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23.4.17

Cúpulas, muitas cúpulas (1)



Catedral da Assunção, Kremlin, Moscovo (Rússia, 2012)

(Série que já teve alguma vida no «Brumas», agora selecionada e actualizada.)
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França



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23.04.1936 – Tarrafal, 81 anos



O «Campo da Morte Lenta» foi criado em 23.04.1936, encerrado em 1954, reactivado em 1961 por portaria assinada por Adriano Moreira, então Ministro do Ultramar, com o nome de «Campo de Trabalho do Chão Bom», para receber prisioneiros da Guerra Colonial. Durou até 1974. 

Ler aqui um post do ano passado. 
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Macron, a ascenção inquietante de um homem do sistema



Procurei em vão, na imprensa portuguesa, um texto «decente» sobre aquele que tem mais hipóteses de vir a ser o próximo presidente de França. Encontrei, sim, tanto em jornais como nas redes sociais, os velhos arautos do «voto útil» na primeira volta de hoje, sobretudo em eleitores do PS, que ainda não terão entendido onde esse dito não levou a grande maioria dos partidos socialistas europeus – com o gritante falhanço do francês e do seu candidato Hamon. Tivesse ele desistido a favor de Méchenlon – como devia – e estaríamos hoje com uma esperança diferente para a França e para a Europa.

No Público.es, este texto sublinha bem alguns aspectos «interessantes» da ascenção de Macron. 

«La comisión Attali permitió a Macron codearse con grandes empresarios, como el propietario de la compañía de seguros Axa, Claude Bébéar; el presidente de Nestlé, Peter Brabeck; o el gestor de fondos de inversiones Serge Weinberg. De hecho, este último lo promocionó como gerente asociado del Banco Rothschild en Francia.

Tanto como inspector de finanzas o banquero, “Macron siempre supo destacar por encima de sus compañeros y esto le ha permitido rellenar su agenda de contactos”, afirma Endeweld. Unos vínculos con las élites económicas que se estrecharon durante su paso por el Ministerio de Economía.

Por este motivo, no sorprende la simpatía que despierta la candidatura de Macron entre buena parte de los dirigentes del Cac40 (la bolsa de París). (…) Dirigentes de multinacionales francesas componen, asimismo, el equipo de campaña de Macron.

Los responsables de En Marche! han reunido una parte significativa de sus fondos a través de fiestas privadas muy chic en las que piden donaciones a los invitados. (…) A través de un préstamo bancario de 8 millones de euros más las donaciones privadas, el líder centrista “ha prácticamente alcanzado los 21 millones, el presupuesto máximo de un candidato a las presidenciales”. Gracias a sus contactos con las élites políticas y económicas, el joven Macron ha puesto en marcha toda una máquina electoral.»

Estamos conversados? 
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22.4.17

Dica (533)



The Mélenchon Economy. (Liêm Hoang-Ngoc) 

«Jean-Luc Mélenchon’s senior economic advisor explains his proposals to grow the economy and carry out an ecological transition.» 
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Futebol


Como é que se pretende que o futebol seja ainda um desporto cívico quando estão em causa milhões e milhões e quando as televisões fazem dele o alfa e o ómega da vida dos cidadãos? Já há mortes? Haverá mais. 
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A Europa testa os seus limites



«A sociedade francesa polarizou-se e radicalizou-se. E esta eleição, onde se discute sobretudo identidade e segurança, acontece no momento em que Theresa May, do outro lado da Mancha, faz a sua jogada de mestre para enfrentar a União Europeia e destroçar a oposição (trabalhista e interna, dentro dos próprios conservadores). (…)

Nesse aspecto a UE está mais frágil: não consegue reforçar-se politicamente de uma forma tão clara. As próximas eleições em França, na Alemanha e na Itália ilustram a sua debilidade. (…) A Europa está fracturada e volta a dividir-se ao meio, como aconteceu há um século. O sucesso de Le Pen e Mélenchon em França não é estranho: é o reflexo de sociedades onde se tem destruído o factor de estabilidade, a classe média, em nome da necessidade de austeridade cega. Une-os uma crença: o valor do trabalho deixou de existir e grande parte dos cidadãos olha, revoltada, contra uma elite de privilégios. (…)

Com um Fillon sem grande força, resta à elite e aos sectores menos radicalizados apostarem todas as fichas em Macron, o candidato que diz que é como De Gaulle: não é de direita, nem de esquerda, nem sequer do centro. É uma mistura de tudo isso. Ou seja, ele é o reflexo cosmopolita desse universo não ideológico em que só contam os resultados. Pode ser tudo e não ser nada. Mas é isso que leva a que seja confiável pelos sectores que mais têm a perder em caso de radicalização. (…)

O que é curioso é que três dos candidatos em França (Macron, Le Pen e Mélenchon) falam da necessidade de uma "revolução". Não uma nova Revolução Francesa, como a de 1789, mas à medida dos nossos dias. Sobre isso Macron é o menos convincente, mas seja qual for o resultado, dificilmente França voltará a ser a mesma.»

