21.5.16

Marisa Matias e refugiados



A não perder: este relato que a Marisa Matias faz da estadia, esta semana, em campos de refugiados na Jordânia e no Líbano. 
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Dica (300)



Algunos somos comunistas. (Alberto Garzón) 

«El comunismo se ha puesto de moda. No del modo que predijeron Marx y Engels en el Manifiesto Comunista, pero sí de alguna forma tal que ha provocado que las tertulias políticas, en los grandes medios de comunicación o fuera de ellos, vuelvan a debatir sobre esta tradición política. Es más, tres partidos políticos -PP, Ciudadanos y PSOE- agitan ahora la bandera del anticomunismo con objeto de atacar las posiciones políticas de la alianza entre Podemos, IU y las confluencias. Suena a burda y recurrente maniobra para usar el miedo como arma electoral, pero esta vuelta a las viejas consignas reaccionarias no deja de ser sintomática.» 
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Tarrafal: limpar a memória?


(Expresso, 21.05.2016)

Isto não é verdade. Ao contrário do que Edmundo Pedro escreve, o projecto do Campo do Chão Bom, reaberto por portaria assinada por Adriano Moreira como ministro do Ultramar (ver no fim deste «post»), não só se concretizou como albergou, até 1 de Maio de 1974, elementos dos movimentos que lutavam pela independência de Angola, Guiné e Cabo Verde, ou apoiantes dos mesmos.

Justino Pinto de Andrade foi um deles e quem estiver interessado pode ouvi-lo, em vídeos gravados numa sessão realizada em Lisboa, em 2008 (na qual Edmundo Pedro participou), e AQUI referidos.

A ler também ESTE TEXTO de Raimundo Narciso.

Não entendo o que terá levado Edmundo Pedro a escrever este texto e já tentei contactá-lo, mas ainda sem sucesso. Eu tenho tanta documentação sobre toda a questão, neste blogue, que daria para várias horas!

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P.S. – Junto duas Notas deixadas como comentário no Facebook, uma de Raimundo Narciso e outra de Diana Andringa:

Raimundo Narciso: «Realmente só um lapso de memória e confusão pode explicar o artigo do nosso amigo Edmundo. Então ele participou directamente no colóquio da AR sobre o Tarrafal promovido em parceria pelo Movimento Não Apaguem a Memória de que ele é sócio honorário, em 29 de Out de 2008. E nesse colóquio em que ele presidiu a uma mesa (na foto), tratou do 1º Tarrafal o dos portugueses e do 2º Tarrafal de 1961 a 1974 no qual se destacou, como bem referiu a Joana Lopes, com uma intervenção um ex-preso angolano, desta 2ª vida do Tarrafal, Justino Pinto de Andrade, professor universitário em Luanda. O Campo foi reaberto por legislação do ministro competente de Salazar, Adriano Moreira, como se disse, em 1961, para angolanos, guineenses e cabo-verdianos (para os Moçambicanos havia o terrível Campo/prisão da Machava).»

Diana Andringa: «De facto, a portaria nº 18.539, de 17 de Junho de 1961, assinada por Adriano Moreira, não "ordena a reabertura do 'campo de concentração do Tarrafal'" - mas institui em Chão Bom um campo de trabalho, cujo pessoal será " recrutado, em regime de comissão, entre os servidores dos respectivos quadros da província de Angola, que suportará todos os encargos".
A ligação a Angola, onde meses antes começara a luta armada de libertação nacional, indica de imediato que tipo de presos será colocado nesse campo - e de facto chegam ao "Campo de Trabalho de Chão Bom", em Fevereiro seguinte, 33 presos angolanos do chamado "Processo dos 50".
E desde então até à libertação do campo, em 1 de Maio de 1974, passaram por ali 220 presos políticos, combatentes das lutas de libertação de Angola, Guiné e Cabo Verde. (E também, de um dos lados do campo, presos comuns.)
Vale a pena reler "Angolanos no Tarrafal - alguns casos de habeas corpus", publicado pela Afrontamento em 1974 e organizado pelos advogados Fernando de Abranches-Ferrão, Francisco Salgado Zenha, Levy Baptista e Manuel João da Palma Carlos, e verificar como em 1973 o director do Campo, Eduardo Vieira Fontes, referindo-se a alguns presos angolanos diz que "os requerentes cumprem medidas administrativas de segurança no Campo de Trabalho de Chão Bom, que lhes foi imposta a medida de "residência em Cabo Verde - Campo de Trabalho de Chão Bom" por prática de actos contrários à integridade territorial da Nação".
E como o Juíz de Sotavento, em relatório ao Supremo Tribunal de Justiça, escreve que, no campo instituído pela citada portaria nº 18.539, "estão instalados os presos políticos naturais de Angola e se albergam os indivíduos a quem foram impostas medidas de segurança administrativas".
Poderá também ler-se os Papéis de Prisão de Luandino Vieira, ou ouvir os testemunhos dos presos políticos de Angola, Guiné e Cabo Verde em "Tarrafal: Memórias do Campo da Morte Lenta", que tornam claro como, a partir de 1962, e na sequência da portaria referida, ali estiveram encerrados mais de duas centenas de patriotas africanos.»



