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24.9.17

Manuel Martins (1927-2017)



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Dica (635)




«Globalisation was supposed to bring widespread uniformity and benefit. But it hasn’t addressed old grievances.» 
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Entretanto na Alemanha




«Across Europe, social democratic parties are in crisis and on Sunday, the German SPD could slide to its worst result since World War II. (…)

Martin Schulz has made "social justice" the central issue of his campaign, but the working class, once the key constituency of social democracy, has been fragmented into a well-paid core workforce and a periphery of temporary workers who often do the same work for less money. Others are stuck in dead-end service jobs. Are social democratic parties still the parties of workers? Or is this just a distant memory to which educated, upwardly mobile public servants cling to? That, at least, is what the SPD factions in state parliaments and the Bundestag make it look like.» 
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Insistam que ele diz


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Anda demasiado nervosismo pelo ar



«Há um nervosismo no ar que só pode surpreender. O PSD, mesmo se não for medido pela bitola do Dr. Rangel às quintas-feiras, vai-se enfunando: ora é a lei da imigração, ora os fundos comunitários, ora uma frase do primeiro-ministro, ora o rating, tudo o incomoda, ou seja, não há nada que possamos descortinar nesse apocalipse. O CDS não esconde que Cristas precisa de Lisboa para a sua candidatura seguinte. E, em todos os partidos, as sondagens, frágeis como elas se têm revelado à medida dos anos, provocam epidemias de susto.

Tanto barulho para nada. Excepto no PSD, não há em nenhum partido razão para se não sorrir. Tudo leva a crer que poucos dos autarcas desavindos triunfarão: há o caso de Isaltino Morais, uma recuperação desde a prisão, mas Valentim Loureiro e Narciso Miranda parecem vencidos. Tudo leva a crer que o PS arrebata a maioria das câmaras, mantendo o seu poder anterior com poucas perdas e ganhos. Tudo leva a crer que, onde tem a presidência, o PCP se mantenha e, onde é minoritário, continue numa fasquia relevante. Confirmará assim a sua força orgânica e o secretário-geral discursará aos militantes sobre o trabalho do seu partido. Tudo leva a crer que o Bloco cresça eleitoralmente e eleja vereadores em cidades importantes. Tudo tranquilo. Então, porquê o nervosismo em tantos destes partidos?

A primeira razão do nervosismo é o PSD. Se tudo estava desenhado para Passos Coelho continuar depois de outubro, mesmo derrotado, agora as águas agitam-se. O PSD pode ficar abaixo dos 15% em Lisboa e Porto, se as primeiras sondagens se confirmarem. Isso seria uma tragédia para a sua direcção. Mas o facto é que ninguém quer que Passos se vá embora: o Presidente quer mantê-lo, Rui Rio quer tempo, que a campanha interna não tem sido feliz, o Primeiro-ministro reza para que seja Passos a conduzir o PSD nas próximas eleições, o CDS também, o aparelho aguenta-o. Só que o comboio pode descarrilar em Lisboa e Porto e, aliás, os generais do PSD fizeram tudo para que isso acontecesse.

A segunda razão é o tal André Ventura em Loures. A sua campanha, em si, é uma tristeza, o PSD foge dele, os jornalistas só encontram banalidades e fingimento, a derrota é anunciada e será um ar que se lhe deu. Mas o aspecto mais importante do personagem não é propriamente os ciganos, a pena de morte, a castração e tudo o que mobiliza da conversa de sarjeta. É que o homem nasceu num programa de televisão sobre futebol. Foi o que criou a persona pública, que lhe fez sentir que não importa o que diga desde que seja chocante, que o que é preciso é abanar-se muito e interromper toda a gente. Ou seja, o exemplo pode vir a ser radicalizado: há canais de televisão prontos para inventar os seus candidatos e promover delinquentes, afinal o Brasil fica aqui tão perto.

A terceira é a manha. No caso da casa de Fernando Medina, que comprou mais caro do que um ex-ministro do CDS seu vizinho, no mesmo ano, nada a assinalar se não o interesse de Assunção Cristas que, na CMTV, pré-anunciou o que viria a ser publicado pelos jornais um par de dias depois. Sinal de nervosismo.

A quarta forma de nervosismo é a que não se esperaria que se manifestasse: Jerónimo de Sousa usa o seu repertório da raposa e das uvas para atacar Catarina, porque ela criticou os autarcas que apoiaram a troika. É portanto uma divergência inexistente, um pretexto. Mas revela uma preocupação pouco compreensível: é fácil levantar a base de um partido contra os apontados inimigos, mas era escusado ver um homem experiente como Jerónimo a ter que ouvir a resposta de Catarina rejeitando o sectarismo.

Há portanto muitas formas de nervosismo, mais do que as que se poderia esperar ou do que as que este país à beira-mar plantado merece. Mas, o que quer, cara leitora ou leitor, são eleições.»

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23.9.17

Dica (634)




«No. Protestar en las calles contra la operación policial lanzada para evitar el referéndum del 1 de octubre no puede ser calificado como un delito de sedición. Así de contundentes se muestran los juristas especializados en Código Penal consultados por Público que, además, muestran dudas acerca de si la Audiencia Nacional es el órgano competente para investigar este presunto delito.» 
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Empreendedorismo do melhor



O estranho caso dos likes egípcios nas autárquicas portuguesas.

Quando eu for grande hei-de criar uma start-up para vender «Likes».
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O que é que se passa na Europa e em Portugal face à Catalunha?



Assino este texto de Pacheco Pereira, no Público de hoje, sem tirar nem pôr uma vírgula:

«Não se percebe o que é que se passa na Europa e em Portugal perante os acontecimentos na Catalunha. Ou melhor, percebe-se bem de mais. O governo e a Assembleia catalã pretendem realizar um referendo para perguntar aos seus cidadãos se querem ou não uma Catalunha independente. Do ponto de vista do Estado espanhol, e da Constituição espanhola, o referendo é ilegal, o que implicaria que deste ponto de vista os seus resultados seriam juridicamente nulos. Impedir a realização do referendo é uma coisa de natureza muito diferente e destina-se a impedir não os seus efeitos jurídicos, mas os seus efeitos políticos. Por isso, o problema é eminentemente político e o modo como tem sido tratado é igualmente significativo no plano político.

