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11.6.16

Verni, Alma-Ata, Almaty



Já teve vários nomes, tem quase dois milhões de habitantes, nela convivem cerca de 130 nacionalidades, foi capital política do Cazaquistão de 1929 a 1997, continua a sê-lo no plano cultural e no comercial.

Qualquer semelhança entre Almaty e qualquer das cidades, que conheço, no Turqueministão ou no Uzbequistão (onde estive já há alguns anos) não chega a ser pura coincidência porque não existe, pura e simplesmente.

Historicamente, é óbvio que o Cazaquistão tem com aqueles dois países vizinhos o passado recente de pertença à URSS, um sistema presidencialista mais ou menos musculado e a dependência do petróleo e/ou do gás natural, para além de outras características próprias da Ásia Central. Mas aqui a Almaty já chegou o consumismo em todo o seu esplendor, o trânsito é muito mais caótico e não há islamismo ou tradições populares que «vistam» as mulheres.

Confesso que não acho a cidade especialmente interessante em termos de monumentos ou de arquitectura em geral. Tem algumas mesquitas e igrejas de gosto duvidoso (como a Catedral Zenkov no topo deste post, que durante a época soviética serviu de museu), e uns tantos memoriais. Salvam-na belíssimos parques com árvores magníficas e o célebre «Bazar Verde» onde a fruta é rainha – fresca ou seca de todas as espécies e mais algumas.

Amanhã ainda andarei aqui pelos arredores, entre lagos e montanhas, irei depois para outras paragens num comboio nocturno. Metade da estadia já lá vai…




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9.6.16

«A Rainha das Cidades»



Se Alexandre Magno e Gengis Khan andaram por aqui, porque não andaria eu? E andei, hoje, por Merv, um dos principais centros da célebre Rota da Seda, localizada perto da actual cidade de Mary no Turquemenistão.

Declarada Património da Humanidade pela UNESCO, há quem defenda que Merv, a «rainha das cidades», foi a segunda cidade islâmica (depois de Bagdad) entre os séculos VIII e XIII e mesmo a maior do mundo no século XII durante um curto espaço de tempo. Tenha sido ou não, não há dúvida que teve o papel de um gigantesco polo de intercâmbio comercial e rezam as estórias que nela chegaram a concentrar-se caravanas com 1.000 camelos.

Foi incendiada e saqueada durante várias invasões e finamente destruída pelas tropas de Gengis Khan, que, com a embalagem que levavam, queimaram uma biblioteca com mais de 150.000 livros.

Hoje restam ruínas de grandes fortalezas, palácios e mausoléus, muitos a serem neste momento recuperados. Ficam algumas imagens e muito por contar acerca de cada uma delas…




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8.6.16

De Asgabate a Mary


Ainda voltarei a Asgabate, mas cheguei há pouco a Mary, depois de um dia de (má) estrada e de calor abrasador quando se deixava o conforto do ar condicionado para ver de perto o que quer que fosse – e havia para ver (às 18:00, aqui, estavam… 43º). 

Destaco duas paragens no percurso de hoje: as ruínas da cidade de Abiverd, um entreposto comercial importante da Rota da Seda, com um sistema bem concebido de abastecimento de água, cunhagem das próprias moedas e bela cerâmica; as ruínas da fortaleza Nadir Shah, a dois quilómetros da fronteira cm o Irão (casas brancas que podem ser vistas numa das imagens), onde um belo rebanho em transumância se regalava com a rara felicidade de um regate de água fresca e de erva bem verde por ele alimentada. Muito mais haveria para dizer mas o tempo não estica. Ficam os links para quem quiser saber mais sobre a história destes dois locais.

Amanhã: Mary e arredores.




Nadir Shah:




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Cavalos sagrados



Em Asgabate, vale a pena passar pela coudelaria de cavalos da raça Turken Akhalteke, que foram premiados por Alexandre o Grande, por imperadores romanos e por Genghis Khan. São grandes, lindos, extremamente ágeis e muito resistentes, podendo viajar 150 km por dia, com pouca comida e pouca água.

Respeitadíssimos, são considerados «sagrados», embora sem as mordomias dos seus congéneres do Qatar, que vivem com ar condicionado e têm piscinas dedicadas, nem do Dubai, de onde são enviados para a Suíça durante o Verão para escaparem ao excesso de calor. Mas estes, por aqui, são acarinhados quando envelhecem e são já impróprios para saltos e corridas e têm um cemitério dedicado onde são enterrados quando morrem.


