18.11.17

Vêm aí tempos complicados


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Dica (665)



¿Desglobalización? (Boaventura de Sousa Santos) 

«Ocurre que la mayoría de esos Estados son, de hecho, plurinacionales. Incluyen pueblos de diferentes nacionalidades etnoculturales y lingüísticas. Fueron declarados nacionales por la imposición de una nacionalidad sobre las otras, a veces de modo muy violento. Las primeras víctimas de ese nacionalismo interno arrogante, que casi siempre se tradujo en colonialismo interno, fueron el pueblo andaluz después de la llamada Reconquista de Al-Ándalus, los pueblos indígenas de las Américas y los pueblos africanos después del reparto de África. Fueron también ellos los primeros en resistir. Hoy, la resistencia junta a las raíces históricas el aumento de la represión y la corrupción endémica de los Estados dominados por fuerzas conservadoras al servicio del neoliberalismo global. A ello se añade el hecho de que la paranoia de la vigilancia y la seguridad interna ha contribuido, bajo pretexto de la lucha contra el terrorismo, al debilitamiento de la globalización contrahegemónica de los movimientos sociales, dificultando sus movimientos transfronterizos. Por todo esto, la globalización hegemónica se profundiza usando, entre muchas otras máscaras, la de la soberanía dominante, que académicos desprevenidos y medios de comunicación cómplices toman por desglobalización.»
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Manuel António Pina - Seriam 74



Nasceu em 18 de Novembro de 1943 e morreu há cinco anos. Por mais banal que seja, nem por isso deixa de ser importante lembrar que continua a fazer-nos muita falta com as suas crónicas inconfundíveis e com os seus excelentes livros.

Sabe-se agora que o seu espólio vai ser digitalizado, o que é uma excelente notícia.

Hoje como sempre, seria certamente uma voz bem forte e lúcida que nos daria força e alento para ler o momento presente e para enfrentar o futuro – «A pensar de pernas para o ar»:

Pensar de pernas para o ar
é uma grande maneira de pensar
com toda a gente a pensar como toda a gente
ninguém pensava nada diferente

Que bom é pensar em outras coisas
e olhar para as coisas noutra posição
as coisas sérias que cómicas que são
com o céu para baixo e para cima o chão

Manuel António Pina, in O país das pessoas de pernas para o ar
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O caso do padre-pai do Funchal



Será que os pais podem ter guarda conjunta da filha, ou seja, poderá a criança passar uma semana com a mãe e outra com o pai? Pai é pai. Caso a ser seguido com curiosidade.
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O isolamento americano e a Europa



«Durante milhares de anos os mandarins chineses praticaram a arte de agradar aos imperadores. Sabiam criar o ambiente para a hospitabilidade perfeita para que os visitantes se sentissem bem.

Foi isso que a China fez durante a visita de Donald Trump: este teve direito a uma visita à Cidade Proibida, a uma parada militar e a um banquete no Palácio do Povo. Até presenteou o presidente americano, massajando-lhe o ego, com acordos no valor de 250 mil milhões de dólares. Uma boa notícia para Trump chegar a Washington e dizer que vai haver mais "empregos" para americanos. De Pequim, Trump saiu como um americano feliz, o que lhe permitiu ir para o encontro de líderes asiáticos dizer coisas inenarráveis que colocam em risco a longa relação dos EUA com os seus mais fortes aliados na Ásia. Os EUA querem desenhar uma nova estratégia de "contenção" da China, que passa por uma aliança com a Índia. Mas, pelo caminho, vão queimando velhas amizades.

Já não basta o afastamento da Europa, e mesmo a vontade cada vez maior de pôr em causa a UE (como é evidente no caso da Catalunha). Os EUA de Trump julgam que a diplomacia é um negócio e que os presidentes são CEO. Erro que joga a favor da inteligência política de Xi Jinping e da China. Os EUA vão ainda durante muito tempo ter o poder do dólar (moeda livre e facilmente transaccionável) como pilar do seu poder no mundo, já que continuará a ser a moeda de referência. Algo que tão cedo o yuan não conseguirá. Mas, como alertava Thomas L. Friedman num excelente artigo no "New York Times", a China olha a longo prazo. E aí está em vantagem, porque Trump não pensa o mundo como um todo. Só vê uma parte. Por isso não percebe a importância das três "mudanças climáticas" de que fala Trump, e que serão centrais na política do futuro próximo. As mudanças climatéricas existentes vão causar mutações nos ecossistemas, com repercussões na vida económica, social e política.