É por isso mesmo que não compreendo, ou melhor, compreendo bem de mais, por que razão se silencia o debate político e se aceita o modo como o Governo espanhol está a reagir, com prisões, congelamento dos fundos, fecho de sites na Internet, ameaças de todo o tipo e, na prática, ocupação policial de instalações sob jurisdição do governo da Catalunha. Como não se quis invocar o artigo da Constituição espanhola que permitia, na prática, a ocupação policial da Catalunha e a cessação da sua autonomia, para evitar seguir os procedimentos legais da sua aplicação, a actuação governamental espanhola é igualmente de duvidosa legalidade. De novo, voltamos ao problema político que se pode resumir facilmente: os catalanistas esperam uma maioria de votos a favor da independência e os “espanholistas” temem o mesmo resultado. Não adianta dizer na mesma frase que se pensa que, se fossem votar, os catalães recusariam a independência, e impedir o referendo que, nessa presunção, daria uma forte legitimação ao Estado espanhol e um brutal golpe nas aspirações independentistas. De novo, insisto, uma coisa é fazer o referendo e assumir como nulos os seus resultados, fossem num sentido ou noutro; outra é impedi-lo. O impedimento mostra medo do voto, e isso fragiliza muito a posição governamental e dos partidos hostis à possibilidade de independência catalã.

Neste contexto, é perigoso o modo como as instituições europeias estão a actuar, acompanhadas, como é habitual nos momentos mais decisivos, por uma espécie de consenso comunicacional, que faz suceder artigos sobre artigos, noticiários tendenciosos sobre noticiários tendenciosos, contra o referendo catalão. Basta ler a imprensa e ver a televisão espanhola para perceber que não há verdadeiro debate sobre o que se está a passar, mas uma barragem de posições que tem em comum serem todas contra o referendo e a possibilidade da independência catalã. Estamos a falar da comunicação social de um país e uma democracia europeia, e ninguém parece espantado e revoltado com tanta unanimidade agressiva, com os jornalistas a incorporarem na sua linguagem todo o vocabulário e argumentário anti-catalão. Ora, isto não é normal, como não é normal o esforço das instituições europeias para isolarem a Catalunha, as mesmas que aceitaram o referendo sobre a independência da Escócia (que se irá repetir a curto prazo) e agora se calam perante um processo de controlo e manipulação comunicacional e perante a repressão política que se abate sobre a Catalunha. Sim, repressão política, que parece deixar indiferentes todos aqueles que vêm para a rua protestar contra qualquer violação dos direitos e liberdades e muitos dos quais certamente apoiam o referendo curdo pela independência do Curdistão iraquiano e acham abusiva a posição de o impedir por pressão da Turquia.



22.9.17

Universidade de Barcelona ocupada





«"Justamente porque nuestros padres y abuelos jamás se rindieron estamos hoy aquí y nos sentimos orgullosos de ser ciudadanos libres". Con estas palabras se ha dirigido Joan Tardà, diputado de ERC en el Congreso, a los cientos de estudiantes universitarios que ocupan desde hace horas el Edificio Histórico de la UB y la plaza Universitat.

"Nuestra causa es la de la libertad, del género humano, porque lo que queremos para nosotros lo queremos para todo el mundo, nadie es más que nadie", ha proclamado entre aplausos.

Los universitarios ocupan la sede de la UB, concretamente el claustro de la facultad de Letras, desde las 12.30 h. La intervención de Tardà está programada dentro de las actividades que han previsto para la jornada, como la participación del cantante Pau Llonch o del exdiputado de la CUP Antonio Baños. Por ahora, la protesta se ha planteado de forma indefinida.

Tardà ha afirmado ante la muchedumbre que el objetivo independentista es "crear una sociedad más justa", y ha reivindicado que el mejor "carburante" del este movimiento es "la fraternidad entre los pueblos".» 
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Ele aí está



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Dica (633)




«The Spanish state’s raids on Catalan government offices risk a loss of ground for Mariano Rajoy and may energise support for the secession vote. (…)
Madrid’s more aggressive approach could also lose it support in the region. Polls show that while an overwhelming majority of Catalans want a referendum, 49.4% are against independence while 41.1% are for it.
Any perception that the Spanish state is acting too harshly or threatening Catalan autonomy will serve to narrow that gap.» 
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A Sagrada Catalunha



«A Guarda Civil espanhola anunciou, na passada quarta-feira, a detenção do principal colaborador do vice-presidente da Catalunha, Josep Maria Jové. Segundo a comunicação social espanhola, o executivo prendeu 12 membros do governo catalão por causa do referendo pela independência. Ena, Espanha voltou a ter presos políticos.

Queria aproveitar a mão pesada do governo de Rajoy para denunciar o Barcelona por ter emitido um comunicado onde "condena as acções da passada quarta-feira" e expressa o seu apoio ao referendo que considera ser o desejo da "maioria dos catalães". Há aqui posições claramente anticonstitucionais e até um cheiro a rebelião. Fazem favor de prender uns quantos jogadores titulares do Barça, de preferência, antes da próxima quarta-feira.

Posto isto, quando vi as imagens da polícia a entrar, à força, pela porta de uma casa e a prender políticos, pensei, maldita Venezuela. Este Maduro só a tiro. Depois é que percebi que era em Barcelona porque, apesar de tudo, havia mais turistas que polícias.

Faço aqui um aparte. Muitas vezes, na caixa de comentários desta minha modesta crónica, surgem pessoas que me mandam ir para a Venezuela mas ainda não houve uma capaz de me pagar o bilhete. Fica o reparo.

Voltando ao tema. Grande parte dos presos nesta operação anti-referendo eram pessoas ligadas ao Ministério das Finanças da Catalunha. Deve ser a primeira vez que alguém ligado a um Ministério das Finanças em Espanha é preso. Normalmente, lá como cá, safam-se sempre. Aliás, se fosse cá, isto acabava a culpar o contabilista do movimento separatista.

Independentemente de a Catalunha ter direito, ou não, a fazer um referendo sobre a independência, Rajoy reagiu à Erdogan. Mandou prender parte do governo autónomo, queimou boletins de voto e arrancou cartazes. Só faltou mandar fuzilar os senhores que fizeram as urnas de voto. Foi à bruta. Acho que até com a ETA houve mais negociações. Depois desta decisão de Rajoy, imagino que, com o apoio do Rei, o referendo está condenado porque Rajoy garantiu a vitória do sim à independência.

Segundo li, os membros do governo da Catalunha foram detidos por "plebiscito separatista". Deve ser tramado para um polícia espanhol dizer: "Não se mexa. Você está preso por plebiscito separatista!" Dá a sensação de que o estão a acusar de violação de siameses.

Acho que Rajoy cometeu um erro. Agora, ou consegue impedir o referendo de dia 1 de Outubro à força ou, se ele se realizar, e a esmagadora maioria dos catalães quiser a independência, terá de usar ainda mais força. Parece o Sta Wars.

Não faço ideia de como vai acabar este braço-de-ferro dos "nuestros hermanos", mas se o governo espanhol tiver de enviar a tropa para a Catalunha, podíamos aproveitar para tomar Olivença. Mesmo depois do assalto a Tancos, acho que que Olivença seria nossa em vinte e quatro horas.»

