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7.11.15

Sugestão de leitura para uma noite de insónias

Que acordo?



Pedro Adão e Silva, Expresso, 7.11.2015
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Marisa presidente

O homem insiste



Ministro espera o "milagre" de a esquerda se desentender.

Tem mais uns dias para tentar chegar ao paraíso sem passar pelo purgatório.
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Cavaco e a legitimidade eleitoral


@João Abel Manta

Um importante texto de Manuel Loff, no Público:

«Desde que Spínola, apoiado por Sá Carneiro e pela direita militar, viu derrotadas pelo MFA e pela esquerda, no verão de 1974, as suas propostas de um presidencialismo de monóculo e de descolonização sem descolonizar, que a direita portuguesa construiu o mito de que a Revolução portuguesa dos anos de 1974-76 impusera, nas palavras do mais teimoso dos seus líderes, Cavaco Silva, à “sociedade civil [a opressão] do poder militar revolucionário”, uma “tutela colectivista imposta pelo golpe comunista e socialista do 11 de Março” (discursos de 19.12 e 19.5.1990). Ninguém esperaria que o mais impopular dos presidentes da democracia fosse um historiador minimamente rigoroso, mas Cavaco é campeão da manipulação histórica, mais ao estilo de um banal ditador que de um líder de governo democraticamente eleito. (...) Não surpreende que o mesmo homem que nada percebeu do que aconteceu aos portugueses nos últimos cinco anos, nada tenha percebido da democratização portuguesa.

Desde as eleições de 1975, ganhas pelo PS (38%), com a direita reduzida a 34% (pouco menos do que agora) e uma esquerda que se revia na Revolução com os mesmos 21% de votos que obteve nas eleições de 2015, que a direita e os socialistas reivindicaram a supremacia da legitimidade eleitoral sobre a legitimidade revolucionária. Lembremo-nos que a democracia portuguesa se construiu desde o dia 25 de Abril de 1974 sobre a base de uma dupla legitimidade, tanto a eleitoral quanto a revolucionária. (...)

Esta velha discussão sobre o modelo português de democratização decorre precisamente porque ele se construiu por via revolucionária, operando uma ruptura com o passado - ruptura política, porque derrubou a mais longa ditadura da Europa Ocidental; ruptura social, porque removeu as elites económicas e sociais dos 150 anos anteriores; ruptura económica, porque mudou a estrutura da propriedade; e ruptura cultural, porque triunfaram os valores de emancipação da dominação colonial e a de género contra as mulheres e as minorias de orientação sexual, da exploração do trabalho e dos jovens forçados à guerra e à emigração. O caso português não é excepção alguma: por ruptura nasceu a grande maioria dos regimes políticos europeus do séc. XX; excepção foram as transições à espanhola. E rupturas assim não agradam nada aos herdeiros das classes dominantes que, associadas ao antigo poder, acompanham a sua queda. As direitas, que resistiram 100 anos – 150 em Portugal – ao sufrágio universal, invocam a legitimidade eleitoral apenas quando percebem que os votos podem diluir grandes mudanças sociais. É então, e só então, que elas clamam por urnas contra greves e assembleias de trabalhadores, tropa contra manifestantes. (...)

Por outras palavras, legitimidade eleitoral sim, desde que seja a boa... É por isso que no debate português sobre a origem e o desenvolvimento do nosso regime democrático é sinistro que um presidente da direita questione directamente a legitimidade eleitoral que resulta do voto de há um mês como elemento central da configuração da vontade democrática. (...)

Desde que Cavaco subiu ao poder, logo a seguir ao tratado de adesão (1985), os governos, de uma forma ou de outra, actuaram como se os tratados europeus tivessem precedência sobre as normas constitucionais. Isto é, o arco da governação adoptou, de facto, outra Constituição. Precisamente, lembremo-lo, como as ditaduras que nem se deram ao trabalho de reformar a constituição em vigor, limitando-se a ignorá-la porque incompatível com a Nova Ordem imposta. Os liberais têm destas coisas...