A globalização está a passar de uma fase de interconectividade para uma de interdependência. E está a assistir-se a uma mudança no "clima" da tecnologia e do emprego, com a inteligência artificial a ocupar o território. Qualquer líder tem de pensar nestas mudanças. Trump não o parece fazer, ao contrário da China. Está a perder a batalha das energias limpas, apostando no carvão e no petróleo. Enquanto a China expande a sua rede comercial global (com a influência política que isso traz), com o seu projecto das Rotas da Seda, a América de Trump quer ser "primeira" em tudo e com isso está a afastar a pontapé os seus velhos aliados económicos, culturais e políticos. Ficará a falar sozinha. Friedman, referindo-se aos velhos desenhos animados, diz que a China está no mundo dos Jetsons, enquanto Trump repousa no universo dos Flintstones. Nada garante que a fórmula chinesa, de capitalismo de Estado, seja vencedora. Mas Trump parece, desde já, estar a fazer regressar os Estados Unidos ao espírito do Velho Oeste.»

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17.11.17

Avó atrasada…



Ensinassem-na a mexer nas maquinetas, isso é que era!
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Dica (664)



'Trump has fascist tendencies' (Joseph Stiglitz) 

«The Nobel prize-winning economist on the threat from the US president, fairer globalisation – and whether Bernie Sanders would have won.»
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17.11.2013 – O dia em que Doris Lessing morreu



Morreu há quatro anos com 94. Em 2007, foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura e escreveu então um belíssimo discurso de que recordo como se o tivesse lido hoje. Intitulou-o: «Como não ganhar o prémio Nobel».

Falou de livros, do sonho de saber nos países pobres, da falta de interesse da juventude no mundo dos ricos. Falou sobretudo de África, do Zimbabwe que ela tão bem conheceu, recordou uma «aldeia onde a população não comia há três dias, mas onde se falava de livros e dos meios para conseguir obtê-los»; um autor negro, seu amigo, que «aprendeu a ler sozinho, nas etiquetas dos frascos de compota e das latas de conservas de frutos»; uma localidade perdida no mapa, onde dois jovens resolveram escrever romances na língua nativa (tonga); um jovem de dezoito anos que, ao receber uma caixa com livros oferecidos por um americano, os embrulhou cuidadosamente num plástico, com receio de que se estragassem e sabendo que dificilmente poderia voltar a receber outros.

O discurso é longo, pode ser liso em inglês ou em francês, mas deixo aqui os últimos parágrafos em português.

«Há sempre um contador de histórias no fundo de cada um de nós, o “fazedor de histórias” esconde-se em nós. Suponhamos que o nosso mundo era destruído pela guerra, pelos horrores que todos podemos facilmente imaginar. Suponhamos que inundações submergiam as nossas cidades, que o nível dos mares subia… O narrador estaria sempre lá, pois é o nosso imaginário que nos modela, que nos faz viver, que nos cria, para o bem ou para o mal. São as nossas histórias que nos recriam quando estamos despedaçados, moribundos, ou mesmo destruídos. É o narrador, o fazedor de sonhos, o construtor de mitos, que é nossa fênix, aquilo que somos no melhor de nós mesmos, da nossa criatividade.

Cremos ser melhores do que a pobre mulher africana que caminha na poeira sonhando com a educação dos seus filhos – nós, empanturrados de comida, com os nossos armários repletos de roupas, nós que sufocamos sob o peso do supérfluo?

Estou totalmente convencida de que é aquela mulher africana e todas as outras mulheres que me falaram de livros e de educação, embora não tivessem comido nada desde há três dias, que ainda nos podem definir no momento presente.»
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Sondagem: «Ó pátria, sente-se a voz dos teus egrégios avós»

TV Marcelo



«"Belém informa que Marcelo Rebelo de Sousa foi ao Hospital São Francisco Xavier depois de falar com ministro da Saúde". "O Presidente Marcelo passou a noite com os sem-abrigo em Lisboa." Marcelo está em todo o lado. Já lhe pus a alcunha de Omnipresidente.

Conhecido como o "Presidente dos afectos", Marcelo aparece onde há tragédia ou infelicidade. Esta semana, quando vi Marcelo ir passar a noite com os sem-abrigo, fiquei a pensar se ele não iria lamentar que aquela caixa de cartão, onde vivia um sem-abrigo, tinha pouca luz para ler.

Como o nosso Presidente dorme pouco, e lha dá a insónia, lá vai ele durante a noite fazer o bem e, com ele, vai sempre uma equipa de televisão, seja a que horas for. Marcelo ainda não percebeu que as pessoas que trabalham na TV precisam de dormir mais de três horas por dia ou ficam com má cara. O nosso Presidente Marcelo já vai nos 99,99% de popularidade. Os 0,01 são os "cameramen" das televisões.

Atenção, não duvido da bondade de Marcelo e acredito que, para um sem-abrigo, passar a noite com Marcelo é melhor do que passar o lusco-fusco com Cavaco, mas dá a sensação que o Presidente Rebelo de Sousa recebeu milhares de cheques, daqueles de A vida é bela, mas no sentido oposto. Em vez de uma massagem oriental, é "venha experimentar ser mendigo 48 horas". Não vai andar de balão no Alentejo, mas vai ver um avião despenhado num minimercado. Em vez de uma ida ao Oceanário, vai espreitar doentes com legionella por detrás de um vidro. É triste.