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Das mulheres dos estivadores



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Mas que raio é que têm contra o papel?



José Pacheco Pereira no Público de hoje: 

«Ele [António Costa] quer acabar com o papel, acabar com as impressoras, deixar uma solitária impressora em cada repartição (e uma gloriosa fila de gente à espera da certidão…), e poupar, diz ele, trinta milhões de euros. Nosso Senhor Santo Cristo, o homem é um perigo público e não sabe o que está a dizer, porque, que o possa fazer, é ainda menos provável do que ver uma vaca voar. Vou inscrever-me como lobista da Portucel e da HP, e explicar os perigos de uma sociedade sem papel e pior ainda de um estado sem papel, onde circulam apenas bits e bytes. Em 2016, em Portugal e não numa utopia tecnológica. (…)

Preciso, em Portugal e em 2016, que haja papel em vários sítios e usos, e a corrida ao mundo sem papel é perigosa e leviana, sem ser precedida de outro tipo de obrigações e práticas que não existem ou quando existem ficam apenas… no papel. (…)

Parece absurdo o que estou a dizer, mas eu dou um exemplo concreto: o registo das comunicações, reuniões, responsabilizações, etc., nas negociações entre o governo português e a troika de 2011 a 2015. Quem propôs o quê, quem disse o quê, quem decidiu o quê. Começa por não ser líquido o que devia estar registado ou não e por quem. Havia actas das reuniões? Em que formato? Eram os documentos numerados e datados de modo a perceber-se o que pode faltar? Como eram certificados, quem os assinava e sob que forma? Onde estão depositados, em Bruxelas, em Washington, num computador do governo, ou em computadores dos participantes, sabendo-se como se sabe que havia alguma promiscuidade no uso dos computadores pessoais? Este registo oficial incluiu o correio electrónico oficial ou as comunicações privadas? Como é que se define a diferença entre o que é público e o que é privado para efeitos de registo obrigatório? Há registo dos telefonemas feitos e uma síntese desses telefonemas como é suposto existir, por exemplo, nas comunicações diplomáticas? (…)

Eu, se fosse Ministro das Finanças e não concordasse com uma medida que a troika me impusesse, gostaria que tudo isso ficasse em acta, lida e assinada “nos termos da lei”. Parece anacrónico, mas não é. Do mesmo modo que muitos tribunais em vários países não aceitam como prova fotografias digitais.

O que se passa é que as pessoas se embasbacam com as novas tecnologias e se esquecem que elas podem ser particularmente úteis se forem combinadas com outras mais velhas tecnologias. Mas não, quer-se ser moderno e tudo para a frente! E o que se faz, é por deslumbramento e sem os cuidados necessários, e pode custar-nos muito mais do que os 30 milhões de euros.

O resultado é tornar o escrutínio da vida pública mais difícil e gerar outros efeitos perversos sobre a privacidade das pessoas (como acontece com as facturas no fisco, também com um e- no início) ou dificultar-lhes corrigir erros da administração porque qualquer funcionário vai achar que o registo electrónico é a “verdade”, mesmo que incorpore um erro que se desloca de uma base de dados para outra.

Mantenham lá uma parte das coisas em papel, e adaptem as regras pouco a pouco ao predomínio do registo electrónico. Sem pressa. Mesmo nos EUA não tem sido fácil, quanto mais em Portugal. Mas é típico querer-se correr mais depressa do que as pernas, e também é normal que quem governa dê pouca importância ao controlo dos cidadãos sobre o estado, a governação e administração.