Nesta retórica mal amanhada, aqueles que há 40 anos se queixavam da “opressão revolucionária” contra a legitimidade eleitoral querem agora impor contra ela a “opressão” do compromisso europeu interpretado a seu bel-prazer.» 
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6.11.15

Um fim de tarde



... simbolicamente rosado. Com umas tantas nebulosas, pelo menos para já.
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Dica (160)

Canção desta tarde

Ámen


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Há 40 anos, o «desacordo» PS / PCP



Se o acordo PS/PCP for hoje assinado, poderemos interpretar o acontecimento como uma comemoração simbólica do 40º aniversário do mais célebre debate televisivo da democracia e, de certo modo, como o virar histórico de uma página. Há 40 anos, a poucos dias do 25 de Novembro, eram mais do que raros os pontos de acordo...

Mas quem assistiu ao frente-a-frente entre Soares e Cunhal, em 6 de Novembro de 1975, nunca o esquecerá. Durou 4 horas – uma eternidade impossível de repetir nas televisões apressadas que hoje temos – e o país parou para ver e ouvir.

Do debate dessa noite ficou para a história uma frase com que Cunhal respondeu a Soares quando este afirmou que o PC dava provas de querer transformar Portugal numa ditadura: «Olhe que não! Olhe que não!»



Texto com alguns excertos do que foi dito:



Adelino Gomes e José Pedro Castanheira, Os dias loucos do PREC, Expresso / Público, Lisboa, 2006, pp. 382-383. 
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5.11.15

A reforma de Ricardo Salgado


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Dica (159)




«Depois... houve a vichyssoise. A partir daí, Portas deixou de falar com Marcelo, mas não deixou de escrever sobre ele. Eis um bocadinho do que escreveu.» (Aumentar a foto para ler.)
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A ERC e a HOT TV



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje: 

«A deliberação na qual a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) recomenda que o canal Hot TV exiba mais cinema pornográfico de língua portuguesa foi injustamente escarnecida. (...)

A deliberação da ERC deveria ter sido redigida em termos que respeitassem a matéria analisada: (...) "Há decretos-lei segundo os quais os portugueses têm necessidade de escutar guinchadeira gritada no doce idioma de Camões. O nosso país já provou que é capaz de ombrear, em ordinarice, com o que de melhor se faz lá fora".»

Na íntegra AQUI.
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Bons conselhos


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O que fazemos?



«A meio do novo filme de 007, "Spectre", no deserto do Sahara, a doutora Swann vira-se para James Bond e faz-lhe uma pergunta retórica: "E agora, o que é que fazemos?" Todos sabem a resposta, porque os filmes de Bond, cheios de aventuras, são previsíveis. (...)

A política portuguesa não é, por estes dias, tão previsível como um filme de 007. Mas tem tanta emoção. Aqui, no meio da nossa parada política, há mortos que estão vivos e há mesmo alguns que aparentam estar vivos mas que, na realidade, são fantasmas errantes.

Um mês depois das eleições temos um Governo que parece estar nos cuidados intensivos e as incógnitas são maiores do que as certezas. O país parece preso por um piquenicão na Mealhada, por um acordo que não se sabe se existe e pela sobrevivência de um Governo que não se sabe se dura 10 dias ou se é mantido em vida vegetal em forma de gestão prolongada. É isso que faz de Portugal um país pequenino. (...)

Em "Spectre" sabemos quem é o bandido: Franz Oberhauser. Por aqui não sabemos ainda por onde paira o OE, o vilão que costuma aumentar impostos em nome da dívida que não pára de aumentar. Mas, enquanto isso, estamos no meio do deserto à espera que algo aconteça em São Bento. Ou que Francisco Assis prometa leitão grátis para todos.»

Fernando Sobral

4.11.15

Dica (158)




«É por isso que a experiência de um governo PS com o apoio do PCP e do Bloco de Esquerda vai ser difícil, mas todos os envolvidos têm de ter a perfeita consciência de que é obrigatório que corra bem. Se correr mal, vai levar o PS de volta ao caminho que está a tornar o movimento social – democrata irrelevante na Europa. A inusitada “corbynização” do PS de Costa pode ser o antídoto contra a “pasokização” que se vê aqui ao lado no PSOE. Mas não se faz com uma perna às costas – e, como dizia Churchill, PSD e CDS são apenas adversários.»
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Guernica 2015


@Javcho Savov
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Onde estás Manuel António Pina?



... quando tanta falta por aqui fazes. É que ainda não é o fim do mundo, mas já é um pouco tarde.