Também estou certo que, em termos de beijos, o nosso Presidente já deve estar no Guinness Book. Marcelo já beijou mais gente numa semana do que o Harvey Weinstein em toda a carreira de produtor.

Para o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, é sempre a aviar, como se fosse na farmácia, mas com beijos de marca (não genéricos). O mesmo para as respostas a jornalistas e pessoas em geral. Já nos velhos tempos na TVI era assim. A Judite sacava de perguntas e ele, pumba, aviava, não um beijo, mas uma resposta rápida, que durava exactamente o mesmo tempo, quer o tema fosse o sentido da vida ou a carreira do Sporting de Braga. Houve tempos em que pensei que o próprio Professor Marcelo escrevia as perguntas da Judite, e das cartas que lhe mandavam, e passava a noite acordado a decorar as respostas. Na altura, o meu sonho era conseguir pôr, lá pelo meio, uma pergunta sobre o tempo de gestação de um rinoceronte. Só para ver se o Professor Marcelo não patinava pela primeira vez. Já agora, fiquem a saber que o tempo de gestação de um rinoceronte são 16 meses se tudo correr bem. Mas, se interromperem a gravidez, aos seis meses podem ter um cágado.

Chego ao final da crónica como uma sugestão. Para o ano, em vez de um dia sem carros, podíamos experimentar um dia sem Marcelo. Fica aqui a ideia.»

João Quadros
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16.11.17

Trump na China


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A privatização dos CTT é tão boa – não foi?



Nada mais eficaz para que acções subam na Bolsa do que prometer despedimento de trabalhadores. Está escrito nas estrelas.


«Segundo noticiou a revista Sábado, na quarta-feira, a empresa liderada por Francisco Lacerda (na foto) vai avançar com um programa de rescisões que pode contemplar até 300 trabalhadores. A operação, no âmbito da reestruturação dos CTT, será feita através de rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas, soube aquela publicação.»
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Miguel Abracadabrantes



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:


Na íntegra AQUI.
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Falemos de refugiados (2)



«Prólogo: esta é uma história muito dura, as pessoas sensíveis que passem ao largo.

Esta menina Rohingya chegou há poucos dias ao campo de refugiados de Thangkhali. Tem quatro anos e perdeu o braço esquerdo.

Pai, mãe e tio foram mortos com machetes pelos militares de Myanmar. A mãe colocou a menina debaixo do seu corpo para a proteger, morreu abraçada à filha salvando-lhe a vida. Já com toda a família morta os militares cortaram o braço à menina e permitiram que fugisse com uma tia. São as únicas sobreviventes da família.

A menina está agora a ser cuidado na Orphan Friendly Zone da Fundação para a saúde do Bangladesh.

É por estas crianças (e são tantas) que os Rohingya não podem ser esquecidos.»

Helena Ferro de Gouveia no Facebook 
(Especialista em Trauma de Guerra, Combate ao discurso de ódio e Conflict Sensitive Journalism)
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A lição do futebol italiano



«Itália, estilhaçada pela política tribal, encontrou mais um motivo para ser atendida no divã do doutor Freud. A sua selecção não vai estar no Mundial de futebol. Não é um pesadelo. São todos os círculos do Inferno de Dante juntos.

Este é um daqueles momentos em que os países latinos, mais emocionais do que racionais, se olham ao espelho e julgam que o Apocalipse chegou sem avisar. Itália, que se tem defrontado com todos os males do mundo, descobre agora que o único valor seguro que tinha, o futebol, deixou de ser a almofada onde podia acomodar todos os seus suplícios. Continua a ser uma grande potência económica da Europa, mas a sua influência é diminuta. As suas empresas, outrora gloriosas, são uma miragem. A sua decadência parece a da Argentina, também ela governada por uma elite de raízes italianas. Na selecção há, no entanto, uma diferença: à beira do precipício os argentinos têm Messi; Itália só tem as lágrimas de Buffon.

A decadência de Itália confunde-se com a do seu futebol: o "calcio" já não concorre com a Premier League inglesa ou com a La Liga espanhola. Já não atrai os melhores jogadores. E, pelos vistos, já nem consegue criar talentos que formem uma grande selecção e, pior, uma ideia de jogo. Isso surpreende, porque os italianos chegaram a ser os mestres da táctica. Quem se recorda do AC Milan de Arrigo Sacchi, com Gullit, Van Basten, Rijkaard, Baresi ou Maldini. Eram 11 jogadores a defender e a atacar ao mesmo tempo. Jogavam e ganhavam. Fizeram o caminho de Silvio Berlusconi para o poder em Itália. Nada diferente do futebol de hoje: os projectos e os orçamentos dos clubes dependem das vitórias e dos títulos. Essa é a quimera dos clubes, das selecções, e dos países. O futebol alimenta ilusões. Veja-se Portugal: o Euro 2016 foi mais do que uma vitória futebolística. Simbolizou o fim da era da austeridade. E é o oxigénio de uma indústria que os dirigentes dos clubes insistem em destruir com a sua guerrilha patética. A depressão de Itália poderia servir-lhes de lição.»