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7.6.16

Candeeiros e mais candeeiros



Como disse no post anterior, a iluminação pública da parte nova de Asgabate é especialmente original, com dezenas de tipos de candeeiros. Aqui ficam alguns.





Asgabate, a cidade inesperada



Confesso que vinha com a expectativa de encontrar uma capital pacata de um dos países mais desconhecidos e fechados no mundo. Enganei-me redondamente.

Fundada no século XIX a partir de uma pequena aldeia, Asgabate foi-se desenvolvendo, mas um terrível sismo arrasou-a por completo em 1948 (só três edifícios resistiram) e provocou mais de 150.000 mortes. Reconstruída em plena era de integração do país na URSS, conta agora com essa parte «velha» da cidade, rodeada e quase que escondida por um absolutamente estonteante crescimento, com início no ano 2000: em menos de dezasseis anos, milhares de prédios, quase todos de mármore branco, surgiram um pouco por todo o lado, geralmente em áreas anteriormente desérticas, com arquitectura de qualidade e muitas vezes luxuosa (o que parecem palácios são meras repartições públicas ou universidades, por exemplo), e fazem desta capital do Turquemenistão um caso sem paralelo. As ruas e estradas são amplas e bem cuidadas, a iluminação especialmente original (em post separado mostrarei alguns tipos de candeeiros). Porquê? Por pura decisão daquele que foi o seu primeiro presidente desde a independência, em 1991, até morrer em 2006, e por fidelidade do sucessor aos seus planos: Asgabate devia ser – e já é – muito grande e muito bela.

Todas estas obras se aceleram especialmente com a aproximação dos Jogos Olímpicos Asiáticos, que terão aqui lugar em 2017, e que trazem a esperança de uma certa abertura do país em termos de liberdades. O gás natural continua a alimentar os cofres mesmo que os salários sejam baixos e que a população, no seu íntimo, preferisse menos mausoléus, menos luxos e mais algum dinheiro nos bolsos. No seu íntimo porque não se manifesta de todo, neste país sem qualquer liberdade de expressão e, segundo me dizem, sem oposição significativa. Até um dia… claro.


Imagem de topo e esta: Mesquita Turkmenbshi, considerada a maior da Ásia Central:



Mausoléu do primeiro presidente e família:



Há seis anos, nada disto existia:


Edifícios «banais»:




6.6.16

Sim, no Turquemenistão



Eis-me no Turquemenistão, mais concretamente em Asgabate. Ainda não vi praticamente nada, mas já deu para perceber que o calor chegou aqui e acampou: são 15:30 e os termómetros marcam 39 graus.

Este território fez parte da Rota da Seda até meados do século XV, foi anexado ao Imperio Russo no fim do século XIX, tornou-se república soviética em 1924 e conquistou a independência em 1991. A maior parte do país é desértica, mas tem a quarta maior reserva de gás natural do mundo e é fundamentalmente disso que vive.

República presidencialista, como é costume por estas paragens, com um primeiro líder que vinha do Partido Comunista da União Soviética e que, a meio do mandato, foi nomeado com carácter vitalício (e que tem por aqui uma estátua em ouro, que verei amanhã.). Morreu em 2006 e tem um sucessor, com fotografia por tudo quanto é sítio, que é aparentemente um pouco mais aberto ao Ocidente para aumentar as exportações de gás natural e algodão, cuja cultura ocupa cerca de metade da área irrigada.

Em termos religiosos, a população é esmagadoramente muçulmana, mas, tal como outras ex-repúblicas soviéticas, viu a prática religiosa reprimida enquanto esteve integrada na URSS.

Quanto ao pouco que já vivi e vi: uma burocracia perfeitamente infernal e caótica para conseguir sair do aeroporto: vistos e mais vistos, filas intermináveis para controles de tudo e de mais alguma coisa; uma cidade cheia de construções faraónicas, a começar pelo palácio de presidente – o de cúpulas douradas na imagem ali de cima –, que fotografei de uma janela ou não o teria feito por ser expressamente proibido; last but not the least: acesso ao Facebook, Twitter e mesmo Youtube absolutamente interdito – nem na Birmânia me tinha acontecido tal censura!

Amanhã há mais.



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