Já permitimos ao Estado, quase sem se dar por ela, coisas demais, saber demais sobre cada um de nós, escapar ao controlo dos cidadãos. Convinha não facilitar.» 
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20.5.16

Dica (299)



A fabricação de Marcelo. (Sandra Monteiro) 

«Marcelo não é apenas um produto de um consenso fabricado por si próprio, pelos media e por parte significativa da sua família política. Ele é, agora como presidente, uma fabricação diária dos próximos “consensos”, da futura opinião dominante a mobilizar quando passar a acalmia possibilitada pelo alívio do garrote austeritário.» 
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José Rodrigues dos Santos, ainda



Quem for corajoso que leia a entrevista dada ao jornal i. Eu confesso que não consegui ler nem metade. Mas deixo «um cheirinho»:

«Uma das coisas que hoje não se sabe, mas que é verdadeiro, é que o fascismo é um movimento de origem marxista. Pouquíssima gente sabe isto. Em certos aspectos, é mais ortodoxamente marxista do que o comunismo. Por exemplo, a crença que os fascistas tinham de que não era possível haver revolução do proletariado sem capitalismo. Isto é marxismo ortodoxo. Marx disse: “Passa-se do feudalismo para o capitalismo e são as contradições do capitalismo que vão conduzir ao comunismo”. Portanto, sem capitalismo não há comunismo.»
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35 horas: devagar que tenho pressa



Daniel Oliveira escreveu, no Expresso diário de ontem, um texto que se pode começar a ler aqui, mas que, na totalidade, só está acessível para assinantes. Destaco, por esse motivo, os últimos parágrafos, com os quais me identifico 100%.

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Maior prova de idotice é difícil


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Rock in Rio?



E a música não chegava a Benfica. 
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Sanções e Dalilas



«Depois de alguns dias a desenterrar o papão nosso que estais no céu da Comissão Europeia, segundo as notícias, afina: "Bruxelas exige/impõe/quer mais medidas para reduzir défice e adia sanções até Julho." (…)

Já tenho pouca paciência para este falso "suspense" da CE, muito induzido pela comunicação social. Se querem aterrorizar as pessoas, não podem estar sempre a usar a táctica: "Que susto!!! Mas afinal não era o assassino, era só um gato." Já entrei naquela fase, quando o polícia de trânsito me quer dar conselhos para o futuro, do: "Passe lá a multa, e menos conversa, ou arranco com o carro e quero que te lixes."

Esta notícia do adiamento das "presumíveis" sanções a Portugal para Julho confirma o completo disparate da ideia. Supostamente, poderia haver dois tipos de "sanção". Uma por não termos cumprido o défice em 2015 e outra por acharem que não estamos a fazer nada para o corrigir em 2016. A segunda hipótese de sanção parece-me bastante estapafúrdia. Sanções, agora, por práticas futuras... É muito esquisito. Não vai mais nenhum "minority report" com vodka para mesa da CE. Deixa ver se percebo a ideia. "Esta malta está a tomar uma trajectória que ainda se arrisca a não cumprir o défice, é melhor multá-los para contribuir para isso." (…)

Para Moscovici, "este não é o bom momento político e económico para aplicar sanções a Portugal e Espanha”. Exacto, para quê punir o Governo de 2015 quando se pode fazer chantagem com o de 2016 e com o eleitorado espanhol?

Na verdade, estas sanções dependem não dos números, mas dos governos. São uma forma de tirar a força. São Dalilas mascaradas de sanções.»

João Quadros

Entretanto no Brasil




Fora Temer, fora Temer…
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19.5.16

Dica (298)




«The Republican Party’s attempt to treat Donald Trump as a normal political candidate would be laughable were it not so perilous to the republic. If only he would mouth the party’s “conservative” principles, all would be well.

But of course the entire Trump phenomenon has nothing to do with policy or ideology. It has nothing to do with the Republican Party, either, except in its historic role as incubator of this singular threat to our democracy. Trump has transcended the party that produced him.»
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Serve elefante voador?



Vaca voadora não tenho.