Fernando Sobral
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15.11.17

Se a robô Sophia der à luz…


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Dica (663)




«European Commission President Jean-Claude Juncker expressed recently his fears around an unmanageable EU of 98 states. However, with 28 members holding veto rights for main questions, the EU is already unmanageable. The question is not the number of states but the institutional architecture. For policy reasons, the EC is used to working with the 272 existing regions in the EU and only few of those are ready to assume full self-government. Finding a satisfactory solution for those regions that are ready and willing to do so and reforming the EU’s architecture to make it more social, democratic and manageable is a daunting challenge that must be tackled. Anybody willing to take it up?»
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15.11.1969 - «Give Peace a Chance»



Em 15 de Novembro de 1969 teve lugar «Moratorium March on Washington», considerado o maior protesto anti-guerra da história dos Estados Unidos, contra o conflito que então tinha lugar no Vietname: uma manifestação quase totalmente pacífica de meio milhão de pessoas, que se integrou num vasto movimento que percorreu a América, de S. Francisco a Boston, e não só. Apesar disso e como é sabido, a guerra em questão iria durar ainda quase seis anos, até 30 de Abril de 1975.

No protesto de Washington participaram políticos como Eugene McCarthy, George McGovern e Charles Goodell e cantores como Peter, Paul and Mary, Arlo Guthrie, John Denver e Pete Seeger que interpretou a celebérrimo canção «Give Peace a Chance» (lançada por John Lennon na Primavera desse ano), juntamente com os outros cantores e com a multidão que a terá repetido durante dez minutos.




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Falemos de mulheres refugiadas



«" Os militares separaram as mulheres dos homens. Eles foram abatidos. As mulheres levadas para a selva. Quando fui à procura da minha irmã vi muitos corpos. Estava deitada no chão, não sabia se estava viva. Ajoelhei-me e vi que respirava. Sangrava muito. Levei-a até ao rio e lavei-a.Depois fugimos. Foi violada por soldados birmaneses e civis budistas".

Quando se fala com sobreviventes de violência sexual - a menina violada de que fala o testemunho acima tem 14 anos - um dos pedidos mais comuns e que partem o coração é o de roupa nova, não por vaidade, mas porque dias ou semanas depois ainda trazem vestido a mesma roupa que tinham quando foram violadas. Isto dá uma ideia da dimensão da tragédia. Outra é dada pelos Médicos Sem Fronteiras e pela HRW: mais de metade das vítimas de violação em tratamento nos campos têm menos de 18 anos, algumas são meninas com idade inferior a 10 anos.

Nem todas as vítimas procuram auxílio, nem ajuda médica devido ao estigma, à vergonha e ao medo de serem culpadas pelo que lhes aconteceu.

Nos campos, como aqui no campo 12, têm sido criados espaços para mulheres para as apoiar para lidar com o trauma. A senhora na fotografia é uma das mulheres responsáveis por este projecto.»

Um dos muitos relatos, que Helena Ferro de Gouveia nos envia do Bangladesh e publica no Facebook.
(Especialista em Trauma de Guerra, Combate ao discurso de ódio e Conflict Sensitive Journalism)
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Porque é que a direita portuguesa é contra a independência da Catalunha?



«A pergunta tem todo o sentido, porque a nossa direita, cada vez mais parecida com a Alt-right americana, esteve na vanguarda do ataque ao independentismo catalão, e adoptou o mesmo espanholismo radical do PP espanhol. Os socialistas portugueses ficaram entalados, mas mais do lado espanholista por razões de seguidismo europeu e ao menos o nosso Podemos, o Bloco, não teve que adoptar o equilibrismo do espanhol, cujos custos nas urnas na Catalunha parecem vir a ser enormes. Em tempos de Revolução Russa comemorativa vale a pena lembrar a acusação de Lenine aos que estavam sentados em duas cadeiras ao mesmo tempo e corriam o risco de cair.