A Poesia Vai Acabar

A poesia vai acabar, os poetas
vão ser colocados em lugares mais úteis.
Por exemplo, observadores de pássaros
(enquanto os pássaros não
acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
entrar numa repartição pública.
Um senhor míope atendia devagar
ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
poeta por este senhor?» E a pergunta
afligiu-me tanto por dentro e por
fora da cabeça que tive que voltar a ler
toda a poesia desde o princípio do mundo.
Uma pergunta numa cabeça.
— Como uma coroa de espinhos:
estão todos a ver onde o autor quer chegar? —

Manuel António Pina, in Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde. 
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Afinal, a primeira decisão era... revogável


Passos disposto a ficar à frente de um governo de gestão. 

Se eu fosse líder da CGTP, substituía a convocatória da concentração em S. Bento, no dia 10, por uma ida a Fátima a pé, com partida marcada para hoje mesmo.
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Oxalá chova café!



«Há muitos anos Juan Luís Guerra pedia, numa das suas mais conhecidas canções, que "Ojalá que llueva café", uma forma de pedir aos céus que chovesse café para que os camponeses da República Dominicana não sofressem tanto.

A chuva que caiu em Albufeira no domingo fez cair do céu um ministro, que se chama, segundo se julga saber, Calvão da Silva e que não tem uma voz tão cristalina como Juan Luís Guerra. Azar nosso. A queda de Calvão, no lugar de um anjo, permitiu perceber que deste novo Governo não se pode esperar muito, para lá de palavras e de uma devoção religiosa nos seguros. Ou seja, os portugueses podem deixar de acreditar no Governo: ou governam-se por eles ou acreditam nos deuses. É uma boa forma de um ministro lavar as mãos na chuva como se fosse um Pilatos mundano. (...)

O mais fantástico ainda é um ministro do Estado português atirar as responsabilidades para o divino, para o Deus em que os portugueses acreditam. Mas este não pode ser uma desculpa para as omissões do Estado nem para a irrelevância da função de ministro da Administração Interna.

Calvão diz: "Houve uma fúria da natureza que se revoltou. Deus nem sempre é amigo, também acha que de vez em quando nos dá uns períodos de provação." Para Calvão os portugueses portaram-se mal. E, assim, dos céus, caiu o dilúvio. E, em forma de raio, um ministro.»

Fernando Sobral

3.11.15

Uma Internacional diferente




In 1944, to honor the Allied victory in Italy, legendary counductor Arturo Toscanini - a refugee from Fascisim in his home country - decided to conduct a performance of Verdi's "Hymn of the Nations". "Hymn" is a composition that Verdi orginally built around the national anthems of Britain, France, and Italy. In order to honor all four of the major Allies, Toscanini decided to add "The Star Spangled Banner" for the U.S. and "The Internationale" for the Soviet Union. The music was performed by the NBC Symphony Orchestra, with the Westminister Choir and the great tenor Jan Peerce as soloist; conducted by Toscanini. It was filmed as a featurette to be shown in movie theaters, and was narrated by Burgess Meredith.

In the early 50's, at the height of the McCarthyism, U.S. censors excised the portion of this performance that featured the "Internationale".

For years the sequence in the original featurette was considered forever lost. But recently a copy of this missing piece of film was rediscovered, and now this rousing rendition of the Internationale - together with chorale and orchestra under the direction of a great conductor - can be enjoyed again. 
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O nó górdio



«Um dos costumes mais apreciados pelos políticos de tempos remotos era poderem reunir-se em segredo para tratar de assuntos que tinham a ver com todos os cidadãos.

Porque partiam do pressuposto que os cidadãos não têm de se entender sobre o que eles negoceiam, já que são eles que sabem o que convém aos cidadãos. Nesse aspecto os partidos que estão no Parlamento comungam da mesma lógica de associação secreta: o segredo é a alma do negócio. Não espanta por isso que o acordo entre PS, BE e PCP esteja a ser cozinhado numa sala fechada a sete chaves.

Quando sair fumo branco, se perceberá quais os condimentos utilizados para que o pato no forno seja agradavelmente consumido por mercados, Comissão Europeia, pensionistas, trabalhadores e empresários. Ao mesmo tempo. O nó górdio da esquerda, sabe-se, é um problema mais insolúvel do que o da direita. PSD e CDS, alinhados depois de terem aniquilado o velho centro político da classe média, têm interesses macro e deixam as divergências micro para depois. A esquerda é especialista em aumentar as divergências de pormenor, conseguindo que estas impeçam um acordo macro.