Fernando Sobral

Mostrem isto ao papa



… quando ele estiver a fazer a viagem para Fátima e perguntem-lhe o que pensa deste espectáculo. Tem sempre respostas tão politicamente correctas que gostava de saber o que diria neste caso.
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21.4.17

Janelas e mais janelas


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Dica (532)



Divided Turkey. Erdogan Leads His Country into the Abyss. (Onur Burçak Belli e Maximilian Popp) 

«Recep Tayyip Erdogan emerged victorious from last Sunday's referendum, but his slim margin of victory may actually have weakened his rule. Opposition to the Turkish president's power grab is forming and the EU can do little other than stand aside and watch.»
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Fátima - «Visões Imaginativas»



Espero, ou gostaria de esperar, que a comunicação social e os responsáveis políticos, presidente da República incluído, passassem a falar das «VISÕES» de Fátima ou, pelo menos (vá lá, sou condescendente...), das «ALEGADAS» Aparições em Fátima.


«Delegado pontifício da Cultura no Vaticano diz que é o momento de se falar com a “linguagem exacta” sobre o que se passou há 100 anos na Cova da Iria: foram visões místicas, não aparições.» 
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Eu assinei

Sete vezes vem ao pêlo



«É o tema da semana: uma epidemia de sarampo em Portugal em 2017. Parece uma ideia das lojas da Catarina Portas, mas não é.

Oiço falar em pessoas com sarampo e de imediato volto à infância. Vejo garrafas de Laranjina C e bicicletas de amoladores, vejo anúncios a preto e branco que dizem que capas de amianto na tábua de passar a roupa é que é bom, e recordo o meu pai a apagar o fogo de uma almofada do quarto porque fumava na cama. (…)

Anda por aí uma lógica de contrariar a ciência como se esta gente fosse saudosista dos anos 80, mas AC. Na verdade, vivemos num país que se escandaliza com pais que não vacinam filhos no século XXI, mas que celebra pastorinhos canonizados por curarem doenças com milagres. É profundamente idiota não vacinar filhos, mas esta notícia passa na mesma televisão onde, com ar sério, se celebra dois pastores que vão ser santos por curarem doenças à distância depois de já falecidos.

As televisões estão cheias de anúncios, com gente famosa, de remédios com nomes de desentupidores de sanita que dizem fazer bem ao cálcio dos mais velhos. Há um mês, vi a bruxa/cartomante da SIC a diagnosticar um problema de tiróide, a uma senhora que telefonou para lá, aflita, lendo cartas. Se tem saído a carta "A Carroça", era cirrose hepática. Espero que no futuro a senhora bruxa tenha uma apendicite e seja operada por um ilusionista. (…)

Falta vir o deputado do PAN alertar para a terrível extinção do tão raro vírus do sarampo. Deve um partido que defende a obrigatoriedade de vacinar os animais não defender o mesmo para os humanos? Ó terrível dúvida! (…)

Na minha opinião, a vacinação devia ser obrigatória. Mesmo que tivesse de ser dada com uma espingarda da dardos à distância. Estava a criança no baloiço e tau!, com mira telescópica. Se há pessoas que querem viver na idade da pedra, tudo bem, mas não arrastem os outros com elas. E se for necessário para convencer aquelas pessoas que gostam de fazer nascer os filhos em casa e de não dar vacinas aos miúdos, ofereçam um cheque de cem euros em missangas que elas aparecem.»

João Quadros

20.4.17

Janelas e mais janelas (12)



Casapueblo, Punta del Este (Uruguai), 2015.
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Isto é mesmo um país em forma de assim



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1975 – Nos últimos dias da primeira campanha eleitoral



A propósito de uma conversa recente sobre as primeiras eleições em democracia, retomo um «post» que publiquei já há algum tempo.

Há 42 anos, viviam-se os últimos dias da primeira campanha eleitoral em liberdade: em 25 de Abril de 1975 tiveram lugar as eleições para a Assembleia Constituinte.

A imprensa da época relata as inúmeras sessões de todos os partidos, um pouco por todo o país e recorde-se que foram muitas as interferências de uma parte do clero português quanto a intenções de voto, sobretudo a Norte. Mas até o Rádio Vaticano se pronunciou: o Diário Popular de 17 de Abril citou declarações da emissão portuguesa daquela rádio, segundo as quais «os católicos portugueses não devem dar o seu voto a partidos cujas opiniões e métodos são incompatíveis com as determinações cristãs do homem e a sua vida social. (...) Ninguém ainda conseguiu demonstrar que a visão católica (...) pode ser reconciliada com ideias marxistas». (*)

Não me admirava nada que este tipo de pressões tenha tido alguma influência nos resultados obtidos.

