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14.5.16

Subscrevo


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Dica (293)

Trabalham para o Estado, mas há filhos e enteados?



Culpa minha, mas nem sabia que esta divergência existia. Por decisão do governo anterior, os funcionários públicos passaram a trabalhar 40 h/semana, como já acontecia antes para quem tinha contrato individual de trabalho a desempenhar funções no Estado. Leio agora que a passagem incondicional para as 35h só se aplicará aos primeiros, estando, para os segundos, de acordo com projecto lei do Governo, sujeito a negociação colectiva.

Deve estar a escapar-me algo (ou fico desde já à espera que me venham acusar de acreditar no «pasquim» que é o Público ou que o BE e o PCP estão a delirar).

Ascensão e queda da privacidade



José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«Demorou mais de 200 anos para uma parte importante da população ocidental conquistar não só um direito à privacidade, como condições para o exercer de facto. Não foi uma conquista generalizada, seguia uma fractura social. Os mais ricos, mas também a classe média e remediada, podiam usufruir de condições de vida que incluíam a intimidade e um módico de privacidade, embora os mais pobres continuassem a ter uma vida promíscua, sem “espaço” para ter privacidade. (…)

Com a melhoria das condições de vida de parte considerável da população, aumentou esse espaço privado. Mas, insisto, uma parte ficou e fica de lado, quando se habita em pouco mais de um quarto e uma cama, e se faz tudo no mesmo espaço. É por isso natural que o valor da privacidade estivesse muito associado a quem tinha a possibilidade de a ter. Os pobres têm toda uma outra lista de necessidades antes da privacidade, mas quando uma família sai de uma barraca e vai para um pequeno apartamento num bairro social, é o “espaço” a primeira coisa que refere em entrevista.

Hoje tudo isto está a andar para trás, a privacidade, as suas condições e o seu valor, estão a ser postos seriamente em causa e é preciso ter cada vez mais riqueza e poder para garantir alguma privacidade, débil que seja. O que se está a passar é que duas forças poderosas estão a minar a conquista da privacidade e a ideia de que “ninguém tem nada a ver com o modo como vivo a minha vida”, desde que não cometa crimes.

Essas duas forças são o estado moderno e a sociedade urbana dos nossos dias, num processo que se desenvolve dos mais jovens para os mais velhos. O estado actual, e estou a falar do estado democrático e não totalitário, está cada vez mais a arrogar-se o direito de espiar a vida de todos os cidadãos, a começar por essa parte vital que são as suas comunicações, mas também todos os aspectos da sua vida quotidiana. (…)

As escutas sistemáticas feitas por quase todos os grandes países democráticos, com relevo para os EUA, o Reino Unido, de todas as comunicações, insisto de todas as comunicações, muito para além da lei, representam uma ameaça à privacidade sem paralelo no passado. O pretexto é o terrorismo, mas é mau pretexto, porque a maioria dos crimes de terrorismo recentes são particularmente desleixados em matéria clandestina, usam métodos muito pouco sofisticados, e, se não fossem erros clamorosos dos serviços de informação e das polícias e a substituição de técnicas de intelligence, como a chamada humint pela aparente facilidade da espionagem electrónica generalizada, teriam sido detectados.

No caso português, o estado arroga-se, principalmente no fisco, a utilização de processos absolutamente invasivos da privacidade, sem ninguém mexer uma palha, enquanto, como todos sabemos, não vê os offshores que lhe passam à frente. (…) O que há hoje no Portugal democrático mais próximo de um estado totalitário é o comportamento da Autoridade Tributária, mas, como a cultura de privacidade nunca foi muito forte entre nós, tudo se consente ao estado em nome de uma suposta eficácia e necessidade. (…)

As alterações de sociabilidade que já existem nas “redes sociais” e no uso de telemóveis, relógios e aplicações “inteligentes”, a que se vira somar a “internet das coisas”, com os seus carros que comunicam trajectos, frigoríficos que encomendam comida, e roupa que consulta o médico se quem a usa tiver febre, anunciam um “mundo novo” muito pouco amável para o valor da privacidade. Com a introdução de devices que actuam sobre o nosso corpo, sobre o sistema nervoso, então aí há um problema sério com enormes repercussões sociais.