Normalmente a esquerda fica prisioneira da sua fragmentação existencial, preferindo entrar em autofagia a caminhar junta para uma qualquer barricada. Essa é, aliás, a grande fragilidade de qualquer acordo PS/BE/PCP. Se a entrevista de Catarina Martins ao DN mostra uma descida do mundo da "Guerra de Tronos" a alguma realidade e pragmatismo, resta saber se isso será suficiente para que as diferenças históricas não se tornem uma fronteira inultrapassável. É por isso que PSD e CDS estão mais confortáveis do que parecem: sabem que se esta aliança de esquerda soçobrar, a hegemonia cultural que conseguiram nos últimos quatro anos ressurgirá com mais força. É por isso que, mais do que um Governo, joga-se nos próximos tempos o futuro da teia política, económica, social e cultural que os verdadeiros ideólogos do PSD e do CDS teceram nestes anos. Um nó quase já impossível de desatar.»

Fernando Sobral
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Um prémio obsceno



... que um comissário europeu entregou a um ministro apatetado.

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O mundo ao contrário



«De tal forma mudou o mundo, que é caso para se dizer que, hoje, até os sociais-democratas (pelo menos os verdadeiros) comem criancinhas ao pequeno-almoço.

Num recente texto, Pacheco Pereira ilustrou bem este paradoxo contemporâneo ao enunciar diversos princípios fundadores do PPD de Francisco Sá Carneiro, que hoje são considerados perigosamente extremados, quer pelas gentes do PSD e do CDS, quer mesmo por algumas facções do PS. (...)

A verdade é que a lógica do mundo mudou desde os anos 60/70. O bloco de Leste ruiu (tirando argumentos a alguma esquerda) e os “senhores do mundo”, com a sua eficiência habitual (no tomada do poder), foram percebendo o que tinham que fazer para contornar a democracia.

Na Europa, este fenómeno foi global, com os diversos partidos socialistas a seguirem as ordens dos “donos do mundo”, criando a “terceira via” que mais não é do que a via neoliberal com cosmética social, de que Tony Balir foi um dos maiores protagonistas. (...)

A única saída para um problema global como este é uma resposta popular global. Se antes se pedia às classes operárias de todo o mundo que se unissem na conquista dos seus direitos, hoje temos que apelar à consciência colectiva das classes médias de todo o mundo para que não permitam que lhes destruam a vida. (...)

“Classes médias de todo o mundo, uni-vos!”, terá, então, que ser o lema deste novo milénio. Essa será a única forma de deixarmos de viver num mundo cada vez mais instável e perigoso, num mundo ao contrário, em que a infelicidade é o único destino.»

Gabriel Leite Mota

2.11.15

Dica (157)




«Actualmente Bruxelas tem de repente de olhar pelos seus próprios interesses de política externa e de gerir a segunda maior economia do mundo. A UE não está pronta institucionalmente para nenhuma destas tarefas. E os seus líderes também não estão intelectualmente prontos.

Devemos esperar mais crises, mais ação unilateral por parte de Estados-membros, maior vontade de explorar opções de saída, a invocação de circunstâncias excepcionais para suspender ações a nível da UE, mais quebrar de regras e por aí fora.

O verdadeiro risco não é uma separação formal. Essa seria tecnicamente difícil de fazer. Mas isso não serve de consolo. O verdadeiro perigo é que a UE vai simplesmente desvanecer-se e transformar-se num fantasma.»
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Pasolini morreu há 40 anos



Pier Paolo Pasolini morreu em 2 de Novembro de 1975. Com uma vida atribulada e mais do que polémica, e uma morte trágica, deixou-nos alguns belíssimos filmes, entre os quais «O Evangelho segundo S. Mateus», de 1964, certamente aquele que mais me marcou e de que me recordo melhor.

A surpresa generalizada com que este foi recebido quando apareceu, de um Pasolini marxista, ateu e anticlerical (até condenado anteriormente por blasfémia), mereceu-lhe o seguinte comentário: «Se sabem que sou um descrente, conhecem-me melhor do que eu próprio. Posso ser um descrente, mas sou-o com a nostalgia de não ter uma crença». O filme foi «dedicado à querida, alegre e familiar memória do papa João XXIII», que morreu antes de poder vê-lo.