(*) Adelino Gomes e José Pedro Castanheira, Os dias loucos do PREC, p.78. 
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O pôr-do-sol e o exantema maculopapular



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:


Na íntegra AQUI.
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E se em França os favoritos fossem quatro?



«Esta é a questão que coloca, muito seriamente, a revista "L'Obs". A poucos dias das eleições Marine Le Pen e Emmanuel Macron estão à frente nas sondagens, mas têm muito perto François Fillon e Jean-Luc Mélenchon.

Ou seja, da extrema-direita à extrema-esquerda todos podem vencer. Os patrões franceses, segundo um inquérito do "L'Expansion" preferem Fillon ou Macron. Mas resta saber o que pensam os franceses no geral. Na "L'Obs", Serge Raffy observa: "Um pequeno fenómeno, chamado Jean-Luc Mélenchon, veio virar o jogo. O 'pequeno pai dos povos' da França insubmissa, no papel de raposa no galinheiro, provocou um forte pânico nos estados-maiores. Mélenchon encontra-se no centro do jogo, uma espécie de árbitro das elegâncias eleitorais, testemunha da segunda divisão que se tornou actor principal".

No "El Mundo", Arcadi Espada argumenta: "Isto quer dizer o impensado, o impensável: que Marine Le Pen ou Jean-Luc Mélenchon possam ser presidentes de França é uma possibilidade real. Há uma maneira brutal de descrever esta possibilidade: depois de 1945 o fascismo e o comunismo voltam a competir frente a frente na Europa. Mélenchon e Le Pen só são a versão vermelha e negra do mesmo desembrulhar populista. Ou para dizê-lo em linguagem de ontem: a mesma crise das democracias. Por estes dias, e salvo nos comícios de Macron, em França só se fala de nação e de identidade. A decadência é imparável". No meio está Emmanuel Macron, cada vez mais considerado o candidato que pode conquistar votos à direita e à esquerda. Num dos seus comícios desta semana, em Paris, ele foi claro: "Como De Gaulle eu escolho o melhor da esquerda, o melhor da direita e mesmo o melhor do centro". E acrescentou: "Eu não sou de um lado ou de outro, eu sou pela França". A seu favor citou Lech Walesa, Vaclav Havel, Bob Dylan, Michel Rocard, François Mitterrand e Jacques Chirac. Chegará?»

Fernando Sobral

Jacinta e Francisco «canalizados»?



Não me parece mal… 
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19.4.17

Janelas e mais janelas (11)



Riga (Letónia), 2003.
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Dica (531)




«A clear majority of Turkish voters in Germany cast ballots in favor of Erdogan's presidential system -- many out of spite for the country. The development reveals how far immigrants from Turkey still have to go before they will be integrated at the center of society.» 
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Carta à República





Gravado a partir do LP original de Milton Nascimento e Fernando Brant.
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Carta à Rep


Não em nosso nome, senhor presidente



Leia esta carta aberta, escrita a propósito das declarações do presidente da República em Gorée, e assinaturas, na mesma.


«Declarou Marcelo Rebelo de Sousa que Portugal aboliu a escravatura "pela mão do marquês de Pombal, em 1761," e que "essa decisão do poder político português foi um reconhecimento da dignidade do homem, do respeito por um estatuto correspondente a essa dignidade". Esta visão idealista e excecionalista do legado colonial da história portuguesa, assente num alegado pioneirismo humanista, foi sendo construída ao longo do século XIX e popularizada durante o Estado Novo. Serviu como ferramenta retórica que permitiu mobilizar a opinião pública nacional a favor do projeto imperial que começou a desenhar-se em fins do século XIX e, por outro lado, responder aos ataques de potências rivais ou de instituições internacionais como a ONU, quando, a partir dos anos 50, o colonialismo passou a ser rejeitado como modelo de desenvolvimento económico, social e cultural.»

E, a propósito:

Cícero e a corrupção



«Cícero comentou que, quando alguém ocupava um alto cargo de uma província romana, no primeiro ano de mandato roubava o que podia para saldar as dívidas adquiridas com o objectivo de conseguir o posto.

No segundo ano, roubava para enriquecer. E, no terceiro ano, delapidava o património público para subornar os tribunais por causa das acusações de corrupção. (…)

Ou seja, a corrupção não é uma sina ou um pecado de agora, como se observa, com mais ou menos provas, em Portugal. Há, claro, pequena, média e grande corrupção, típica de uma sociedade de favores, de condomínios privados de interesses e de uma pobreza secular.