Todos estes aparelhos são excelentes quando usados por quem percebe certas fronteiras éticas e de civilização. Mas eles são como as drogas e a manipulação química do nosso corpo. Talvez nos façam mais felizes a curto prazo, mas fazem-nos menos humanos. Bem sei que isso hoje não conta para nada, mas, como nas distopias, quando as máquinas nos atacarem, ver-se-á se fomos ou não longe demais.» 
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13.5.16

Se o cardeal dissesse outra coisa é que seria de espantar




Não está sozinho: foi hoje acesa a discussão no Facebook, onde vários membros do PCP usaram mais ou menos os mesmos argumentos que o cardeal para justificarem o voto negativo do partido em que militam (sem que eu tenha conseguido, até ao momento, ter acesso a qualquer documento oficial da Soeiro Pereira Gomes sobre o tema).
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Conselhos por vezes úteis…


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13.05.1967 – Fátima, no dia em que estive a um metro de Salazar e de um Papa



Foi há 49 anos, em Fátima, por ocasião da primeira visita de um papa a Portugal. Eu pertencia então à Junta Central da Acção Católica, uma poderosíssima organização que contava com mais de 100.000 membros e que, pela primeira vez na sua história, não era presidida por um bispo ou por um padre. Dela faziam parte, não só mas também, alguns dos chamados «católicos progressistas» que por lá andaram dois anos até entrarem em rota de colisão irreversível com Cerejeira.

Quando se confirmou que Paulo VI viria a Fátima por ocasião do cinquentenário das aparições, em Maio de 1967, instalou-se uma grande consternação nos meios da oposição, sobretudo católica, pelo que seria visto, no mínimo, como uma quebra do isolamento em que Portugal se encontrava na cena internacional por causa da guerra em África – isolamento que aprovávamos e no qual depositávamos grandes esperanças, não só para a resolução do problema da guerra em si, mas para a própria queda do fascismo.

Todas as pressões para que a visita não acontecesse falharam, mas porque contra factos poucos argumentos nos restavam, passámos ao ataque, já que se havia algo que então nos caracterizava era a tentativa de «irmos a todas». Entre várias iniciativas, foi preparada uma a que se deu grande importância: a elaboração de um documento altamente sigiloso, a fazer chegar directamente ao Papa, no qual um numeroso grupo de antigos e então actuais dirigentes da Acção Católica e de outras organizações informava detalhadamente o Papa sobre a situação política e social existente em Portugal, por eles considerada inaceitável e mesmo contrária aos ensinamentos da própria Igreja – texto forte quanto a termos e quanto a conteúdo. Havia que garantir que o documento fosse entregue em boas mãos e alguém nos indicou a pessoa certa: um antigo secretário particular do papa João XXIII, que integraria a comitiva de Paulo VI.

Como membros da Junta Central da Acção Católica fomos convidados privilegiados, juntamente com as autoridades civis e eclesiásticas, e estivemos por isso presentes, como tínhamos aliás exigido (em parte para que esta acção planeada pudesse ser levada a bom termo), na tribuna de honra, em Fátima, muito perto de Salazar e da irmã Lúcia (e do Papa e de Américo Tomás, claro...). Com o nosso livre-trânsito, circulámos por toda a parte e encontrámos facilmente o tal mensageiro seguro, a quem um outro membro da Junta e eu própria entregámos a preciosa missiva (sem que, por razões óbvias, os outros membros da Junta, que de nada sabiam, se tivessem apercebido de qualquer manobra). De Roma, viria mais tarde um cartão com a indicação de «missão cumprida».