Mas, voltando à nossa direita, o que os leva a todo este vigor espanholista? Em primeiro lugar, o espanholismo em Espanha é a reacção – sim, a velha e cruel e violenta reacção personificada no PP e nos proto e verdadeiros falangistas que apareceram nas ruas a gritar pela Espanha "una" – e eles gostam da reacção. O problema é que esse mesmo espanholismo em que agora se filiaram é tradicionalmente antiportuguês, o que parece não os incomodar muito. Um dos aspectos porque é assim é a ignorância da história, e nunca devemos menosprezar o papel da ignorância nestas coisas. Outro é que o núcleo de interesses que representam, ao nível europeu, partidário, de negócios, era afectado não só pela independência catalã como pelo efeito de contágio que muito temem no País Basco e noutras regiões espanholas.

Para a Europa mais conservadora, a Espanha governada pelo PP é fundamental para garantir uma "companhia" à Alemanha, e para manter a hegemonia nas instituições europeias do PPE, ameaçada à direita e à esquerda.

Por último, identificam erradamente o independentismo catalão com partidos radicais à esquerda, o que está longe de ser verdade. Historicamente o independentismo catalão teve e tem uma importante representação à direita, só que a praga da corrupção que afectou profundamente o sistema partidário espanhol, do PSOE ao PP, e aos dirigentes tradicionais da Catalunha como Pujol, desequilibrou a representação política.

Mas talvez de todos estes factores o mais sólido e mais preocupante seja a "nova" Europa que funcionou como um mastim contra o Syriza e agora fez o mesmo com a Catalunha. Uma Europa cada vez mais autoritária e incapaz de fazer uma qualquer política que avance a liberdade, a democracia, a integração dos refugiados e a riqueza dos mais pobres dos europeus, é pelo contrário muito eficaz em reprimir diferenças e causas. A nossa direita precisa hoje e muito dessa Europa.»

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14.11.17

Dica (662)



Red Innovation (Tony Smith) 

«Far from stifling innovation, a socialist society would put technological progress at the service of ordinary people.» 
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Quando o turismo é (quase só) quem mais ordena



Isto não vai acabar bem. Estamos quase a chegar aos Hotéis cápsula do Japão!

«Daqui a uns anos vamos precisar de regressar a estes T0 e T1, para os reabilitar, para os fazer crescer.» 

(Público, 14.11.2017)
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Catalunha: (talvez) para memória futura




«En todo caso, el precepto constitucional “siempre está ahí”, “la gente ya sabe lo que es” y demuestra que el Estado se puede defender con él “si alguien incumple las leyes de manera tan brutal” como se ha hecho en Catalunya. Esta evidencia del presidente es un aviso a navegantes por si los independentistas ganan las elecciones y persisten en la misma hoja de ruta. En caso de victoria independentista, Rajoy ve “inhabilitados políticamente a quienes han engañado a los catalanes” y descarta adelantar las generales si triunfan los independentistas en la cita electoral.» 
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João Martins Pereira - foi há 9 anos




[Republicação de um texto escrito em 15.11.2008.]

Desde ontem que estou para escrever sobre a morte de João Martins Pereira, mas tantos já o fizeram que me dispenso de referir mais detalhes ou de tecer mais elogios - merecidíssimos por muitos que sejam.

Conheci-o relativamente bem, não sei quando, nem sei como, certamente na década de 60. Em grupos que se faziam e se desfaziam, em alianças de esquerdas várias que ainda se degladiavam pouco, conspiravam muito, discutiam noites inteiras dentro de nuvens de fumo e se divertiam o mais que podiam (e que não era pouco).

Já em pleno PREC, numa das muitas manifestações que tinha acabado de sair do Terreiro do Paço, não sei se a caminho de S. Bento, se do República ou de um outro qualquer pólo de contestação, eu gritava, como toda a gente à minha volta, um slogan que falava de camponeses e de operários. Alguém, parado à beira do passeio, travou-me o passo, deu-me um abraço e disse-me: «Ah! grande camponesa!». Era o João Martins Pereira.

Lembrei-me da ironia daquele abraço, a propósito de um texto seu, publicado em 1980 na Gazeta do Mês, e que foi hoje recordado:

«A condição feminina é-me exterior, como o é, num outro plano, a condição operária, a mim, intelectual de extracção burguesa. Libertar-me do complexo de “não ser operário” não é distanciar-me do problema da exploração.»

Sempre lúcido e frontal, com uma ironia subtil, acutilante, um tanto ácida. Era assim o João.
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13.11.17

Catalunha: para 2112 só faltam 95 anos


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Dica (661)




«The Catalan events pose a challenge to the sovereignty of the Spanish state as well as casting light on sovereignty in the EU. At stake is a redefinition of the concept and practice of sovereignty in Europe and much of the onus for that falls on both the Catalan and the Spanish radical Left.» 
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Os Cárceres do Império



História a História África – Se não viram o episódio de ontem, não percam.
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Priceless



O que seria de nós sem o humor...
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Da geringonça à passarola



«A temível geringonça fez agora dois anos. A designação, usada para definir aquilo que parecia ser uma disforme máquina voadora, e que, na opinião dos seus detractores, acabaria por se desintegrar no pó, continua a voar.