O cómico poder do humor



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:

«Primeiro, há muitos anos, um episódio dos Simpsons mostrava uns Estados Unidos do futuro em que tudo era mau. O Presidente dessa América distópica era Donald Trump. Depois, no mundo real, Trump candidatou-se mesmo à presidência.

Na íntegra AQUI.
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Uma boa sugestão para artistas portugueses

A casa sombria da CE



«O horroroso sotaque da Comissão Europeia, digno de uma galinha que perdeu a cabeça, mas continua a correr para parte incerta, revelou-se ontem na forma das palavras do comissário Pierre Moscovici. Naquilo que se assemelha a sensatez, mas é de uma hipocrisia sem limites, Moscovici veio espirrar que este não era o bom momento "em termos económicos e políticos" para multar ou congelar fundos estruturais, mas que em Julho logo se verá. Mas pede já mais cortes em 2016. A CE, que não tem um espelho para ver a cor com que as faces ficam quando se tem vergonha, toma esta decisão, um compasso de espera, só à espera dos resultados eleitorais em Espanha, que deseja sejam favoráveis a Mariano Rajoy. De outra forma pediria a António Costa para tomar uma chávena de cicuta.

O blá-blá-blá da CE é claramente ideológico: é só por razões de conveniência política do PPE que a CE não se dedica à caça ao Governo português. Algo que está na sua agenda desde há muito. Tal como o sector financeiro português parece, hoje, olhado pela CE como o velho império nacional africano do século XIX: pronto a ser dividido pelas grandes potências. Como o próprio Fernando Ulrich disse, o anterior Governo não defendeu os interesses bancários portugueses em Angola. Vamos sair de lá a correr. Um dia destes os grandes bancos europeus irão para lá ocupar o terreno, sem problemas. É esta política vergonhosa da União Europeia a que Portugal se submeteu, comprometendo a soberania, devido aos erros das suas elites. A Europa não é o princípio e o fim de tudo. Nem o Sol que ilumina a terra. É, como se vê, no seu sotaque atrapalhado, a casa sombria de que falava Charles Dickens.»

Fernando Sobral

18.5.16

Dica (297)




«The refugee debate creates the impression of unprecedented mass migration. That image is completely incorrect. The real question, when we look at migration globally, is why there is so little of it.» 
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Esperemos que a ideia não pegue por cá…

Futebol e O'Neill com ele



«O que perde o futebol não é o jogo propriamente dito, mas todo o barulho que se faz à volta dele. É impossível a gente alhear-se do futebol, falado, comentado, transmitido, relatado, visto, ouvido, apostado, gritado, uivado, ladrado, festejado, bebido. O futebol passa deste modo a ser uma chateação permanente. É que não há tasca, pastelaria, salão de jogos, barbearia, recanto de jardim público, quiosque, bomba de gasolina, restaurante, Assembleia da República, supermercado, hipermercado, livraria, loja, montra, escritório, colégio, oficina, fábrica, habitação, diria até, onde, de algum modo, não se ouça falar do jogo que decorre, decorreu ou decorrerá. Quando há transmissão via TV ou Rádio, então a infernização é total. (...)

É grave? Não é grave? Sei lá. Verifico, apenas, que é assim por toda a parte. E isso massacra, desgosta, faz perder a razoabilidade, a isenção, o bom senso, a simples tineta.»

Alexandre O’Neill, Já cá não está quem falou.

[Repulicação]
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Contratos com privados, ainda


Julgo que isto passou mais ou menos despercebido ontem:


Ou seja: sem se saber quantos alunos serão impedidos de se inscreverem nas turmas de início de ciclo «autorizadas» pela secretária de Estado da Educação, por morarem fora da área geográfica definida oficialmente, continua a não ser possível dimensionar o rombo sofrido pelos colégios.

Já agora: alguém sabe se o ministro da Educação passou à clandestinidade? 
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Jogos de máscaras no PSD e no CDS



«Schopenhauer contava que, num baile de máscaras, um distinto cavalheiro cortejou, durante toda a noite, uma dama que se escondia atrás do seu próprio disfarce.

