líderes políticos da União Europeia (UE) e os seus porta-vozes tradicionais – políticos, economistas e grande imprensa – que durante décadas têm mantido e defendido determinado projecto, não tenham saudado com demonstrações de alegria e de confiança que a ordem irreversível foi mantida com a humilhante derrota infligida ao governo e ao povo da Grécia.

O primeiro-Ministro Alexis Tsipras foi derrotado e submetido a um "sacrifício ritual" pelo ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, que actua como o "guardião do templo" de um fundamentalismo de mercado que é a verdadeira natureza da UE, que não tolera o menor desvio ou interpretação do dogma.

Excepto esses guardiões do templo, ninguém na UE parece realmente feliz ou satisfeito com esta vitória esmagadora. Basta dar uma vista de olhos ao que muitos euro-crentes escreveram na "grande imprensa" – o que faremos mais tarde - para entender que se tratou de uma vitória pírrica e que, se o Syriza e do povo grego foram derrotados e humilhados, isso teve o elevadíssimo preço de expor à luz do dia o sistema antidemocrático da UE, a sua rigidez institucional e o insensato dogmatismo que levou até mesmo a que se criasse um mecanismo de negociação sem existência legal – o Eurogrupo – para "asfixiar mentalmente" (mental waterboarding) os representantes governamentais dissidentes, neste caso de um governo que só procurava proteger o seu povo das políticas brutais de austeridade que tem sofrido, dia após dia, ano após ano, e renegociar uma dívida ilegal e impagável.»

Na íntegra aqui.
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6.9.15

A Síria em 5 minutos



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Refugiados e Amnistia Internacional



«Como posso ajudar os refugiados? Esta é uma das perguntas que mais circula nas redes sociais nos últimos dias. A Amnistia Internacional acredita que resolver a crise de refugiados passa por exigir aos líderes europeus que coloquem as pessoas acima das fronteiras, criando rotas seguras para entrada na Europa.

Para isso temos equipas de investigação no terreno, na Grécia e na Hungria, a documentar - e denunciar - as terríveis condições em que os refugiados estão a ser acolhidos. Podem segui-las, dia a dia, no Twitter, com @ElizaGoroya e @BCernusakova. Temos ainda um escritório em Bruxelas, com uma equipa que pressiona os líderes europeus a actuarem.

Para nos ajudarem a continuar a exigir o fim do silêncio europeu:

1) Façam um donativo: liguem 760 300 112 (custo da chamada 0,60€+IVA) ou aqui.
2) Assinem a petição.
3) Partilhem este post
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Dica (128)



After Syriza. 

«Syriza failed to stop austerity in Greece. What can Popular Unity do differently?»
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A morte da Europa



António José Teixeira, Expresso diário, 03.09.2015
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