Tudo isto parecerá hoje inócuo, mas não o era então. E saímos de Fátima com a consolação de termos feito uma finta durante um desafio em terreno mais ou menos adverso, num tipo de jogada em que as circunstâncias nos tinham tornado quase especialistas. E que nos divertiam bastante, devo confessá-lo.

Esta vinda de Paulo VI a Fátima, pela desilusão que constituiu, com tudo o que a precedeu e que a rodeou (e que seria longo contar aqui), foi decisiva para o lento abandono da Igreja por muitos católicos. João Bénard da Costa veio a escrever mais tarde: «Se me perguntarem de quando eu dato a minha saída da Igreja, respondo que do dia 13 de Maio de 1967, o dia da visita de Paulo VI a Portugal.» Quanto a mim, também nunca mais regressei às redondezas da Cova da Iria. A não ser para almoçar no Tia Alice. 
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Dica (293)

A criminalização do pensamento



«Pensar traz consequências, o seu exercício não é bem recebido e está hoje em perigo. É importante que, entre os crimes contra a humanidade, figure a perseguição ideológica política, mas a acção de pensar é punida desde o castigo bíblico até hoje. Há duas esferas da realidade política que são as mais afectadas: a educação e o jornalismo. Em ambas, os seus representantes estão sujeitos à ira de poderes institucionais e de violência. As universidades, em épocas de ditaduras militares ou cívico-militares, sofrem as consequências da criminalização do pensamento. (…)

O medo e a violência, tal como a auto-censura, apoderam-se daqueles que exprmem opiniões contrárias ao poder dominante. Desde os ataques às Torres Gémeas, em 11 de setembro de 2001, o espectro do terrorismo converteu-se em desculpa para controlar a crítica política e o exercício da liberdade de expressão. No saco de terrorismo, metem-se muitos tipos de acções e de pensamentos. Quanto mais se diz reconhecer democracia e liberdades, mais a capacidade de pensar é reprimida. Já não se distingue ente pensamento crítico e terrorismo. O poder não distingue e, o que é pior, não quer exercer essa distinção. (...)

Hoje, os serviços de inteligência e o aparelho de segurança dos Estados realizam buscas, interferem em correios electrónicos, telemóveis, fazem gravações em salas de aula, restaurantes e centros comerciais. Nenhum espaço público está livre de vigilância e aqueles que denunciam os factos são visados por objectivos militares e políticos – é o caso de Julian Assange e (...) de Edward Snowden. (...)

As guerras do século XXI ampliam o espectro dos genocídios civilizacionais. Drones e armamento da última geração são usados para silenciar vozes e impor valores. Pensar tornou-se um delito, o seu exercício foi criminalizado e os seus defensores são condenados.»

Marcos Roitman Rosenmann

12.5.16

Sobre a saga dos contratos com as escolas privadas


O melhor texto que li até agora, concorde-se ou não:

Dica (292)

Ainda que mal



Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.

Carlos Drummond de Andrade 
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Brasil no dia errado da história



«A democracia é o lado certo da história. Jamais vamos desistir, jamais vou desistir de lutar.»
(Dilma Rousseff, esta tarde)



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Manuel Alegre, 80



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Da importância dos símbolos

Ministérios da Magia



«Em "Harry Potter e a Ordem da Fénix", o Ministério da Magia é inspirado em Whitehall, o nome da avenida no centro de Londres onde ficam os Ministérios. É lá que os trouxas, as pessoas normais, habitam. São normais porque não fazem magia, apenas aplicam truques.

Portugal é, neste momento, uma larga avenida onde Governo e oposição já não fazem magia: limitam-se a truques que vão entretendo o povo enquanto esperam que o destino resolva os problemas do país. Portugal está dividido e fragmentado. O problema é que a sucessão de truques cansa: cada um debate consigo próprio as questões que cindem os portugueses. Isto enquanto a economia se degrada e se torna evidente que o modelo do "Portugal exportador" se constipa seriamente quando Angola, Alemanha, China e Brasil se retraem nas compras. E o desemprego aumenta (algo que continua a não merecer a mínima atenção da UE, só preocupada com a austeridade). PSD e CDS julgam que acharam o calcanhar de Aquiles do Governo (a questão da "liberdade de ensino") e este tem de vir em auxílio de um ministro, Brandão Rodrigues, que não soube explicar que o que está a acontecer agora é o resultado da política de Nuno Crato de destruição da escola pública. Tudo é debatido num espírito de gritaria e de piquenique para que perceba que, em Portugal, o debate político continua miserável como sempre. Apenas está mais radical.