Quando lhe declarou o seu amor, a mulher mostrou o rosto e o homem ficou sem palavras ao descobrir que era a sua própria mulher. No teatro ou nos bailes de máscaras todos também desejam ser outros. Mas, na política dos nossos dias, isso é menos plausível. Tomemos o caso da oposição. Confronta-se hoje com uma certeza: o Governo não caiu devido à guerra fratricida entre os diferentes partidos que o suportam no Parlamento. Por isso, a política de esperar que as uvas caiam de maduras não serve.

O CDS há muito já tinha percebido isso: Paulo Portas, de forma inteligente, cedeu o palco a Assunção Cristas, que não acede de gôndola aos palácios perdidos de Veneza: trilha todos os caminhos e pontes para alargar o espaço eleitoral do seu partido. Passos Coelho, entronizado por uma maioria que se eclipsará no momento da verdade, preferiu ter uma crise de rouquidão: só se ouviu durante meses. O resultado está à vista: Cristas é já mais popular do que Passos e o PSD vai cedendo nas sondagens face ao PS.

Assunção Cristas conquistou a liderança da oposição. E está a fazê-lo de forma inteligente. Passos parece, agora, ter pressentido o perigo: fala todos dias de economia ou da liberdade de escolha nas escolas. Mas talvez tenha chegado tarde ao baile de máscaras. O PSD, mesmo que não perca muito eleitorado para o CDS, pode vir a corroer o suficiente para que lá mais para o ano Assunção Cristas possa começar a ser uma alternativa para um PS que um dia não vai sustentar os equilíbrios com o BE e o PCP. É esse jogo que Passos Coelho pode ter visto tarde demais. No aparelho do PSD, as máscaras revelam mais do que ocultam. Estar perto do palácio do poder é a sua aspiração, como o é o do aparelho do PS. Por isso, Passos Coelho tem de comprar pastilhas para a garganta. Antes que seja tarde para ele.»

17.5.16

Dica (296)



Monopoly’s New Era. (Joseph Stiglitz) 

«Many of the assumptions about market economies are based on acceptance of the competitive model, with marginal returns commensurate with social contributions. This view has led to hesitancy about official intervention: If markets are fundamentally efficient and fair, there is little that even the best of governments could do to improve matters. But if markets are based on exploitation, the rationale for laissez-faire disappears. Indeed, in that case, the battle against entrenched power is not only a battle for democracy; it is also a battle for efficiency and shared prosperity.» 
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Casa de ferreiro, espeto de pau




«Em termos líquidos, o Estado passou a ter – contratou – mais 3731 funcionários nos três primeiros meses do ano. Mas estes são funcionários com contratos a prazo. Ao todo, o Estado, entre janeiro e março, contratou 4167 pessoas a termo e mais 199 em comissão de serviço ou mandato. Ainda durante o mesmo período, passou a haver menos 635 empregos permanentes.» 
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Ainda fazem implodir o mausoléu do Mao


(Expresso diário de hoje)
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Brasil – Solidariedade em Cannes




«Agradeço o apoio, no tapete vermelho do Festival de Cannes - Page Officielle, do elenco do Aquarius - Filme, do diretor Kleber Mendonça Filho, que saiu em defesa da democracia e alertou o mundo para o golpe de Estado que ocorre no Brasil. Envio a todos um beijo carinhoso em nome da democracia.» 
Dilma Rousseff no Facebook
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Uma efeméride de má memória


O Memorando com a troika foi assinado há cinco anos.  

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O boxe da CE



«A Comissão Europeia tem uma visão muito peculiar das regras do boxe político na Zona Euro. A CE, sabe-se, é Muhammad Ali contra os países da periferia, a começar por Portugal, Grécia e Espanha.

E é um peso-pluma quando tem de se defrontar com pugilistas como a Alemanha e a França. Contra uns usa o KO. Com os outros faz OK. E celebra ambos os factos com salsichas e champanhe. Nada de novo nesta Europa que se assemelha cada vez mais ao Festival da Eurovisão: é um verdadeiro "freak show". A ameaça da CE de avançar com represálias contra Portugal e Espanha contra défices excessivos (no nosso caso porque aconteceu a bomba-relógio do Banif) é revelador da forma como os comissários usam os seus parcos neurónios. Mesmo vendo que em 2016 há hipóteses reais de se ficar abaixo do célebre "défice excessivo", a CE ameaça com multas e com a não transferência de fundos. Talvez assim consiga que Portugal, em 2016, volte a não cumprir o défice. Se não desse vontade de chorar, era motivo de piada.