O que admira em tudo isto é a pouca efectividade das condenações, a morosidade dos processos (como se a lei ajudasse a que se fossem esfumando), a incapacidade dos investigadores. São visíveis em Portugal casos que se vão arrastando nos tribunais (ou mesmo a nível da investigação) até que uma qualquer decisão se tome. É aí que a justiça se vai aniquilando a si própria, perdendo a sua imagem de supremo recurso de uma sociedade que assiste a desmandos sem fim. Pior, estamos a chegar a um ponto em que situações que aparentam crimes sonantes conduzem a becos sem saída. E que permitem a quem consegue ilibar-se de todas as suspeitas consagrar-se como mártir da justiça.

Talvez este seja o preço a pagar pelo triunfo de uma ideologia em que todos os meios justificam o fim pretendido, onde os valores morais são propalados mas não seguidos, onde quem ganha é o herói das massas. Mas não é isso que oxigena uma sociedade democrática que, julga-se, desejamos seja a nossa. A menos que democracia seja outra coisa.»

Fernando Sobral

18.4.17

Janelas e mais janelas (10)



Hanói (Vietname), 2009.
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População mundial: de séc.I a.c. a 2050




O vídeo destaca o crescimento populacional desde o ano 1 A.C, com projecção até 2050. Cada ponto amarelo significa 1 milhão de pessoas. 
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A França, nossa vizinha



«Creio que não se consegue encontrar ninguém à esquerda que responda simultaneamente a duas condições: primeira, aceitar a União Europeia como instituição capaz de cumprir a sua promessa; e, segunda, acreditar que é realizável um plano concreto de reforma democrática que corrija as suas contradições. Entendamo-nos antes que me bombardeiem: há por certo muito quem ache que esta União é o destino celestial, é a própria ideia de Europa, que encarna a paz, a prosperidade e até o Estado Social mas, com uma vénia, prefiro não discutir misticismos, tanto mais que até os iluminados se aperceberam, e alguns com quanta amargura, que Merkel e Hollande e Dijsselbloem não são os corifeus angelicais que nos conduzirão ao paraíso. Por isso, a contradição é esta: os que têm fé na União que nos pintaram sabem que não há forma de cumprir tal promessa e que nos afastamos inexoravelmente desse encantamento. Depois do ignóbil acordo com a Turquia sobre os refugiados, depois da austeridade curativa imposta a Portugal e outros países, depois da falência da Grécia, o tempo para a inocência acabou.

É precisamente isso que nos lembra a França na última semana da sua campanha eleitoral. A crise francesa é filha do vazio europeu ou, mais ainda, é o preço de uma política que destroça os regimes a que foi retirada a legitimidade e a capacidade de criar expectativas para a vida das pessoas. No que é porventura o país mais politizado da Europa, onde começaram todas as grandes esperanças e tragédias dos séculos XIX e XX, a disputa resume-se então a isto: o único candidato obediente-europeista é o homem do centro político, um aventureiro financeiro, Macron; os dois partidos que têm governado sucessivamente parecem estar afastados da disputa, com Hamon, do PS, abaixo dos 10%, e os Republicanos, a direita gaullista tradicional, remando contra a dissolução pelo escândalo; na direita, a candidata forte é Le Pen, dando corpo a um discurso nacionalista de extrema-direita; e o único candidato viável à esquerda, o que mais tem subido nos últimos dias, Mélenchon, é porta-voz da ruptura com os tratados europeus e o seu directório. (…)

Foi a emergência de um candidato à esquerda que mudou a paisagem eleitoral francesa, dado que Mélenchon respondeu ao colapso do centro e da direita tradicionais, mobilizando energias das lutas populares e da identidade nacional em resposta à perseguição que a União move contra as políticas sociais. Ele constitui o único antídoto que enfrenta Le Pen. Creio que é por isso que a sua candidatura cresce tanto nos últimos dias: passou a ser a voz da esquerda social contra o sono da razão. Ora, se as eleições são a única válvula de escape contra a mais opressiva das opressões, o discurso da inevitabilidade do empobrecimento em benefício da plutocracia e da cizânia entre comunidades, temos pela primeira vez uma resposta ao risco da extrema-direita: perdido o centro, é do surgimento de uma nova esquerda que queira ser maioritária que depende a salvação de uma política de bem-estar contra o fanatismo do mal-estar.»

Francisco Louçã

Dica (530)




«S'il fallait un signe pour démontrer l'inquiétude ambiante en France à l'orée de la dernière semaine de campagne présidentielle avant le premier tour du 23 avril, l'annonce ce dimanche par le ministère de l'intérieur du déploiement de 50 000 policiers et gendarmes dans les 67 000 bureaux de vote à travers le territoire est un bon indicateur.»
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Um murro no estômago



… por dia, nem sabe o bem que lhe fazia.