Não tão elegantemente como no passado recente, mas de forma inesperada. Voa com propulsão da economia, combustível julgado impossível de alimentar uma invenção de uma maquineta de esquerda. Talvez por isso se tenha transformado numa passarola, aquela invenção de Bartolomeu de Gusmão, que hipnotizou a corte de D. João V em 1709, quando o balão aquecido a ar subiu até ao tecto da sala e só foi destruído com varas porque havia o medo de poder incendiar o recinto. É esse o receio: que este modelo possa frutificar numa Europa desorientada. Cercada por todos os lados, a solução governativa liderada por António Costa conseguiu um equilíbrio digno de um aprendiz do Chapitô: contenção orçamental para lograr um défice sustentado, com uma política de mãos largas para alimentar as clientelas políticas do BE e do PCP. Sabe-se que esta passarola não voará para sempre. O PCP, depois da derrota autárquica, viu ressurgir o lado sindical, que sempre foi contra o acordo governativo. E este só conhece a guerra.

É por isso que todos olham para 2019. Para ver qual será o futuro do PS e qual será a reacção do PSD. Porque, por enquanto, uma das forças do Governo é a inabilidade do PSD. Olhe-se, nos últimos dias, a forma como o PSD se auto-imola. Não bastava a frase do especialista em fazer contas de somar e subtrair, António Leitão Amaro, transfigurado em humorista ("Foi pela lei anterior que a legionela passou a ser totalmente proibida, passou a ser zero"). Basta ler a entrevista de Maria Luís Albuquerque ao Público: "Afectos? Acho que os portugueses precisam, sobretudo, é de ter uma alternativa." A galinhola do PSD poderá voar? Não. O PSD ainda não aprendeu: foi o discurso da insensibilidade que o perdeu. E isso é a proteína deste Governo, que percebeu, tal como Marcelo, o valor do afecto.»

12.11.17

Estamos no tempo delas




… embora não pareça. 
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Um Mujico em Belém?




Não tenho opinião sobre isto e estou a falar a sério. Mas confesso que não me sinto psicologicamente preparada para considerar que mora um Mujco em Belém. 
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Dica (660)



A Plan to Win (Peter Gowan) 

«The overriding aim of democratic socialist strategy is to weaken the power of business, before breaking with capitalism entirely.» 
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12.11.1975 - O «Cerco»




No dia 12 de Novembro de 1975, operários da construção civil iniciaram o chamado «Cerco à Constituinte» que durou até ao fim da manhã do dia 13. Um breve resumo.

«Perante a decisão governamental de encerrar as instalações do Ministério do Trabalho na Praça de Londres, os dirigentes sindicais conduziram os associados (…) num desfile que subiu do Terreiro do Paço até à Alexandre Herculano, inflectindo então para a sede do poder político, onde encheu a Praça de S. Bento e adjacentes.
Depois de um encontro, inconclusivo, com o ministro Vítor Crespo (…), os representantes dos trabalhadores foram recebidos, em audiência, pelo chefe do executivo, Pinheiro de Azevedo.
Ao fim de três horas de discussão (…), Pinheiro de Azevedo comprometeu-se a fazer sair o Contrato Colectivo de trabalho, vertical, com o sector, até ao próximo dia 27, e a abrir um inquérito ao Ministério do Trabalho [com algumas contrapartidas por parte dos sindicatos]. (…)
Terminada a reunião, o primeiro-ministro acede a falar aos manifestantes. Ao aparecer à varanda, porém, Pinheiro de Azevedo é “largamente vaiado” pelos manifestantes, que mal o deixam concluir as primeiras frases. (…)
Decididos a permanecer no local até que um acordo favorável seja alcançado, os manifestantes fecham o cerco a S. Bento, onde os deputados constituintes se vêem obrigados a permanecer durante 16 horas. (…)
A saída dos sequestrados, ao fim da manhã [do dia 13], por entre alas dos manifestantes, que apupam uns e vitoriam outros (à esquerda do PS), alguns dos quais correspondem erguendo o punho, ficará como uma das imagens mais fortes do processo revolucionário em curso.»

In: Adelino Gomes e José Pedro Castanheira, Os dias loucos do PREC.





N.B. - Até hoje, dura a polémica sobre o verdadeiro âmbito deste «cerco», nomeadamente quanto ao papel do PCP no mesmo. Não vou por aí...

11.11.17

A querela sobre o jantar no Panteão



No dia 27.06.2014, o então Secretário de Estado da Cultura mandou publicar no Diário da República um despacho que incluía um «Regulamento de Utilização de Espaços»

Relativamente ao Panteão, o que está definido é o que se vê no quadro. Ou seja: apenas para os «Eventos Académicos» é indicada como obrigatória uma «Análise Casuística», aparecendo todas as outras actividades como aparentemente normais. (Aliás, foi hoje largamente divulgado que já se terão realizado outros jantares festivos no espaço em questão e, segundo parece, até festas de casamento. Não tiveram foi a visibilidade do Web Summit com o consequente eco nas redes sociais.)