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21.9.17

Catalunha versus Escócia



Uma comparação interessante que Daniel Oliveira faz hoje no Expresso diário.
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21.09.2012 – O dia em que o aumento da TSU foi enterrado



Para refrescar as memórias: Seis dias depois da manifestação de 15 de Setembro, fomos milhares os que estivemos em frente ao Palácio de Belém, à espera das conclusões de uma reunião do Conselho de Estado.

Durante muitas horas, milhares de pessoas em Lisboa, e muitas outras espalhadas pelo país, deram ao conclave e aos seus membros a importância suficiente para esperarem, de pé, e lançarem gritos de protesto, de apelo e de raiva. Continuaram o que várias centenas de milhares de portugueses tinham começado alguns dias antes.

A reunião do dito Conselho durou oito horas e emitiu um comunicado, inócuo, incolor e inodoro, mas que incluía o único parágrafo que interessava: «O Conselho de Estado foi informado da disponibilidade do Governo para, no quadro da concertação social, estudar alternativas à alteração da Taxa Social Única». Era de esperar outra coisa? Não, de modo algum. A batalha tinha sido ganha antes disso. Na rua. 
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Uma indignação ausência de indignação



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje, a propósito da diminuição da pensão de reforma de Ricardo Salgado. 

«Como é que se espera que um homem habituado a auferir uma pensão de três mil euros por dia viva agora com 11 mil e 500 euros por mês? Vai ter de fazer contas, certamente, o que equivale a condená-lo à pobreza: é muito provável que um homem que conseguiu levar à falência o maior banco privado e a maior empresa portuguesa não tenha especial jeito para números.» 

Na íntegra AQUI.
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Catalunha: é tudo isto, sem tirar nem pôr




Fernando Rosas, numa intervenção no comício do Bloco em Almada, com uma saudação ao povo da Catalunha e à sua luta pela autodeterminação: «É tempo de decisões para os catalães».

Estado de excepção na Catalunha



«El gran debate de las últimas semanas sobre el referéndum catalán se había centrado en los dos caminos que tenía ante sí el Gobierno para frenar el desafío soberanista, ya fuera el uso del artículo 155 de la Constitución o la aplicación de la Ley de Seguridad Nacional, concretamente su artículo 24, que permite, por decreto, el nombramiento de una “autoridad funcional” a la que se atribuirían competencias para dirigir las actuaciones que considerara oportunas y a la que tendría que someterse la Generalitat. Es decir, se haría con el poder.

Ambas situaciones comportaban algunos inconvenientes. En el caso de la Ley de Seguridad Nacional, el Ejecutivo estaba obligado a definir la duración de la excepcionalidad además de rendir de inmediato cuentas al Congreso sobre las medidas adoptadas y la evolución de la situación. Por lo que respecto al 155, el catedrático de Derecho Constitucional, Javier Pérez Royo, lo explicaba magistralmente en un reciente artículo publicado en eldiario.es: “El Gobierno queda apoderado para hacer todo lo que la propuesta aprobada contiene, pero también limitado por el contenido de dicha propuesta”. Ha de hacer públicos los pasos que pretende dar y circunscribir su actuación a lo acordado. En definitiva, queda encerrado en su propio perímetro de actuación.

Ese es el motivo por el que Rajoy ha esquivado ambas vías haciendo de su capa un sayo, para lo que sólo precisa de los servicios de la fiscalía que tiene a sus órdenes y de la predisposición de al menos un juzgado que revista de legalidad cada uno de sus actos. Con esos dos únicos mimbres se está fabricando el cesto, que no es otro que la suspensión de tapadillo y por la vía de los hechos de la autonomía catalana.

En realidad, las medidas que se están aplicando en Catalunya se parecen mucho a las que establece la declaración del estado de excepción, con la ventaja de que no precisa la autorización del Congreso de los Diputados ni la mención expresa de los derechos cuya suspensión se solicita, enumerados en el artículo 55 de la Constitución. Entre ellos figuran algunos que ya se han puesto en almoneda, como el derecho a la libertad y a la seguridad, el secreto de las comunicaciones, la libertad de expresión y el derecho a la información y el de reunión pacífica sin autorización judicial. La coartada es la prevención de un supuesto e inexistente delito de apología del referéndum.

Una cosa es que la resolución del Tribunal Constitucional aperciba a alcaldes y altos cargos sobre sus responsabilidades por participar en la organización del referéndum y otra muy distinta es que ampare imputaciones masivas, dé cobertura a la intervención de la caja de la Generalitat y a la congelación de sus cuentas, permita la incautación de correspondencia dirigida a los ciudadanos y autorice la suspensión de reuniones pacíficas sobre la consulta.

El siguiente paso en la escalada ha sido la detención de 14 altos cargos de la Generalitat, entre ellos la mano derecha de Oriol Junqueras, a los que se acusa de ser los organizadores de la consulta. Los hechos están dando la razón a quienes sostienen que lo que está en juego no es la independencia de un territorio sino el Estado de Derecho, al que se burla con atajos. El uso torticero de la ley es una ilegalidad tan manifiesta como la que se pretende combatir.»

Juan Carlos Escudier

20.9.17

Catalunha: encerrados sites da web



Ainda faltam 10 dias para o referendo. Não é fácil imaginar como vão ainda aumentar as tensões entre Madrid e a Catalunha.

Dica (632)




«The year 2016 was a year of populist revolts. In June the UK decided to leave the European Union and a few months later in November Donald Trump was elected US President against all the odds. Since then there has been widespread confusion amongst political observers. How could this happen?

In this spotlight video, Social Europe Editor-in-Chief Henning Meyer discusses the roots of populism with Peter Hall, Krupp Foundation Professor of European Studies in the Department of Government and at the Minda de Gunzburg Center for European Studies of Harvard University.

Why have so many people fallen for populists and what can mainstream parties do to counter the threat populist parties pose to the democratic substance of Western societies? This conversation provides answers.»
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Rajoy quer mesmo a independência da Catalunha



Está a fazer tudo para que isso aconteça. É só uma questão de tempo.

La Policía entra en la sede de la CUP.
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A TAP perdeu o brio



É bom que se saiba em que estado se encontra o serviço da TAP, a vários níveis, como eu própria experimentei há poucos dias: a caminho de se tornar uma low cost com high costs. Este texto resume-o bem.

«A TAP, na sua nova fase pós-privatização, já não é o que era. Perdeu o brio e, com isso, deixou que a imagem do nosso país ficasse a perder. Aquela companhia de que todos nos orgulhávamos, que tendenciosamente dizíamos ser uma das melhores do mundo, que era um símbolo para as comunidades portuguesas, está irreconhecível.

O pior é que, hoje, já não conseguimos perceber o que é a Transportadora Aérea Nacional, que leva estampada as cores da bandeira. Transformou-se numa espécie de marca branca da aviação comercial, numa low cost com preços absurdos. Esta já não é a minha TAP, por mais que isso me custe a admitir. Até à privatização, fazia mais de 90% das minhas viagens com a companhia nacional. Atualmente, os preços subiram tanto que se fizer 30% já é muito.