«No Reduto Sul, onde estavam os pides e não os guardas prisionais, fizeram-me uma coisa que seria incompreensível, se não fosse o objectivo de humilhar, particularmente por eu ser mulher. Despiram-me completamente.» 
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O futebol é tudo?



«No futebol, não há muitas contemplações: ou existe o êxito ou há apenas lugar para o drama. Os últimos dias, nesse aspecto, foram sofríveis peças de teatro coreografadas e interpretadas dentro dos melhores princípios da comédia portuguesa.

Provou-se também que o futebol indígena é uma versão gastronómica da célebre "fast food": não se desfruta, não se digere, não se saboreia com prazer. Tudo tem um sabor amargo, que qualquer pessoa com bom senso quer esquecer rapidamente. Parece que já ninguém tem prazer em ver futebol. Tal como os sistemas de jogo se tornaram conservadores e há cada vez menos espaço dentro de campo para os artistas, porque se preferem jogadores que são robôs, também o discurso dos dirigentes parece ser uma bebida energética. Não se discute futebol: os dirigentes reciclam discursos radicais de ódio. Não há indústria que resista a isso: os nossos dirigentes desejam tribos que se guerreiam porque acham que o futebol é a mãe de todas as virtudes.

Não é um mal português: basta olhar para o que se passou nos últimos dias em França, onde também o radicalismo que se sente na sociedade saltou para os relvados. (…) A balcanização do futebol português, num debate de galos a três, e onde a televisão tem a maior parte da culpa, está a destruir a indústria. E parece que ninguém quer perceber isso, no seu afã de protagonismo pacóvio. O futebol precisa de mais jogadas de génio como as de Isco, do Real Madrid, e menos declarações idiotas de dirigentes. O futebol português já nem é "fast food". É apenas uma tragédia alimentar anunciada.»

Fernando Sobral

17.4.17

Janelas e mais janelas (9)



Thimbu (Butão), 2010.
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Saudades, quem as não tem…



As más memórias também devem ser guardadas.
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17.04.1975 – No Camboja, os Khmer Vermelho tomam Phnom Penh



Foi no dia 17 de Abril de 1975 que a capital do Camboja, Phnom Penh, foi tomada pelo Khmer Vermelho. Seguiram-se quatro anos de terror, num processo brutal que tinha como objectivo a criação de uma sociedade comunista puramente agrária e do qual resultou um genocídio que eliminou 20 a 25% da população (cerca de dois milhões de pessoas, embora não haja números exactos). Uma das consequências absolutamente impressionante e visível, mesmo para o turista desprevenido, é que o Camboja é hoje um país quase sem velhos: a grande maioria dos que teriam actualmente cerca de 65 anos, ou mais, desapareceu.

Estive lá em 2009 e, por muitos ou poucos anos que ainda viva, nunca esquecerei um dos mais célebres killing fields, situado nos arredores de Phnom Pehn, onde se encontra o Museu do Genocídio de Tuol Sleng. Numa antiga escola transformada em prisão e nos terrenos que a rodeiam, terão sido torturadas e assassinadas cerca de 10.000 pessoas – homens, mulheres e muitas crianças –, como testemunham largas centenas de fotografias expostas em grandes painéis. É um museu muito simples, impressionante pobre, mas terrível.

Há muita literatura sobre este período negro de uma parte importante do sudoeste asiático, há um grande filme (The Killing Fields, Terra Sangrenta, em português) e muitos pequenos vídeos como estes, precisamente sobre o museu de Tuol Sleng.





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Fomos sempre tão amigos dos pretinhos



«A piedosa fábula do "colonialismo português de rosto humano" é uma falsidade histórica. Ver Marcelo repeti-la no lugar do crime é uma vergonha. (…)
Difícil crer que um professor catedrático de Direito, constitucionalista e, supostamente, incansável leitor, além de filho do último ministro do Ultramar (1973/74), que fora governador de Moçambique de 1968 a 1970 e, entre 1944 e 1947, secretário de Estado do ministro das Colónias Marcelo Caetano, desconheça esta tenebrosa realidade. É certo que, como os compêndios escolares, toda a tradição discursiva dos responsáveis políticos prolongou na democracia a piedosa fábula de um Portugal "pioneiro do abolicionismo" e "farol do humanismo". Mas ir a Gorée, ao principal entreposto de escravos de África, como fez o PR, repetir essa cartilha de factos alternativos à guisa de pedido de desculpas é simplesmente vergonhoso.»

A ler AQUI.

Bem a propósito:


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O défice e o Tamagotchi



«A nostalgia é um valor seguro. Seja na política, seja na cultura popular. Citar Winston Churchill é sempre uma mais-valia para qualquer político.