Há dias, Jason Furman, conselheiro económico de Obama, disse ao El País, que a Casa Branca é partidária de uma aplicação flexível das regras fiscais na Zona Euro. Até porque ela só se aplica aos países da periferia. Basta ver que a Alemanha volta a ter excedente comercial brutal e o que diz a CE? Que vai colocar Berlim "sob vigilância". A França diz que não quer saber do défice excessivo e o que faz a CE? Assobia para o ar. Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque tiveram uma atitude sensata (e que defende os seus próprios interesses políticos) ao escrever a dirigentes da UE para que estes tenham a noção da realidade. A sanha vingadora da CE contra Portugal parece digna de um combate de boxe onde as regras são distorcidas a favor sabe-se lá de quê. Porque qualquer sanção será mais um prego no caixão da UE.»

Fernando Sobral

Dica (295)




«Han pasado ya cinco años desde la masiva ocupación de plazas que eclosionó el 15 de mayo del 2011 con el movimiento de los indignados, el 15M. Cinco años en que se ha constatado que el tiempo no es lineal, que está hecho de atajos, laberintos y a veces largas y otras veces cortas veredas. Cinco años de mucha crisis, malestar y protesta. Sin embargo, ¿qué queda hoy de tanta indignación?» 
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16.5.16

Futebol e República



O campeonato de futebol devia terminar sempre a 4 de Outubro para que a Praça do Município de Lisboa se enchesse no dia seguinte para festejar a República. 
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Carta aberta das mulheres dos estivadores a António Costa



«Os nossos maridos trabalham não raras vezes 80 horas semanais. Nunca, em momento algum, ganharam mais do que 12.20 euros à hora brutos. O salário normal é 8 euros à hora brutos. O senhor vive com isso? Há sete homens no porto que estão no escalão máximo de 12 euros, todos os outros ganham menos. Quando abrimos a televisão e ouvimos dizer que ganham 5 mil euros pensamos que estamos num talk show de baixa qualidade.» 

Na íntegra AQUI.
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16.05.1974. Posse do 1º Governo Provisório



No dia 16 de Maio, tomou posse o 1º Governo Provisório. Uma Geringonça difícil de gerir (basta olhar para os partidos que a compunham e para os nomes dos ministros…) e que iria durar apenas dois meses. Na sequência do pedido de demissão de Palma Carlos, foi formado o 2º Governo Provisório, presidido por Vasco Gonçalves.




Quem era o quê:


O programa do 1º Governo Provisório pode ser lido aqui.
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Brasil resiste




A Internacional, hino comunista perseguido pela ditadura militar, ecoou na tarde deste Sábado (14), no antigo DOI-Codi de São Paulo, o mais temido centro de tortura dos Anos de Chumbo.

Leia a reportagem aqui.
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Tio Patinhas e os impostos



«Numa das múltiplas histórias do Tio Patinhas este consegue salvar uma tribo de um feiticeiro que vendia diamantes sem dividir o lucro com os habitantes.

Feliz, o Tio Patinhas confessa: "O feiticeiro nunca mais voltou para a aldeia e eu dividi… hã… em partes iguais os diamantes da mina com os indígenas. Um para vocês, dois para mim. Dois para vocês, quatro para mim." Em Portugal, com governos mais liberais ou mais socialistas, a ideologia da divisão é a mesma: impostos sempre a aumentar. Tio Patinhas seria em Portugal um excelente ministro das Finanças de qualquer governo. Segundo o INE, a carga fiscal já representa 34,5% do PIB, o valor mais elevado desde há 21 anos. Aumentou em 2015, tal como aumentara nos anos anteriores. Nada muda em Portugal: só os impostos aumentam.