A directora da DGPC podia ter recusado a cedência do espaço à Web Summit recorrendo aos preâmbulos do despacho? Claro que sim. Mas em nome de quê? Tratava-se de uma entidade suspeita? Quem ocupava o cargo em 2014 (não sei se era a mesma pessoa ou não) é que nunca devia ter concordado com as actividades permitidas no Panteão e «oficializadas» em DR. No caso vertente, a rubrica «Jantares» devia estar em branco para NUNCA serem autorizados (como é o caso em muitos outros monumentos).

Portanto, a origem da questão está mesmo nesse despacho de 2014, o secretário de Estado do governo AD não pode sacudir agora a água do capote e o actual Ministro da Cultura agiu hoje depressa e bem.
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A Catalunha não parou

Dica (659)



Crime ou delito de opinião? (Pedro Carlos Bacelar de Vasconcelos) 

«Confundir a Constituição com o Código Penal, como parece estar a acontecer em Espanha, é um erro gravíssimo que, no limite, pode até transformar a monarquia constitucional num Estado totalitário. A Lei Fundamental contém dois tipos de normas: umas servem para garantir os direitos dos cidadãos cuja defesa, em última instância, é confiada ao poder judicial independente; outras servem para organizar o poder político democrático segundo o princípio da separação dos poderes. Assim, o encarceramento, a aplicação de multas ou o pagamento de indemnizações, são sanções típicas do direito penal, administrativo e civil. Punem a violação de direitos fundamentais ou atos de corrupção. Pelo contrário, a punição típica dos chamados "crimes de responsabilidade" - isto é, a responsabilidade por atos praticados no exercício das suas funções (que violem os princípios e os valores que informam a ordenação "constituída" dos poderes políticos (impeachment) - implica, apenas, a destituição do titular do cargo.
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Tratar as divergências políticas como se fossem crimes comuns é um caminho insensato e perigoso. A Constituição traça um caminho e identifica, com generosa amplitude, um destino coletivo. Não é um catálogo de crimes.»

Queridas sondagens




Nada do que aqui é resumido me espanta. Podem vir repetir que não acreditam em sondagens, ou que estas estão «ao serviço do capital», porque é o lado para que durmo melhor. 
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O sufrágio tecnológico



«Num conto fascinante, escrito em 1954, o autor de ficção científica Isaac Asimov situa-nos num já avançado século XXI. Nesse tempo as eleições realizam-se através de um supercomputador, o Multivac, que é capaz de ter em conta os desejos e os interesses de todos os habitantes do país. Ou seja, o Multivac elege o presidente e os deputados, e as grandes decisões políticas, sintetizando os desejos das pessoas. Para tomar estas decisões, o Multivac precisa da ajuda de um único ser humano, aquele que sendo a síntese desses desejos populares, é o único votante do sufrágio universal. Vivemos num tempo de fascínio tecnológico (isso é evidente em Portugal) e a própria Web Summit tornou-se uma espécie de dogma religioso nacional, com o que de bem e de mal tem isso. Numa era em que é evidente a tweetização do debate político, reconduzindo-o a frases fortes, a manipulação das redes sociais, a decadência da comunicação social, a fraqueza do poder dos Estados-nação contra a digitalização sem fronteiras (incluindo as dos meios de pagamento), e a necessidade cada vez menor da força de trabalho humano face aos robôs, o que Asimov nos atira à face é gritante. Nesta hegemonia tecnológica, que fazer? Estará a germinar uma rebelião contra esta tecnologia, como já se escuta por aí?

Num importante artigo no "The Observer", John Naughton, dizia que "precisamos de um Lutero do século XXI para desafiar a igreja da tecnologia". Tal como Lutero desafiou a Igreja Católica de Roma (com os efeitos que teve no próprio capitalismo), o investigador britânico diz que é preciso uma revolta contra a hipocrisia desta nova religião. Os seus alvos são claros. Como os que, numa outra vertente - como Margrete Vestager, comissária europeia - lutam contra a hegemonia que está a destruir a concorrência da Google ou do Facebook. A luta é contra este poder que está aqui e em nenhuma parte. Que sabe tudo sobre nós (os nossos movimentos, os desejos, os medos, os segredos, quem são os nossos amigos, ou o nosso poder financeiro). E assim acabam por definir os nossos desígnios políticos, a nossa moral, e as nossas irritações. E, no meio de tudo isso, dão-nos entretenimento, a forma de nos modelarem. É a "sociedade do espectáculo" de Guy Debord levada ao limite, através do nosso fascínio pelas tecnologias. Por isso basta ver-nos nos transportes ou às refeições a olhar para os smartphones em vez de falar ou de olhar para as outras pessoas. Isolados e agressivos, por detrás de uma pretensa sofisticação e informação deficiente.