Pelo contrário, não se imagina ninguém de bom senso a recuperar Josef Estaline como símbolo do que quer que seja. Na cultura popular sucede o mesmo. De vez em quando, quando as ideias escasseiam, é bom tirar o pó a um sucesso do passado. Hollywood faz isso com os super-heróis. E agora, a pretexto do seu 20.º aniversário, está a causar furor no Japão o relançamento do Tamagotchi. Lembram-se deste adorável bonequinho? Era uma mascote que necessitava de mimos para ser feliz e não protestar de forma demasiado audível. Se não fosse bem tratado "morria" e regressava ao seu planeta. O défice português é o nosso Tamagotchi muito ternurento. Ao longo dos séculos temo-lo alimentado com prazer. As suas necessidades são inesgotáveis e, quando o deixamos crescer, não é ele que grita: é quem nos empresta dinheiro.

A saga do valor do défice de 2016 mostra como o nosso Tamagotchi é rabugento. A Fitch, esse portento da severidade e da infabilidade, chegou a prever a meio do ano passado que ia ser de 3,4%. Errou em toda a linha. Mas não é por isso que os governos e as empresas a colocam com notação de "lixo". Contradições do sistema. O certo é que de erro de análise em erro de apreciação, o INE veio desvendar que o défice foi de 2,0%. É um feito, mesmo com medidas extraordinárias e cortes no investimento público. E quando o Governo vem dizer que tentará o défice de 1% em 2018, já se pode acreditar em tudo. Não se sabe como se alimentará o nosso Tamagotchi para ele se comportar bem e atingir esse valor, mas o que sobra daqui é que António Costa encontrou aqui mais um ponto a seu favor. Consegue provar que, à esquerda, o despesismo não é a palavra de ordem. E que o rigor não é propriedade da direita. Não deixa de ser curioso que, num momento em que só se fala em cartilhas, o Tamagotchi pareça estar sereno ao ser alimentado pela esquerda.»

Fernando Sobral
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16.4.17

Janelas e mais janelas (8)



Universidade de Oxford (Inglaterra), 2013.
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Pragmatismo


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Páscoa - algumas dúvidas ...



- Pai, o que é a Páscoa? 
- Ora, Páscoa é …uma festa religiosa! 

- Igual ao Natal? 
- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus e na Páscoa a sua ressurreição. 

- Ressurreição? 
- Ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendido? 

- Mais ou menos... Mãe, Jesus era um coelho? 
- Que parvoíce é essa? Estás-te a passar! Coelho? Jesus Cristo é o Pai do Céu! 

- Mãe, mas o Pai do Céu não é Deus? 
- É filho! Jesus e Deus são a mesma coisa. Vais estudar isso na catequese. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. 

- O Espírito Santo também é Deus? 
- É sim. 

- É por isso que na Trindade fica o Espírito Santo? 
- Não é o Banco Espírito Santo que fica na Trindade, meu filho. É o Espírito Santo de Deus. É uma coisa muito complicada, nem a mãe entende muito bem, para falar a verdade nem ninguém. 

- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa? 
- Eu sei lá! É uma tradição. É igual ao Pai Natal, só que em vez de presentes, ele traz ovinhos. 

- O coelho põe ovos? Não era melhor que fosse galinha da Páscoa? 
- Era, era melhor, ou então peru. 

- Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro, não é? Em que dia é que ele morreu? 
- Isso eu sei: na Sexta-feira santa. Morreu na Sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no Sábado de aleluia. 

- Um dia depois portanto! 
- Não, filho - três dias! 

- Então morreu na quarta-feira. 
- Não! Morreu na sexta-feira santa... ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ouve, já me baralhaste todo! Morreu na sexta-feira e ressuscitou no sábado, três dias depois! 

- Como !?!? Como !?!? 

- Pai, qual era o sobrenome de Jesus? 
- Cristo. Jesus Cristo. 

- Só? 
- Que eu saiba sim, porquê? 

- Não sei não, mas tenho um palpite que o nome dele tinha no apelido Coelho. Só assim esta coisa do coelho da Páscoa faz sentido, não achas? 

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Páscoa ainda antes das selfies

16.04.1975 – O dia de muitas nacionalizações



Depois de nacionalizadas quase todas as instituições de crédito e de seguros, foi a vez de muitas grandes empresas (TAP, CP, Siderurgia, etc, etc.) Aconteceu em 16 de Abril de 1975, com declarações e manifestações de regozijo.

Ver aqui um post do ano passado.
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15.4.17

Janelas e mais janelas (7)



Cusco (Peru), 2004 
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Dica (529)




«Once it was unimaginable. Now, thanks to Brexit, the pensioner’s Mediterranean lifestyle may soon be again.» 
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Andam loucos à solta


Se eu não soubesse quem é João César das Neves, ter-me-ia sentido desesperadamente estúpida ao ler este texto. Mas como sei, penso que devia ser internado com urgência.