O pior é que, tendo aumentado os preços, o serviço não melhorou e a imagem também não. Bem pelo contrário, principalmente porque nivelou por baixo, mesmo que a companhia esteja sempre a publicitar que ganhou este ou aquele prémio. Ou seja, a TAP adotou nesta sua nova fase o pior das companhias low cost, como a limitação de malas, bagagens debaixo do assento a causar desconforto, refeições de má qualidade, falta de espaço para arrumos, assédio constante para fazer o upgrade do bilhete pagando mais.

A juntar a este downgrade, há uma prática muito constrangedora, que é a criação das várias classes de passageiros. As low cost só têm uma classe de passageiros. As companhias de bandeira têm a classe executiva e a económica, e a TAP, além da executiva, tem pelo menos quatro categorias em económica. Quanto mais rígidas forem as condições da tarifa, mais baixos os preços, pelo menos na teoria. E, assim, temos os passageiros de primeira classe, de segunda, de terceira e de quarta classe, que são os que vão no fim do avião, mais apertados e sem regalias, a fazer lembrar os tempos em que os emigrantes eram enfiados na última das classes de passageiros quando faziam as viagens transatlânticas de barco para o Brasil. (…)

Acresce outro aspeto algo surreal, que é a possibilidade de, em qualquer voo, a tripulação poder decidir se fornece ou não as refeições se não houver membros suficientes, seja em económica ou executiva, situação igualmente inacreditável que não abona nada a favor da imagem e qualidade do serviço prestado.

É nisto que dão as privatizações. Piora o serviço e aumenta a indiferença perante a bandeira que representam. Pede-se à TAP que cuide, como é sua obrigação, da imagem do país e, sobretudo, que aplique o bom senso nas suas políticas comerciais para podermos ter de volta aquela TAP de que todos nos orgulhávamos.»

19.9.17

Cristas versão chinesa



Anda assim em campanha, mas esqueceu-se de levar o «Livro Vermelho» de Mao. 
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19.09.1975 – Na posse do último Governo Provisório




No dia 19 de Setembro de 1975, tomou posse o VI (e último) Governo Provisório. Chefiado por Pinheiro de Azevedo, durou até 23 de Julho de 1976, data em que entrou em funções o I Governo Constitucional.

Na imagem, um excerto do discurso do primeiro-ministro, no acto da tomada de posse do novo governo (*). Delicioso – no mínimo. Comentários para quê...

(*) Na íntegra, aqui.
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Dica (631)



The Euro’s Narrow Path (Barry Eichengreen) 
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Entretanto na Birmânia




Aung San Suu Kyi falou ontem sobre o drama dos rohingyas, como tinha anunciado. Quem quiser que lhe atire a primeira pedra, o que não é o meu caso: muito provavelmente está a fazer o que pode neste momento, num país a léguas de ser espelho das «nossas» democracias e onde ganhar eleições não significa varrer do poder real os sinistros militares, nem alterar a mentalidade de um povo massacrado durante uma eternidade. 
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Os geringonçólogos



«No tempo da União Soviética, que deus tenha, havia uma trupe de analistas encartados que se reconheciam como “sovietólogos”. Competia-lhes a tarefa árdua de olharem à lupa para as fotos, que a televisão era pouca, e de colecionarem boatos para poderem chegar à conclusão de que o secretário-geral estava com azia, se fosse o caso, ou outra infâmia qualquer. Da influência de casos desse tipo nos misteriosos destinos do planeta reza a história.

Suponho que, perante o inesperado, é assim que reagem as sociedades perfeitas e os seus mestres de cerimónias. Querem saber e, se não sabem, querem adivinhar. Se for coisa de Ficheiros Secretos, se for eco da Cidade Proibida de Pequim, se for boato da mansão de Futungo de Belas em Luanda, até se for de tumulto no parlamento de Brasília, é esta classe de analistas que é chamada ao palácio para traduzir os sinais, os hieróglifos e as entoações. Sinal dos tempos, agora dedicam-se a Trump e a outras surpresas, e não lhes faltará assunto.

Mas se o desconhecido se instala entre nós, como um vírus, e não à distância de um telejornal, então o cordão sanitário é um desespero: os que mandam têm que compreender ou pelo menos classificar, os de baixo devem ser alertados e prevenidos. É o caso da ameaça da “geringonça”, que não é só uma mazela, é mesmo uma ameaça à moral e aos bons costumes.

Calhou-nos portanto a sorte de ter que viver com esta casta especial, especializadíssima, que é a dos peritos em decifrar o tom de voz, a catadura, a posição da mão, o andar, a cor da roupa, a gravata e até, em desespero de causa, a palavra desta gente que arrombou a porta do palácio. São os geringonçólogos.

Habituados ao debate político, os geringonçólogos no entanto abominam a troca de razões; desgostosos dos silêncios oficiais, no entanto aborrecem a discussão pública sobre dossiers e questões; irritados com negociações de gabinete, no entanto indignam-se com a transparência, a que preferem a fuga de informação.

Sendo profissão de sucesso, a carreira de “geringonçólogo” atrai variadas espécies: tudólogos, mas também jornalistas-comentadores, incluindo ideólogos e, além deles, os engraçados, que são os meus preferidos, se tiver voto na matéria. Em todo o caso, a sentença é pesada: os partidos da esquerda vêm de um “resultado pífio” (isto é editorial), “não se levam a sério”, atravessa-se-lhes uma “alegria tonta” (isto também é editorial) ou elaboram “fantasias” avulsas (este é de ontem). Como não compreender que não sejam ouvidos, “ou melhor, ouvimos, mas não lhes damos valor”?

Como não compreender que mulheres que dirigem uma destas esquerdas sejam umas “alucinadas” ou até umas “patas”, em todo o caso perigos públicos, “mais daeshistas do que o Daesh”. O mais moderado destes escritores manifesta a sua tristeza pelas “propostas nalguns casos delirantes” desta gentalha.

Miguel Pinheiro, o director do Observador, cujas posições já tinham brilhado em algum canal de televisão e se não me engano na Sábado, tudo pilares do jornalismo mais isento, resolveu escrever que essas geringoncistas “gritam muito, e berram muito, e protestam muito, para que, no meio do ruído, ninguém perceba isso”. Outro director enfuna as velas e intima: “O que pensam Mariana Mortágua, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa da vergonha que vem nas viagens pagas para se obter um contrato do Estado? Não pensam nada porque foram os agora seus (nessa oitava maravilha do mundo que se denomina geringonça) que apanharam o avião, comeram e dormiram de borla e agora, apanhados, põem o futuro à disposição. Mariana, Catarina e Jerónimo não têm vergonha”. Azar dos Távoras, Pedro Mota Soares foi forçado a esclarecer, compungido, como tinha autorizado viagens, já para não detalhar a viagem do primeiro-ministro Cavaco Silva sob hospitalidade da Nestlé – e há pelo menos um partido de que não se encontra nenhum nome em viagens deste jaez.