Um belo Cristo, mais revolucionário do que pastor, que provocou a ira de alguns críticos e o entusiasmo de muitos outros.



Aqui, o filme na íntegra.
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Tão fácil, tão útil



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O euro e a desigualdade



«São muitos os relatórios publicados recentemente sobre a distribuição do rendimento e da riqueza mas, em todos os casos, de uma forma ou de outra, a conclusão é a mesma: desigualdade. Tanto no âmbito mundial como no nacional, apresentam-se valores arrepiantes e um pouco obscenos e as diferenças têm aumentado com a globalização e, nos últimos anos, com a crise. Há poucos dias, o Crédit Suisse divulgou o seu relatório sobre a riqueza global correspondente a 2015, do qual se depreende que o 1% mais rico da população tem 50 % da riqueza global, ou seja, a mesma percentagem que 99%; e que 71% dos mais pobres – 3.386 milhões de pessoas – possuem apenas 3% da riqueza do planeta. (...)

Os dados confirmam algumas coisas que já sabíamos. Em primeiro lugar, que não entrar na União Monetária foi benéfico para alguns países – pelo menos para as suas classes mais baixas – e que outros, como a Espanha, fizeram um mau negócio adoptando a moeda única. Em segundo lugar, que a política de austeridade e a chamada depreciação interna, que a partir de Berlim e de Frankfurt foram impostas a algumas economias, castigam de forma muito desigual os cidadãos, em comparação com a depreciação monetária, a qual, embora empobrecendo os nacionais face ao resto do mundo, não altera a distribuição do rendimento e da riqueza interna.

Este é um dos principais problemas criados por uma união monetária sem integração fiscal, que aumenta as desigualdades, tanto entre os Estados e como entre os cidadãos de cada um dos países, e este é o futuro que nos espera enquanto existir o euro. O anúncio de qualquer recuperação económica soa a falso para milhões de espanhóis que viram piorar gravemente a sua situação económica e que não vislumbram a possibilidade de um retorno ao ponto de partida, mas que antevêem que a ameaça de mais ajustes e cortes permanece dentro da moeda única.»

Na íntegra aqui.
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1.11.15

Dica (156)




«"I feel shamed as a member of this European leadership, both for the inability of Europe in dealing with this human drama, and for the level of debate at a senior level, where one is passing the buck to the other," he told parliament.

"These are hypocritical, crocodile tears which are being shed for the dead children on the shores of the Aegean. Dead children always incite sorrow, but what about the children that are alive who come in thousands and are stacked on the streets?"»
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No dia em que Fonseca e Costa deixou de andar por aí





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O Sol quando nasce é para todos


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O Ministério da Salada Russa



«O novo Governo de Passos Coelho pode ser definido pelo novo Ministério da Cultura, Igualdade e Cidadania. Ou seja, o Ministério da Saldada Russa.

Este Governo surge como uma caixa de crocantes de frango com recheio cremoso de queijo e fiambre. Pré-congelado, é claro. Neste Governo de minoria absoluta juntam-se ministros inamovíveis, militantes que têm de fazer pela vida no partido e deputados ou profissionais liberais que têm onde regressar se tudo correr pelo pior. (...)

Independentemente do futuro maior ou menor deste executivo anémico, a criação do chamado Ministério da Cultura, Igualdade e Cidadania diz muito sobre a visão de Passos Coelho sobre a sociedade "aberta" (nos dias em que os seus ideólogos seguidores de Karl Popper o influenciam) que quer criar em Portugal. Vozes cândidas e distraídas ficaram impressionadas com a criação do Ministério da Salada Russa, ou MCIC. Mas a centrifugação da Cultura, da Igualdade e da Cidadania mostra o que Passos Coelho pensa sobre a Cultura: é um adereço, uma pevide de uma abóbora maior, as penas de uma galinha, uma palavra sem conteúdo.

Passos Coelho não vê a Cultura nem como uma actividade económica fulcral para o turismo. É uma chatice. Mas isso é algo que não surpreende num político que poderíamos considerar um homem de "talento sério e robusto", como Eça de Queiroz descreveu tantas das suas personagens. Só surpreende porque, na sua austeridade intelectual, Passos não criou também o Ministério da Defesa, da Educação e da Ginástica ou o Ministério da Justiça, dos Estaleiros Navais e dos Torresmos. Tem tudo a ver…»
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Fernando Sobral
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