ATENÇÃO: este senhor é Professor catedrático e presidente do Conselho Científico da Católica Lisbon School of Business & Economics.


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15.04.1989 – E assim começou o drama de Tiananmen



Foi no dia 15 de Abril de 1989 que tiveram início os protestos na Praça Tiananmen, em Pequim, desencadeados pela morte de Hu Yaobang, ex-secretário geral do Partido Comunista Chinês, anteriormente afastado por defender a necessidade de uma liberalização a nível político.

Na véspera do seu funeral, concentraram-se na Praça cerca de 100.000 pessoas, de lá os protestos irradiaram para diversas ruas de Pequim e, mais tarde, contagiaram outras cidades chinesas. Foram-se repetindo até que, menos de dois meses mais tarde, aconteceu o que todos sabemos, mas alguns ainda tentam ignorar: no início de Junho, os tanques avançaram brutalmente sobre a mítica praça da capital chinesa e tudo acabou em tragédia.


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Não fiquem cansados tão depressa: o mal é mais tenaz do que o bem


José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«Há momentos em que a acalmia é um perigo. Há ainda piores momentos em que o cansaço domina. Não estamos em tempos de acalmia, nem em tempos de ficar cansados perante o que se está a passar. Dois temas de enorme, insisto, enorme relevância, exigem toda a atenção, pouca acalmia e nenhum cansaço: para o mundo, Trump; para Portugal, a Europa.

Trump é um perigo de dimensões mundiais e pode conduzir o mundo ao patamar de uma guerra. Acredito que possa ser travado e que vai ser travado, como já o está a ser em muitas matérias, pelo funcionamento exemplar da democracia americana, mas o risco existe. (…)

Por outro lado, um dos efeitos mais positivos do “efeito Trump” é uma grande melhoria qualitativa dos media americanos, em particular da imprensa escrita e de alguns canais de cabo. Os media “liberais” cometeram grandes erros no modo como acompanharam a campanha eleitoral e como muitos intelectuais e académicos menosprezaram Trump e ignoraram as fontes da insatisfação que o impulsionou à presidência. (…) Hoje, jornais como o New York Times, ou o Washington Post, os “fake news” de Trump, publicam alguns dos melhores artigos de sempre sobre o que se está a passar nos EUA. Já é tarde, mas mais vale tarde do que nunca. (…)

Porém, o homem já lá está. O que é mais perigoso em Trump, mais até do que algumas opiniões isolacionistas e demissionistas das responsabilidades americanas, é o seu carácter errático. O espectáculo assustador do homem mais poderoso do mundo mudar de opinião como quem muda de camisa torna-o um perigo para o mundo, porque introduz uma irracionalidade militante e agressiva no sistema de equilíbrios mundiais, e tal acontece sem qualquer direcção definida e muitas vezes por futilidades. Há muito de artificial no agravamento das tensões mundiais, mas esse agravamento existe e com Trump será sempre assim. (…)

Como sempre acontece, há quem construa um edifício de racionalidade à volta do caos, um “grande plano”, e lhe atribua uma enorme inteligência táctica e para isso tem de estar sempre a interpretar o que ele faz como fazendo parte de um plano brilhante que ele executa milimetricamente, dando apenas a impressão de caos para nos distrair, onde há uma ordem intencional. Talvez, mas duvido. Quando se lê os seus tweets, que, como já referi, são uma maneira de o perceber demasiado bem, vê-se que o homem de sofisticado não tem nada. É bruto, ignorante, mentiroso, dado a fantasias, habituado ao bullying, sem princípios, moral ou vergonha, egocêntrico até ao limite. (…)

Um homem destes suscita uma enorme reacção, mas, mais do que isso, molda a sociedade que o fez e onde habita. Ele radicaliza os seus fiéis a uma aceitação intransigente de tudo o que faz e alimenta uma postura que mimetiza a sua, gera milhares de pequenos Trumps. Esses pequenos Trumps deslocam-se para onde há qualquer fragmento de autoridade que lhes permita imitar o seu mestre: para as polícias, para a segurança, para os lugares de supervisores, de capatazes, de fiscais de qualquer coisa, seja do estacionamento seja de líder de claques ou chefes da praxe. (…)

Trump não é brincadeira nenhuma, é the real thing. Vai exigir muita perseverança, muito trabalho, muito apego à liberdade, e muito amor à decência, para ser vencido. Este tipo de homens e o exemplo que dão são um perigo público, por isso têm de ser contidos e depois vencidos, na opinião, na influência, nos tribunais, pelo primado da lei e, por fim, nas urnas.» 
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14.4.17

Janelas e mais janelas (6)



Baku (Azerbaijão), 2011.
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Dica (528)




«The leader of Portugal’s left-wing Left Bloc party, Catarina Martins, talks about how female politicians are fighting to promote gender equality in her country.» 
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Eu também já acreditei no Pai Natal



(Do Expresso de hoje.)