A Internet que parecia ser a "última fronteira" da liberdade está a criar corporações hegemónicas que não obedecem a nenhumas regras e que vão alargando o seu poder a outras áreas (da alimentação ao transporte), sem deixar respirar qualquer alternativa. Naughton diz que a essência da oposição de Lutero a Roma teve a ver com a refutação da teologia e do "modelo de negócio" romano. Abrindo assim espaço para a revolução económica e comercial que determinou os séculos seguintes. Lutero não renegava a tecnologia: a impressão foi um elemento determinante na sua estratégia, porque permitiu popularizar o conhecimento da Bíblia e os seus próprios pensamentos. É a nova geração de gigantes empresariais e o seu poder infinito que começam a ser uma ameaça - ao Estado, à concorrência, às ideias frescas e à lógica de democracia e de sociabilidade. E é sobre ela que devemos reflectir.»

10.11.17

História de uma lagarta em democracia




Portanto, há mesmo processo disciplinar. Vá lá que a aluna não vai para prisão preventiva, nem tem de dar uma caução choruda para a evitar. Que raio de país em que os alunos do séc. XXI não gostam de comer lagartas e, pasme-se, até ousam fotografá-las! 
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Quero ir a Tianjin!



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Cavaca madrinha?




Mas o que é isto? Já houve uma, de apelido Supico Pinto, que criou as «madrinhas de guerra», mas há muitos anos que não precisamos que nos dêem aerogramas. Este presidente não acaba bem! 
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Legionela da Malcata



«Confesso que estou preocupado com este surto de legionella. Primeiro, porque preocupa-me que uma pessoa vá a um hospital e saia de lá mais doente do que entrou. Segundo, e mais importante, sou um bocado hipocondríaco. Dada a minha idade, fico assustado com o sistema de saúde e dá para imaginar uma conversa, após o jantar, em casais de reformados:

- E se fôssemos ao Santa Maria?
- Está a arder!
- E ao São Francisco Xavier?
- Tem legionela.
- Tu não queres é ir sair!

Há uma espécie de salve-se quem puder. O cunhado da minha porteira, que eu gosto de citar porque vive bem e não sei do que vive, disse: "Ao menos, em Santa Maria, mataram a legionella com fogo". A verdade é que se o cito muitas vezes é porque ele está aqui ao meu lado com uma catana apontada ao meu pescoço. Felizmente, não sabe ler.

Como sempre, tivemos o nosso Presidente a visitar os doentes. Esteve bem, até porque não havia incêndios nem outro género de catástrofes, mas gostava de esclarecer que Marcelo Rebelo de Sousa, depois do mergulho no Tejo, ficou imune à legionella.

Vamos ao que interessa: vi a primeira conferência da senhora Graça Freitas, que era o rosto número dois da Saúde Pública no país, depois de Francisco George (que foi brilhante no seu cargo, apesar de sofrer de licantropia e não ser possível ir com ele a uma conferência em noites de lua cheia), e achei que ela estava demasiado relaxada. Aquele sorriso e a forma como disse que as pessoas que morreram tinham setenta anos e estavam fraquinhas, como se elas tivessem cento e oitenta e três anos, não me convence. Faltou dizer: "Até matámos uma legionella para fazer uma canja para a senhora".

Houve um tempo em que os médicos justificavam tudo com uma virose - o meu filho tem uma perna maior que a outra - "isso é uma virose". Agora, tudo é justificado com o calor. Há legionella nas torres de refrigeração do Hospital São Francisco Xavier, a culpa é deste Verão que durou até Novembro. É melhor prolongar a época balnear dos hospitais até Dezembro. Vai tudo de havaianas para as urgências.

Claro que nestas coisas de eliminar uma bactéria, como a legionella, temos sempre de ter em conta a posição do PAN. Sei lá se não decidem que uma das torres de refrigeração do Hospital São Francisco Xavier serve para alojar uma colónia rara de legionella.

Posso ser eu que não sou bom da cabeça - mas tenho um atestado -, mas irem buscar os corpos a meio das cerimónias fúnebres..., só consigo entender aquilo depois de ver os sorrisos com que a Doutora Graça Freitas está nas conferências sobre a legionella. Só pode ser uma partida, porque, nitidamente, ela gosta de se divertir com isto. É inaceitável que uma família veja alguém próximo morrer por ter apanhado uma bactéria num hospital e que depois seja sujeita a ver virem buscar o falecido a meio das cerimónias fúnebres. Isto só devia ser possível se dissessem: "Vamos levá-lo, mas depois devolvemo-lo vivo". Em Portugal, tudo falha menos a burocracia.»