O país sofre na pele os efeitos da "grande moderação" e da impotência crescente do BCE para cumprir as suas promessas de elevar a inflação. Tal como é incapaz de atrair novo investimento a sério e de fazer com que se perceba o mistério da solidificação da liquidez que não chega à economia real (um fenómeno europeu) e que a Alemanha é hoje o grande entrave à recuperação do Velho Continente. Vivemos num mundo ditado por diferentes Ministérios da Magia, sem um GPS que nos guie entre o que é fulcral e o que é acessório. Afinal esta crise não apenas destroçou economias e torrou vidas: acabou com modelos fiáveis. Por isso chega de truques.»

Fernando Sobral

11.5.16

Isto só pode andar tudo ligado



Muitas das escolas, que têm contratos de associação com o Estado, são «de inspiração cristã», Marcelo deve falar sobre o tema na 5ª ou na 6ªfeira (12 ou 13 de Maio) e o euromilhões saiu em Fátima.

Dica (291)

11.05.1904 – Salvador Dali



Salvador Domingo Felipe Jacinto Dali i Domènech, 1º Marquês de Dalí de Púbol, faria hoje 112 anos.

O mundo está talvez muito mais surrealista do que ele o conheceu.

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O tempo, esse grande escultor de lajes



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:

«Neste momento, parece-me provável que Durão Barroso diga numa entrevista que Sampaio apoiou expressamente a sua ida para a Comissão Europeia e que Sampaio esclareça logo a seguir: “Ele disse-me que ia só ali comprar tabaco”.»

Na íntegra AQUI.
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TTIP – Sempre útil



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A dimensão inimaginável da economia especulativa



«A economia especulativa atingiu dimensões inimagináveis. A grande complexidade que o sistema financeiro adquiriu nos últimos anos, juntamente com a ampla desregulamentação, que se aplicou especialmente desde a década de 1980, torna difícil o seu controle e a previsão das consequências de algumas decisões.

Após a crise de 2008, meios de comunicação social, analistas e economistas começaram a distinguir entre economia especulativa e real, uma distinção que muitos não entenderam. Embora a crise capitalista mais recente se tenha desenvolvido na esfera financeira, milhões de pessoas em todo o mundo ficaram sem emprego. Porquê?»

(Continuar a ler AQUI.)
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10.5.16

Sem um D. Sebastião não nos safávamos




O Instituto de Oftalmologia Doutor Gama Pinto, em Lisboa, pode ter a resposta para a substituição da estátua de D. Sebastião, destruída na passada semana, no Rossio.
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Dica (290)



Evitem (Paulo Guinote) 

«A FNEprof não deve meter-se numa polémica que só de forma lateral tem a ver com uma federação sindical de professores (…). A sua participação num debate que deve ser político entre Governo e Oposição só acaba a contaminar mais tudo e dificilmente traz vantagens à causa docente, a menos que exista retribuição pelos serviços prestados. O PCP e o Bloco que se cheguem à frente, visto que o ministro tem uma certa propensão para tropeçar em si mesmo.» 
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Camilo Mortágua



Um belo vídeo que merece ser visto.

Camilo, o Revolucionário.

