3.1.16

Transparência e verdade



«Têm sido a verdade e a transparência que têm ficado detidas neste jogo de interesses que governa Portugal há muito. É delas que os portugueses necessitam em 2016. Quando, nos escombros do BES, do BPN e do Banif, se descobre a montanha de dívidas incobráveis a empresas que aparentemente faliram ou simplesmente não pagaram, sobretudo na área da construção civil, entende-se melhor a célebre "solidez" da banca nacional que foi apregoada por Carlos Costa e pela Autoridade Bancária Europeia.

Parte da nossa banca era um Hércules cujos músculos eram um exercício de cirurgia plástica. Passado o momento da fotografia e do vídeo publicitário, tudo era uma ilusão. Só que a ficção serviu para alguns cozinharem os seus negócios e lucros, deixando as dívidas para quem as paga sempre: os contribuintes assolados por impostos e cortes salariais. Como sociedade justa, Portugal mostra o seu melhor. Em tempos liberais a isto chama-se socialização dos prejuízos. O problema é que toda esta vergonhosa transformação alquímica do dinheiro de uns nos prejuízos da maioria não tem tido consequências. Os culpados são "zombies" que a justiça se mostra incapaz de inculpar e a que as autoridades fecham os olhos como numa inevitabilidade. Portugal precisa de quem fale verdade e seja transparente. Para que os portugueses não sejam os suspeitos do costume que pagam os desvarios de alguns. Será pedir muito?»

Fernando Sobral

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