Por isso, neste quadro, face à riqueza disponível do país (e por isso não vale a pena compararmos o nosso fardo com o dos dinamarqueses), as discussões pretensamente morais sobre a liberdade de escolha de ensino (e quem o paga), a descida de um cêntimo nos combustíveis por milagre disponibilizado pelo Ministérios das Finanças ou as ambições de poder de Catarina Martins parecem assuntos laterais. Os impostos são a pastilha elástica da sociedade portuguesa: não a deixam livrar-se dos seus pesadelos. Põem em causa a razão de alguém investir ou trabalhar. Os impostos, aliados à burocracia e à inexistência de justiça, tornam aquilo que poderia ser um pequeno país paradisíaco num gigantesco purgatório. O imposto é a ideologia única. Nem é de esquerda nem de direita em Portugal. A UE ou o FMI, cada vez que decide fazer um teste laboratorial sobre Portugal, pede mais IVA ou IRS. Os portugueses trabalham para colocar o que ganham a mais, ou a menos, nas mãos de um Estado sôfrego. O Brasil, de que tanto se fala agora, ainda recorda que nos tempos da independência ainda pagava um subsídio "voluntário" que era recolhido, desde 1756, pelas câmaras, para ajudar à reconstrução de Lisboa. Nada mudou.»

Fernando Sobral
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15.5.16

Antes que o dia acabe



Parabéns ao Benfica, meu vizinho há 41 anos. Vivo quase dentro do estádio desde 1975.
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O papa Francisco e a eutanásia



Para reflexão presente e para memória futura.


«Numa mensagem enviada a propósito da marcha, que terminou junto da Assembleia da República com o lançamento de uma petição intitulada "Toda a vida tem dignidade", Francisco salienta a importância de "inspirar indivíduos, famílias e a sociedade portuguesa na busca do bem-comum enraizado na concórdia, na justiça e no respeito pelos direitos da pessoa humana, desde a conceção à sua morte natural".

Segundo a agência católica Ecclesia, a mensagem foi remetida pelo "número dois" da Secretaria de Estado do Vaticano, Angelo Becciu,e o papa considera estar em causa "testemunhar a alegria do dom da vida e a beleza da família".» 
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Casablanca – «forever»



Tinha 92 anos, provavelmente nem o nome nos dizia muito, morreu agora, mas ficará para sempre cravada na nossa memória.

Morreu Madeleine Lebeau, a única actriz de “Casablanca” ainda viva.


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Aqui na terra estão jogando futebol




Hoje, é o que há.
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Dica (294)



 
«El PSOE no solo es un partido roto, por más que Sánchez y Susana Díaz escenifiquen la unidad sindicando sus intereses coyunturales en un mitin, y desorientado, por más ejercicios de autoridad personal que haga su secretario general, que siempre encontrará un barón dispuesto a llevarle la contraria. Es también un partido viejo, viejo por una militancia que no se renueva y viejo por un modelo organizativo caduco, un modelo de los años 70 del siglo pasado basado en estructuras territoriales con escasa presencia en la calle que todavía puede resultar eficaz en núcleos de población de menos de 30.000 habitantes, pero que ha quedado desfasado en una nueva sociedad en la que la gente se comunica con su entorno a través del iphone y la tableta.»
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A União que naufraga



«A União Europeia não serve, pelo unilateralismo das suas decisões e pela ausência de solidariedade. As vozes que clamam contra esta anomalia, que dissolveu os propósitos generosos dos seus idealizadores, são muitas e múltiplas. As exigências de Bruxelas às nações ofendem as características dos povos, da sua História e da sua cultura. (…) Os partidos tradicionais são contestados pela subserviência demonstrada ante a Alemanha. A "alternativa" deixou de existir, substituída pela "alternância". Como quem diz: baralha e sai sempre o mesmo. (…)

Não se pode viver com esta tirania do autoritarismo. E a Europa é inexistente com muros e arame farpado que impedem de fugir os milhões de foragidos dos vários desesperos nacionais. Sempre me senti europeu, e não precisei desta União para o ser. Quem defende e protege este modo de vida são, esses sim, contrários e inimigos dos princípios que nortearam os europeus decentes e íntegros. Esta Europa procria o ódio, alimenta o rancor, hostiliza os povos e submete-os a baias de terror impositivo.

Temos sofrido, na carne e na alma, a assunção de valores novos que mais não são do que vectores de desagregação. Esta União Europeia é instigadora da submissão e da abominação. A luta para que a União regresse aos caminhos propostos é, também, uma luta contra o Partido Popular Europeu, que alberga gente do piorio sob o ponto de vista da ética política. Nunca será demais denunciar os perigos a que esta política poderá levar. O ovo da serpente não foi totalmente esmagado.»

Baptista Bastos