«Homofobia» excêntrica




With alarming rates of Homophobia, biphobia and transphobia in Turkey, Amnesty International have launched this video that shows real people going into a pet shop to buy a turtle only to be told the turtle is Gay. It's hoped the project will mock the absurdity of homophobic attitudes in order to change them. 
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Jon Snow e Durão



«Ninguém tinha dúvidas de que Jon Snow regressaria do mundo dos mortos. "A Guerra dos Tronos" dissolvia-se num mundo de lutas sem sentido se Snow não estivesse lá para se recordar do passado. Durão Barroso não é Jon Snow.

Não regressa dos desaparecidos em combate. E, claro, não é tão importante como Snow para a história das civilizações que lutam pelo poder. Foi um efémero primeiro-ministro. Presume-se que dirigiu a Europa. Há quem acredite que sonhou poder vir a ser Presidente da República. Seja como for, ao longo de três décadas na política, poderia ter sido um acumulador de energia e conhecimento. Nada disso, lamentavelmente, transpira da sua entrevista ao Expresso. Dela sobra fel para Jorge Sampaio e desamor para com George W. Bush.

O que se esperaria de Durão Barroso (falar do seu legado, abrir janelas para os portugueses perceberem melhor a sinistra política europeia face a Portugal e aos países da periferia) redunda numa mão-cheia de nada e noutra de coisa nenhuma. Num tempo em que as dúvidas são cada vez maiores sobre o futuro da Europa e as razões da nossa permanência num euro que é uma camisa-de-forças, Durão não tem muito mais para dizer do que sugerir que saiu da política, mas que não deixou por isso de ser um político. É pouco. É pobre. Sobretudo de quem tentou ser um competente general de Bruxelas nas províncias colonizadas. Conhecedor dos meandros das grandes decisões políticas e económicas, especialmente de quando Portugal foi colocado na trincheira da frente para dar o corpo às balas quando a batalha das dívidas soberanas poderia trucidar Espanha e Itália, Durão é económico com as palavras. Poucos portugueses estiveram tão no centro do poder real de Bruxelas para que nos prive de meios para delinearmos melhor uma estratégia para o futuro. A menos que Durão prefira hoje o cosmopolitismo de Bruxelas (ou de Washington) à periferia de Lisboa. Pode ser o caso e é um direito que lhe assiste. Mas, após a entrevista, fica-se com a noção de que Durão nunca poderia ser Jon Snow.»

Fernando Sobral
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9.5.16

Faltava o cardeal para atear mais o fogo




E com um presidente da República tão, tão católico, creio não errar ao prever que os próximos dias serão tristemente animados.
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Monótono é que o Brasil não é



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A bicicleta sem ar nos pneus é da menina alemã



Nicolau Santos no Expresso diário de 09.05.2016:


....(...)

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Dica (290)




«The harder lesson to learn is: never rely on national stereotypes; never reduce the conflicts of the world to ethnicity alone. There are also class, gender, religion, politics and history – attributes Sykes discounted as he tried to predict how the sub-groups of the Middle East would react to British policy.

The final lessons is: accept responsibility. The Sykes-Picot agreement was conceived in the same room David Cameron’s cabinet sits in now. The passage of time should not absolve us from engaging with the situations we messed up.» 
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Contratos de associação com Escolas Privadas


Já fiz a pergunta no Facebook, mas repito-a aqui: será que alguém me pode facultar uma FOTOCÓPIA do texto de um contrato, celebrado em 2015, entre o governo e uma das escolas privadas, que agora reclamam incumprimento? (Se sim, envio por favor, para o meu email indicado na coluna da direita deste blogue.)

Concretamente, queria ver aquela parte que fala de limite de três anos para ter a certeza de que dizem apenas respeito (ou não…) à finalização de ciclos de estudo.

Já fiz este pedido a deputados de esquerda, mas ou recebi uma resposta torta ou nenhuma. 
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O boletim do BdP



«O Boletim Económico do Banco de Portugal não é tão estimulante como "Crime e Castigo" de Dostoievski ou "As 20 Mil Léguas Submarinas" de Jules Verne.