O meu argumento é que nada disso importa. O fluxo de insinuações e de intimações já não é jornalismo, é a canibalização do espaço público para ajustes de contas, para ensaios de carreiras, para praxes ideológicas e para luta de interesses. Mas há uma ideia, e ela resume todo o sucesso da geringonça e da sua relação de forças com a direita e entre si: os geringoncistas já só têm uma agenda, que o PS tenha maioria absoluta. Tudo se resume agora ao apelo da alma, oh céus, venha pelo menos o poder total de António Costa para que se encoraje a afastar a geringonça, de qualquer modo com Passos e Cristas já se perdeu a esperança, resta Cavaco mas quem lhe liga, mais vale perdidos por cem do que perdidos por mil.»

18.9.17

Dica (630)




«Si democracia es el gobierno del pueblo (demos), plutocracia es el de los más ricos (ploutos). Esta sencilla aclaración etimológica permite decir hoy con toda justicia, a la vista de los hechos de los últimos años, que esta Unión Europea está descaradamente al servicio de la minoría que detenta el poder económico en Europa. Una sociedad gobernada o controlada por la minoría de los miembros más ricos que apenas son unos cinco millones de personas. Contra más de 500 millones.» 
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Problemas de ricos




Houve muitas sanitas entupidas em Portugal, com papeis suspeitos, quando se temia que a PIDE tocasse à campainha ao amanhecer. Mas com notas de 500 euros, só mesmo na Suíça! 
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Ei-las, as sondagens sobre Lisboa



E salta a primeira, da Universidade Católica:

J. Medina 41% (pode perder a maioria absoluta – 7 a 9 vereadores)
A. Cristas 17% (3 a 4 v.)
T. L. Coelho 16% (3 a 4 v)
J. Ferreira 8% (1 a 2 v.)
R. Robles 8% (1 a 2 v.)

Seriam excelentes resultados, na minha opinião: não existência de maioria absoluta, Medina a precisar da esquerda. Mas a procissão ainda vai no adro e anuncia-se uma nova sondagem (talvez para hoje), com valores diferentes.

(Daqui)

O miasma andré ventura



«O candidato do PSD para Loures aproveita tudo, até insultos, para propaganda. Mas será de recusar dizer-lhe o nome só porque ele sofre de andré ventura? A Organização Mundial da Saúde tem-se confrontado com o problema das doenças e o nome delas, porque este pode induzir em erro. Por exemplo, um vírus ficou conhecido como gripe suína mesmo não sendo disseminado por porcos. Ora, o candidato do PSD para Loures é notoriamente um andré ventura, até o anuncia nos cartazes. Como a OMS aconselha que as doenças sejam nomeadas em termos descritivos, "miasma andré ventura", no caso estudado, parece-me adequado. Já chamar André Ventura a André Ventura, talvez seja generalizador e até racista -- pode haver pedaços dele que não estejam contaminados de andré ventura. Mas o mais importante é conhecer os truques do vírus. Há dias, no debate da TVI, ele disse: "Sim, Judite de Sousa, tenho medo." Ora, a jornalista não lhe tinha perguntado por medo. O miasma disse-o a despropósito, porque tem fisgado inocular o medo, não como nas vacinas, em doses ínfimas para combater a doença, mas em doses cavalares para a difundir. Depois, interrompeu uma adversária e, quando ela protestou, disse: "Não me interrompa." Sem vergonha nenhuma, convencido de ser tempo que chegue cá a desfaçatez em debates políticos do "chefe do Ocidente", como ele chamou dias depois a um outro miasma, esse, grande e americano. Todos os pequenitos agentes infecciosos sonham pertencer a uma pandemia.»

Ferreira Fernandes

17.9.17

Dica (629)




«Os 200 milhões que o Governo tem avançado não permitem cumprir estes objetivos. Só o desdobramento do segundo e terceiro escalões em outros dois adicionais custaria cerca de 440 milhões, corrigido o efeito nos escalões mais elevados.(…) Se for necessário compensar financeiramente esta escolha, há alternativas. Nomeadamente o aumento da derrama de IRC sobre as empresas com mais lucro.» 
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Alexandre O’Neill para o fim da tarde



Balada da ameixa seca

Vai à mercearia e compra ameixa seca.
P’ra o intestino a ameixa é levada da breca!

O mal do Ocidente – quem há que não o sinta? –
É não ter a tripa sempre limpa.

Com seus altos valores, o Ocidente
Dá por demais ao dente, dá por demais ao dente.

Põe-me os olhos nos povos que só comem arroz:
Dão melhores guerrilheiros do que nós.

Um saquitel de arroz, uma viciclet’,
Arma na bandoleira – e lá vai o viet.

«Noss’povo», ao contrário, come o que apanha à mão.
Até parece fome de muita geração!

E larga, já comido, o corpo em qualquer canto.
Sonha Terceiro Mundo e é Europa, entretanto.

Encostado ao sobreiro ou ao ficheiro,
«Noss’povo» já nada tem de marinheiro.

Sua tripa, represa, é trabalhosa.
Sua prosápia já só é má prosa.

Portugal-do-casqueiro à Europa-das-latas
Manda cortiça, vinho, diplomatas.

Espera contrapartidas: sol-e-vistas
É cartaz que atrai muitos turistas.

Mas com a ameixa seca – coisa pouca! –
É que pode acordar sem amargos de boca.

Vai à mercearia e compra ameixa seca.
P’ra o intestino a ameixa é levada da breca!

Alexandre O’Neill, 1981
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Garantem-me que a imagem não é manipulada




... mas custa a crer. 
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Aung San Suu Kyi, de Cinderela da paz a Madrasta Malvada



Pelo mundo inteiro, e compreensivelmente, aponta-se o dedo a Aung San Suu Kyi pelo seu silêncio em relação aos acontecimentos de que está a ser vítima a minoria rohingya na Birmânia (a própria falará sobre o tema na terça-feira). A realidade não é simples, nem a preto e branco, e começam a ser divulgadas declarações que o sublinham.

«O silêncio a que Desmond Tutu se refere na carta aberta [que dirigiu a Aung San Suu Kyi] tem um nome: rohingya. Um nome que nem a líder da Birmânia nem o discurso oficial de todo o país autoriza que se diga em voz alta: rohingya, a minoria étnica que vive na zona Norte do actual estado birmanês de Rakhine, na fronteira com o Bangladesh, e que é tratada pelas autoridades como um grupo de cidadãos de 4.ª categoria – apesar de viverem há séculos naquela zona, os rohingya são considerados imigrantes do Bangladesh, não fazem parte da gigantesca lista de 155 minorias étnicas reconhecidas oficialmente na Birmânia e nem sequer são tratados pelo nome que o resto do mundo se habituou a ouvir nos últimos meses.