É importante que vozes sensatas, como a do pe. Anselmo Borges, desmitifiquem o que deve ser desmitificado. 
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Ainda há «sous les pavets la plage»

A vida não é bela



«Sean Spicer, secretário de Imprensa e Director de Comunicações do presidente Donald Trump disse em relação a Bashar al-Assad: "Nem Hitler desceu tão baixo ao ponto de usar armas químicas." Dizer "nem Hitler chegou tão baixo" é uma frase difícil de encaixar, seja qual for o argumento. (…)

O secretário de Imprensa de Trump na sua ânsia de se desculpar vai tentando segurar as peças de dominó, mas vai derrubando-as umas atrás das outras, e acaba a dizer que é diferente do Bashar al-Assad porque ele bombardeou gente com químicos e o Hitler levava as pessoas para, e cito - Centros de Holocausto - que, sendo uma designação nova para aqueles locais de horror, nem sequer podemos considerar um eufemismo de Campos de Concentração. Sem saber o que era, se me perguntassem, prefere ir para um campo de concentração ou para um centro de Holocausto? Assustava-me mais a segunda. Nestes pormenores a máquina de propaganda de Hitler era melhor que a de Trump.

Ver o porta-voz do presidente da nação mais poderosa do mundo dizer que é diferente do que fez Assad, porque "Hitler levou-os para centros de Holocausto" e não os bombardeou, é uma espécie de versão cínica do "A Vida é Bela". Tentar arranjar algo de menos desumano do que fez Hitler, em comparação com outro ditador assassino, dá nisto. Nesta versão adocicada do Holocausto nazi, feita por Sean Spicer, Anne Frank, afinal, só sofria de agorafobia.

"Hitler nunca usou armas químicas e não há aquecimento global", eu podia gostar de viver neste mundo do Trump. Ficava mais leve. Não só o passado era menos pesado como o futuro menos complexo. Mas não é isso que sinto. Toda esta suposta ignorância histórica é assustadora porque pode explicar muita coisa. Ficamos com a noção que esta gente percebe tão pouco da Segunda Guerra Mundial que, provavelmente, não tem problemas em causar uma Terceira.»

13.4.17

Janelas e mais janelas (5)



Barcelona (Espanha), 2013.
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Gabo – A Magia da Realidade



A RTP2 transmitiu ontem um programa excepcional sobre Gabriel Garcia Márquez. Vale a pena «rebobinar» a box e não perder!

Quem não tem box pode ver aqui, durante sete dias. 
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Dica (527)



Will London Fall? (Sarah Lyall) 
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Os desafios do futuro próximo



«Hipnotizados pelos disparates do senhor Dijsselbloem, Portugal dispensa muitas vezes olhar à volta e discutir o que verdadeiramente importa. (…)

É um tema [sair ou não do euro] para pensar em Portugal. Especialmente quando parece evidente que muita da solução passa por repensar a dívida externa e reestruturá-la. Mesmo que isso seja ruído que doa a muitos ouvidos. Sobre a Grécia já se percebeu que, com a continuação de "reformas" destas o custo social da austeridade vai destruir o país de vez. Os credores salvaram os seus bancos (a começar pela Alemanha e França, que emprestaram para que os seus bancos recebessem os seus créditos) e, eventualmente, os seus contribuintes. Mas já se percebeu que sem alívio da dívida este é um caminho sem fim: empréstimos quando o doente está quase sem oxigénio e, depois, volta-se ao mesmo. Não há futuro. Portugal, não estando na situação da Grécia, tem problemas. Que são visíveis: para se baixar o défice a níveis de conforto dos credores, tem de se cortar no investimento (é divertido ouvir agora a oposição pedir mais investimento público, ou seja aquele que cortou nos anos da troika, e que acha que ideologicamente é dispensável). Os desafios estão à nossa frente.

Até porque eles fazem parte de um quadro mais complexo que tem a ver com a digitalização crescente e as mudanças climáticas, que vão impor grandes alterações no mundo. Ou seja, eles vão impor a criação de um novo modelo económico onde terá de ser garantido um mínimo de rendimento para que o fim do trabalho (substituído por máquinas a curto prazo) não provoque um colapso total da sociedade. Mas, sobre isso, não se fala em Portugal. Num futuro próximo todos seremos menos ricos e teremos de refrear o consumo. Mas isso ninguém quer ouvir. Nem mesmo neste jardim à beira-mar especado.»

Fernando Sobral