É, claro, menos divertido do que ler um policial de Raymond Chandler. E causa muito menos rubor nas faces do que ler "As 50 Sombras de Grey". (…)

É claro que, lendo o Boletim Económico de Maio, percebe-se que há ali momentos em que mesmo os mais sérios estudiosos tentam fazer um pouco de ficção. Repare-se num pequeno trecho delicioso da prosa: "Indicadores de desempenho em áreas-chave da despesa pública, como a saúde e a educação, sugerem que as políticas de contenção da despesa implementadas nos últimos anos não terão posto em causa os níveis e a qualidade global de provisão destes serviços." Claro que não: retire-se muitas centenas de milhões de euros ao SNS e ninguém repara que a qualidade dos serviços nos hospitais e centros de saúde minguaram.

É óbvio que não estamos como na Grécia (onde não há dinheiro para comprar seringas e agulhas), mas os estudiosos do Banco de Portugal, antes de elaborar teorias, deveriam olhar para os hospitais e para as escolas. Porque se a situação não piorou mais foi porque os profissionais destes sectores fizeram das tripas coração. Acredita-se que os estudiosos do BdP preferissem escrever telenovelas em vez de boletins económicos. Tinham uma maior liberdade para criar. Mas, mesmo que digam que se basearam em indicadores, deveriam antes ir aos hospitais e às escolas. Só para apalparem a realidade.»

Fernando Sobral

8.5.16

Música em forma de geringonça



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Dica (289)



Dissensos e compromissos. (Manuel Carvalho da Silva) 

«Andas na política? Ao que vens? Estas devem ser as perguntas prévias a fazer aos partidos e a todos os atores políticos, obrigando-os a expor com clareza as suas opções e os dissensos entre elas. Depois disso, com transparência e participação cidadã, negociem-se e construam-se compromissos.

Não mobilizemos os nossos afetos para condescendermos perante consensos que nos tolhem o futuro coletivo.» 
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TTIP – uma iniciativa da Europa



«É preciso recordar como é que se chegou ao TTIP, se queremos afastar alguns “papões” sobre as más intenções americanas. Foi a Europa que deu o pontapé de saída para esta grande negociação quando iniciou com o Canadá um acordo comercial de novo tipo, mais assente nos standards do que nas tarifas, já de si muito baixas. O passo seguinte foi convencer os Estados Unidos, mas teve de esperar três anos até Obama dizer que sim. Logo que chegou à Casa Branca, o Presidente anunciou que os EUA tinham no Pacífico os seus dois desafios mais importantes: enquadrar numa ordem internacional liberal a emergência da China; responder à acelerada transferência de riqueza do Atlântico para a Ásia. (…)

O grande problema é que a Europa não tem uma estratégia para a sua relação com o mundo, seja com os EUA, com a Rússia ou com a China. É esse talvez o maior obstáculo da negociação, porque facilmente deixa cair o debate (como já está) nos transgénicos ou na carne com hormonas, nos mitos e nas realidades da superioridade europeia de defesa dos consumidores.»

Teresa de Sousa

France, um mês de «Nuit Debout»




Ce samedi 61 mars (anciennement 30 avril) 300 musiciens et 150 choristes se sont réunis sur la place de la République pour fêter le premier mois d'occupation de la NUIT DEBOUT.

Devant plusieurs milliers de personnes ils ont interprété l'Hymne à la joie de Beethoven, le Choeur des esclaves de l'opéra Nabuco de Verdi et le 4ème mouvement de la Symphonie du nouveau monde d'Antonin Dvorak, pour finir par un Bella Ciao. 
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New York, New York



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08.05.1945. II Guerra – The End



Foi há 71 anos.





Como é sabido, também se festejou em Portugal. Multidões saíram à rua com bandeiras dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e do Benfica. Estas últimas substituíam as da União Soviética – um dos vencedores da guerra na Europa –, obviamente proibidas... Em Almada, depois dos patrões ingleses de algumas fábricas de Cacilhas darem 1/2 dia feriado, também houve desfile com as bandeiras dos vencedores e um pau sem nada.


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