A maioria é muçulmana, num país onde os budistas dominam a paisagem, mas o muro de ódio que se ergueu entre os rohingya e o resto da Birmânia é muito mais nacionalista do que religioso – há muito que a maioria do país preferia que os quase 800 mil rohingya desaparecessem do mapa, se possível para o Bangladesh e de preferência para sempre.

A situação dos rohingya é tão dramática que é comum ouvir responsáveis das Nações Unidas e de organizações de defesa dos direitos humanos a referirem-se a eles como a minoria mais perseguida do mundo. Na Birmânia, são imigrantes do Bangladesh que devia voltar para terra deles; no Bangladesh, onde já estão mais de 300 mil refugiados, o plano do Governo passa por enviá-los para uma pequena ilha no Golfo de Bengala, a 60 quilómetros da costa, que fica debaixo de água entre Junho e Setembro por causa das monções e não tem uma única estrada.

A provação dos rohingya não é de agora, e é por isso que muitos admiradores da coragem e da integridade de Aung San Suu Kyi esperavam que a Nobel da Paz lhes desse a dignidade que reclamam assim que chegasse ao poder. Mas, um ano e meio depois de a antiga activista pró-democracia ter começado a governar o país, a situação dos rohingya só tem piorado – e a mistura de silêncios e de avales indirectos com que a conselheira de Estado tem comentado as operações do Exército birmanês no estado de Rakhine já fez com que muitos dos seus antigos admiradores tenham começado a pedir que lhe tirem o Nobel da Paz. (…)

O pensamento dos seus novos detractores é simples e linear: como a antiga activista foi elevada na Birmânia e no Ocidente à categoria de combatente pela democracia e pelos direitos humanos – o que lhe valeu os prémio Sakharov e Nobel da Paz, entre muitas outras distinções –, então o mínimo que se pode esperar dela é que seja uma voz forte contra a ofensiva do Exército birmanês na região onde vive a maioria dos rohingya. Como isso não aconteceu – e como entretanto a Comissão de Direitos Humanos da ONU e organizações como a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch afirmam que está em curso uma limpeza étnica a roçar o genocídio contra os rohingya –, o compromisso de Suu Kyi com os valores que lhe deram notoriedade em todo o mundo está a ser posto em causa. Por causa dessa pressão internacional, a líder birmanesa decidiu não ir à reunião da Assembleia-Geral da ONU, que começa esta segunda-feira – em vez disso, vai ficar na Birmânia a preparar uma comunicação ao país sobre direitos humanos.

Mas o silêncio de Suu Kyi em relação aos rohingya pode ser mais complicado do que parece à primeira vista, diz Gwen Robinson, especialista em política da Birmânia na universidade tailandesa de Chulalongkorn. Num texto publicado no diário Nikkei Asian Review, com o título Mitos e realidades por trás da crise em Rakhine, Robinson diz que a líder birmanesa está entre a espada e a parede, num país onde os militares continuam a exercer o seu próprio poder, e onde a maioria da população vacila entre a total indiferença e o ódio em relação aos rohingya.

“Internamente, com o ressentimento popular contra os rohingya enraizado na história conturbada da Birmânia, até o silêncio de Suu Kyi perante os excessos militares é visto como uma posição favorável à odiada minoria, enquanto internacionalmente esse silêncio tem sido retratado como uma concordância com a campanha dos militares”, diz a especialista. Segundo Gwen Robinson, Suu Kyi não tem qualquer tipo de ascendente sobre a forte e enraizada máquina militar da Birmânia e “tem medo de perturbar o equilíbrio de poder” e de “dar uma imagem de fraqueza dentro do país” – por outras palavras, uma posição forte contra os ataques do Exército birmanês no estado de Rakhine poderia precipitar um novo golpe de Estado militar, e o regresso à estaca zero para um país que começa a dar os primeiros passos em direcção à democracia.

É este também o ponto de vista defendido por outro Nobel da Paz, o timorense José Ramos-Horta, num texto assinado em conjunto com a australiana Janelle Saffin, sua antiga conselheira. “Ninguém está acima de culpas pelas violações dos direitos humanos que estão a ser cometidos no estado birmanês de Rakhine. Mas, ao apontar apenas o dedo à conselheira de Estado, Aung San Suu Kyi, a comunidade internacional está a permitir que os generais da Birmânia – que levaram o país à desgraça ao longo de décadas – fiquem em segundo plano a assistirem ao escalar da crise.”

Num artigo em que sublinham a fragilidade do processo democrático na Birmânia – com uma Constituição de 2008 que mantém os civis afastados das decisões ligadas à Defesa –, Ramos-Horta e Saffin condenam as atrocidades, acusam os líderes militares e pedem tempo para a Suu Kyi: “Dito de forma simples, criar uma cultura de respeito pelos direitos humanos e pelo primado da lei – há muito ignorado e violado na Birmânia – não vai acontecer de um dia para o outro.”»

16.9.17

Um banco na cidade


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Dica (628)



Dos dois arcos e da luta contra ambos (José Manuel Pureza) 

«Desafiar a direita para um consenso sobre as grandes obras a fazer em Portugal depois de 2020 foi um gesto simbólico de António Costa para disputar eleitorado ao centro. Sucede que, no plano simbólico, a abertura do Governo a um consenso com a direita sinaliza uma vontade. E essa vontade aparece no mesmo momento em que o Governo desvaloriza as negociações à esquerda sobre o orçamento, anunciando orientações (como a da dilação temporal do descongelamento das carreiras ou a da miniaturização do novo escalonamento do IRS) que sabe que ferem o acordo com as esquerdas.»
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A Europa precisa de um Plano B



Marisa Matias no Expresso de 16.09.2017:



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Mélenchon no 1º lugar do pódio da esquerda



Gostaram muito de monsieur Macron que não era nem de esquerda, nem de direita, e que arrasou, não foi? Félicitations!


«Qui incarne le mieux l'avenir de la gauche ? Le leader de la France insoumise domine les réponses. Il est cité par 34% des Français interrogés, ce qui le place sur la première marche du podium.»
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A imbecilidade da praxe e necessidade de quarentena dos seus praticantes



José Pacheco Pereira no Público de hoje:

«“O caloiro é incondicionalmente servil, obediente e resignado”; “não é um ser racional”; “não goza de qualquer direito”. Manual de Sobrevivência do Caloiro Os artigos escritos com fúria são os mais fáceis de fazer. Este foi feito em péssimas condições, começou a ser escrito num restaurante num IPad, continuou numa sala de espera de uma estação de televisão e por fim numa viagem de carro, e acabou num café a 500 quilómetros do sítio original. Foi escrito em emails dirigidos a mim próprio, e não num processador de texto. Várias vezes tive de o enviar com medo de o perder. Mas, mesmo com todas as dificuldades de sítio, movimento, ruído e agitação, a fúria manteve-o vivo. Espero que os meus amigos revisores do PÚBLICO tenham em consideração este caos e me perdoem as gralhas, erros e mau estilo. Também não tenho contadores de palavras e caracteres, pelo que espero que não esteja nem pequeno, nem grande.

Aqui vai pois a fúria.

Há momentos em que se percebe muito bem por que razão este país não anda para a frente e um desses momentos é quando se traz para as ruas o espectáculo da praxe. As universidades, salvo raras e honrosas excepções, não a proíbem dentro das suas instalações, e, quando a escorraçam para os espaços públicos, as autarquias deviam tratá-las como um problema de saúde pública que exige uma forma qualquer de quarentena. Não o fazem. É por isso que não andamos para a frente.

As autarquias permitem que milhares de cidadãos sejam insultados pelo espectáculo da imbecilidade colectiva que se passa nos jardins e nas ruas. Aliás, o que se passa não é diferente do pastoreio das claques de futebol pela polícia de choque, em que um exército excitado e violento ameaça entrar em guerra com o exército do lado. Os espaços públicos pertencem ao público, a todos nós, não podem ser apropriados por actividades violentas e as praxes são um espectáculo de violência da estupidez. E a estupidez até pode matar, mas, mesmo que não mate, magoa a cabeça, o pensamento, a razão, a decência e boa educação. É por isso que não andamos para a frente.

Em muitos sítios não se pode fumar, ter atitudes “indecentes”, provocar os outros passeantes, mas, se forem os meninos e meninas da praxe, está tudo bem.

Mas não está. Se se quer permitir as praxes — o que para mim está bem fora das escolas e das ruas —, ao menos que se proceda com medidas de sanidade pública, como seja atribuir-lhes uns locais vedados, cercados por altos muros, os curros das praças de touros, ou os lotes vazios da selva urbana, os sítios poluídos onde ninguém quer ir, os matadouros abandonados, as fábricas em ruínas, aqueles cenários dos filmes de terror. Aí, se quiserem, podem dedicar-se a rastejar pelo chão, a lamber coisas inomináveis, a fazerem genuflexões “servis” como mandam os manuais da praxe. É por isso que não andamos para a frente.

Quem tem também muitas responsabilidades são os paizinhos e as mãezinhas dos dois lados da praxe, os que mandam e os seus servos, certamente também porque muitos deles andaram já nessas andanças e pelos vistos gostaram. Claro, quando as coisas correm mal, e já correram muito mal, então protestam, mas já é tarde de mais. Eu sei bem que muitos dos praxados e praxantes já são jovens adultos, sem estarem sujeitos à autoridade paternal, mas presumo que continuam a viver com as mamãs, e à custa dos progenitores, pelo que leverage existe — mas, como tudo neste infeliz país destes dias, não é exercido. Não é exercido pelas autoridades académicas que, quando muito, olham para o lado para não verem o nojo de tão baixa função em tão alta universitas, cheia de dignidade latina e de indignidade humana. É por isso que não andamos para a frente.

Não há nada de bom nas praxes, por muito que haja uma escola de sociólogos e antropólogos que aceitam sempre justificar tudo com o fabuloso argumento dos ritos de passagem e da “integração”. Mas, em bom rigor, o que é que distingue estas exibições de autoridade do segundo ano sobre os caloiros do consentimento social da violência doméstica? E afirmam que estas brincadeiras imbecis ajudam os meninos e meninas a “integrarem-se” nas universidades. Estou mesmo a ver os praxados a correrem para os livros no dia seguinte ao fim das semanas da praxe, já muito “integrados” em todas as virtudes dos altos estudos. É por isso que não andamos para a frente.

Tenho muita honra em ter toda a vida combatido estas imbecilidades socialmente perigosas, algumas vezes de forma, digamos, mais consequente. Não conto desistir e talvez assim assegure um lugar no paraíso e possa ver, da minha branca nuvem, as actividades dos diabos. Porque de uma coisa eu tenho a certeza — para entrar no Inferno há praxes, para “integrar” os malditos no exercício da autoridade diabólica, humilhando-os fazendo-os rebolar na lama sulfurosa do Inferno. Boa praxe!» 
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15.9.17

PSD Lisboa – E o ridículo não mata



É uma «Gaiola Aberta», mas não teria lugar na do José Vilhena. 
Só na de Passos Coelho. 
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Dica (627)



Justice Deferred (Entrevista a César Cuauhtémoc García Hernández) 

«DACA only exists because young activists fought fearlessly for it. Its end would be a blow to the movement for immigration justice.» 
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E já lá vão cinco anos



O povo está agora sereno. 
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Praxar a praxe



«"O caloiro é incondicionalmente servil, obediente e resignado"; "não é um ser racional"; "não goza de qualquer direito". As citações são retiradas de um "Manual de Sobrevivência do Caloiro" que está a ser distribuído, nos últimos dias, por alunos mais velhos aos novos estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).

Todos os anos estamos nisto, na maldita praxe. Ainda não tenho filhos na universidade mas espero que, até lá, acabem com a desgraça deste "bullying" encartado. Mas, como já fazem praxe nas escolas secundárias, não sei se ainda vão a tempo - "Ai, Quadros, mas não queres que os teus filhos conheçam as praxes?" Vamos lá ver. Não quero que exista praxe, como não quero que exista a doença dos pezinhos ou o roubo por esticão. Nenhum pai quer que o filho experimente a doença dos pezinhos durante um mês. E deixo aqui o meu apoio a quem a tem.

Aqui há tempos, vi as imagens do filme "Praxis", e fiquei cheio de vontade de ver a minha filha ali agachada com um outro caloiro a fingir que a sodomiza, com um balão pelo meio, e um idiota de óculos escuros e cabelo rapado, de traje, a gritar: "Não é assim que se papa a caloira!" Foi por isso que eu andei a juntar dinheiro para ela ir para a universidade. Se ela não tem ido para a universidade, ainda acabava nalgum bar, a ter de ouvir cenas ordinárias, de uns machos. - "Ai, mas a praxe é uma lição de vida" - se achas isso é porque não sabes o que é a vida. - "Ai, mas a praxe integra" - Também a violação colectiva e uma betoneira com todos lá dentro.

A praxe não tem lugar na universidade. Por alguma razão não existe uma cadeira de luta de cães, uma oral em arrotos, ou uma Universidade Zezé Camarinha. A praxe tem valor de aprendizagem zero. A praxe nunca devia ter saído dos quartéis. Na tropa, onde a submissão tem de ser automática, faz sentido receber os novos com praxe para os integrar naquilo. Na universidade, devia ser o oposto. Deviam ensinar os caloiros a contestar, a evitar conclusões em rebanho, e a não andarem vestidos de escaravelhos. - "Mas um aluno pode dizer que não." E depois? Ninguém devia ter de dizer se quer, ou não, passar por aquilo dentro de uma universidade. É como haver uma disciplina de religião inca com bacanal com animais no pátio da escola, mas só para quem quer. - "Ai, Quadros, mas é tradição." Errado. Com excepção de Coimbra, e é discutível, não é tradição nenhuma. É tanto tradição como o cubo mágico, o ir à picanha, ou o "blockbuster".

"Como é possível que existam universidades onde um aluno tem de assinar um termo de responsabilidade para ser praxado, como se fosse para ser operado ao coração?! "Tens de assinar este termo de responsabilidade, caso me apeteça enfiar-te um hipopótamo e dois coalas pela uretra, e apareçam os donos a reclamar."

Acabem lá com isso.»

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14.9.17

Futurismo tecnológico


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E pensar que tinha 30K bytes o «monstro» com que comecei a trabalhar. E já não havia propriamente dinossauros a passear pelas ruas. 
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Dica (626)



Racistas são os outros (Afonso Camões) 

«A questão ganha acuidade quando 18 agentes da PSP estão acusados pelos crimes de tortura, discriminação racial, sequestro e injúria contra jovens de ascendência cabo-verdiana. E mais quando um dirigente da organização SOS Racismo vem acusar o Governo e a generalidade dos partidos com representação parlamentar de não apresentarem medidas eficazes que contrariem a segregação. Mais ainda quando um Comité das Nações Unidas exorta o Estado português a publicar estatísticas sobre minorias étnicas, para poder avaliar a forma "como os direitos económicos sociais e culturais vigentes se refletem nesses grupos". O próximo Censos está previsto para 2021. Até lá, enquanto o Tribunal Constitucional há de decidir se as nossas estatísticas podem incluir, ou não, a recolha de dados sobre a nossa origem étnica, o assunto permanece tabu, a conversa que evitamos. Racistas são sempre os outros. E, se pudermos, passamos adiante. Como se, ignorando a realidade e efabulando o nosso imaginário colonial, pudéssemos fugir à catarse da história.»
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Praxes e selvajaria



Se não há nenhuma lei específica que preveja penalizações para quem afirma e difunde estas bestialidades, será que não se pode aplicar a da criminalização do piropo? É tudo uma questão de habilidade de um bom advogado.


«“O caloiro é incondicionalmente servil, obediente e resignado”; “não é um ser racional”; “não goza de qualquer direito”. As citações são retiradas de um “Manual de Sobrevivência do Caloiro” que está a ser distribuído, nos últimos dias, por alunos mais velhos aos novos estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).

No “manual” há uma página em que se elenca um conjunto de “direitos, deveres e permissões do caloiro”. “O caloiro não é um ser racional”, começa por ler-se. As considerações que diminuem a condição dos novos alunos sucedem-se: “A espécie em questão não goza de qualquer direito, salvo o da existência (até por vezes questionável) ”; “O caloiro é assexuado”, “Deve ser sempre moderado no uso da palavra (zurra, grunhe, bale e relincha só quando lhe é dada permissão)”. Mais adiante lê-se ainda: “Não é permitido pensar, opinar, gesticular, buzinar, abanar as orelhas ou pôr-se em equilíbrio nas patas anteriores”.» 
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Reductio ad Portugalum



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:


Na íntegra AQUI.
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O PS e o vazio ideológico e político


«O PS está no Governo com base num arranjo parlamentar sui generis na história portuguesa e em muita da história política europeia do pós-guerra. Sabemos que essa aliança foi resultado de um acto defensivo, e que foi de facto uma coligação negativa, para impedir os partidos do PAF de chegarem ao poder. Como solução de conveniência, ela é sólida na defensiva, mas evita discutir qualquer ofensiva, ou seja qualquer futuro. Sempre que essa questão se coloca, a coligação é frágil, como se vê pelo modo como evita discutir qualquer cenário relativo às próximas eleições legislativas. Ora essas eleições vão-se fazer num contexto diferente das de 2015, mas também na sua continuidade. Na verdade, o dilema de 2015, entre o PS, PCP e BE e os defensores do "ajustamento", PSD e CDS, não vai desaparecer de todo, embora seja natural que enfraqueça. Ora, enfraquecendo o dilema político que deu origem à coligação, enfraquecem também os laços entre os partidos PS, PCP e BE, cuja competição eleitoral nas próximas legislativas favorece a direita, muito mais unida quer pelos interesses quer pela política.

Acresce que o balanço positivo destes anos de "geringonça" tem também servido para manter a unidade das forças coligadas, mas não oculta uma contradição que está subsumida em toda a política portuguesa e que tem a ver com as baias da política do Tratado Orçamental e do Eurogrupo e as necessidades de desenvolvimento do País. Ora a conjuntura tem sido muito favorável, mas não deixa de ser conjuntura, enquanto que as imposições "europeias" são estruturais.

A euforia actual é boa para a propaganda, mas má para a cabeça. O que tem sido possível nos últimos anos, e esse é o grande mérito do Governo PS e dos seus aliados, é inverter o alvo da austeridade, permitindo alguma folga salarial, no emprego e nas reformas e pensões, particularmente nos sectores mais empobrecidos da sociedade. A mudança de discurso é igualmente relevante, e tem papel nas expectativas, e as expectativas têm um valor económico e social. Mas é mais o alívio pelo fim da política da troika, do que o fim da política da troika, que continua, a começar pela obsessão do défice zero, a melhor garantia de que um país como Portugal está condenado a longos anos de estagnação. Como Cavaco Silva e Passos Coelho admitiram, a política que apoiavam e seguiam era para décadas de "ajustamento", e tinham razão no tempo, embora estivessem completamente errados nos resultados e no menosprezo pelos factores democráticos que afectam a economia, como se viu nas eleições legislativas com o milagre da "geringonça".

Dito isto tudo, a questão é saber por que razão o PS, o partido mais interessado em discutir a actual situação e o seu desenvolvimento futuro, um partido que sempre se gabou do seu papel "intelectual", foge como o diabo da cruz a fazer essa análise e discussão. A resposta é simples e é má: o PS tornou-se um partido de poder com uma nomenclatura pouco diferente nos seus interesses da do PSD, com quem partilha esta morte "teórica". Está à espera que Costa e o seu grupo decidam ou dos aspectos mais pragmáticos das relações na coligação, e por isso não quer, como o PSD não quer, qualificar o debate político. Este é um dos factores da crise política da democracia e favorece o populismo.»